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Nas últimas três décadas, as organizações brasileiras, tanto privadas como públicas, de forma crescente passaram valorizar o conhecimento como fator predominante na gestão (Santos et al, 2001). Hoje conhecimento se torna mais importante, ou seja, o estoque de capital intelectual é importante porque a econômica que está sendo criada é a economia do conhecimento, ou

57 seja, a passagem “das mãos para mente” fará com que a informação e as ideias sejam a matéria-prima para realizar o trabalho. Segundo An Illustrated

Guide to Knowledge Management (s.d), a Gestão do Conhecimento está

centrado no conhecimento como fator de produção e gerenciamento do ambiente organizacional, a fim de dar suporte à transferência do conhecimento individual e à consequente criação do conhecimento coletivo, dois essenciais fatores no processo de criação de valor. Assim como as TICs auxiliam na transferência do conhecimento para suprir os repositórios de conhecimento, e com métodos para capturar e recuperar o conhecimento, com certa limitação quanto as dimensões do conhecimento.

A Gestão do Conhecimento não é considerada como um fim em si mesmo, mas o gerenciamento da organização com foco no conhecimento. Drucker (2001) afirma que a próxima Sociedade seria chamada de Sociedade do conhecimento. O conhecimento será o recurso chave e os trabalhadores do conhecimento serão o grupo dominante na força de trabalho desta sociedade. Esta Sociedade será a mais competitiva de todas, para as organizações e para os indivíduos.

Para Castells (1999) a nova economia é informacional e global. Ela é informacional porque a produtividade e a competitividade tanto das empresas como das nações dependem basicamente de sua capacidade de gerar, processar e aplicar de forma eficiente à informação baseada em conhecimento. É global porque as principais atividades produtivas e seus componentes, a circulação e o consumo estão organizados em escala global, através de conexões entre os agentes econômicos. O autor conclui que a nova economia é a capacidade tecnológica de processar informação, gerando novos conhecimentos.

Conforme afirma Crawford (1994) a economia do conhecimento é uma economia de processamento de informações na qual os computadores e as telecomunicações são elementos fundamentais e estratégicos. Pesquisa científica e educação são as bases da geração da riqueza. A organização econômica e social é centrada na posse da informação, do conhecimento e na utilização do capital humano. Para o autor na econômica do conhecimento, novas formas de administração de organizações são desenvolvidas, utilizando tecnologias intensivas e enfatizando os recursos humanos.

Drucker (apud Nonaka, 1997) afirma que na nova economia, o conhecimento não é apenas mais um recurso, ao lado dos tradicionais fatores de produção – trabalho, capital e terra – mas sim o único recurso significativo atualmente é o que torna singular a nova Sociedade O poder econômico e de produção de uma organização está mais em suas capacidades intelectuais e de serviço do que em seus ativos imobilizados, como terra, instalações e equipamento como diz Drucker (2001) capital do trabalhador

58 do conhecimento é o maior ativo, pois o valor dos produtos e serviços depende de como os fatores intangíveis buscados no conhecimento – como

know–how tecnológico, projeto do produto, marketing, compreensão do

cliente, criatividade e inovação – podem ser desenvolvidos.

Na opinião de Crawford (1994) na economia do conhecimento possuem quatro características: 1. O conhecimento é difundível e se auto reproduz, quando utilizado para desempenhar uma tarefa é mais profundo; 2. O conhecimento é substituível, podendo substituir terra, trabalho e capital; 3. O conhecimento é transportável, move-se na velocidade da luz, via internet, por exemplo; 4. O conhecimento é compartilhável, a sua transferência para outros indivíduos não impede o uso deste mesmo conhecimento por seu original detentor.

A Gestão do Conhecimento está intimamente ligada ao conceito de “capital intelectual” e “aprendizagem organizacional”- aquele que não está nas máquinas ou produtos de uma organização e sim nas pessoas que lá trabalham ou, mais precisamente, dentro de suas mentes. Os critérios de avaliação do patrimônio intelectual envolvem elementos abstratos quanto determinantes: talento, criatividade, capacidade de análise, experiência, intuição, inteligência.

A Gestão do Conhecimento pretende ser um instrumento para identificar, medir, gerenciar e socializar os fenômenos intangíveis. As organizações têm a sua disposição praticamente a mesma tecnologia: computadores, Internet, entre outros, mas o que fará diferença serão os indivíduos e, principalmente, o conhecimento que elas têm. Uma das propostas desse novo sistema de gestão é mapear o conhecimento e transmiti-lo a todos. Na primeira geração dos estudos a meta ideal da Gestão do Conhecimento é a informação em tempo hábil para a tomada de decisão, ênfase em iniciativas de reengenharia, automação da gestão e do binômio tecnologia/eficiência, surge o termo capital intelectual. E logo em seguida surge como marco o modelo de criação do conhecimento, inserindo uma crítica ao dualismo na concepção de conhecimento tácito e explícito, em detrimento de uma visão dialética, o objetivo principal é compartilhar as ideias, valores e imagens individuais uns com outros (Nonaka, 1997; Senge, 1998; Stewart,1998; Sveiby, 1998; Davenport e Prusak, 1998).

O importante recurso, afirma Shariq (1997), é a incorporação dos ativos de conhecimento: capital intelectual humano e a tecnologia para a qualidade e produtividade do conhecimento. O conhecimento disciplinar tradicional está limitado em sua habilidade para apoiar as decisões desafiadoras diante do futuro incerto. A estabilidade global no futuro dependerá da habilidade da sociedade dirigir-se simultaneamente em três

59 pontos fundamentais: da prosperidade, segurança e sustentabilidade centrada na formação de uma sociedade profissional de Gestão do Conhecimento.

O desafio é colocar o conhecimento como recurso estratégico, como ponto central da educação para criar prosperidade global na economia baseada no conhecimento. Desenvolvendo modos efetivos como os processos de criação e transferência de conhecimento; uso responsável do potencial dos ativos de conhecimento: capital intelectual humano e tecnologia como principal fator da inovação, para que os cidadãos do mundo tenham acesso à educação e oportunidades para adaptar e prosperar no próximo século. Para isso o autor propõe a emergência da disciplina Gestão do Conhecimento mantida por uma sociedade internacional: comunidade de estudantes, professores peritos em disciplinas acadêmicas (informática, administração, ciências cognitivas, economias, finanças, política, lei, ciências sociais), profissionais de negócios e Governo serão essenciais à coesão de um corpo integrativo e multidisciplinar de conhecimento que conduz à formação de uma disciplina nova, estabelecendo assim uma cultura de investimentos em ativos intelectuais.

Shariq (1997) cita que a vantagem competitiva da e-learning, com ferramentas baseadas em rede, proporcionará a formação da rede virtual de conhecimento global trabalhando dentro de uma visão comum, que focaliza problemas localmente, mas de uma perspectiva global. A organização da sociedade deverá evoluir para se tornar um inclusivo apoiado em uma intendência compartilhada e compromissada. Formando o protótipo de uma Universidade como uma comunidade de conhecimento do futuro em tempo real, compartilhando as recentes pesquisas e provendo um conselho profissional que orientará incluindo a filosofia de auto-gestão da carreira, como uma base para facilitar a formação de uma Gestão do Conhecimento global baseada em Rede.

O uso das novas TICs aproxima indústria, laboratórios de Governo e a comunidade de inteligência, Universidades, conduzindo programas de desenvolvimento e ferramentas específicas para a era de conhecimento apoiando as necessidades dos profissionais do conhecimento e das organizações. Cita-se o exemplo do Vale do Silício como referência e liderança, em inovação das TICs, para a manutenção da Sociedade do Conhecimento. A Sociedade no desenvolvimento das oportunidades pró- ativas baseadas na economia do conhecimento, permitirá investimentos na educação em todos os níveis, idades e lugares. Facilitando a mudança adaptável a uma ordem mundial estável no século XXI focalizando os três assuntos fundamentais: prosperidade, segurança e sustentabilidade.

A economia de conhecimento é constituída por enormes fluxos de investimento em capital humano, bem como em TICs. Embora pareça novo

60 como teoria, o capital intelectual, na prática existe há anos na forma de bom senso. No entanto, sabe-se que os ativos invisíveis ou intangíveis de uma organização, que proporcionam também a criação de valor, compõe o capital intelectual. A definição de capital intelectual não é só a capacidade intelectual humana, mas também nomes de produtos, design, marcas registradas, liderança tecnológica, lealdade dos clientes, relacionamento com os fornecedores, treinamento constante dos colaboradores, sistema de informações, indicadores de qualidade, etc. Quando surge um novo conceito o que ocorre são as mais diversas tentativas de definições tendenciosas. Assim os profissionais de recursos humanos, direcionam a definição de capital intelectual para a capacidade intelectual, a inteligência, o conhecimento existente dentro de uma organização. Os profissionais de marketing valorizam os aspectos da marca, o relacionamento com clientes, etc.. Os profissionais de TICs destaca a importância dos sistemas de informações (internet, intranet, etc.) para disseminação do conhecimento dentro da organização. Os especialistas de P&D valorizam a liderança tecnológica e o desenvolvimento de novos produtos. Assim como os profissionais da contabilidade finanças, da produção, etc.

Na opinião de Edvinsson e Malone (1998) o capital assumem duas formas: Capital Humano: Conhecimento, experiência, poder de inovação, habilidades e competências dos indivíduos; valores, cultura e a filosofia da organização. O capital humano não é propriedade da organização; Capital Estrutural: Os sistemas de informações, software, os bancos de dados, as marcas registradas e toda capacidade organizacional que apoia a produtividade do capital humano, ou seja, tudo que permanece na organização quando o indivíduo volta para casa. O capital é constituído pelo capital de clientes; capital organizacional, composto pelo capital de inovação e de processos. Em suma, a proposta é a soma do capital estrutural e humano é o capital intelectual.

Resume-se que na primeira geração da Gestão do Conhecimento, a palavra conhecimento com foco na distribuição de informação aos tomadores de decisão para uso oportuno. Com ênfase também na TI logo direcionou o foco para a conversão do conhecimento tácito em explícito, inspirado no modelo de conversão de Nonaka e Takeuchi (1997), conhecido como modelo SECI (Socialização, Externalização, Combinação e Internalização), muito difundido e aceito pelos pensadores e estudiosos da Gestão do Conhecimento. Composta de três estágios de evolução considera o primeiro desses estágios como um campo que foi originalmente conduzido pelas TICs: domínio da Web, das melhores práticas, das lições aprendidas e, o mais importante, do compartilhamento do conhecimento. O segundo estágio abordou o campo de estudo dos fatores humanos, vistos como sistemas de

61 pensamento e criação de conhecimento a partir da conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito. Já o terceiro estágio retoma a influência das TICs, desta vez como ferramenta importante para a construção e uso de taxonomia.

A segunda geração, trazida por Snowden (2002) que, assim como a teoria de Nonaka e Takeuchi (1997), trouxe para o campo da Gestão do Conhecimento uma discussão e aprofundamento de ideias e conceitos sobre o conhecimento, ou seja, pela visão paradoxal. Para o autor o conhecimento é visto paradoxalmente como coisa (gestão de conteúdo) e fluxo (gestão de contexto e narrativa), requerendo diversas abordagens gerenciais. Preconiza como ferramentas, técnicas antropológicas para desvelar o conhecimento: Análise de Redes Sociais; histórias como forma avançada de repositório de conhecimento e modelo just-in-time de Gestão do Conhecimento, que gerencia tanto o conhecimento quanto os canais por onde ele flui entre comunidades formais e informais. Caracteriza-se, ainda, pela centralidade dos conceitos de gestão de contexto, de narrativa e de conteúdo, pelo entendimento da organização como um sistema adaptativo complexo e pelo questionamento da ortodoxia da administração científica.

As bases da teoria de Snowden (2002) estão fundamentadas em três heurísticas: i) conhecimento somente pode ser voluntário, ele não pode ser recrutado, pelo simples fato de que nunca poderemos verdadeiramente saber se as pessoas estão usando o conhecimento delas em sua plenitude; ii) sempre sabemos mais do que falamos e sempre falaremos mais do que escrevemos, pois a natureza do conhecimento é o que nós sabemos ou somos capazes de saber mais do que o tempo físico que dispomos para dizer, ou a habilidade conceitual que temos para nos expressar; e iii) somente sabemos que sabemos quando necessitamos saber. O conhecimento humano é contextual; ele é ativado pelas circunstâncias. Para entender o que as pessoas sabem, se recria o contexto do conhecimento, ou seja, ser capaz de fazer uma pergunta significativa ou de ativar o uso do conhecimento, afirma o autor. Além destas três heurísticas que dão sustentação a sua teoria, Snowden (2002) concebe as organizações no âmbito dos fenômenos dos sistemas adaptativos complexos, cuja fundamentação está no foco da Teoria da Complexidade.

De acordo com Snowden (2002), existe um entendimento de que as organizações estão engajadas num senso prático pela utilização dos sistemas adaptativos complexos que são refreados pelos atos humanos de livre vontade de tentar ordená-los. Na elaboração da sua teoria, rejeita a gestão científica e seus modelos mecanicistas como relevantes para a Gestão do Conhecimento, pois para o autor a visão mecanicista da era Newtoniana impede que a ciência amplie o seu ângulo de visão e faça releituras que

62 possam redundar na geração de novas ideias, pensamentos e conceitos. Em sua opinião, assim como de muitos outros filósofos e cientistas, citados por ele, o paradoxo é compreendido como um meio de criação de conhecimento novo. O autor se espelha no exemplo dos físicos, que ao romperem com a era Newtoniana, têm aceitado que os elétrons são paradoxalmente ondas e partículas. Conforme o olhar pode ser considerado como ondas, e o serão ondas, ou poderão ser partículas, e o serão. Nenhuma atitude é errada por si só, mas pode ser errada para um determinado ambiente: depende das circunstâncias.

Para Snowden (2002), resume-se o conhecimento em 4 eixos principais ou quadrantes. Os quatro quadrantes ilustram ambientes diferentes que requerem atitudes diferentes: 1. o que se sabe (known) - o domínio do atual, onde relações de causa e efeito se repetem e são previsíveis; 2. o que se pode saber (knowable) - o domínio do provável, onde relações de causa e efeito se repetem mas são distantes no tempo e no espaço; 3. complexo (complex) - o domínio das muitas possibilidades, onde causa e efeito fazem sentido em retrospectiva e se repetem acidentalmente (há padrões que podem mudar); e, 4. caótico (chaos) - o domínio do inconcebível, onde não se conseguem perceber relações de causas e efeito (há potencial para padrões).

Conforme Snowden (2002), os quadrantes do que se sabe e do que se pode saber permitem conhecimento daquele que se ensina e aprende. Os quadrantes do complexo e do caótico requerem conhecimento experimental. Os quatro quadrantes ilustram ambientes diferentes que requerem atitudes diferentes. Nenhuma atitude é errada por si só, mas pode ser errada para um determinado ambiente: depende dos contextos. Os ambientes do knowable e do known são os preferidos pelas organizações. Por exemplo, quando duas organizações se juntam, a mais burocrática geralmente ganha, já que a gestão demanda impor alguns processos e alguma estrutura às regras e culturas das duas organizações.

Snowden (2002) diz que não é possível gerir ambientes complexos: apenas é possível gerir a formação de padrões. Por exemplo, se está em um ambiente caótico, pode-se criar “atratores” que facilita a mudança para um ambiente complexo. Uma vez num ambiente complexo, pode identificar padrões, estabilizar os padrões desejados e interromper os que não se quer, mas pode-se tentar intervir no ambiente para que os padrões desejados sejam mais prováveis. Os padrões estabilizados podem permitir-lhe mudar para o quadrante do knowable. O processo de categorização permite olhar o conhecimento, mas inibe a criação de novo conhecimento. Sensemaking é utilizado para explorar novo conhecimento, mas depois se faz necessário categorizá-lo. A conclusão que o autor chega é de que precisa-se de ambos os dois processos: categorização e sensemaking.

63 Para Choo (2003), organizações do conhecimento são aquelas que fazem uso estratégico da informação para atuação em três arenas distintas e imbricadas, a saber: (1) sensemaking ou construção de sentido, (2) criação de conhecimento - através da aprendizagem organizacional e (3) tomada de decisão - com base no princípio da racionalidade limitada de Herbert Simon (1965) que caracteriza os processos administrativos como processos decisórios.

Na etapa de construção de sentido, Choo (2003) afirma que o objetivo imediato do sensemaking é permitir aos membros da organização a construção de um entendimento compartilhado do que é a organização e o que ela faz. O objetivo de longo prazo é a garantia de que a empresa se adapte e continue a prosperar em um ambiente dinâmico e mutável. As organizações enfrentam questões como a redução da incerteza e o gerenciamento da ambiguidade. A inteligência competitiva, a monitoração ambiental e temas correlatos são iniciativas empresariais de construção de sentido. Para que se tenha uma ideia da extensão e amplitude da área, existe uma miríade de iniciativas e ferramentas aplicadas para a construção de sentido, a saber: inteligência do concorrente, competitiva, social, empresarial, prospecção tecnológica, gerenciamento de questões estratégicas, informação para negócios, dentre outros. A linha divisória entre as várias abordagens, iniciativas e ferramentas pode ser estabelecida pela conjugação entre duas variáveis: o escopo da coleta de dados e o horizonte temporal considerado.

Desenvolvida por Firestone e McElroy (2001,2003), consultores e sócios fundadores do Consórcio Internacional de Gestão do Conhecimento, com base no trabalho inicial de McElroy (1999, 2002). A terceira geração defendida nos estudos de Firestone e McElroy (2001) consta que o primeiro estágio da Gestão do Conhecimento focou apenas o compartilhamento de conhecimento, ou seja, o lado da oferta de conhecimento. O desafio da Gestão do Conhecimento neste estágio foi a reunião deliberada da grande massa de conhecimento tradicionalmente constante nas mentes, habilidades manuais e destreza dos trabalhadores, adquirida ao longo dos anos de experiência, e, depois, registrá-la e tabulá-la para, finalmente, reduzi-la a leis, regras, fórmulas etc., de modo a ser aplicada no dia-a-dia do trabalho, mediante cooperação mútua dos trabalhadores. Ao final deste processo, o aprendizado resultaria primeiro, em maior qualidade de desempenho por trabalhador e, segundo, em maior capacidade das organizações na obtenção de maiores lucros e, consequentemente, no pagamento de melhores salários. Porém, a capacidade de gerar conhecimento novo a partir de conhecimento valioso existente é limitada, o que limita também os resultados que se busca alcançar.

64 Um segundo estágio de desenvolvimento da Gestão do Conhecimento, de acordo com a teoria de Firestone e McElroy (2001), é trabalhar com a ideia de que Gestão do Conhecimento é uma moeda que possui dois lados: o do compartilhamento de conhecimento (lado da oferta de conhecimento), trabalhado no primeiro estágio, e o da produção de conhecimento, ou lado da demanda de conhecimento, objeto de estudo deste estágio, sendo denominado por Firestone e McElroy (2001) de “segunda geração da Gestão do Conhecimento” ou “Nova Gestão do Conhecimento” não foca somente na oferta de conhecimento valioso existente. Busca aumentar a capacidade da organização de satisfazer sua demanda de conhecimento novo, ou seja, focar também na demanda de conhecimento. Não importa apenas compartilhar conhecimento ou produzir conhecimento, ambos importam. Resume-se o desenvolvimento da Gestão do Conhecimento em quatros eixos principal: 1.Gestão do Conhecimento social de demanda (demand-side social

knowledge); 2.Gestão do Conhecimento técnica de demanda (demand-side

technical knowledge); 3.Gestão do Conhecimento social de oferta (supply-

side social knowledge); 4.Gestão do Conhecimento técnica de oferta (supply-

side technical knowledge).

O terceiro estágio é a concepção de sistemas naturais de processamento de conhecimento, sobre os quais atuam a Gestão de Conhecimento, como sistemas adaptativos complexos, definidos como um “sistema aberto dirigido por objetivos e tentando adaptar-se a seu ambiente”, afirmam Firestone e McElroy (2001: 61). Segundo Holland (1997), os agentes em um sistema, simples ou compostos, são estruturalmente determinados por regras que determinam sua resposta a estímulos do ambiente (o meio e outros agentes). As mudanças nas estruturas baseiam-se na experiência do sistema e propiciam a adaptação. Esses sistemas são formados por sete elementos básicos: quatro propriedades e três mecanismos. Os sistemas internos da organização devem ser reconhecidos como sociais complexos e emergentes. É possível gerar impactos nesses tipos de sistemas com a atuação em pontos-chave, afirma o autor.

Assim a partir desta compreensão, a perspectiva da nova Gestão do Conhecimento introduz elementos fundamentais de estudo, alguns já abordados em outras teorias e outros considerados novos. Estes conceitos incluem dez ideias chaves: o ciclo de vida do conhecimento; gestão de conhecimento versus processamento de conhecimento; lado da oferta versus lado da demanda do conhecimento; domínio aninhado de conhecimento; recipientes de conhecimento; aprendizagem organizacional; empresa aberta; capital social de inovação, auto-organização e Teoria da Complexidade; e inovação sustentável (Firestone e McElroy, 2003).

65 Para McElroy (2002) neste contexto de terceira geração a Gestão do Conhecimento é um processo de grupo que combina o domínio de