5. A FORMAÇÃO, DISCIPLINAMENTO E NACIONALIZAÇÃO DA
5.4 Instituições Educacionais na cidade de São Paulo em 1909: escolas
5.4.3 Grupos Escolares, Escolas Isoladas, Escolas Particulares e Escolas
bairros do município, com as seguintes denominações: Arouche, Avenida, Barra Funda, Belemzinho, Bella Vista, Bom Retiro, Braz 1.º, Braz 2.º, Braz 3.º, Cambucy, Carmo, Lapa, Liberdade, Maria José, Moóca, Pary, Prudente de Moraes, Sta. Ephigenia, Sant’Anna, Sto. Antonio, S. João, Sul da Sé, Triumpho, Villa Mariana.314
Em 1908, o movimento dos Grupos Escolares,era o seguinte:
313
Blanco, Esmeralda Luiz. O trabalho da mulher e do Menor na Indústria Paulistana (1890/1920). Dissertação de Mestrado, História, FFLCH, USP,São Paulo, 1977, cap.I, p.6.
Movimento dos Grupos Escolares em 1908
Grupos Escolares Matriculados
1.Sul da Sé 337 2.Carmo 578 3.Liberdade 412 4.Cambucy 525 5.Móoca 396 6.Braz 1.º 665 7.Braz 2.º 368 8.Braz 3.º 613 9.Pary 730 10.Arouche 730 11.Barra Funda 370 12.São João 285 13.Santa Iphigenia 335 14.Triumpho 595 15.Prudente de Moraes 598 16.Santo Antonio 389 17.Bella Vista 389 18Maria José 364 Escolas Reunidas 1.Belemzinho 205 2.Bom Retiro 221 3.Lapa 167 4.Avenida 265
Fonte:Annuario do Ensino do Estado de São Paulo 1908-1909, p.100 e 102. Não fazem parte da referida tabela os grupos escolares de Sant’Anna e de Villa Mariana porque foram criados em 1909.
Além dos Grupos Escolares havia também 98 Escolas Isoladas315 espalhadas nos bairros da capital paulista, atendendo à demanda populacional da época. Eram escolas organizadas por “professores”, ou mais frequentemente normalistas, com um responsável por cada “escola,” sendo que 32 eram estabelecimentos masculinos, 33 femininos, 31 mistos e 2 de cursos noturnos.316 Já as escolas particulares totalizavam 32 estabelecimentos em sua maioria
oferecendo o curso preliminar e secundário, a saber:
315 Escolas Isoladas eram escolas públicas, localizadas em bairros periféricos ou regiões rurais, regidas por
professores normalistas ou professores em início de carreira.
316
Escolas e Colégios particulares da Capital em 1909
Denominações Cursos Matrículas
1.Instituto Serosoppi Preliiminar e secundário 20 2.Gymnasio Livre Ordem e
Progresso
Preliminar e secundário 70
3.Collegio Stafford Preliminar e secundário 90 4.Collegio de Sta. Anna “ “ 120 5.Instituto D. Anna Rosa “ “ 109 6.Collegio das Damas de Sto.
Agostinho “ “ 84 7.Externato Ivanck “ “ 36 8.Collegio Sta Ignez Inf. Prel. e secundário 220 9.Externato S. José “ “ “ 812 10.Externato Sta Maria e
Jardim da Infância Preliminar e secundário 37 11.Escola Americana Prel. Inf. Secundário 645 12.Escola Allemã de Villa
Marianna Preliminar 74
13.Collegio do SS. Coração de Jesus
Prel. E secundário 120
14.Escola Allemã “ “ 190 15.Escola Allemã de Villa
Marianna
“ “ 80
16.Collegio Kuhlmann “ “ 181 17.Escola Particular “ “ 14 18.Externato Sto Antonio “ “ 14 19.Collegio Coração de Jesus “ “ 14 20.Collegio Sião “ “ 160
21.Collegio Mackenzie Secundário 170
22.Escola Sta. Thereza Preliminar 150
23.Collegio Tamandaré “ 44
24.Collegio Moreira Prel. e secundário 41 25.Escola St. Adalberto Prel. e Jar. de inf. 293 26.Gymnasio Lusitano Prel. e secundário 47 27. “ Diocesano “ “ 199 28.Ass. Christã de Moços de S.
Paulo
Secundário 91
29.Curso de Aprendiz da Light
and Power Preliminar 58
30.Escola Particular da Lapa Preliminar 53 31.Escola Particular da Lapa Preliminar 45 32.Collegio Italiano da
Immaculada Conceição “ 86 Fonte: Annuario do Ensino do Estado de São Paulo 1908-1909 pp.346/347.
Portanto, o total de matrículas nas escolas e colégios particulares em 1909 era de 4394 alunos.317 Pode-se considerar, que entre essas escolas existiam muitas estrangeiras alemãs, americanas, italianas, e por esse motivo boa parte delas possivelmente não se caracterizava por um ensino “nacionalizante”. Dessa forma, para calcularmos, aproximadamente, o número de escolas “nacionais” existentes na capital paulista teríamos que somar o número de grupos escolares (24) à quantidade de escolas isoladas (98), perfazendo um total de 122 estabelecimentos, sendo que excluímos do cálculo, as escolas profissionalizantes como o Liceu do Sagrado Coração de Jesus e o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, alguma outra escola particular brasileira e os asilos e orfanatos. Essa quantidade de escolas (122) chega a ser somente um pouco superior aos estabelecimento escolares italianos que funcionavam na cidade de São Paulo num total de 85 escolas, fora as Escolas Anarquistas, no mesmo período, possivelmente ministrando aulas em língua italiana, a História e cultura italianas. Essa situação era objeto de preocupação das autoridades competentes da época.
ESTATÍSTICA DAS ESCOLAS ITALIANAS Pertencentes à “Unione Magistrale Italiana”
DENOMINAÇÕES CURSOS MATRÍCULAS
1.Instituto “Giuseppe Garibaldi” Preliminar 132 2.Scuola Italiana” Rosa Covoni” “ 45 3. “ “ “ Vittorio Alfieri” “ 69 4.Scuola Italiana “Ludovico Antonio
Muratori
“ 89
5.Instituto Educativo “Ciro Menotti” “ 26
6.Scuola Italiana “ 79
7. “ “ “Principessa Iolanda” “ 35 8.Scuola Italiana “Edmondo de Amicis” “ 57 9.Scuola Italiana “Principe di Piemonte” “ 104 10. “ “ “Giosué Carducci” “ 83 11.Scuola Italiana “Indipendenza” Preliminar 53 12. “ “ di Riccardo Parziali “ 52 13.Scuola Italiana “Principessa Mafalda” “ 76 14.Scuola Italiana “Duca D’Aosta” “ 48 15.Scuola Italiana Mixta “Duca degli
Abruzzi” “ 67
16.Scuola Italiana “Alessandro Manzoni” “ 39
17.Instituto “Lievore” “ 191
18. “ “Dante Alighieri” “ 128 19.Scuola Italo-Brasiliana “Annita “ 74
317
Garibaldi”
20.Scuola “Italia” “ 66
21.Collegio Italo-Brasiliano “Marco Aurelio Severini”
“ 115
22.Instituto “Principe di Carignano” “ 44 23.Instituto Italo-Brasiliano “Alessandro
Manzoni”
“ 144
24.Scuola Italiana “ 98
Fonte: Annuario do Ensino do Estado de São paulo 1908-1909 p.350.
ESTATISTICA DAS ESCOLAS ITALIANAS
Pertencentes á “Federazione delle Scuole Italiane”em 31 de agosto de 1908
TITULO DIRECTORES ALUMNOS
MATRICULADOS BRAZ
Aurelio Saffi Carolina Limongelli 61
2.Italiana Tereza sarti 75
3.Studio e Lavoro Salomone Rosea 197 4.Regina Margherita Sorelle Magrini 237 5.S. Maria di Loreto Orsola Antico 39 6.Vittoria Colonna Maria Ragazzi Chiozzi 90
7.GB. Vico Antonio Peduti 65
8.Speranza Giuseppe Sebastiani 91
9.Amor di Patria Angelo Arena 91
10.Guglielmo Ferrero Concettina D’Amelio 105 11.Santa Lucia Elvira Tedesco Tuzzi 83 12.Torquato Tasso Giovanni Toscano 73 13.Princ. Giovanna Adalgisa Tassini 64 14.Mariangela (nocturna) Nicola Dé Gennaro 85 15.M. R. Imbriani Martinelli Clara 66 16.Vittoria Colonna Anita D’Amelio 27
17.S. Lorenzo Antonieta Maffei 63
18.Vicenzo Gioberti Francesco Antico 46 19.Móoca Quaranta Leanza Giovanina 40 20.Eleonora d’Arborea Davide Dessana 56 21.Vittorio Emanuelle III Placido Egano 80
BOM RETIRO
22. Italiana Cav. Luigi D’Angelo 33 23.Vittorio Emanuele II Ettore Maragoni 177 24.Regina Margherita Carlota Teller isipato 67
25.L’Educatrice Ianuzzi Rosina 69
26.Progresso Raffaello Fighera 77
27.Laica Eurico Davini 77
28.Ugo Foscolo Luigi Panno 63
29.Centro Educativo Luigi Egano 46
BARRA FUNDA
31.Italo Francese Rinaldo Teani 93 32.Immacolata Alfonsina Ardinghi 89 33.Vittorino da Feltre Alberto Tonissi 62 34.Maria Ausiliatrice Giovanini Bisson 23
LAPA
35.Avvenire Angelo Gaeta 62
BEXIGA
36.Mario Rapisardi Antonio Do Marco 83 37.Principe Amedeo Pascoale Falco 63 38.Luigi Settembrini Alessandro Sarmo 113 39.Iolanda di Savoia Cosmo Macri 90 40.Eroe dei Due Mondi Antonio Panzarella 70 41.Primo Maggio Francesco Agnello 189 42.Regina Elena Carmela Meligeni 47
CENTRO
43.Principi Carignano Francesco Andreacchi 65 44.Aless. Manzoni Michele Cipparrone 67 45.elena Cairoli Secondo Cazzuola 64 46.Stella d’Italia Affonso Calabresi 82 47.Dio e Patria Cipriano Dell’Acqua 77 48.Roma Intangibile Pasquale Fanete 64
49.Italiana Gaetana Favoino 56
50.Convitto Manzione Michele Toralbo 42
CAMBUCY
51.Cornelia Gracco Massimilla Sturari 65
52.G. Leopardi Valenti Romano 86
CONSOLAÇÃO
53. Sempre Avanti Savoia Francesco Pedatella 70
PONTE GRANDE
54.Giovanni Bovio Tito Omero Forti 82
PONTE PEQUENA
55.Princ. Mafalda di Savoia Eufemia Allessandri 58
VILLA MARIANA
56.Regina Elena Luigi Visco 69
57.Gino Galiano Amalia e Amadori Carrezzato 47 58.Regina Margherita Franc Spera 67
LIBERDADE
59.Giordano Bruno Filorete Fondacari 88
60.Volere è Potere Ernesto De Mutus 56
LARGO GUAYANAZES 61.Gymnasio Ordem e
Progresso Dr. Alfredo Paulino e Eng. Fred. Spicacci 21
Total geral 4. 623
Fonte: Annuario do Ensino do Estado de São Paulo 1908-1909 pp.351/352/353.
O Inspetor Geral do Ensino em 1908, professor João Lourenço Rodrigues, em relatório apresentado ao Secretátio do Interior, comenta que existe em funcionamento no Estado “um numero consideravel de escolas estrangeiras” e indaga se esses estabelecimentos nos quais o “portuguez não é lingua official, podem offerecer ao Estado reaes vantagens como auxiliares do governo na ministração do ensino preliminar”. Considera também as dificuldades “de conseguir logar em nossas escolas publicas, em vista da desproporção entre o numero de candidatos á matricula e a lotação desses estabelecimentos, como tambem, o desejo de que seus filhos aprendam a lingua patria, faz com que os estrangeiros domiciliados em nosso paiz, principalmente os italianos, procurem escolas particulares”.318
O referido inspetor justifica a preferência da colonia italiana por essas escolas nas quais as crianças “aprendendo a lingua, a geographia e a historia da Itália, aprendem, por isso mesmo a amar a Italia”. Entretanto, considera que essas escolas protegidas pelo governo italiano e não auxiliadas pelo governo do Estado, estão “lentamente (se) afastando de nós e, cada vez mais, (...) italianisando o ensino”. Dessa forma, considera “taes escolas serão ... perniciosas em seus effeitos, porque preparam de brazileiros natos, uma geração futura de italianos que serão , em face das nossas leis, cidadãos brazileiros, terão de partilhar comnosco a vida nacional, serão chamadas um dia a desempenhar um papel em nossa organização economica e política”. 319
Considerando a impossibilidade de fiscalizar as escolas estrangeiras pelo Estado já que o mesmo não dispões de inspetores suficientes, o Inspetor Geral propõe a utilização das escolas estrangeiras “como auxiliares na ministração do ensino, sujeitando-as a um regimen uniforme de organisação e fazendo inspeccionar assiduamente o seu funcionamento”através do aumento do numero de inspetores “de dez para quinze”. Preocupado com o ensino de lingua portuguesa, de geografia e da história do Brasil, considerados “em plano secundario” em quase todas as escolas
318 Annuario do Ensino do Estado de São Paulo 1907-1908, p.43. 319
italianas, coloca a necessidade de considerar ‘bem como a nossa geographia e historia, como materias essenciaes, porque as crianças que frequentam as escolas estrangeiras, são em sua maioria naturaes do Brazil e, como cidadãos brazileiros, devem ser educadas”.
Sobre esse assunto, ainda se pronuncia outra autoridade. O inspetor escolar Sr. Miguel Carneiro Junior, em seu relatório de final de ano, referindo-se ao ensino da lingua nacional em escolas estrangeiras coloca que “A Lei n.º 489 de 29 de Dezembro de 1896 torna obrigatório o ensino da lingua nacional, bem como a da geographia e da historia do Brazil, nas escolas estrangeiras. Como, porém, essa lei não está regulamentada, o inspector escolar só póde averiguar si nessas escolas é ou não feito tal ensino”. Segundo êle, isso não é suficiente, pois o inspetor precisaria “verificar si esse ensino se faz realmente e bem; precisa conhecer a feição que o mestre dá ao ensino, a extensão e o limite do curso; ...conhecer enfim, si essas escolas estão nacionalisadas”.320
Segundo o referido inspetor, a regulamentação da citada lei é “necessidade inadiavel”. Para êle, se o governo estadual inspecionar assídua e regularmente as escolas estrangeiras, exigindo segundo a lei “o ensino bem feito da lingua vernacula, da geographia e historia do Brazil”, para que “os alumnos que as frequentam sejam preparados como cidadãos brazileiros para as necessidades da nossa vida social, é natural” que êle as auxilie “em proporção ao que dellas exija e na medida dos benefícios que ellas pódem prestar ao Estado”.
Incorporando as escolas estrangeiras no trabalho de educação nacional, o inspetor coloca que as escolas italianas perfazem “um effectivo de quasi 5000 crianças matriculadas”. Para o governo”fornecer ensino gratuito a todo esses alumnos, deveria crear mais de cem escolas” acarretando uma despesa anual para o Estado “superior a trezentos contos”. 321 Considerndo que “o ensino, nestes estabelecimentos seja convenientemente regularisado, elles podem prestar bons e reaes serviços”, declara que “não é natural’que esses serviços não sejam compensados já que “proporcionam ao Estado uma economia tão avultada”.
Referindo-se a uma “despesa annual, talvez inferior à decima parte do que seria necessário para se dar ensino gratuito ás crianças que frequentam escolas estrangeiras”, o inspetor sugere o fornecimento de livros , materiais escolares e um professor para o ensino “da
320 Annuario do Ensino do Estado de São Paulo 1907-1908, p. 43 e seguintes. 321 Idem.
lingua nacional, geographia e historia”. Dessa maneira os professores teriam “uma justa compensação” pelo serviço “que delles se exige em bem da instrucção pública do Estado e, com tal beneficio, daremos o primeiro passo para nacionalisar as escolas estrangeiras”.
Também o Dr. Oscar Thompson, em discurso pronunciado em 1907 para os professores normalistas, abordando o problema da assimilação do estrangeiro e seus filhos, coloca em dúvida “a nacionalisação das escolas unicamente pela influencia das leis”. Considerando “o magno problema da actualidade”a necessidade de “nacionalisar, abrazileirar o immigrante adulto, assim como seus filhos, quer nascidos aqui, quer fóra...”.
Referindo-se a exemplos de outros países, lembra a experiência do educador norte americano Sir William Harris, como superintendente das escolas em S. Louis, Missouri, com a colônia alemã, a qual “estabeleceu escolas para seus filhos, educando-os em plena America como si estivessem na Allemanha”. Essas escolas alemãs estavam em toda parte e “a nova geração americana-allemã estava crescendo allemã e sem saber falar o inglez”. O referido educador americano, pediu uma lei ao Congresso “tornando obrigatório o ensino do inglez em todas as escolas e collegios estrangeiros” e colocou seus auxiliares para fiscalizar essa determinação. As escolas “passaram a ter professor de inglez, mas os alumnos continuavam a falar o allemão”. Considerando que o “espirito da educação continuava allemão...(e que) ...naquelas escolas fazia-se o allemão...”, o educador mandou construir uma bem organizada escola americana ao lado de cada escola alemã, sem contudo obter resultados satisfatórios.
Por fim, lembrou de mandar “ensinar o allemão nas escolas publicas do bairro teutônico, justamente naquellas cuja missão era americanisar os filhos dos teutonicos”. O resultado foi satisfatório, as escolas alemãs logo desapareceram já que os alemães compreenderam a falta de necessidade de “despender dinheiro com a educação dos filhos em escolas allemãs”.
Entretanto, para Oscar Thompson, o problema para nós exigia outra solução: “precisamos nacionalisar o estrangeiro pela nacionalização de suas escolas, visto não podermos fornecer a todos escolas públicas”.322
Fica explícito com todas essas referências das autoridades educacionais da época, a grande preocupação com as escolas estrangeiras, em especial as italianas na cidade de São Paulo, com o currículo desnacionalizante dessas escolas e fundamentalmente com a forma de nacionalizá-las.
322
Devemos considerar também, já que foram citadas , que pelas pesquisas efetuadas, as Escolas Anarquistas, denominadas Escolas Modernas, embora com filosofia racionalista e organizadas por representantes operários, na época majoritariamente estrangeiros, não se caracterizavam por um ensino que priorizasse a língua e culturas estrangeiras, pelo contrário, propunham-se a um ensino ”racional e científico”, contra o preconceito religioso e almejando uma sociedade sem divisão de classes. O método utilizado compreendia aulas ao ar livre, exercícios, excursões educativas, à partir do cotidiano dos alunos, priorizando a atividade e o trabalho já que o trabalho era considerado” o fundamento do princípio educativo”, e, portanto, propunha-se a uma educação ligada à vida. Não consta, portanto, na literatura referida, que esse tipo de escolas ensinassem em língua estrangeira e priorizassem o ensino de geografia e história de outros países.
Em suma, esse momento histórico situado na década de 1910, se notabilizava pela preocupação das elites nacionais e em especial as paulistas com a educação da emergente população urbana que se aglomerava nas cidades, que inchavam rapidamente por todo o país. No caso de São Paulo, a preocupação se voltava especialmente para a camada estrangeira que formava a recém organizada classe operária. É nessa perspectiva que tentamos compreender a criação das Escolas de Aprendizes Artífices de São Paulo, ou seja,como parte de um movimento explícito das elites paulistas através de seus representantes, para nacionalizar, disciplinar, adestrar e condicionar essa classe, substituindo seu saber fazer considerado “empírico” por um conhecimento “racional e científico” ministrado em escolas profissionalizantes.