4.7. Controle dos riscos
4.7.1. Gestão do Risco de Mercado
4.7.1.1. Gestão do risco de taxa de juros
A taxa de juros é claramente um fator de risco em qualquer financiamento. O projeto H-X BR possui uma diversificação neste fator de risco, visto que é composto de uma parte financiada com taxa de juros fixa e outra parte com taxa de juros variável. Esta diversificação, porém, possui pouca efetividade, já que a maior parte está financiada à taxa fixa, cerca de 90% do total, enquanto 10% estão financiados à taxa variável. Já o projeto PROSUB está exclusivamente financiado a taxa fixa. Apesar da pouca efetividade em relação à cobertura do risco de taxa de juros, a estrutura estabelecida para o projeto H-X BR é um exemplo de que é possível proteger-se de alguns riscos pelo próprio modo como são estruturados os financiamentos.
Testou-se a utilização de swaps de taxa de juros, como forma de proteção para os financiamentos. Compararam-se os fluxos de saída de caixa do mutuário já realizados com os fluxos de saída de caixa resultantes de um hipotético contrato de swap, para o mesmo período. Para estabelecimento das taxas de juros dos swaps, considerou-se que os juros da parte variável do projeto H-X BR eram uma referência adequada para os swaps dos contratos à taxa de juros fixa, tanto do projeto H-X BR quanto do PROSUB. Do mesmo modo, considerou-se que a taxa de juros fixa do COFACE Credit Agreement era uma referência adequada para o swap do Commercial Loan do projeto H-X BR.
No financiamento do projeto PROSUB, o swap troca a taxa fixa contratada pela taxa variável composta pela Euribor a 6 meses acrescida do spread de 2,9% a.a. Os resultados demonstraram que com o uso do swap, nestes termos, o MD conseguiria uma poupança de 23.372.630,33 EUR no período analisado.
No financiamento Commercial Loan do projeto H-X BR, o swap troca a taxa variável contratada pela taxa fixa de 5,1% a.a., que é a taxa estabelecida para o COFACE Credit Agreement do projeto H-X BR. Os resultados demonstraram que o
69 uso do swap pelo MD, nestes termos, seria desvantajoso, gerando uma perda de 3.964.471,47 EUR.
No financiamento COFACE Credit Agreement do projeto H-X BR, o swap troca a taxa fixa contratada pela taxa variável composta pela Euribor a 6 meses acrescida do spread de 2,9% a.a., que é a taxa estabelecida para o Commercial Loan do projeto H-X BR. Os resultados demonstraram que com o uso do swap, nestes termos, o MD conseguiria uma poupança de 5.408.546,02 EUR no período analisado.
Deve-se notar, porém, que não há garantias de que seria possível o estabelecimento de contratos de swap com estas características de prazo, taxas e spread. No entanto, dado que não se possuía as informações de mercado para os casos concretos, assumiram-se essas condições para fins de estudo.
Os resultados obtidos, que constam no quadro a seguir, estão de acordo com o que se esperava intuitivamente, já que a evolução das taxas de juros variáveis foi vantajosa no período analisado. A utilização de taxas de juros variáveis no atual contexto de crise europeia torna-se mais vantajosa, uma vez que a política do Banco Central Europeu tem sido a de manter as taxas de juros baixas para estimular as economias abaladas pela crise.
Quadro 24 - Diferença entre as saídas de caixa sem e com o uso de swap de taxa
de juros.
(em EUR)
Datas PROSUB
H-X BR
Commercial Loan COFACE Credit Agreement Assinatura do contrato - - - 15/Dez/09 - 0,00 € 0,00 € 03/Jan/10 0,00 € - - 15/Jun/10 0,00 € 0,00 € 0,00 € 15/Dez/10 1.652.244,76 € - 936.611,01 € 0,00 € 15/Jun/11 1.923.375,85 € - 419.833,01 € 0,00 € 15/Dez/11 2.916.243,68 € - 447.063,67 € 311.084,39 € 15/Jun/12 6.450.032,56 € - 931.348,82 € 692.687,20 € 15/Dez/12 10.430.733,48 € - 1.229.614,97 € 4.404.774,42 € Total 23.372.630,33 € - 3.964.471,47 € 5.408.546,02 €
Fonte: elaboração própria.
Nota: O quadro mostra, para as saídas de caixa realizadas até 15 de dezembro de 2012, os ganhos ou perdas resultantes da hipotética utilização de contratos de swap. Os valores expostos são a diferença entre as saídas de caixa realizadas e as saídas de caixa que seriam realizadas com a utilização dos contratos de swap. As lacunas preenchidas com “0,00 €” expressam, portanto, que as saídas de caixa sem e com swap de taxa de juros seriam de mesmo valor. As lacunas marcadas com “-“ referem-se a datas em que não estava previsto fluxo de recursos.
70 Apesar do curto período analisado, os resultados sugerem que, diante do contexto econômico europeu e da ETTJ – Euro area yield curve disponibilizada pelo European Central Bank – o uso do swap de taxa de juros provavelmente continuará a ser vantajoso para os contratos de financiamento do Projeto PROSUB e para o COFACE Credit Agreement do projeto H-X BR, nos períodos futuros até suas maturidades.
Vale mencionar que algumas instituições públicas de Portugal enfrentaram recentemente dificuldades no que diz respeito à utilização de swaps. Apesar de ser um instrumento utilizado em diversas empresas públicas portuguesas, em quatro empresas da área dos transportes públicos – Metro de Lisboa, Metro do Porto, Carris e STCP – a utilização de contratos de swap de taxa de juros foi considerada especulativa. Isto porque as empresas não se limitaram a protegerem-se, assegurando uma taxa de juros fixa para seus financiamentos contraídos, mas subscreveram produtos financeiros com outras variáveis, como a cotação do petróleo ou a variação cambial do euro em relação ao dólar. Nos casos mais graves, as taxas de juros acabaram por passar ao valor de 20% a.a., quando a Euribor a 3 meses registava uma taxa em torno dos 0,2% a.a. (Jornal de Negócios, 2013).
Além disso, denunciou-se que alguns destes contratos prevêem que os bancos, fornecedores dos produtos financeiros, podem decretar unilateralmente o seu vencimento, o que transformaria as perdas, até então potenciais, em perdas reais. Como os contratos são legais, o Governo de Portugal adotou medidas de renegociação desses contratos e determinou o afastamento de funcionários de cargos relevantes do Poder Executivo. Além disso, a Procuradoria-Geral da República abriu processo criminal para apurar responsabilidades por gestão danosa (Jornal de Negócios, 2013).