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SUMÁRIO

3. MÉTODOS UTILIZADOS NA PESQUISA

3.1 GESTÃO E PLANEJAMENTO DO PROJETO DE PESQUISA

O processo de desenvolvimento do modelo, baseado na IC, para suporte à tomada de decisão sobre alertas está fundamentado nos seguintes aspectos:

a) Dirigido por casos de uso previamente definidos; b) Construção colaborativa de ontologias;

c) Especificação algébrica dos artefatos de software;

d) Orientado para arquitetura aberta e flexível a partir do modelo conceitual; e) Uso de padrões abertos recomendados pela W3C (W3C, 2016);

f) Modelo conceitual incremental com suas funcionalidades sendo adicionadas e avaliadas colaborativamente pelas comunidades, definindo casos de uso, cenários, definição do modelo de negócio, requisitos, metadados um domínio. Esses aspectos direcionam o processo de desenvolvimento para metodologias ágeis relacionadas à engenharia de software. O Manifesto Ágil sintetiza uma inovadora forma de trabalho em equipe, ou comunidades, e tem orientado os programadores desde o seu surgimento (BECK et al., 2001; STELLMAN & GREENE, 2015). Os métodos ágeis para gestão e planejamento de projetos de software que procuram implementar o Manifesto. Os mais conhecidos são Scrum17, eXtreme Programming18 (XP), Lean e Kanban (STELLMAN & GREENE, 2015). O Manifesto Ágil para o desenvolvimento valoriza os seguintes aspectos:

 “Indivíduos e interações entre eles mais que processos e ferramentas;

 “Software em funcionamento mais que documentação abrangente;

 “Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos;

 Responder a mudanças mais que seguir um plano”. (BECK et al., 2001)

17 SCRUM: Disponível em: http://www.desenvolvimentoagil.com.br/scrum/, acesso em: 9 Set. 2016. 18 XP: Disponível em: http://www.desenvolvimentoagil.com.br/xp/, acesso em: 9 Set. 2016.

Método ágil pode ser entendido como ciclos evolutivos onde a cada etapa ou ciclo um conjunto de atividades (do caso de uso, a implementação e validação) agrega uma nova funcionalidade (ou valor, segundo o Manifesto). O sucesso da aplicação dos métodos ágeis tem motivado sua extensão para projetos de diferentes naturezas (ANDRES, 2013; STELLMAN & GREENE, 2015; YONGKUI & YUJIE, 2009). A Figura 9 ilustra o processo iterativo de desenvolvimento do modelo baseado na IC.

Organização e representação Caso de uso e cenários Evolução Modelo baseado na inteligência coletiva para suporte à tomada de decisão Protótipo conceitual Disseminação e extensão Avaliação por especialistas Enriquecimento, testes e revisão Incrementos

Figura 9: Processo de desenvolvimento de ontologias de domínio (adaptado de Magione et al., 2011).

Conforme descrito na Figura 9, o processo de desenvolvimento do modelo é composto pelas seguintes etapas:

I. Definição dos casos de uso e cenários. Tem por objetivo capturar e modelar o comportamento esperado para o modelo de cada situação ou ambiente onde é empregado para suportar o processo de tomada de decisão (BOOCH et al., 2005; BECKER et al., 2013).

II. Protótipo conceitual. Tem por objetivo obter um modelo (ou protótipo) minimamente possível para demonstrar a viabilidade. É útil na fase inicial para interlocução com potenciais parceiros e membros da comunidade. Neste trabalho, protótipo conceitual envolve:

 Definição dos metadados para cada caso de uso. Iniciando com o recomendado pela DCMI (2013), atualizando conforme o estado-da-arte, e instanciando conforme as características locais de cada caso de uso.  Elaboração do modelo conceitual baseado na UML.

 Definição dos mecanismos de descoberta e extração da inteligência coletiva.

III. Organização e representação. Modelar as ontologias tendo como ponto de partida o ponto de vista do autor ou de um pequeno grupo (homogêneo) de pesquisadores sobre o domínio específico de cada caso de uso. Inclui a captura, descrição e os relacionamentos dos primeiros conceitos e termos. Foram criadas as chamadas ontologias “sementes” (ou embrionárias).

IV. Enriquecimento, testes e revisão. A ontologia embrionária de cada caso de uso é alimentada com novos conceitos, termos e relacionamentos. É testada e revisada, ainda dentro do contexto restrito ao grupo homogêneo. Também é nessa etapa que é feita a especificação formal do modelo de suporte à tomada de decisão.

V. Avaliação por especialistas. A ontologia embrionária de cada caso de uso é avaliada por especialistas de domínio e é utilizada para ancorar o debate para refletir múltiplos pontos de vista e experiências das pessoas das comunidades-alvo.

VI. Disseminação e extensão. Trata-se da divulgação e exploração de eventuais desdobramentos do modelo de suporte à tomada de decisão. A disseminação, utilizada também para avaliação dos trabalhos, é feita através de eventos promocionais e publicações científicas e de divulgação. O foco está na experiência, na capacidade de avaliação e na conscientização dos membros das comunidades, tanto pelo conhecimento, quanto na forma de trabalho colaborativo. Busca-se também a sustentabilidade da iniciativa, através da identificação de mercados potenciais e da alavancagem de redes e grupos de interesse para:

 Ampliação das funcionalidades do modelo e das ontologias,

 Novos desdobramentos como, por exemplo, aplicação do modelo em outras situações que não as previstas pelos casos de uso,

 Transformação do modelo ou protótipo em produto.

Esse conjunto de atividades está consistente com a proposta de Mangione et al. (2011) e representam um processo de colaborativo de aquisição de conhecimento. A Figura 9 representa também a construção “ágil” das ontologias, isto é, as ontologias foram construídas seguindo as diretrizes do Manifesto Ágil. Embora isso não tenha sido mencionado por Mangione et al. (2011) ao propor um “enfoque pedagógico” para o desenvolvimento de ontologias.

N a Figura 9, cada etapa apresenta um ciclo (interno) de melhoria (concepção, planejamento, execução, avaliação e aprendizagem). Cada ciclo representa um incremento da ontologia com a ampliação da abrangência de novos conceitos, termos e relacionamentos. No contexto deste trabalho, o primeiro ciclo refere-se a ontologia “semente”.

Para construção do modelo de suporte ao processo de tomada de decisão baseado nas ontologias associadas aos casos de uso considerou-se as seguintes premissas:

a) Colaboração entre as comunidades envolvidas em cada caso de uso;

b) Flexibilidade e escalabilidade para resposta rápida às mudanças (BECK et al., 2001);

c) Trabalho de campo, com visitas e reuniões nos locais sede das comunidades que colaboram na construção e na validação das ontologias e do modelo (CARDOSO Jr. et al., 2015e);

d) O uso de tecnologias livres e padrões abertos de documentos e dados (BRASIL, 2015a; CC, 2016).

e) Construção das ontologias com conceitos e termos em múltiplas línguas em atendimento às comunidades envolvidas. Foram definidas as línguas inglês e português para os casos de uso planejamento estratégico de TI e adoção de software livre por prefeituras. Para o caso de uso de alerta de doenças na agricultura foram definidas as línguas: inglês, português, tailandês, francês e japonês, principalmente por causa dos parceiros envolvidos.

Resultados parciais obtidos com esse processo de modelagem conceitual com ontologias foram publicados pelo autor, seu orientador e colaboradores para planejamento estratégico de TI (CARDOSO Jr.; ANDRES; BARBIN, 2015b, c), para antecipação de alertas de doenças na agricultura (ANDRES et al., 2015; CARDOSO Jr. et al., 2015a, e; GUITTON et al., 2015; KAWTRAKUL et al., 2015) e para adoção de software livre por municípios (CARDOSO Jr. et al., 2015d; CARDOSO Jr.; ANDRES; BARBIN, 2016).

A gestão das atividades do projeto associado a cada caso de uso foi feita de forma interativa, diretamente com as comunidades-alvo em todas as etapas definidas anteriormente (ANDRES, 2013; MIGUEL, 200; TRIPP, 2005).