Cédulas hipotecárias
23. Gestão global de risco
A gestão do risco é uma linha de actuação estratégicas para a Caja, cujo objectivo é preservar a solidez financeira e patrimonial da Entidade, através da correcta identificação, avaliação, controlo e acompanhamento dos riscos próprios da actividade bancária, optimizando a geração do valor em função das exposições que se assumem.
Os riscos que afectam a actividade, derivados da actividade financeira que desenvolve são, fundamentalmente: o risco de crédito, mercado, liquidez, operacional e taxa de juro estrutural e balanço.
A estrutura orgânica da Bancaja encarregada de estabelecer e supervisionar os dispositivos de controlo de riscos, assim como as suas principais funções associadas, em conformidade com o disposto na Circular 4/2004 e na Circular 3/2008, é a seguinte:
• O Conselho de Administração, principal responsável pela estratégia de riscos da Entidade, tem delegado na Direcção Geral, a função de definir, desenvolver e instrumentalizar a política geral de riscos, fixar os limites destes para as diferentes áreas e actividades, delimitar as faculdades outorgadas aos órgãos inferiores de decisão e decidir sobre as operações cujo risco excede as atribuições delegadas.
• A política de crédito é fixada e definida pela Comissão Executiva da Direcção em conformidade com as linhas mestras previamente aprovadas pelo Conselho de Administração, responsável em última instância pela estratégia de riscos da Bancaja.
Com a finalidade de assegurar o cumprimento da política de crédito, no que diz respeito ao risco de crédito, a Direcção de Riscos propõe ao Comité Executivo da Direcção, o perfil da carteira de crédito da Entidade avaliando, em função das linhas orçamentais que se definam, o perfil de risco e a estrutura da mesma em relação à qualificação, rentabilidade ajustada ao risco e distribuição por redes de negócio.
A Comissão de Risco Global, com o apoio do Departamento de Gestão Global do Risco, realiza as funções básicas de aprovar as metodologias de identificação e medição do risco, dirigir a implantação das ferramentas e modelos internos, supervisionar o processo de validação interna dos referidos modelos, coordenar e aprovar o desenvolvimento de procedimentos para facilitar o controlo dos riscos e delimitar os objectivos e níveis de solvência da Entidade.
Respondendo à Comissão de Risco Global estão as Comissões de Risco de Crédito e de Risco Operacional, criadas com o objectivo de coordenar os interesses das distintas áreas afectadas pelos modelos e a moldura de actuação e de controlo destes riscos.
A Comissão de Risco de Crédito tem também como objectivo a análise e tomada de decisão conjunta em relação à realização ou não de novos desenvolvimentos ou modificações dos modelos internos de risco de crédito.
A Comissão de Activos e Passivos está encarregada de definir e propor as políticas de riscos de juros, liquidez e mercado, fixar os limites de riscos para as diferentes áreas e actividades de Tesouraria e Mercado de Capitais, e estabelecer os mecanismos necessários para um adequado controlo das operações.
Periodicamente, a Comissão de Risco Global e a Comissão de Activos e Passivos (COAP) informam a Comissão Executiva das resoluções adoptadas no âmbito das funções de gestão de riscos que ambas as Comissões têm atribuídas.
O departamento de Auditoria Interna assume entre as suas funções a de velar pelo adequado cumprimento das políticas, métodos e procedimentos de controlo de risco, avaliando de forma contínua, objectiva e independente o modelo de gestão de riscos da Caja.
Perante as circunstâncias excepcionais que ocorreram nos mercados financeiros internacionais, fundamentalmente na segunda metade de 2008, os governos europeus adoptaram o compromisso de tomar as medidas oportunas para tentar resolver os problemas de financiamento bancário e os seus efeitos sobre a economia real, como o objectivo de preservar a estabilidade do sistema financeiro internacional. Os objectivos fundamentais das referidas medidas eram assegurar condições de liquidez apropriadas para o funcionamento das instituições financeiras, facilitar o acesso ao financiamento por parte das instituições financeiras, estabelecer os mecanismos que permitam, neste caso, fornecer recursos de capital adicional às entidades financeiras que garantam o funcionamento da economia, assegurar que a norma contabilística é suficientemente flexível para ter em consideração as excepcionais circunstâncias ocorridas nos mercados e reforçar e melhorar os mecanismos de coordenação entre os países europeus.
Dentro deste enquadramento geral, durante o último trimestre de 2008 em Espanha aprovaram-se as seguintes medidas:
- Decreto-Lei Real 6/2008, de 10 de Outubro, pelo qual é criado o Fundo para a Aquisição dos Activos Financeiros (doravante, FAAF), e a Norma EHA/3118/2008, de 31 de Outubro, que incrementa o referido Decreto Real. A finalidade do FAAF, que se encontra adjunto ao Ministério da Economia e Fazenda e que conta com uma dotação total de trinta milhões de euros ampliáveis até cinquenta mil milhões de euros, é adquirir com imputação ao Tesouro Público e com critérios de mercado através do procedimento de leilão, instrumentos financeiros emitidos pelas entidades de crédito e fundos de titularização de activos espanhóis, assegurados por créditos concedidos a particulares, empresas e entidades não financeiras.
- Decreto-Lei Real 7/2008, de 13 de Outubro, de Medidas Urgentes em Matéria Económica, em relação ao Plano de Acção Concertada dos Países da Zona Euro e a Norma EHA/3364/2008, de 21 de Novembro, que incrementa o artigo 1 do referido Decreto Real, que inclui as seguintes medidas:
- Por outro lado, a concessão dos avales do Estado às emissões realizadas pelas entidades de crédito residentes em Espanha a partir de 14 de Outubro de 2008 de notas promissórias, certidões de dívida e obrigações, que cumpram determinados requisitos: serem operações individuais ou em programas de emissão; não ser dívida subordinada nem garantida com outro tipo de garantias; estar admitidas para negociação em mercados secundários oficiais espanhóis; ter um prazo de vencimento de entre 3 meses e 3 anos, ainda que este prazo possa ser ampliado até 5 anos com anterior notificação do Banco de Espanha; taxa de juro fixa ou variável, com requisitos especiais para as emissões realizadas à taxa variável; a amortização deve realizar-se num só pagamento e as
Comentario [AP1]: a forma avais usa-se sobretudo no Brasil
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emissões não podem incorporar opções nem outros instrumentos financeiros nem terem um valor nominal não inferior a 10 milhões de euros. O prazo de concessão de avales finalizará a 31 de Dezembro de 2009 e o montante total máximo de avales a conceder em 2008 será de 100 000 milhões de euros.
- Por outro lado, a autorização, com carácter excepcional e até 31 de Dezembro de 2009, ao Ministério da Economia e Fazenda para adquirir títulos emitidos pelas entidades de crédito residentes em Espanha, que necessitem reforçar os seus recursos próprios e se assim for solicitado, incluindo participações preferenciais e quotas participativas.
Os administradores da Entidade, dentro das suas políticas de gestão de risco, têm a possibilidade de utilizar as referidas medidas. Da mesma forma, os Administradores consideram que as medidas anteriores oferecem um enquadramento de actuação adequado para que as operações possam desenvolver-se normalmente durante o exercício 2009 se que seja expresso algum problema de liquidez ou de rentabilidade para a entidade.
23.1 Risco de crédito
O risco de crédito representa as perdas que a Caja viria a sofrer se algum cliente ou contraparte não cumprisse as obrigações contratuais de pagamento. Este risco é inerente aos produtos bancários tradicionais das entidades financeiras (empréstimos, créditos, garantias financeiras prestadas, etc.), assim como noutro tipo de activos financeiros (carteira de taxa fixa, derivados...)
Na gestão de risco de crédito, a Caja distingue duas taxas de risco de crédito:
- Risco de crédito devido ao cliente: como aquele que tem a sua origem nas próprias características da contraparte das operações.
- Risco de crédito devido ao risco-país: como aquele que coincide nos clientes residentes num determinado país por circunstâncias diferentes do risco comercial habitual, tal como a deterioração das condições gerais do país, nacionalização ou expropriação de activos, deterioração da situação política ou social do país, etc.
O risco de crédito afecta tantos os activos financeiros que aparecem contabilizados ao seu custo amortizado nas demonstrações financeiras, como os activos que são registados ao seu justo valor nas referidas demonstrações. Independentemente do critério contabilístico pelo qual os activos financeiros foram registados nestas demonstrações financeiras, a Caja aplica sobre estes as mesmas políticas e procedimentos e controlo do risco de crédito.
As políticas, métodos e procedimentos da Caja relacionados com o controlo do risco de crédito são aprovados pelo Conselho de Administração. O Departamento de Auditoria tem entre as suas funções velar pelo adequado cumprimento das políticas, métodos e procedimentos de controlo de risco da Caja, assegurando que estes são adequados, se implementam de maneira efectiva e são revistos de maneira regular.
A estrutura orgânica operacional implementada para o modelo de gestão e controlo do risco de crédito garante a independência das funções de controlo e concessão dos riscos. De forma esquemática, tem a seguinte forma:
• Direcção de Riscos: responsável pelas políticas de riscos, assim como da admissão, o acompanhamento e a recuperação das operações de risco.
• Gestão Global de Risco: departamento da Área Financeira responsável pelas metodologias de medição e controlo do risco através de diversas ferramentas de cuja concepção, validação e manutenção também se responsabiliza.
O principal objectivo é garantir a saúde patrimonial da Entidade, minimizando os impactos derivados do risco de insolvência, assim como ajustar à máxima rentabilidade e risco e optimizar o consumo de recursos próprios.
O referido objectivo é materializado através da fixação de políticas de actuação tanto a nível geral como sectorial de segmentos de negócio, e com o estabelecimento dos procedimentos de análise, sanção, concessão, acompanhamento e recobrança, aplicáveis em função de cada segmento de negócio.
Estratégia
A gestão do risco de crédito sempre foi um facto primordial na estratégia da Caja, sobretudo num ano em que a situação de deterioração da economia em geral, e do sector imobiliário em particular, provocou um significativo aumento da morosidade. Nestas circunstâncias, esta assume especial relevância e torna imprescindível a adaptação e redefinição das estratégias relacionadas com este risco. Na Caja as estratégias que se estão a seguir actualmente podem resumir-se da seguinte forma:
- crescimento equilibrado, assegurando as fontes de financiamento e um nível de capitalização com os limites do risco fixados, garantindo a qualidade e segurança dos seus activos.
- diminuição dos níveis de concentração em determinados segmentos e carteiras. - fortalecimento das políticas de controlo e acompanhamento dos investimentos. - optimização dos procedimentos de recuperação e recobrança.
- melhoria dos sistemas de alertas, medição e gestão do risco de crédito.