CAPÍTULO VI – MIGMATIZAÇÃO EM ORTOGNAISSES GRANÍTICOS NO MACIÇO RIO PIRANHAS.
7.1 – GRANODIORITO DO COMPLEXO CAICÓ – AFLORAMENTO IL-
O afloramento IL-13 está localizado na saída norte da Cidade de Caicó-RN ( ponto 3 na Fig. 1) no entroncamento das estradas que ligam as cidades de Caicó a Jucurutu e Caicó a São José do Seridó, coordenadas geográficas 37o14’56”W e 6o27’58”S. A dimensão do afloramento é de aproximadamente 15 m x 30 m. O paleossoma é representado por augen gnaisses de composição tonalítica a granodiorítica cinza escuro com níveis de composição granítica (Fig. 7.1A). Os neossomas são veios que tem em média 7 cm de espessura, são constituídos por leucossoma com uma orla de melanossoma, esta última no geral não ultrapassando 1 cm de espessura (7.1B e Fig. 7.2B).
A principal estruturação é um padrão de interferência entre duas fases de dobramento. A primeira é uma foliação com atitude média de N10oW/10oNE. Essa foliação é dobrada de forma recumbente por uma segunda foliação com plano axial S80oE/15oNE. A atitude da lineação de estiramento mineral Lx2 varia de 7o/15oNE a 5o/5NE e de eixos de dobras variando
de 12o/N a 15o/35oNE. Ocorrem faixas de rochas básicas boudinadas e alinhadas subparalelas a foliação e paralela a direção da lineação de estiramento (Fig. 7.1A).
7.2 PETROGRAFIA
As amostras (Figs. 7.1 e 7.2) foram divididas em várias porções para estudos individualizadas, como o paleossoma (13e) que se trata de um augen gnaisse grosso, cinza escuro com uma trama marcada pela orientação de seus minerais. O melanossoma (13d) é enriquecido em minerais máficos com destaque para a biotita que confere a essa porção uma cor mais escura do que o paleossoma. O leucossoma (13a e 13b) é composto essencialmente por quartzo e feldspatos, também exibe cristais orientados de biotita (Figs. 7.2A e 7.2B). A amostra 13G é do leucossoma com aproximadamente 15% de restito de biotita, a amostra 13H é um paleossoma que já apresenta modificações composicionais com relação ao paleossoma original, tem uma cor intermediária entre o melanossoma e o leucossoma e aqui foi classificado como mesossoma com restitos de biotita e fenocristais de feldspatos e a amostra 13I é a rocha total ( 75% de paleossoma + 5% de melanossoma + 20% leucossoma). As Tabelas 7.1 e 7.2 mostram as composições mesonormativas calculadas a partir dos dados químicos apresentados na Tabela 05A do APÊNDICE D e modais das amostras do afloramento IL-13.
Tabela 7.1 – Composição mesonormativa calculada pelo programa Newpet para as amostras do afloramento IL-13.
Amostra Qz Cor Mt Ilm Ab Na Or Bt Ap Rt Total IL-13a 29,48 0,91 0,25 0,07 15,50 4,46 48,14 0,42 0,52 -0,03 99,72 IL-13b 35,67 1,67 0,33 0,04 12,11 4,31 43,47 1,79 0,45 -0,08 99,76 IL-13d 28,07 0,90 2,58 0,46 24,22 14,74 15,93 12,19 0,35 -0,50 98,96 IL-13d-2 24,88 1,05 2,62 0,48 28,29 14,15 16,99 10,43 0,35 -0,43 98,83 IL-13e 35,04 1,54 1,80 0,30 22,28 13,24 17,22 7,92 0,31 -0,32 99,33 IL-13g 28,07 0,06 1,36 0,19 20,67 9,65 33,53 4,83 0,33 -0,20 98,91 IL-13h 21,71 0,57 4,15 0,83 24,82 17,51 10,31 18,90 0,73 -0.77 99,52 IL-13I 30,22 0,42 2,04 0,39 24,65 14,94 18,37 8,44 0,35 -0,34 99,77 Legenda: IL-13a = leucossoma, IL-13b = leucossoma, IL-13d = melanossoma, IL-13e = paleossoma, IL-13g = leucossoma + restito de biotita, IL-13h = Mesossoma com restitos de biotita e fenocristais de feldspatos, IL-13I = rocha total (75% de paleossoma + 5% de melanossoma + 20% de leucossoma). Qz = quartzo. Cor = corindo, Mt = magnetita, Ilm = ilmenita, Ab = albita, An = anortita, Or = ortoclásio, Bt = biotita, Ap = apatita, Rt = rutilo.
Tabela 7.2 – Composição modal (em %) estimada das seções delgadas do afloramento IL-13.
Amostra Qz Pl Mc Bt Ep All Tit Ap Zr Mu Op Hb
IL-13a 40-45 25-30 25-30 1-2 - - <1 <1 <1 <1 <1 <1 IL-13b 35-40 20-25 25-30 1-2 - - <1 <1 <1 <1 <1 - IL-13d 35-40 15-20 1-2 40-45 8-10 <1 3-5 <1 <1 <1 <1 - IL-13e 30-35 20-25 5-8 17-22 1-3 <1 <1 <1 <1 <1 <1 - Legenda: Qz = quartzo, Pl = plagioclásio, Mc = microclínio, Bt = biotita, Ep = epidoto, All = allanita, Tit = titanita, Ap = apatita, Zr = zircão, Mu = muscovita, Op = minerais opacos, Hb = hornblenda.
No paleossoma o quartzo da matriz é xenomórfico, mostra extinção ondulante, desenvolvimento de subgrãos, bandas de deformação e migração de limites de grão. Também agregados com contatos retos poligonais (Fig. 7.1A). Uma segunda geração é representada por cristais maiores com extinção ondulante e bandas de deformação. Localmente mostram contatos definindo um padrão poligonal incipiente. O plagioclásio ocorre como porfiroclastos com bordas cominuídas que desvia a foliação. Tem textura poiquilítica, com inclusões ativas de biotita e com processo de microclinização incipiente. Na matriz, os cristais são límpidos com geminação deformada em cunha e extinção ondulante. O microclínio se desenvolve na superfície do plagioclásio ou intersticial na matriz, no geral são xenomórficos. Os cristais maiores são pertíticos e possuem inclusões de plagioclásio e de biotita com vestígio de desequilíbrio, indicando que esta foi uma das fases minerais que participaram da formação do microclínio (Fig.7.1E). A biotita é hipidiomórfica, marrom. Alguns cristais estão cloritizados. O epidoto é idiomórfico e hipidiomórfico quando associado aos níveis de biotita. Poucos cristais se desenvolveram sobre plagioclásio, nesse caso são xenomórficos. Ocorre poucos cristais hipidiomórficos de allanita mostram sobrecrescimento de epidoto nas bordas.
No melanossoma o quartzo é xenomórfico mostra extinção ondulante, subgrãos e bandas de deformação. O plagioclásio ocorre como cristais xenomórficos com bordas cominuídas. São límpidos ou pouco alterados e por vezes mostram extinção ondulante. Observa-se inclusões de apatita e biotita. A biotita é hipidiomórfica, marrom com inclusões de titanita, zircão. Alguns cristais mostram na sua superfície, o desenvolvimento de epidoto. O epidoto é hipidiomórfico e idiomórficos quando associados a biotita (Figs. 7.1D e 7.2D). Poucos cristais se desenvolveram sobre plagioclásio, nesse caso são xenomórficos. Como no paleossoma, também ocorrem cristais hipidiomórficos de allanita, que mostram sobrecrescimento de epidoto nas bordas. Alguns cristais podem ter inclusões de biotita com bordas de reação.
A presença de epidoto no paleossoma e o aumento de sua concentração no melanossoma está ligada a desestabilização da biotita e do plagioclásio formando o microclínio, e o Fe++ liberado da biotita juntamente com o Ca liberado do plagioclásio forma o epidoto.
No leucossoma o quartzo da matriz é xenomórfico mostram extinção ondulante, subgrãos, bandas de deformação e migração de limites de grão. Ocorrem agregados com contatos retos poligonais. Uma segunda geração é representada por fenocristais, com extinção ondulante e bandas de deformação. Localmente também podem mostrar contatos poligonais incipientes (Fig. 7.1C). O plagioclásio ocorre como porfiroclastos com bordas cominuídas (Fig. 7E e.7F), com inclusões ativas de biotita e com processo de microclinização que desenvolve mica branca em sua superfície. O microclínio é intersticial na matriz. No geral são xenomórficos (Fig. 7.1E). Pode ter inclusões ativas de biotita e plagioclásio (Fig. 7.2C). A biotita é xenomórfica a hipidiomórfica marrom com inclusões de titanita, zircão e apatita. Mostram bordas de reação com plagioclásios e microclínio (Fig. 7.2C). Associado à biotita, ocorre poucos cristais de hornblenda hipidiomórfica e xenomórfica.