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GRÁFICO 23: O QUE OS EDUCANDOS DA EJA MAIS GOSTAM NAS AULAS DE BIOLOGIA

No documento agnesdesouzanascimento (páginas 100-103)

Expectativas atendidas quanto à escola

GRÁFICO 23: O QUE OS EDUCANDOS DA EJA MAIS GOSTAM NAS AULAS DE BIOLOGIA

Em relação ao que os educandos menos gostam nas aulas de Biologia, a maioria das respostas obtidas indica não ter nada em relação à referida disciplina escolar que goste menos ou gostam de tudo. Na entrevista Joice disse que não tem nada em Biologia que não goste e completou “Falou que é biologia, eu gosto”. Ela também afirmou não ter nenhuma dificuldade na referida disciplina.

A educanda Nair acha que gosta de todas as aulas de Biologia e não tem nenhuma que não tenha gostado, continua: “Acho que tudo que ela me mostrou até hoje acho que eu gostei. Não tem nada assim de específico que eu não goste”. Esse padrão de resposta encontrada sugere que novamente podem ser pertinentes as considerações propostas sobre a opinião positiva dos educandos sobre a disciplina escolar, que na maior parte das vezes não justificam. Em busca das contradições nesse tipo de resposta que tende a ocultar o conflito entre a opinião do educando e as características da disciplina escolar, pode-se ver que Nair mesmo menciona a questão da avaliação associada à dificuldade de aprendizagem dos educandos. Diz ela:

Eu não sei se é porque não existe nenhum exercício da parte de fixação, sabe? Aí eu acho que as provas são mais difíceis. Mas a gente olha a prova assim e geralmente costuma a gente pedir aula de consulta por causa disso, tem muita coisa que a gente nem percebe. Assim, a gente não guarda as coisas, quando a gente olha a prova assim, não tem. A gente não fixa nada, né? (NAIR, 53 anos)

Sobre essa questão é oportuno a discussão de Arroyo:

Nossa identidade profissional sempre foi manipulada por totalitarismos conservadores, sejam políticos e de políticas, sejam de mercado. As políticas curriculares do que ensinar e como ensinar, do que avaliar, exigir dos professores e dos alunos nas provas escolares e nacionais ou estaduais têm agido como um marco conformador e controlador do trabalho e das identidades profissionais. Carregam um significado político tenso; na medida em que os docentes são obrigados a olhar os alunos, para as marcas de um indigno viver que levam às escolas e têm de olhar para o ensino e o educar, as políticas conservadoras até de reorientações curriculares os obrigarem a fechar seu olhar apenas para o que ensinar para obter bons resultados nas avaliações. Submetem a que seu trabalho profissional seja avaliado em função apenas desses resultados, que sua carreira, até seus salários sejam condicionados a resultados matemáticos, estatísticos.

Uma forma perversa de dizer-lhes: tire o seu foco dos alunos, de suas experiências tão precarizadas de viver, esqueça de educá-los e de ser educador. Seja apenas um eficiente transmissor de competências para eficientes resultados nas avaliações. Não se importe com quem chega à sala de aula com seu viver, injusto sobreviver, mas apenas com os resultados das avaliações (ARROYO, 2011, p 30- 31).

Em seguida, a dimensão indicada que menos agrada os educandos em relação à educação em Biologia é o conteúdo, os quais incluem assuntos ligados à zoologia, botânica e biologia celular. Nesse sentido, o conteúdo aparece tanto como o aspecto mais destacado positivamente nas aulas de Biologia, como é o primeiro ponto de elogios e recebe críticas por parte dos educandos. Uma possível explicação para as críticas se divide em três aspectos: (i) o educando não considera o assunto interessante; (ii) o educando não compreende o assunto da maneira como é ensinado; (iii) a questão da memorização de classificações e termos científicos. Isso pode ser observado nas seguintes frases: “A parte do corpo humano” (educando, 19 anos); “Aprender sobre os animais, plantas e etc” (educando, 19 anos); “Aprender sobre células” (educanda, 20 anos); “Estudo de células e reprodução” (educando, 18 anos); “Tem muita ‘coisa’, bactérias nojentas” (educanda, 19 anos); “Eu menos gosto de falar sobre prejuízos do cigarro e drogas” (educando, 18 anos); “Estudo de plantas” (educando, jovem); “Estudo sobre plantas, é cansativo” (educanda, 19 anos); “As partes sobre animais, não entendo muito” (educando, 22 anos); “Ter que estudar classificação das plantas” (educanda, 19 anos); “Decorar os nomes científicos” (educando, 20 anos); “Os nomes difíceis que dão pras coisas” (educando, 20 anos).

O educando Fábio disse que o assunto que menos lhe interessa em Biologia é Reino Plantae. Ele gosta de fotografar, assim como gosta muito de planta e de flor, por isso costuma fotografar muita flor e tem curiosidade de saber qual está fotografando e como que ela funciona. Porém, a aula de plantas é o que o educando menos se identifica e menos tem interesse. Ele afirmou não ter nenhuma dificuldade na disciplina.

Alguns educandos reclamaram das aulas, que são repetitivas, muito demoradas, consideram muito vago assistir vídeos, não tem exercícios para fixar a matéria, ou ainda são poucas aulas por semana e por isso nem sempre é possível acompanhar e entender a matéria. Como pode ser visto nas escritas: “Algumas aulas são muito demoradas, poderia ser mais dinâmicas” (educanda, 27 anos); “Não gosto muito que são poucas aulas por semana e às vezes não dá para acompanhar muito e entender as matérias” (educando, 18 anos); “Ela fala bem, porém podia passar exercícios para fixar as matérias, de nada adianta entender na hora e depois esquecer a matéria” (educanda, 18 anos); “Não gosto muito de aulas de vídeo, acho um pouco cansativas, gosto de aprender escrevendo a explicação” (educando, 18 anos); “Vídeos, acho muito vago e bem corrido a matéria” (educanda, adulta); “Da turma, pois falam muito” (educando, 20 anos). Esse conjunto de falas faz referência a questões metodológicas e da relação entre o elenco de conteúdos selecionados no contexto da matéria na relação com o tempo que essa dispõe na grade curricular. Arroyo comenta sobre esses tempos rígidos da escola:

Quando chegamos às escolas, entramos nessa lógica temporal institucionalizada que se impõe sobre os alunos e sobre os profissionais da educação. Entender essa lógica é fundamental para entender muitos dos problemas crônicos da educação escolar. Quando os coletivos entendem essa lógica se tornam mais capazes de ter uma visão crítica e até corrigir os problemas de evasão, reprovação e repetência e o crônico fracasso escolar que excluem os setores populares do seu direito à educação básica (ARROYO, 2012, p.192).

Essa lógica trabalha com tempos predefinidos para cada domínio e habilidade: tempo para aquisição da escrita, do cálculo, etc. Os programas recortam esses tempos minuciosamente. Toda a formação, as aprendizagens e a socialização dos alunos e alunas são presas a essa sequenciação e, sobretudo, os mestres são forçados a ser fiéis cumpridores dessa sequenciação preestabelecida. O que é programado para cada aula, o para-casa e as provas têm de obedecer a essa sequência rígida, os professores não têm liberdade para redefinir essa sequência. Os alunos manifestam tensões e conflitos constantes entre esses tempos predefinidos e os tempos vividos e possíveis no trabalho e na sobrevivência (ARROYO, 2012, p.194).

Há também educandos que não gostam de nada das aulas de Biologia ou não se interessam. Por outro lado, alguns disseram que gostam de tudo ou não tem nada que goste menos, como “Nada, aula de Biologia é muito importante pois são coisas que levaremos para o resto da vida” (educando, 18 anos).

GRÁFICO 24: O QUE OS EDUCANDOS DA EJA MENOS GOSTAM NAS AULAS

No documento agnesdesouzanascimento (páginas 100-103)