Teresa Pombo [email protected]
Introdução
Ao longo da última década, no que respeita ao potencial da integração de ferramentas tecnológicas em contextos educativos, temos assistido à batalha entre duas grandes empresas norte-americanas: Microsoft e Google. O lançamento para o grande público de aplicações gratuitas, a funcionar quer online, quer de forma aberta através de programas acessíveis, veio, sem dúvida, aumentar a competitividade e melhorar o tipo de soluções acessíveis. Quem fica a ganhar são os professores e alunos mas, para tal, é preciso que, para cada ferramenta, sejam exploradas as potencialidades de acordo com os objetivos a atingir em termos de resultados de aprendizagem, bem como com as possibilidades de acesso à Internet da escola.
Assim, nos últimos anos, com o investimento realizado nas escolas em termos de equipamentos e acessos, bem como com a democratização pública do acesso a computadores portáteis, tablets e smartphones, é necessário continuar a investir na partilha de boas práticas e, sobretudo, na formação de professores.
Neste capítulo, focaremos a nossa atenção num conjunto de ferramentas, acessíveis a qualquer detentor de uma conta Google (vulgarmente conhecido como serviço de correio eletrónico Gmail,).Trata-se do Google Drive, serviço global de alojamento e criação de documentos de diferentes tipos, herdeira do Google Docs, o primeiro serviço de criação online de documentos (de texto, ou folha de cálculo, por exemplo). Abordaremos, assim, as seguintes ferramentas integradas no Google Drive e fá-lo-emos, tanto quanto possível, de uma forma integrada em projetos concretos de aprendizagem:
- Documentos Google - Folha de cálculo Google
- Aplicação/Script integrado com as Folhas de cálculo Google; por ex. Flubaroo (correção automática) e Save-as-Doc.
- Apresentações Google - Formulários Google - Google Os Meus Mapas
Traço distintivo das grandes vantagens destas ferramentas é que, elas próprias assentam sobre a produção colaborativa de conhecimento, com o incentivo à formação de grupos de colaboradores que, através da participação em fóruns, contribuem para a inovação e para a sua melhoria, além de facilitarem o acesso ao conhecimento.
Dado que o serviço de correio eletrónico terá sido, a par do motor de busca Google, aquele que mais rapidamente se democratizou e, provavelmente, aquele que é melhor conhecido pelos educadores, público-alvo desta publicação, exploraremos a Drive a partir do acesso da conta Gmail, ou seja, realizado já o login, tendo o utilizador criado a sua conta e entrado no sistema Google com o seu utilizador e palavra passe.
O GoogleDrive
O acesso ao serviço GoogleDrive surge num pequeno menu no canto superior direito do ecrã da página do correio eletrónico (Gmail) como uma das várias ferramentas acessíveis a um utilizador Google (a título de exemplo, outras ferramentas disponíveis a partir deste mesmo menu - ver Figura 1 - são o Youtube, o Google+, a Playstore, o Calendário). Neste ponto é importante referir que a Drive pode ser utilizada offline, sincronizando documentos alojados no computador do utilizador e na nuvem, disponíveis na Internet, através de um computador ou de outros equipamentos como smartphones e tablets. Com este modo de utilização, a Drive pode ser entendida, também, como um serviço de alojamento de documentos em linha, à semelhança de outros relativamente conhecidos como a Dropbox e a OneDrive.
A página inicial da Drive apresenta o aspeto que podemos observar na Figura 2.
Figura 2. Aspeto geral do GoogleDrive
Exploremos as várias áreas que constituem a página incial da Drive (Figura 2). A área identificada em:
- 1: corresponde ao menu de acesso às várias funcionalidades da Drive: documentos do utilizador, documentos partilhados pelo ou com o utilizador, fotografias do utilizador, visualização de ficheiros acedidos recentemente, ficheiros assinalados como importantes (estrela) ou documentos eliminados (mas ainda acessíveis na pasta “Lixo”);
- 2: temos a área de pesquisa que permite aceder a um menu de filtros de pesquisa (cf. Figuras 3, 3.1. 3.2. e 3.3.);
Figura 3.1. Filtro “Tipo de Ficheiro”
Figura 3.3. Filtro “Propriedade”
- 3: a área central do ecrã do Drive apresenta a pasta escolhida para trabalho de acordo com a seleção do menu. Nessa área, que possui dois modos de visualização diferentes (pasta ou lista), é possível ver e identificar o utilizador principal do ficheiro bem como a data da última alteração;
- 4, surge a identificação do utilizador e o acesso a outras ferramentas Google (cf. Figura 4.);
Figura 4. Identificação do utilizador e acesso a outras ferramentas Google e notificações G+.
- 5: podemos aceder a um outro menu que dá acesso ao modo de visualização, às opções de ordenação (nome ou datas), aos detalhes da pasta ou ficheiro selecionado (e que permite visualizar o histórico de alterações) e, por fim, às definições de conta da Drive onde se pode aceder ao menu de ajuda, mudar a língua utilizada, transferir a aplicação Drive para o computador, entre outras;
- 6: temos acesso à percentagem da Drive que está a ser utilizada (atualmente, o serviço disponibiliza gratuitamente 15 GB de espaço). O serviço disponibiliza também um software para instalação no computador pessoal que permite a sincronização de ficheiros entre o computador e a nuvem. Essa aplicação pode não ser instalada pelo utilizador optando este por trabalhar apenas online. Muito recentemente, o Google disponibilizou também um add-on para as aplicações do Microsoft Office que permite integrar as duas ferramentas (cf. Figura 5)
Figura 5. Menu Google Drive no Microsoft Office 2010
A Drive surge, com todas estas funcionalidades e esta navegação intuitiva e acessível, como um ambiente de trabalho e colaboração que tira o maior partido possível daquilo a que se chama a “cloud computing”, computação na nuvem, ou seja, a possibilidade de usar a Internet como ambiente de produção alojando ficheiros de todo o tipo em servidores externos a um ambiente físico do utilizador e acessíveis, em qualquer momento, desde que exista ligação à Internet.
Em ambiente escolar, os docentes podem tirar partido desta ferramenta para a organização do seu trabalho pessoal, eventualmente ligado a outras ferramentas (blogues ou plataformas de gestão de aprendizagem como o Moodle ou o Edmodo, por exemplo), para suporte do processo de ensino e aprendizagem (proporcionando o acesso a informação e tarefas alojadas na Drive ou, ainda, promovendo uma aprendizagem colaborativa incentivando a sua utilização pelos alunos e a colaboração entre estes. A utilização destes ambientes traz inúmeras vantagens à colaboração entre professores da mesma escola que, desta forma, podem organizar e produzir toda a documentação necessária ao seu trabalho (planificações, atas, relatórios, registos de apreciação e balanços, etc).
Figura 5-1. Menu ferramentas Google
Neste capítulo, iremos dar alguns exemplos de criação de documentos que podem ser utilizados em ambiente educativo, ilustrados por exemplos reais de utilização em diferentes níveis de aprendizagem. Parece-nos importante referir que, a todo o momento, é possível estar atento às definições de segurança dado que o Google tem evoluído bastante na familiarização dos seus utilizadores com aquilo que é a política de segurança da empresa e do que implica o acesso à informação neste formato. A Figura 6 ilustra a área de Segurança do Google:
Comecemos pela organização de documentos: a Figura 7 dá exemplo de uma pasta partilhada entre vários docentes onde estão reunidas as planificações referentes a um mesmo ano e nível de ensino. A produção colaborativa de informação, atividades e instrumentos de avaliação formativa pode ser incentivada pela partilha de um espaço assim.
Figura 7. Exemplo de pasta partilhada (o menu superior direito mostra os utilizadores com os quais a pasta está partilhada)
Para tal, bastará a um dos utilizadores criar a pasta e partilhar o acesso, dando possibilidades de edição a todos quantos deverão poder trabalhar nessa pasta. Também se pode optar por partilhar o acesso da pasta a todos quantos tiverem acesso à sua hiperligação mas, nesse caso, como deixa de ser obrigatório o login, o sistema deixa de registar qual o utilizador que fez as alterações.
Dado que os endereços web criados automaticamente pelo sistema são sempre longos, quando há necessidade de os partilhar em suportes externos (anotá-los, apontá-los num quadro,…), recomendamos o uso de uma outra ferramenta Google que é o encurtador de endereços web http://goo.gl que funciona copiando o endereço original numa caixa de texto e clicando no botão “shorten” (encurtar) obtendo um endereço formado por 6 caracteres gerados automaticamente (cf. Figura 8).
O Google Drive é uma ferramenta tão completa quão complexa mas, simultaneamente, muito intuitiva e, por isso, fácil de usar. Antes de descrevermos as suas aplicações mais essenciais para utilização em sala de aula, o conjunto de capturas de ecrã que se segue oferecerá uma visão geral de muitas das possibilidades de utilização:
Figura 9. Registo de atividade da Drive
Figura 10. Página de Ajuda do GoogleDrive
Figura 12. Modo de visualização de Pastas do GoogleDrive
Figura 13. Modo de visualização de Listas do GoogleDrive
Figura 15. Menu de funcionalidades disponíveis para cada ficheiro, acessível na barra superior da área central da Drive
Figura 16. Menu de acesso às funcionalidades de cada ficheiro disponível com um clique do botão direito do rato
Figura 17. Menu de criação de novo documento do GoogleDrive
Figura 18. Exemplo das diversas aplicações que podem associar-se ao GoogleDrive alargando as suas funcionalidades
Figura 20. Menu de ativação de notificação de comentários realizados no GoogleDrive
Seguidamente, apresentamos as diversas aplicações do Google Drive que permitem utilizá-lo não apenas como um espaço de armazenamento mas como uma ferramenta de criação, de edição e de partilha de ficheiros de natureza e objetivos diversos. Os ficheiros das tipologias Documentos, Folhas de Cálculo e Apresentações podem ser criados de raiz ou convertidos a partir de documentos Microsoft Office, de natureza semelhante, já existentes. Para poderem ser editados, esses documentos deverão ser convertidos no formato Google. Se o utilizador deseja passar a usar o Google Drive como editor de ficheiros, não é necessário fazer a conversão um a um; poderá tirar partido das suas muito diversas funcionalidades ativando a opção “Converter carregamentos” como mostra a Figura 21:
Figura 21. Menu de acesso Definições do Google Drive