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6.1 – ORTOGNAISSES MIGMATÍTICOS DO COMPLEXO CAICÓ

CAPÍTULO VI – MIGMATIZAÇÃO EM ORTOGNAISSES GRANÍTICOS NO MACIÇO RIO PIRANHAS.

6.1 – ORTOGNAISSES MIGMATÍTICOS DO COMPLEXO CAICÓ

O afloramento IL-11 (Fig.6.1) localiza-se à aproximadamente 6 Km a NE da Cidade de Caicó-RN com coordenadas geográficas 37o12’02” W e 6o25’51” S ( ponto 2 na Fig. 1). Nesse afloramento foram estudados quatro pontos, o primeiro representa o paleossoma, trata- se de um ortognaisse cinza (Amostras 12a), médio. No segundo ponto a rocha apresenta-se mais grossa com desenvolvimento de magnetita orientada (Fig. 6.1C) e aparecem veios de leucossoma quartzo-feldspáticos (Figs. 6.1A e 6.1B). No terceiro ponto, o gnaisse apresenta um aspecto bandado com alternâncias de faixas de leucossomas quartzo feldspáticos róseo com faixas ricas em biotita, mostram níveis com granulometria grossa com aspecto porfirítico (Fig. 6.2A e 6.2B). No quarto ponto a rocha apresenta um estágio de migmatização avançado com faixas de neossomas dobrados (Fig. 6.1B) apresentando padrões de interferências com uma foliação regional (S2) dobrada e desenvolvendo foliação de plano axial (S3) com direção

geral N60oE.

O afloramento ocorre numa área de aproximadamente 130 m x 200 m e todos os pontos onde foram coletadas as amostras são isolados, com isso não foi observado a progressividade da fusão do paleossoma até a geração do migmatito. Porém a semelhança da amostra 12a com as porções de paleossoma observadas no ponto da Figura 6.1B e 6.2A optou-se por considerá-la como sendo a amostra do protolito dos migmatitos.

6.2 – PETROGRAFIA

No afloramento IL-11 foram coletadas amostras do paleossoma e do neossoma (Figs. 6.1 e 6.2). Os contatos entre leucossomas e paleossomas são difusos na maioria das vezes, localmente podemos identificar faixas delgadas ricas em minerais máficos se caracterizando como o melanossoma. As tabelas 6.1 e 6.2 mostram a mesonorma calculada a partir dos dados das Tabelas 05A e 05B do APÊNDICE C e as composições modais estimadas das amostras analisadas. Aqui novamente a mesonorma foi utilizada nos diagramas de Winkler (1977) com os valores de quartzo, albita, anortita e H2O recalculados para 100% e a projeção das linhas

cotética e isotermas. A composição modal foi usada nas discussões petrográficas e de mobilidade química.

Tabela 6.1 – Composição mesonormativa calculada pelo programa Newpet para as amostras do afloramento IL-11.

Amostra Qz Cor Mt Ilm Ab An Or Bt Ap Rt Total IL-12a 35,03 0,85 1,62 0,28 26,77 9,16 21,16 4,63 0,22 -0,19 99,83 IL-12b 36,93 1,16 1,75 0,28 24,05 8,65 21,28 5,39 0,15 -0,21 99,78 IL-11MS1 45,71 0,99 1,20 0,14 21,60 3,41 23,46 3,32 0,02 -0,13 99,92 IL-11MG 45,81 1,50 1,33 0,23 31,08 5,32 9,86 4,55 0,08 -0,18 99,81 IL-11a 34,86 2,13 0,65 0,07 41,42 7,03 11,35 2,12 0,02 -0,08 99,56 IL-11c 53,13 1,59 1,25 0,22 21,60 4,20 12,67 4,96 0,02 -0,2 99,44 IL-11d 55,49 2,10 1,54 0,30 16,35 4,00 14,93 5,01 0,02 -0,19 99,55 Legenda: IL-11a = leucossoma, IL-11c = melanossoma, IL-11d = Neossoma biotítico, IL-12a = Paleossoma, IL-12b = Rocha total, IL-11MS1 = migmatito, IL-11MG = neossoma com leucossoma de granulometria grossa, róseo com cristais hipidiomórficos de magnetita.

Tabela 6.2 – Composições modais estimadas das amostras do afloramento IL-11.

Amostra Qz Pl Mc Bt Ep All Tit Ap Zr Mu Op

IL-12a 30-35 10-15 20-25 10-15 - <1 1-2 <1 <1 <1 3-5 IL-12b 25-30 15-20 20-25 10-15 - <1 1-2 <1 <1 - 3-5 IL-11MS1 35-40 8-10 30-35 3-8 - <1 - <1 <1 - 1-2

IL-11a 20-25 15-20 45-50 1 - <1 - <1 <1 <1 - IL-11c 35-40 15-20 10-15 10-15 - <1 <1 <1 <1 <1 1 Legenda: Qz = Quartzo, Pl = Plagioclásio, Mc = Microclínio, Bt = Biotita, Ep = Epidoto, All = Allanita, Tit = Titanita, Ap = Apatita, Zr = Zircão, Mu = Muscovita, Op = Opacos.

A amostra 12a (paleossoma) é um gnaisse de cor cinza, fino a médio e a amostra 12b foi coletada no mesmo ponto e se diferencia da 12a por apresentar um veio de leucossoma com 1 cm em média apresentando uma orla fina (2 mm) de melanossoma se constituindo numa rocha total. A amostra 11MS1 é do migmatito bandado podendo ser considerada como sendo uma rocha total, porém não se observa a porção de paleossoma na mesma. A amostra

11MG é do neossoma com veios de leucossoma grosso róseo (Fig. 6.1A). As amostras 11a, 11c e 11d são do leucossoma, melanossoma e de neossoma retiradas da mesma amostra (Fig.6.2B).

Na amostras do paleossoma (IL-12a) os cristais de quartzo na matriz são xenomórficos com com extinção ondulante e desenvolvimento de subgrãos, alguns agregados mostram contatos poligonais. Também ocorrem fenocristais com contatos irregulares e curvos com alguns suturados, poucos destes grãos mostram contatos poligonais incipientes (Fig. 6.1C). Os cristais de plagioclásio são xenomórficos a hipidiomórficos apresentando-se parcialmente saussuritizados e desenvolvem muscovita e microclínio na superfície de alguns desses cristais e mostram bordas de reação com o quartzo, biotita e microclinio e mostram extinção ondulante (Fig. 6.1C). O microclínio ocorre como cristais xenomórficos na matriz e como fenocristais intersticiais com contatos curvos com quartzo e/ou plagioclásio (Fig. 6.2C). No microclínio correm inclusões de biotita, plagioclásio e quartzo e formação de muscovita e mica branca sobre sua superfície. A biotita é hipidiomórfica marrom (Fig. 6.2C) mostrando bordas de reação com plagioclásio e quartzo e microclínio (Fig. 6.2C). Alguns cristais se transformam parcialmente em muscovita ou clorita. A titanita é xenomórfica associada a opacos e biotita. Os opacos são hipidiomórficos e xenomórficos e alguns cristais desenvolvem coroa de titanita. A allanita é hipidiomórfica muito alteradas e com inclusões de titanita. A clorita é xenomórfica a hipidiomórfica associada a biotita e opacos.

Na amostra da rocha total (IL-11MS1) o quartzo ocorre como cristais xenomórficos, alguns grãos mostram extinção ondulante, formação de subgrãos e banda de deformação. Também observa-se agregados de cristais com contatos retos poligonais. O plagioclásio, no geral é xenomórfico constituindo a matriz, mas também ocorrem fenocristais com extinção ondulante. Apresentam-se saussuritizados com formação de muscovita e microclínio em sua superfície. Nos contatos com o microclínio desenvolve mirmequita. O microclínio, na matriz, é xenomórfico e intersticial em alguns casos ocorrendo como infiltrações entre grãos de quartzo (Fi. 6.1D). Também ocorrem como fenocristais pertíticos com inclusões ativas de biotita, muscovita e plagioclásio. Alguns podem mostrar extinção ondulante. A biotita é marrom, hipidiomórfica. Mostram bordas de reação com plagioclásio, quartzo e microclínio. A muscovita é hipidomórfica quando associada a biotita e xenomórfica quando desenvolvida sobre plagioclásio e microclínio. Os opacos são principalmente xenomórficos associados a biotita ou como inclusões. A allanita ocorre como cristais bastante alterados associada a biotita nas faixas de melanossoma ou como cristais isolados nas porções de leucossoma.

No leucossoma (IL-11-L) O quartzo ocorre como cristais xenomórficos constituindo a matrix da rocha. Apresenta extinção ondulante desenvolvimento de subgrãos e bandas de deformação. Também ocorre como fenocristais recristalizados com contatos poligonais (Fig. 6.1E e 6.1F)) e como ribbons. O plagioclásio ocorre como cristais saussuritizados, alguns mostrando bordas sobrecrescida sem alteração e uma segunda geração de cristais límpidos ou pouco alterados. Alguns cristais apresentam geminação deformada e extinção ondulante. No contato com o microclínio desenvolve mirmequita. O microclínio ocorre como cristais xenomórficos intersticial (Fig. 6.1E e 6.1F). Mostra bordas de reação com quartzo, plagioclásio e biotita. A biotita, no geral, ocorre como cristais xenomórficos mas também observam-se cristais hipidiomórficos. Mostram pleocroísmo marrom esverdeado. Alguns cristais estão cloritizados. As cloritas são xenomórficas associadas a biotita e opacos. Ocorrem predominantemente nas faixa de melanossoma da lâmina.