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Private Equity

04 Gestão Integrada dos Riscos

A Função de Risco no Grupo BES

A Função de Gestão de Risco identifica, avalia, acompanha e contro- la todos os riscos materialmente relevantes a que cada instituição do Grupo BES se encontra sujeita, tanto interna como externamente, de modo a que os mesmos se mantenham controlados e, dessa forma, não afectem a situação financeira do Grupo BES. Contribui igualmente para os objectivos de criação de valor através do aperfeiçoamento de ferra- mentas de apoio à estruturação, pricing e decisão de operações, bem como do desenvolvimento de técnicas de avaliação de performance e de optimização da base de capital.

As competências da Função de Gestão de Risco são desempenhadas de forma independente face às restantes áreas funcionais do Grupo BES. O controlo e a gestão eficiente dos riscos têm vindo a desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento equilibrado e sustentado do Grupo BES. Para além de contribuírem para a optimização do binómio rendibilidade / risco das várias linhas de negócio asseguram, também, a manutenção de um perfil de risco conservador ao nível da solvabilidade, do provisionamento e da liquidez.

A definição do perfil de risco é efectuada ao nível do Grupo BES sendo responsabilidade da Comissão Executiva do Espírito Santo Investment assegurar o seu cumprimento e controle, garantindo que para tal o Banco detém as competências e os recursos necessários à prossecução dos objectivos traçados.

A nível operacional as equipas de análise e controle de risco do Espírito Santo Investment trabalham de uma forma integrada e em consonância com o Departamento de Risco Global (“DRG”) do BES que centraliza a função de Risco do Grupo BES, quer ao nível da actividade doméstica, quer ao nível da actividade internacional, abrangendo os diversos tipos de risco: crédito, mercado, liquidez, taxa de juro, de balanço e operacio- nal.

Dentro desse relacionamento a função de Gestão de Risco ao nível da banca de investimento assenta nos seguintes princípios básicos:

• Avaliação contínua e permanente do risco;

• Estabelecimento de limites de tolerância tendo em conta a Solvência e a maximização do binómio retorno/risco;

• Análise, Quantificação, Controlo e Monitorização de risco por entidades independentes das áreas de negócio;

Utilização de diversas metodologias, nomeadamente ratings internos e externos, estes últimos fornecidos pelas principais agências de

rating internacionais, VaR e análises de sensibilidade e de posições;

• Análise das especificidades dos mercados onde as suas diversas unidades de negócio estão implantadas, bem como as características dos seus portfolios (negociação, investimento ou de detenção até à maturidade).

O controlo e supervisão de risco é efectuado pela Comissão Executiva do Espírito Santo Investment, que delega no Comité de Políticas de Risco e no Conselho de Crédito e Riscos (CCR) a definição das normas e procedimentos conducentes da actividade e a aprovação das opera- ções, e no Comité de Activos e Passivos (ALCO) a definição e o acom- panhamento das políticas de gestão de balanço e de liquidez.

Basileia II

O Grupo BES posicionou-se uma vez mais como líder de mercado ao assumir-se como o primeiro e único Grupo português a ser certificado pelo Banco de Portugal para utilizar o método das Notações Internas, sem estimativas próprias de perda dado o incumprimento e factores de conversão (método IRB Foundation), no cálculo de requisitos mínimos de fundos próprios para cobertura do risco de crédito. É de salientar que esta certificação foi realizada num contexto económico depressivo, fac- to que confirma a razoabilidade e o conservadorismo dos parâmetros usados.

Durante 2009 o Grupo BES foi também certificado pelo Banco de Portugal para utilizar o método Standard (TSA) no cálculo de requisitos mínimos de fundos próprios para cobertura do risco operacional. As referidas certificações foram obtidas em Abril de 2009, com referên- cia a 31 de Março de 2009, inclusive.

O Grupo BES não só dispõe das melhores práticas internacionais relati- vamente à gestão de risco, como também tem implementado uma cul- tura sensível ao risco disseminada por toda a organização, que aplica as ferramentas na gestão diária do negócio.

Esta etapa de sucesso foi o culminar de um plano de investimento sig- nificativo levado a cabo pelo Grupo BES na melhoria dos seus modelos, processos e sistemas de gestão do risco.

ontas liquidação, através da qual se pretende salvaguardar a capacidade de reembolso da dívida sénior.

As duas ópticas de avaliação da adequação de capital utilizam diferen- tes níveis de confiança na estimação dos riscos e diferentes conceitos dos recursos financeiros disponíveis para fazer face a esses riscos, em linha com o apetite de risco definido ao nível do Espírito Santo Invest- ment.

Para a quantificação dos riscos, foram desenvolvidos ao nível do Grupo BES vários modelos de capital económico que estimam a perda máxima potencial para o período de um ano com base num nível de confiança predefinido. Estes modelos abrangem os vários tipos de risco a que o Grupo BES está exposto, dos quais salientamos o risco de crédito, risco

de mercado (carteira de trading e carteira bancária), risco imobiliário, risco do fundo de pensões, risco operacional, risco reputacional, risco liquidez e risco de estratégia e de negócio.

O cálculo dos requisitos de capital económico para os últimos três riscos é efectuado através de testes de esforço (Stress-Tests).

O valor dos requisitos de capital económico de cada risco é agregado tendo em conta os efeitos de diversificação inter-riscos. Paralelamente ao cálculo dos requisitos de capital económico, são efectuados testes de esforço aos principais factores de risco para identificar eventuais fragili- dades ou riscos não capturados pelos modelos internos.

2000 2004 2008 Mar2009

• Criação de uma unidade de risco independente (DRG) • Implementação dos primeiros modelos de risco

• Primeira implementação do modelo de RAROC

PROJECTO BASILEIA II Certificação pelo Banco de Portugal: • do Método IRB para Risco de Crédito • do Método TSA para Risco Operacional

Plano de

Roll-Out

Principais actividades

• Melhoria das Metodologias de Gestão do Risco

• Data Management e IT • Introdução de medidas de risco nas decisões de crédito

Principais realizações

• Desenvolvimento de Modelos Internos de aferição de risco • Criação da estrutura de Risco Operacional

• Melhoria do Cálculo de Capital • Alterações nas infra-estruturas IT • Alterações no processo de crédito, incluindo originação, pricing e monitorização A referida certificação para utilização do método IRB Foundation abran-

geu, para além do BES Sede e da Sucursal do BES em Londres, o Espírito Santo Investment.

A utilização deste método será alargada ainda a diversas entidades e

portfolios do Grupo BES ao longo dos próximos anos através de um plano de Roll-Out em curso desde Junho de 2009 de modo a garantir que:

i) serão atingidos níveis de cobertura de rating elevados (>95%) nos

portfolios IRB, quer nas entidades já certificadas, quer nas entidades

candidatas a certificação (incluídas no plano de Roll-Out), ii) serão reali- zados Use-Tests, comprovando a utilização das ferramentas de risco na originação, acompanhamento, pricing, provisionamento, reporte e ges- tão estratégica e iii) existirá uma validação e actualização contínua dos modelos de risco.

Datas de Referência da Candidatura Junho 2009 • ES PIc • SFE • BES NY • BES Cayman Entidades a candidatar: Dezembro 2009 • ES Bank • Leasing • BAC Maio 2009 • BES Espanha Dezembro 2010 • Factoring Junho 2011 • BES Vénétie • BES Oriente

ICAAP – Internal Capital Adequacy Assessment Process

Para além da perspectiva regulamentar, o Grupo BES, e neste caso par- ticular o Espírito Santo Investment, recorre também a uma visão econó- mica dos seus riscos e dos recursos financeiros disponíveis (“Risk Taking Capacity” ou RTC) para o exercício de auto-avaliação da adequação de capital interno previsto no Pilar II de Basileia II e no Aviso 15/2007 do Banco de Portugal.

A visão económica dos riscos e da RTC é estimada quer numa perspec- tiva de continuidade de negócio, onde o Espírito Santo Investment pre- tende ter capacidade financeira para absorver perdas sem necessidade de alteração da sua estratégia de negócio, quer numa perspectiva de

estment

No que diz respeito à decomposição dos Activos Ponderados pelo Risco por classes de risco destaca-se o segmento de Empresas que contri- bui em 75% do total dos activos ponderados pelo risco, em linha com a preponderância que este segmento representa na actividade desenvol- vida pelo Espírito Santo Investment bem como pelo Grupo BES.

Risco de Mercado

Os requisitos de capital de Risco de Mercado são calculados com base no método padrão.

A 31 de Dezembro de 2009, os requisitos em termos de Activos Pondera- dos pelo Risco ascenderam a EUR 914,8 milhões sendo o Risco de Taxa de Juro / Instrumentos de Dívida (risco geral e específico) e Risco Cambial os principais contribuintes.

O aumento anual dos requisitos deveu-se essencialmente à variação verificada nos Instrumentos de Dívida, e mais especificamente pelo au- mento nas carteiras de Obrigações e Derivados.

Riscos de Crédito, Mercado, Liquidez e Operacional

Práticas de Gestão

Tem sido prosseguida uma política de gestão permanente das carteiras de crédito que privilegia a interacção entre as várias equipas envolvidas na gestão de risco ao longo das sucessivas fases da vida do processo de crédito. Esta abordagem assenta nos seguintes vectores:

Fundos Próprios

Os fundos próprios de base registaram um acréscimo de EUR 180 milhões atingindo EUR 435,7 milhões em 31 de Dezembro de 2009, a que corresponde um crescimento de cerca de 70%. Neste aumento, assume particular relevância o aumento de capital que permitiu um encaixe de EUR 110 milhões, bem como a política de auto financiamento pela via da retenção de parte dos resultados e, ainda, a recuperação nas reservas de reavaliação.

Por outro lado, os fundos próprios complementares aumentaram em cerca de EUR 21,9 milhões, essencialmente devido à redução das dedu- ções a esta componente (Tier II) por alienação de participação detida pelo Banco numa entidade financeira sedeada no estrangeiro.

Activos Ponderados pelo Risco

Em 31 de Dezembro de 2009, os Activos Ponderados pelo Risco atingiram EUR 4 840,1 milhões, sendo EUR 3 564,3 milhões (74% do total) prove- nientes do Risco de Crédito e Contraparte, EUR 914,8 milhões de Risco de Mercado e EUR 360,8 milhões de Risco Operacional.

Risco de Crédito e Contraparte

Como referido anteriormente, o Espírito Santo Investment utiliza a abordagem baseada no Método das Notações internas (Internal Ratings A análise da adequação de capital no final de cada ano é complemen- tada com a evolução prevista para os requisitos de capital (riscos) e os recursos financeiros disponíveis para o prazo de 3 anos, quer no cenário base do planeamento, quer num cenário de agravamento adicional da conjuntura macroeconómica.

Solvabilidade

Em 31 de Dezembro de 2009 o rácio Tier I atingiu 9% (acima dos mínimos exigidos pelo Banco de Portugal), o que reflecte o reforço dos níveis de solvabilidade do Espírito Santo Investment em consequência do aumento de capital concretizado em finais de Junho no montante de EUR 110 milhões.

Fonte: Espírito Santo Investment

Activos de Risco e Capitais Elegíveis (Banco de Portugal)

Activos de risco equivalente A 3 944 710 4 840 081

Banking Book 3 115 841 3 564 310

Trading Book 499 220 914 790

Risco de liquidação - 204

Risco operacional 329 649 360 777

Fundos Próprios Totais B 325 586 527 543

Fundos Próprios de base C 255 686 435 716

Fundos Próprios Complementares e Deduções 69 900 91 827

Rácio Tier I C/A 6,5% 9,0%

Rácio de Solvabilidade B/A 8,3% 10,9%

Basileia II (IRB) Basileia II (Standard) 2009 2008 Variáveis (milhares de euros) (milhares de euros)

Fonte: Espírito Santo Investment

Activos Ponderados pelo Risco - Por Classe de Risco Instituições 401 552 22% Empresas 2 705 508 75% Carteira de retalho 2 039 73% Acções 165 438 7% Outros 289 773 62% Total 3 564 310 41% Activos Ponderados pelo Risco Ponderador de Risco

Variação Anual dos Activos Ponderados pelo Risco (milhares de euros)

Fonte: Espírito Santo Investment

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