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Processos essoas

3.5.8 Gestão do Conhecimento em Bibliotecas fora do Brasil

Clarke (2004, p. 30) coloca que a Gestão do Conhecimento tem sido confinada a grandes empresas no mundo dos negócios. Ele sugere ser imperativo

que as bibliotecas estejam na vanguarda da revolução da tecnologia da informação, cabendo a elas adotar os princípios e práticas de gestão do conhecimento. Expõe ainda que a GC pode proporcionar um círculo de evolução do conhecimento, a fim de que este possa contribuir com todos os níveis da organização.

White (2004), abordou estudo de caso realizado na Universidade de Oxford, Biblioteca Serviços, visando pesquisar como as bibliotecas acadêmicas podem se beneficiar da GC, em todos os processos dos serviços de biblioteca.

Lee (2005) afirma: “bibliotecários / bibliotecas digitais e do conhecimento deverão ser os encarregados da gestão do conhecimento em suas respectivas organizações, a fim de alavancar o patrimônio intelectual e facilitar a criação”.

Conforme Wen (2005), “Bibliotecas acadêmicas são centros de informação com sede em apoiar a missão das instituições de seu país para gerar conhecimento”.

Na visão dos autores citados, observa-se a preocupação de que a biblioteca tenha envolvimento com a GC e atue de forma pró-ativa, colaborando de forma efetiva com sua instituição.

Por esse prisma, reitera-se a importância das bibliotecas também nas organizações sem fins lucrativos, nas quais o lucro maior será a própria aplicação do conhecimento gerado.

Em outro trabalho, encontrou-se o relato de Parirokh e Fattahi (2005) sobre compartilhamento de conhecimentos entre os bibliotecários e a forma como eles podem melhorar a aprendizagem organizacional em bibliotecas universitárias.

Já Parker; Nitsei e Flower (2005, p. 177) trabalham uma visão pouco discutida nas bibliotecas. Eles observam que é preciso lutar contra as consequências da era digital, e que as mesmas devem encontrar uma forma criativa de continuarem importantes no século 21. É importante aludir que esse processo começou já no século passado, tornando-se mais nítido nos últimos anos, quando se proliferou o número de portais e formas de veicular informações – o aumento dos blogs, sites pessoais e ferramentas de comunicação em grupo, que facilitam a comunicação professor/alunos. Aqui se destaca o moodle.

Os autores sustentam ainda que a informação na web ameaça a missão tradicional de bibliotecas, sob o ponto de vista da criação e da manutenção das grandes coleções. Tal afirmação é contestável: pode-se visualizar não somente o fato da ameaça, mas também a oportunidade do investimento, tanto em espaço

físico para atrair o usuário para o local da biblioteca, quanto em hardware, para melhorar o acesso ao mundo virtual. Uma vez que a coleção poderá ser virtualizada, o espaço poderá ser reaproveitado, no sentido de propiciar melhores instalações aos usuários. Assim, salienta-se o redirecionamento dos serviços, em resposta à virtualização das informações.

Muitas organizações estão desenvolvendo e executando a GC, objetivando capturar, armazenar e divulgar as informações recolhidas junto aos colaboradores.

Reitera-se, assim, que muitas bibliotecas têm aumentado os seus investimentos para tecnologia da informação, telecomunicações e serviços conexos e de recursos (PARKER; NITSEI; FLOWER, 2005, p. 183).

Num olhar abrangente, Yang e Beverly (2006, p. 1) observam que grande parte da teoria relativa à organização, administração e gestão das bibliotecas teve sua origem nos estudos sobre organizações do setor com fins lucrativos, embora estejam no setor sem fins lucrativos. Observam também:

À medida que o setor sem fins lucrativos foi deslocado para longe do modelo industrial, pensativos e perspicazes observadores, tais como Peter Drucker, começaram a falar sobre o conhecimento e organização do conhecimento do trabalhador (id., ibid.).

Assim, pode-se observar que uma das consequências positivas de o conhecimento ter se destacado como uma vantagem das organizações foi o fato de demonstrar o potencial das bibliotecas nesse sentido, principalmente aquelas que são vistas como apoio para o desenvolvimento dos cursos de graduação: as bibliotecas universitárias.

ZhiXian Yi (2006, p. 230) aborda a GC do ponto de vista do planejamento estratégico. O autor dá uma importante contribuição, ao destacar que as bibliotecas preocupam-se com a gestão da informação, ou seja, com a organização do que é explícito e se apresenta sob forma tangibilizada (livros, periódicos etc.), e que agora estão diante de outra situação: gerenciar o ativo intangível – o conhecimento das pessoas dentro de uma organização, e que passa a ser o diferencial.

Nesse cenário de desafios, a biblioteca vem perpassando séculos de existência. Aos pesquisadores e estudiosos, resta investigar e procurar por formas que elas possam atualizar-se e prover ao seu usuários esse tipo de interação.

Schwarz (2007, p. 238) chama a atenção para o fato de as pesquisas realizadas pela biblioteca estarem alinhadas com a estratégia da universidade,

objetivos globais e desenvolvimento institucional. Convém destacar que, na maioria das vezes, as bibliotecas expressam suas necessidades e as instituições seguem seu curso, salvo nos períodos de avaliação dos cursos de graduação, quando os interesses todos se voltam para a biblioteca. Embora seja uma questão complexa, existem formas de tornar a relação universidade/ biblioteca mais eficaz e produtiva.

Ondari-Okemwa e Minishi-Majanja (2007, p. 136) enfocaram o papel dos setores da biblioteca e/ou ciência da informação nas universidades sul- africanas, no treinamento de competências da Gestão do Conhecimento. Através da aplicação de um questionário, enviado por correio eletrônico aos departamentos da instituição, os autores detectaram grande interesse na Gestão do Conhecimento como uma competência da biblioteca e/ou ciência da informação.

Em recente estudo, Baker (2007, p. 65) observou que as bibliotecas têm experimentado grandes possibilidades de assumir a responsabilidade pela informação digital e pela gestão do conhecimento. A autora destaca que essa oportunidade traz grandes desafios e que os profissionais precisam identificá-los para obter apoio e promover o interesse institucional.

Parirokh (2005, p. 29) enfoca a transição de bibliotecas tradicionais às bibliotecas eletrônicas na gestão do conhecimento. O autor mostra que, embora essa abordagem seja praticável, alguns obstáculos administrativos podem impedir que se obtenham os mesmos resultados em todas as bibliotecas.

Conforme Shanong (2008), “a informação e o conhecimento tornaram-se um importante fator produtivo para o sistema econômico moderno; a sociedade exigirá inevitavelmente intensificada gestão da informação e do conhecimento. Como gerir o conhecimento se tornou um assunto importante para bibliotecas”.

Segundo Parirokh; Daneshgar e Farhad (2008), a ênfase na GC tem propiciado um ótimo ambiente para o desenvolvimento das bibliotecas e dos bibliotecários. Essa afirmação nos leva a apontar a relevância desses profissionais num espaço onde sua experiência é fato comprovado: bibliotecas. Sua visão e ação colaborativa poderão mostrar às organizações espaços de democratização e acesso à informação.

Prevemos que a partilha de conhecimentos e a capacidade das bibliotecas acadêmicas irão se tornar um dos seus principais fatores críticos do sucesso. Alguns modelos foram desenvolvidos para a conceituação e ilustração dos elementos que existem no âmbito da

transferência de conhecimento e partilha de processos dentro das organizações (id., p. 107). (Tradução livre)

Varalakskhmi (2009) observa as novas tendências em tecnologias digitais e suas aplicações na área da informação. Analisa as características da sociedade contemporânea e busca identificar os fatores que afetarão as bibliotecas da próxima geração.

As mudanças ocorridas na GC foi foco da pesquisa de Hazeri e Martin (2009):

Com base nos resultados de um projeto de investigação sobre as implicações para a educação da GC e da Biblioteconomia e Ciência da Informação (BCI), os autores focaram os currículos das áreas atuais e conceitos relacionados. Esta questão tem sido investigada do ponto de vista da comunidade da BCI.(idem)

Os autores constataram que existe interesse no âmbito da academia em expandir seus currículos para incluir elementos de GC.

Daneshgar e Bosanquet (2010) trabalharam numa metodologia para a organização do conhecimento dos cliente em bibliotecas universitárias. Os autores basearam-se na proposta CKT, conhecimento sobre o cliente, conhecimento dos clientes e o conhecimento para os clientes. Como segundo objetivo do trabalho proposto, foi apresentado um método para a integração dos conhecimentos.

Kim e Abbas (2010) investigaram a adoção de funcionalidades 2.0 por bibliotecas universitárias e usuários, sob a perspectiva da GC. Os autores expõem que os serviços oferecidos através do site da biblioteca proporcionaram uma participação maior dos usuários.

Rah; Gul e Wani (2010) propuseram um sistema de GC baseado na web. Destacaram que o mesmo ajudará a descobrir as futuras necessidades dos usuários. Colocam ainda que:

O comportamento a procura de informação e conhecimento irá mudar por causa da geração, partilha, gestão de informação e conhecimento no ambiente virtual. Os sistemas ajudarão as organizações estrategicamente...(id.)

Relativo aos trabalhos acima mencionados, observa-se existir uma tendência a explorar todas as possibilidades de GC na BU. As iniciativas perpassam o ambiente

administrativo, o uso das tecnologias, o usuário, entre outros. Verifica-se o crescente interesse em aproximar os tópicos BU e GC. Assim, afirma-se que as bibliotecas, à semelhança de outras organizações, podem se beneficiar dessas iniciativas. Pesquisadores procuram formas de promover a partilha de conhecimento entre bibliotecários, clientes e fornecedores em todas as atividades do dia a dia.