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CAPÍTULO I – SOCIEDADE, ESTADO e PODER, POLÍTICA e PODER

1.4 Governo e democracia

Sintetizando o que até aqui foi exposto podemos afirmar que, desde o início dos tempos, os seres humanos perceberam que, em conjunto com seus semelhantes, conseguiriam ser mais fortes e assim sobreviver. Esse instinto de sobrevivência está intimamente ligado à racionalidade humana.

Com o passar dos tempos esses agrupamentos humanos deram origem às sociedades.

Resta claro, então, a necessidade de comunicação entre esses indivíduos sociais.

A necessidade de evolução social fez nascer, então, regras de convivência social. Essas regras devem ser elaboradas, aplicadas e executadas por um grupo de pessoas. Nasce, então, o Estado cujo papel fundamental é a proteção dos interesses que levem ao bem estar de toda coletividade.

Como a sociedade não pode ao mesmo tempo mandar e receber ordens é necessário que surjam líderes que exerçam funções de mando, enquanto outros obedecem. Saliente-se que tais líderes, para que uma sociedade funcione, devem ser aprovados pela maioria do corpo social. Uma sociedade com líderes não aprovados pela sua maioria configura uma tirania, ao passo que uma sociedade sem líderes configura uma total anarquia. O titular do poder político, através dos seus atos de fala e de sua imagem, vai configurar o retrato de um determinado povo em uma determinada época.

Dizemos que governo é o efetivo exercício da autoridade política pelo soberano, isto é, governo é a soberania quando efetivamente colocada em ação.

Quando afirma e garante as normas de direito, quando estabelece e assegura as situações de direito e quando decide os conflitos de direitos e interesses, o Estado exerce a sua função de governo (MENEZES, 2004, p. 369).

O governo funciona, então, como uma espécie de órgão diretor, isto é, como um aparelho de ‘mando e coação exercitado pelo Estado’. Para que exista governo é necessário que existam os demais elementos componentes do Estado. O governo deve ser integrado por pessoas que pertençam à sociedade e, por sua vez exerce função de autoridade. O homem é um ser político e, como tal, não pode prescindir do elemento governamental. O governo, modernamente, é o resultado de uma “quotização de vontades, por intermédio da maioria pensante” (MENEZES, 2004, p. 143).

Expressando a maneira de realização da finalidade do Estado, em um sentido político, encontramos as ‘formas de governo’. Por formas de governo entendemos como um Estado mostra o seu pensamento coletivo em face de outros Estados, isto é, a “reação psicológica da sociedade às diversas e complexas influências de natureza moral, intelectual, geográfica, econômica e política através da história” (AZAMBUJA, 2003, p. 206).

As formas de governo mais estudadas na atualidade são a monarquia e a república. Dessas, apenas a república interessa para o presente trabalho. Passamos, então, à verificação de seus tópicos principais.

A palavra república é assim formada: res cujo significado é coisa e

publica cujo significado é comum. Tal conceito nos fornece a ideia de que esse tipo governamental surge em oposição à monarquia que significa governo exercido por uma só pessoa. A titularidade do poder político na república não é hereditária nem vitalícia, posto que essa forma de governo pode ser entendida como comum a todos. Por essa razão a escolha de seu titular será sempre para um período determinado.

Então, concluiremos que a república pode ser definida como a forma de governo em que a chefia do Estado é exercida por

um presidente, eleito pelo povo e empossado para o desempenho de funções periódicas (MENEZES, 2004, p. 215).

As principais características dessa forma de governo são as denominadas eletividade e a periodicidade do governo, nas três esferas administrativas, quais sejam, Federal, Estadual e Municipal. Significa dizer que a atividade governamental é popular, em razão da escolha, e temporária, isto é, ninguém nela pode se perpetuar pela contínua e ininterrupta repetição de eleições. As repúblicas podem ser democráticas e aristocráticas. Ao presente trabalho interessa apenas as denominadas repúblicas democráticas.

República democrática é aquela em que o povo tem a função suprema do governo, podendo todos os cidadãos participar da eleição dos governantes (MENEZES, 2004, p. 216).

A democracia surge como um princípio criador dos governos populares. A Grécia aparece como o cenário perfeito para o surgimento de um Estado com base na ideologia da liberdade do homem. A partir do Século XVIII aparece o Estado Constitucional visivelmente democrático. Na Constituição é possível encontrar o regramento básico para o bom andamento de uma sociedade, regramento esse elaborado pelos representantes do povo. O Brasil incorpora uma democracia real no Século XIX. Necessário informar que, em uma democracia é de vital importância a existência de posicionamentos ideológicos divergentes e, por consequência, diferentes.

A palavra democracia tem sua origem na língua grega, mais precisamente do vocábulo demos cujo significado é povo, em combinação com o vocábulo kratos cujo significado é autoridade. Então, etimologicamente, o vocábulo democracia significa ‘governo do povo’. Ela não pode ser confundida nem com forma de governo e muito menos com forma de Estado, ou seja, ela é o mecanismo utilizado por um governo ou condição de realização governamental.

Esse imaginário é sustentado pelos discursos que se referem a um mundo, atual ou em construção, onde o povo reina como responsável por seu bem-estar. É o mito da democracia. O

povo é, então, erigido em entidade abstrata de razão, representante de uma opinião coletiva consensual resultante de uma deliberação ao longo da qual foram confrontados pontos de vista diferentes e tomadas decisões contrárias. Assim, impõe-se a todos uma opinião majoritária (CHARAUDEAU, 2008, p. 227).

Entender a democracia existente em um determinado Estado é entender sua realidade política e social, isto é, entender sua ideologia enquanto base de um governo da maioria e, “talvez a principal característica da democracia seja que ela nunca se sacie” (CORTELLA e RIBEIRO, 2010, p. 72). O poder político na democracia é exercido pela massa dos indivíduos que compõem a sociedade, em regra, por meio de representantes eleitos. A democracia, então, é a patrocinadora do efetivo bem público, pois um governo que promova a consecução apenas das questões privadas significa a total descaracterização da democracia para a tirania.

Democracia é o ambiente em que um governo de feitio constitucional garante, com base na liberdade e na igualdade, o funcionamento ativo da vontade popular, através do domínio da maioria em favor do bem público, sob fiscalização e crítica da minoria atuante (MENEZES, 2004, p. 277).

Claro que a democracia vai se adaptando de acordo com a situação histórica, além de se conformar com cada sociedade política na qual é aplicada, mas mesmo com o transcurso do tempo sua essência não se alterou. “A democracia se propagou com a intensidade da fé, o brilho do ideal e a eternidade da vida” (MENEZES, 2004, p. 280).

Essa palavra começa a ser valorizada com a Segunda Guerra Mundial, quando se defrontam as potências do Eixo e os países que se autodenominam democracias (vários dos quais efetivamente o eram). A partir daí a palavra democracia ganha um status positivo que, antes, não tinha. Desde 1945, é raro o regime que não se diz democrático (JANINE, 2010, p. 76).

As conclusões deste capítulo são breves. No que tange aos conceitos estudados entendemos que o poder pode ser exercido por meio da preponderância do discurso principalmente nos governos democráticos.

Verificamos o quanto a política é importante para a sociedade. O quanto o poder político está intimamente relacionado com a ideologia contida na linguagem do discurso político.