no marmitex passei lubrax no jontex enfiei tampax no rex
cheguei ao clímax no box
passei um fax depois ajax achei o max o denorex colei durepox no duralex passei durex no sax tirei xerox do tex jantei inox com pirex passei látex no gálax espirrei antrax no fedex
e ganhei um tórax mais sexy
Globanalização orientação oriental
acidente ocidental
fundo monetário internacional nova ordem mundial
greve geral
desigual = desigual aldeia globaldeia global
Índio Galdino vestiram o índio
destruíram sua aldeia índio vestido
índio favelado ensinaram o índio comer de garfo e faca sentar a mesa
ensinaram português do Brasil índio da cidade
índio urbano
arrumaram trabalho na fábrica do branco
trataram o índio como negro e o negro como bicho
bicho do mato do mato queimado arrumaram um trampo na plantação de marijuana pro índio índio ilegal
aculturaram o índio o índio não é negro o índio não é branco o índio não é amarelo o índio não é índio espancaram o índio até o desmaio o índio numa cela escória da sociedade civilização selvagem queimaram o índio enterro humilde enterro cristão
“A Televisão Matou a Janela” Nelson Rodrigues Saio da janela e ligo a tevê
Novela rural Mudo de canal Comercial Mudo de canal Programa musical Mudo de canal Entrevista banal Mudo de canal
Infantil fecal Mudo de canal Mapa astral Mudo de canal Telejornal Mudo de canal Hino Nacional Mudo de canal Mundo animal
Desligo a tevê e volto à janela
Made in Paraguay charuto cubano
filosofia alemã cinema americano e a música brasileira Nobel sueco
chocolate suíço banho tcheco e a festa brasileira literatura irlandesa educação britânica tolerância holandesa e a natureza brasileira whisky escocês
tapete persa perfume francês e a seleção brasileira porcelana chinesa balé russo
tecnologia japonesa e a mulher brasileira
O Mendigo Bêbado Pombas, pulgas e folhas secas!
Cães, chuvas e moleques sapecas!
O mendigo era médico.
O bêbado, bem de vida.
O mendigo bêbado, que foi rico, não passa de uma ferida.
O mendigo tinha família.
O bêbado teve um lar.
O mendigo bêbado tem uma filha que está para se casar.
O mendigo não tem sol.
O bêbado está cercado.
O mendigo bêbado preso no anzol da sociedade do soldado.
Pombas, pulgas e folhas secas!
Cães, chuvas e moleques sapecas!
Nocaute em Saco de Pancada Leve é um soco / fora de foco
Nenhuma norma / fora de forma Longe daqui / fora de si
De papo pro ar / fora do lugar Roubando esmola
Fugindo à luta Não me amola Filho da fruta
Fodido da vida / beco sem saída De sangue quente a sangue-frio No meio do jogo / a prova de fogo Perdendo a fala / a prova de bala Guardando mágoa / a prova d'água Bagulho do bom / a prova de som Guia de cego
Chutando o balde Faltando fôlego Segundo round
Valendo a pena / sair de cena De sangue quente a sangue-frio Chuva de vaia / tiro que faia Direto de direita / tiro que deita Já pro chuveiro / tiro certeiro Passa amanhã / tiro na maçã Pedindo aplauso
Todo à vontade Contando causo Só na saudade
Macaco ou Adão / parece armação De sangue quente a sangue-frio Preso na rede / morra de sede Sem sobrenome / morra de fome Faltando à fé / morra em pé Dia de sorte / morra por esporte Caindo no R$
Correndo atrás Passando mal Descanse em paz
Fazendo figa / comendo formiga De sangue quente a sangue-frio.
O Pôr do Sol Nascente Num braço bem forte
uma âncora tatuada.
E no outro, um corte sob mulher pelada.
“Meu navio não navega (vaga-lume) num nevoeiro, cujo murmúrio do vento me chama de lixo indigente.
Eu sou um sujeito sujo, mas ainda sou gente.”
Mais de mês no mar limpando o convés.
Gaivotas d'além mar, a mais de mil pés.
“Mesmo na prancha (olhos vendados) eu não fujo.
Não posso esquecer de lembrar do assunto pendente.
Eu sou um sujeito sujo, mas ainda sou gente."
É um saco de batata por hora no porão.
Descascar não mata, mas haja colhão!
"Terra à vista (1ª viagem) é miragem de marujo.
No ar, no mar, na farda - tudo azul me deixa doente.
Eu sou um sujeito sujo, mas ainda sou gente."
Otários e Gatunos
A violência escala muros altos com cacos de vidro e arames farpados, invade o quintal,
pisa nas flores dos jardins,
engana os cães com carne envenenada, pula a janela,
revira os armários,
sobe as escadas e se for preciso...
O gato preto ronrona ao nosso lado na cama com unhas e olhos acesos
enquanto o sonho não se cansa...
Um bafo quente no cangote...
O galo cantou, é hora de acordar!
Pixote Canivete
ou caixote, pivete ou Pixote.
Fernando Ramos da Silva na pedra, finado ramo na selva de pedra!
A rua é o refúgio do barraco!
Foi encontrado dentro de um saco e maltratado em qualquer buraco.
Tinha o sonho de tocar cavaco, mas seu negócio era jogar taco.
Num dia de frio afanou um jaco e na favela é chamado de macaco.
Fuma um bagulho do balacobaco que torna o dia-a-dia menos opaco.
Pixote - essa é a lei do mais fraco e vai muito além do mais fraco!
A rua é o refúgio do barraco!
Essa é a lei do mais fraco, Pixote, e vai muito além do mais fraco : traga a graxa e o caixote,
mano sem money no pote não dá.
Nada não dá nada não dá não dá.
Não dá em nada.
A rua é o refúgio!
Da favela pra FEBEM
o que é que tem? (não sei se tem) se a periferia
é maioria!
O refúgio do barraco!
Laranja pé de chinelo só manja
do mercado paralelo.
A RU A RU A RU A RU A
Quem matou Pixote foi o Hector Babenco!
Quem matou Pixote foi a Marília Pêra!
Quem matou Pixote foi todo o elenco
da sociedade brasileira!
Mundo Cão beco sem saída
casa abandonada terreno baldio
depósitos de carros e corpos
Xeque-Mate O mundo é um tabuleiro
A vida é um jogo Em casa você é o Rei No trabalho Peão Na rua um Cavalo
Em casa para a mulher você é o Rei Ou um Cavalo
Para os filhos o Bispo Ou uma Torre
No trabalho para o patrão Peão
Para os subordinados você é o Rei Ou um Cavalo
Na rua é o Rei No trânsito Cavalo
Na multidão só mais um Peão Em si a Torre
Para seus familiares a Torre Às vezes é o Rei
Outras Peão Às vezes o Bispo Ou Cavalo
Para seus amigos a Torre Também é Rei
Às vezes Peão Outras o Bispo Ou Cavalo
Todo mundo quer comer a Rainha
A mulher pede o divórcio
Você é um Cavalo o Bispo a Torre Foi demitido
Você é o Bispo a Torre Vai parar no xadrez Você é a Torre
Você é ceifado pela Rainha Negra E substituído por novas peças Você é a Torre
No lar
Outro Rei outro Bispo outro Cavalo No serviço
Outro Rei outro Peão outro Cavalo Lá fora
Outro Peão outra Torre outro Cavalo Cavalo Cavalo Cavalo
Todas as peças se deslocam lentamente Mas sempre se encaixam perfeitamente
Um Sol Para Cada Montanha Eu não queria precisar
de moedas e medalhas.
Eu só queria precisar de uma vida sem migalhas.
Eu só queria precisar de uma vida
devida-
mente dividida
: uma árvore como casa (da madeira faz-se a brasa!), ossos como ferramentas, folhas e gravetos como teto,
couro de animais como vestimentas e um filho que me destinasse um neto.
Animal, mineral, vegetal nunca iam faltar.
Eu só queria um lugar!
Eu só queria precisar de mais nada.
Eu não queria precisar.
Eu só queria precisar...
Além do mundo, de uma sacada, além de tudo e mais nada.