conhecimento tácito e explícito. Sem a acumulação de conhecimento tácito, não é possível criar outro conhecimento que seja possível transformar em conhecimento explícito. Para suportar o fluxo de produção de conhecimento, as organizações demandam mídias que apoiem a implantação da Gestão do Conhecimento na geração, síntese e compartilhamento do conhecimento. A mídia Internet é a estratégia principal escolhida pelo e-Gov e entende-se no contexto tecnológico e cultural que está inserida.
A Gestão de Conhecimento é útil para a Administração Pública, pois o conhecimento é a base para uma administração derivar as suas decisões e ações. As administrações públicas fortes são aquelas que têm documentado seus processos e estruturas. E se a informação fornecida pelo cidadão está claramente especificada, o processo administrativo pode ser automatizado em um elevado nível, limitando a interação humana para as decisões efetivas e consultas pelos cidadãos, afirma Reffat (2006). Conhecimento, neste contexto, compreende fatos, estruturas, componentes processuais, bem como conhecimento no sentido de ciência da computação, ou seja, modelagem de dados e inteligência artificial, isto é, regras, objetos, frames e relacionamentos.
A utilização da Gestão do Conhecimento no setor público é uma estratégia de um caminho para o melhor desempenho e para o melhor relacionamento interno e externo das organizações desse setor, afirmam Fresneda e Gonçalves, 2008. Segundo os autores a viabilidade de qualquer Sociedade depende da qualidade do fornecimento dos serviços públicos e essa qualidade é influenciada por vários fatores: estrutura governamental, responsabilidades, capacidades, informação, especialização do quadro de servidores e conhecimento disponível. Entre todos esses fatores o autor considera o conhecimento como o maior possibilitador – o recurso básico que governa a natureza e a direção das ações. Sem o conhecimento adequado, as ações terão como base a ignorância e serão arbitrárias ou sem efetividade.
83 A fase chave do crescimento expressivo da Internet, relacionado ao e- Gov, começa em 1993, coincidindo com o período inicial do maior esforço governamental a revisão da performance nacional (National Performance
Review- NPR), liderada pelo vice-presidente Al Gore- EEUU, onde o
Governo tinha como meta construir um Governo Digital, em parte pela estratégia de criar agencias virtuais. A agência virtual seguiu o modelo de portal da web utilizado na economia, organizando clientes – estudantes, empresários, etc. Cada website é projetado para prover os produtos e serviços do Governo e informações sobre qualquer agencia governamental, bem como
links relevantes fora da organização governamental, afirma Fountain (2001).
No contexto do Brasil partir de 2003, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, por meio da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI), exerce as atribuições de secretaria executiva do Programa de Governo Eletrônico, garantindo o apoio técnico-administrativo necessário ao funcionamento do Comitê Executivo de Governo Eletrônico. Em 29 de novembro de 2003, a Presidência da República publicou um decreto que instituiu oito comitês técnicos no Comitê Executivo do Governo Eletrônico: inclusão digital; gestão de websites e serviços online; implementação do software livre; integração de sistemas; infraestrutura de redes; Gestão do Conhecimento e informação estratégica; governo para governo; e sistemas legados e licenças de software.
O Comitê Executivo do Governo Eletrônico (2004) compreende a Gestão do Conhecimento como um conjunto de processos sistematizados, articulados e intencionais, capazes de incrementar a habilidade dos gestores públicos em criar, coletar, organizar, transferir e compartilhar informações e conhecimentos estratégicos, que auxiliam para a tomada de decisões, para a gestão de políticas públicas e para inclusão do cidadão como produtor de conhecimento coletivo.
No Brasil, a importância de uma política de Gestão do Conhecimento para o setor público foi indicada por um estudo efetuado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA/2005) que apontou que as iniciativas isoladas; os esforços pulverizados, muitas vezes em um mesmo ministério; a ausência de comunicação e compartilhamento de informações internamente e entre as organizações sobre práticas de Gestão do Conhecimento; e o desconhecimento do tema entre membros da alta administração, chefias intermediárias e servidores de maneira geral, demonstra que para que ocorra a massificação da Gestão do Conhecimento na Administração Direta uma política de Gestão do Conhecimento faz-se necessária (Fresneda e Gonçalves, 2008).
O processo de construção do Programa de e-Gov Brasileiro foi instituído na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso (1999-2002)
84 evoluiu na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006). No Brasil a implementação do e-Gov se deu por meio da Casa Civil da Presidência da República, através do Decreto Presidencial de 3 de abril de 2000, quando instituiu o Grupo de Trabalho Interministerial com a finalidade de examinar e propor políticas, diretrizes e normas relacionadas com as novas formas eletrônicas de interação. O Programa de Governo Eletrônico (Brasil, 2001) foi inicialmente sob a coordenação política da Presidência da República, com apoio técnico e gerencial da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI), do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Essa atuação foi sustentada por um comitê integrado pelos secretários executivos (e cargos equivalentes) dos ministérios e órgãos da Presidência da República, denominado Comitê Executivo de Governo Eletrônico (CEGE). Este foi inserido dentro da política do Governo Brasileiro com objetivo de lançar as bases para a criação de uma nova sociedade digital. Em 2003, durante o Governo Inácio Luis da Silva, 8 Comitês Técnicos de Governo Eletrônico foi criado e 7 diretrizes gerais de Governo Eletrônico foram estabelecidas. No ano seguinte, o Relatório Consolidado das Comissões Técnicas foi publicado, retratando o planejamento para a realização de ações no Governo Eletrônico no Brasil até 2006.
O Comitê assumindo o papel de facilitador na busca dos objetivos do programa, suas ações reuniram-se com as metas do programa Sociedade da Informação, coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, descritas no Livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil - é uma proposta inicial de ações concretas, composta de planejamento, orçamento, execução. Inicialmente, concentrou esforços em três das sete linhas de ação do programa Sociedade da Informação: Universalização de serviços, Governo ao alcance de todos e Infra-estrutura avançada. Assim, GTTI propôs uma nova política de interação eletrônica do Governo com a Sociedade. Os subgrupos criados nas áreas de Aplicação, Infra-Estrutura e Legislação propuseram políticas, diretrizes e metas a serem alcançadas até 2006. (Comitê Executivo de Governo Eletrônico, 2002).
A proposta partiu da existência de um amplo conjunto de serviços na Internet e de um portal de website único de serviços e informações ao cidadão, denominado Rede Governo. A proposta é priorizar a incorporação das novas tecnologias da informação aos processos administrativos do governo e à prestação de serviços ao cidadão. Inicialmente, foram implantados no portal Rede Governo, no final de 2001, cerca de 1.350 serviços e 11 mil tipos de informação disponíveis. No final de 2002, o número de serviços já havia crescido para cerca de 1.700, com
85 aproximadamente 22 mil links de acesso direto a serviços e informações de outros websites governamentais.
As informações propagadas na comunidade virtual são importantes para o usuário, porém, para Spyer (2007), o principal atrativo de uma comunidade é seus participantes. O usuário contribui com a comunidade quando percebe que poderá interagir com outro usuário que fornecerá informações relevantes sobre um determinado assunto. Os limites entre as atuações dos usuários dentro da Rede estão diretamente ligados as relações de interesse estabelecidas com o meio online, então o mesmo usuário poderá ser chamado de ciberleitor, cibernauta ou cibercidadão.
O usuário que contribui no ambiente virtual, para uma comunidade virtual que tem por interesse questões relacionadas à cidadania, é considerado um cibercidadão, afirma Nicola (2003). Enquanto o ciberleitor pesquisa conteúdos e procura por informações nos textos digitais regularmente, o cibercidadão participa e colabora com a comunidade, engaja- se nas questões sociais, interage com outros cibercidadãos por meios de salas de bate-papo (chats), fóruns, participa de debates em listas de discussões, afirma Nicola (2003). Wenger (2001) e Nickols (2000) acrescentam outras formas de comunicação como glossários compartilhados, depósitos de documentos de referência e por meio de vídeo e áudio (videoconferência), assim como instrumentos de uso tradicionais, como o telefone e fax, possibilitam a criação de espaços para interação entre os cidadãos.
Spyer (2007) cita algumas razões para os indivíduos oferecerem gratuitamente uma informação que fora da Rede sairia caro. A primeira o autor define como presente, aquele que recebe não reclama e aquele que dá e não espera uma retribuição. No caso da comunidade virtual, o cibercidadão colabora com uma informação e esta seria um presente para o grupo. O grupo a recebe e se sente motivado a dar um retorno, embora isto não seja obrigatório. Entretanto, uma relação em que só uma pessoa contribui e não recebe nada em troca corre o risco de se romper. Outra razão para a colaboração gratuita seria os bens digitais, que são as informações disponíveis para todos se beneficiarem. Segundo o autor, motivações como reciprocidade, prestígio, incentivo social e incentivo moral também contribuem para estimular a colaboração do cibercidadão nas comunidades virtuais.
Lévy (2003:367) destaca que, juntamente com “as comunidades virtuais e o voto eletrônico, o e-government completaria o quadro da democracia na Sociedade da Informação. A passagem para o e-government visa reforçar as capacidades de ação das populações administradas, mais do que sujeitá-las a um poder”. De acordo com Lévy (2003: 372) “as mídias interativas e as comunidades virtuais desterritorializadas abrem uma nova
86 esfera pública em que floresce a liberdade de expressão. A Internet propõe um espaço de comunicação inclusivo, transparente e universal, que dá margem à renovação profunda das condições da vida pública no sentido de uma liberdade e de uma responsabilidade maior dos cidadãos”.
Para Lévy (2003) a constituição do e-Gov viabiliza uma revolução cultural, com redução de níveis hierárquicos, rompimento da separação entre serviços e circulação fluida da informação, transparência, diálogo aberto ao cibercidadão. O autor acredita que a questão principal na interface entre política e novas TICs seja o tipo de interface adotada: passivo e unidirecional ou dialógico e participativo. Destaca-se a interface dialógica e participativa com acesso a tais informações, no âmbito do Governo Federal do Brasil, sistematizado pelo Ministério do Planejamento pelo portal http://www.redegoverno.gov.br, com ampla variedade de informações governamentais para o cidadão na Internet.
O Livro Verde do Programa Sociedade da Informação no Brasil (Takahashi, 2000) defende a generalização dos Serviços de Cidadania, o que significa conceber soluções e promover ações que envolvem de expansão e melhoria da infra-estrutura de acesso à informação aos cidadãos que, informados e conscientes, podem utilizar os serviços disponíveis na Rede. Esta proposta inclui como inerente ao conceito de inclusão digital, não apenas a aquisição das competências básicas para o uso dos computadores e da Internet, mas também o treinamento para a utilização desses meios em nome de interesses individuais e da comunidade e necessidades, com responsabilidade e um senso de cidadania. Este conceito é conhecido como o Programa de Alfabetização Digital, ratificada nas concepções de e-Gov Brasileiro (Grupo de Trabalho Novas Formas Eletrônicas de Interação, 2000; Brasil, 2002), cuja implementação é estratégica para o país, principalmente por meio de seu portal Rede Governo www.e.gov.br. O Portal incorpora os serviços e informações oferecidos aos cidadãos com segurança e qualidade. Neste processo, o Governo se apresenta para os cidadãos como uma entidade única, com interfaces amigáveis, com livre acesso às bases de dados considerados bens públicos, com as exceções previstas por lei disponobilizados na Internet (Silva e Borges de Lima, 2005).
Na discussão do conceito na primeira fase da pesquisa e relatados em Silva e Borges de Lima (2005), foi visto que a inclusão digital efetiva exige a confluência de: infra-estrutura tecnológica, informação relevante e de intermediação, que fornece a indivíduos com formação para a compreensão de acesso, assimilar e utilizar informações em seus próprios e da sua comunidade benefício. O acesso e uso da informação, de acordo com Silva e Borges de Lima (2005) é um instrumento modificador da consciência do homem. Informação, quando adequadamente adotado, produz conhecimento
87 e modifica o estoque mental do indivíduo do conhecimento, proporciona benefícios para o seu desenvolvimento e para o bem-estar da sociedade.
No Brasil, o e-Gov segue uma série de diretrizes e determinações com o objetivo de tornar o Governo acessível ao cidadão, aprimorando a prestação dos produtos e serviços públicos para fortalecer a participação do cidadão pelo acesso a informação. Citam-se a seguir os modelos que estão apoiados nos critérios citados anteriormente.
O Modelo de Usabilidade do Governo Federal do Brasil - Padrões Brasil e-Gov: Cartilha de Usabilidade tem como objetivo apresentar a usabilidade digital, inserindo-a no contexto das TICs e manutenção dos ambientes virtuais do Governo brasileiro. Propõe ser um guia na aplicação da usabilidade em ambientes virtuais da Administração Pública de forma clara e fácil. O modelo possui recomendações que devem ser observadas, assim como subsídios para testes que podem ser utilizados tanto pela equipe interna do órgão quanto para a contratação ou licitação. Enfatiza-se que a usabilidade deve ser observada em todas as interfaces digitais dos ambientes virtuais do Governo brasileiro com o cidadão, assim como a acessibilidade.
O Modelo de Acessibilidade do Governo Federal do Brasil (e-MAG) consiste em um conjunto de recomendações a ser considerado para que o processo de acessibilidade dos ambientes virtuais do Governo brasileiro seja conduzido de forma padronizada e de fácil implementação. A acessibilidade se dá nos ambientes virtuais da Administração Pública na Internet garantindo aos cidadãos o pleno acesso aos conteúdos disponíveis, deste modo o Modelo e-MAG é coerente com as necessidades brasileiras e em conformidade com os padrões internacionais. Foi formulado para orientar profissionais que tenham contato com publicação de informações ou serviços na Internet a desenvolver, alterar e/ou adequar os ambientes virtuais, tornando-os acessíveis ao maior número de usuários.
O Modelo de Interoperabilidade Governo Federal do Brasil (e-Ping) define um conjunto mínimo de premissas, políticas e especificações técnicas que regulamentam a utilização das TICs no Governo Federal, estabelecendo as condições de interação com os demais poderes e esferas de governo e com a sociedade em geral. O modelo é inicialmente restrito ao Governo Federal – Poder Executivo. Permite racionalizar investimentos em TICs, por meio do compartilhamento, reuso e intercâmbio de recursos tecnológicos. A iniciativa contou com a participação e a colaboração de uma série de órgãos do Poder Executivo Federal, tanto na gestão como na realização dos trabalhos técnicos de construção do modelo.
Um dos resultados do Programa de e-Gov do Governo Federal do Brasil é o Projeto Padrões Brasil e-Gov – Cartilha de Redação Web - que fornece recomendações de boas práticas para a mídia Internet, com o
88 objetivo de aprimorar a comunicação, o fornecimento de informações e serviços prestados por meios eletrônicos pelos órgãos do Governo Federal. O modelo pretende ser um guia e um norte na tarefa de elaborar informação clara, estruturada e eficaz para o ambiente digital. Com objetivo de moldar orientações de simples compreensão e aplicação, buscou-se identificar pontos de interseção entre as boas práticas de elaboração de informação para a Internet e as diversas referencias de ambientes virtuais da esfera governamental brasileira e mundial, e seus respectivos conteúdos.
No estudo de tendências visões prospectivas da disciplina em Gestão do Conhecimento no Brasil levantado por Barradas e Campos (2010) consideram os conceitos estabelecidos na literatura nacional e internacional, a disseminação do tema junto aos especialistas brasileiros, os avanços práticos e teóricos recentes, as barreiras e dificuldades que permeiam as ações de implantação da Gestão do Conhecimento. As avaliações e medições de resultados e o questionamento quanto a ser o assunto um modismo ou não. Evidências apontadas como a contribuição de artigos científicos e congressos na área, revistas com números dedicados ao tema e Universidades evoluindo em suas linhas de pesquisa, nessa direção, são notadamente fatos que ajudam a consolidar a temática, que teve como resultado os conceitos de integração. Assim como a visão sistêmica e as Redes, ocupam lugar de destaque nos estudos de especialistas em Gestão do Conhecimento no Brasil.
A pesquisa agrupou os segmentos em seis classes: Universidades, Governo, indústria, consultoria, terceiro setor e outros. Os segmentos mais presentes entre os entrevistados foram: governo e Universidade - com 33% cada; indústria - com 20%; consultoria - 10%; e outros - com 3%. Foi possível concluir, segundo os autores, que a discussão em torno da Gestão do Conhecimento no Brasil está no começo. Pode-se evidenciar neste levantamento que a conceituação da área está difusa e sem convergência, sendo que a questão mais inconsistente - a disseminação do termo será prejudicada e a adoção da Gestão do Conhecimento nas empresas dificultada, uma vez que estes resultados se complementam e se ajudam mutuamente. Para Barradas e Campos (2010) a Gestão do Conhecimento é uma área permeada pela complexidade, dadas as inúmeras inter-relações que possui com outras áreas do conhecimento, pela amplitude delas e, ainda, pela incerteza, posto que os homens possam mudar quaisquer tendências.
Pode-se verificar que a tendência é favorável para adoção da Gestão do Conhecimento, apontada anteriormente pela pesquisa de Silva (2010), na integração Governo e Universidade para aperfeiçoamento dos programas de e-Gov. Pois as Universidades com os cientistas, professores, técnicos e estudantes estão na condição de produtores, socializadores e aplicadores de conhecimento, e enfrentam os problemas relacionados à produção,
89 desenvolvimento, compartilhamento, aquisição e armazenamento do conhecimento, ou seja, com a sua Gestão do Conhecimento. O cientista tem como foco a produção de conhecimento e encontra na Universidade um espaço favorável pelas condições da criação do conhecimento organizacional formuladas por Nonaka e Takeuchi (1997) explicitadas em seu modelo e que estão presentes como premissas valiosas no âmbito das Universidades: Intenção, Autonomia, Flutuação ou Caos Criativo, Redundância e Variedade de Requisitos.
Conforme Silva (2010) o Governo Brasileiro vem desenvolvendo, de forma consistente e perene, programas de e-Gov que têm conduzido a uma modernização do Estado e de suas funções, as quais, ao se apropriarem das TICs, criam oportunidades para aperfeiçoamento que ampliam sua eficácia. Estas oportunidades para aperfeiçoamento dos programas de modernização do Estado com base em sistemas de e-Gov podem ser realizadas pela incorporação de resultados de pesquisas recentes, por meio das Universidades, que indicam processos e tecnologias capazes de tornar esses programas mais eficazes, afirma o autor.
Conforme Fresneda e Gonçalves (2008) a elaboração de um diagnóstico da Gestão do Conhecimento nas organizações da Administração Pública Federal (APF) foi iniciado por dois estudos, realizados em 2004 e 2005, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). A organização pública de pesquisa nos temas econômico e social, vinculada à Secretaria de Planejamento de Longo Prazo da Presidência da República (SPLP), que são: 1. em 2004 foi publicado o Texto para Discussão 1022, com os resultados da pesquisa Governo que aprende: Gestão do Conhecimento em organizações do Executivo Federal; 2. em 2005 foi publicado o Texto para Discussão 1095, denominado Gestão do Conhecimento na Administração Pública, com os resultados de uma pesquisa realizada em parceria com a Universidade PUC/Paraná e a empresa Terra Fórum Consultores.
Os benefícios que as Universidades Públicas trazem são tangíveis, por exemplo, especificações de produtos inovadores cuja fabricação ou implementação imediata possa melhorar a qualidade de vida dos cidadãos ou intangíveis como resultados científicos que permitam aos indivíduos um melhor entendimento da natureza e suas relações com a humanidade, o que deve levar a um aperfeiçoamento cultural e, no decorrer do tempo, a direcionamentos sociais sustentáveis e perceptíveis em curto ou em longo prazo, afirma Silva (2010). O autor destaca que as Universidades Públicas e centros de pesquisa, ao exercer sua vocação e justificar sua existência, quando voltam sua atenção para a modernização do Estado produzem análises críticas dos sistemas existentes, modelos teóricos direcionados à construção racional dessas análises, propostas e métodos para, de maneira
90 inovadora, ampliar a atuação, eficácia e eficiência da máquina estatal. Sendo que o Governo brasileiro, para construir sistemas inovadores que levem à desejada modernização do Estado, apropriam-se destes resultados.
As Universidades e centros de pesquisa propiciam a criação de ambientes propícios à inovação. A Gestão do Conhecimento e a inovação no Brasil são expandidas, principalmente, por meio da cooperação entre centros de pesquisa e Universidades, pois estas são produtores de conhecimento. A inovação também é resultado de contribuições técnicas e científicas