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guardei o rolex

No documento Como Escrever Versos (páginas 23-30)

no marmitex passei lubrax no jontex enfiei tampax no rex

cheguei ao clímax no box

passei um fax depois ajax achei o max o denorex colei durepox no duralex passei durex no sax tirei xerox do tex jantei inox com pirex passei látex no gálax espirrei antrax no fedex

e ganhei um tórax mais sexy

Globanalização orientação oriental

acidente ocidental

fundo monetário internacional nova ordem mundial

greve geral

desigual = desigual aldeia globaldeia global

Índio Galdino vestiram o índio

destruíram sua aldeia índio vestido

índio favelado ensinaram o índio comer de garfo e faca sentar a mesa

ensinaram português do Brasil índio da cidade

índio urbano

arrumaram trabalho na fábrica do branco

trataram o índio como negro e o negro como bicho

bicho do mato do mato queimado arrumaram um trampo na plantação de marijuana pro índio índio ilegal

aculturaram o índio o índio não é negro o índio não é branco o índio não é amarelo o índio não é índio espancaram o índio até o desmaio o índio numa cela escória da sociedade civilização selvagem queimaram o índio enterro humilde enterro cristão

“A Televisão Matou a Janela” Nelson Rodrigues Saio da janela e ligo a tevê

Novela rural Mudo de canal Comercial Mudo de canal Programa musical Mudo de canal Entrevista banal Mudo de canal

Infantil fecal Mudo de canal Mapa astral Mudo de canal Telejornal Mudo de canal Hino Nacional Mudo de canal Mundo animal

Desligo a tevê e volto à janela

Made in Paraguay charuto cubano

filosofia alemã cinema americano e a música brasileira Nobel sueco

chocolate suíço banho tcheco e a festa brasileira literatura irlandesa educação britânica tolerância holandesa e a natureza brasileira whisky escocês

tapete persa perfume francês e a seleção brasileira porcelana chinesa balé russo

tecnologia japonesa e a mulher brasileira

O Mendigo Bêbado Pombas, pulgas e folhas secas!

Cães, chuvas e moleques sapecas!

O mendigo era médico.

O bêbado, bem de vida.

O mendigo bêbado, que foi rico, não passa de uma ferida.

O mendigo tinha família.

O bêbado teve um lar.

O mendigo bêbado tem uma filha que está para se casar.

O mendigo não tem sol.

O bêbado está cercado.

O mendigo bêbado preso no anzol da sociedade do soldado.

Pombas, pulgas e folhas secas!

Cães, chuvas e moleques sapecas!

Nocaute em Saco de Pancada Leve é um soco / fora de foco

Nenhuma norma / fora de forma Longe daqui / fora de si

De papo pro ar / fora do lugar Roubando esmola

Fugindo à luta Não me amola Filho da fruta

Fodido da vida / beco sem saída De sangue quente a sangue-frio No meio do jogo / a prova de fogo Perdendo a fala / a prova de bala Guardando mágoa / a prova d'água Bagulho do bom / a prova de som Guia de cego

Chutando o balde Faltando fôlego Segundo round

Valendo a pena / sair de cena De sangue quente a sangue-frio Chuva de vaia / tiro que faia Direto de direita / tiro que deita Já pro chuveiro / tiro certeiro Passa amanhã / tiro na maçã Pedindo aplauso

Todo à vontade Contando causo Só na saudade

Macaco ou Adão / parece armação De sangue quente a sangue-frio Preso na rede / morra de sede Sem sobrenome / morra de fome Faltando à fé / morra em pé Dia de sorte / morra por esporte Caindo no R$

Correndo atrás Passando mal Descanse em paz

Fazendo figa / comendo formiga De sangue quente a sangue-frio.

O Pôr do Sol Nascente Num braço bem forte

uma âncora tatuada.

E no outro, um corte sob mulher pelada.

“Meu navio não navega (vaga-lume) num nevoeiro, cujo murmúrio do vento me chama de lixo indigente.

Eu sou um sujeito sujo, mas ainda sou gente.”

Mais de mês no mar limpando o convés.

Gaivotas d'além mar, a mais de mil pés.

“Mesmo na prancha (olhos vendados) eu não fujo.

Não posso esquecer de lembrar do assunto pendente.

Eu sou um sujeito sujo, mas ainda sou gente."

É um saco de batata por hora no porão.

Descascar não mata, mas haja colhão!

"Terra à vista (1ª viagem) é miragem de marujo.

No ar, no mar, na farda - tudo azul me deixa doente.

Eu sou um sujeito sujo, mas ainda sou gente."

Otários e Gatunos

A violência escala muros altos com cacos de vidro e arames farpados, invade o quintal,

pisa nas flores dos jardins,

engana os cães com carne envenenada, pula a janela,

revira os armários,

sobe as escadas e se for preciso...

O gato preto ronrona ao nosso lado na cama com unhas e olhos acesos

enquanto o sonho não se cansa...

Um bafo quente no cangote...

O galo cantou, é hora de acordar!

Pixote Canivete

ou caixote, pivete ou Pixote.

Fernando Ramos da Silva na pedra, finado ramo na selva de pedra!

A rua é o refúgio do barraco!

Foi encontrado dentro de um saco e maltratado em qualquer buraco.

Tinha o sonho de tocar cavaco, mas seu negócio era jogar taco.

Num dia de frio afanou um jaco e na favela é chamado de macaco.

Fuma um bagulho do balacobaco que torna o dia-a-dia menos opaco.

Pixote - essa é a lei do mais fraco e vai muito além do mais fraco!

A rua é o refúgio do barraco!

Essa é a lei do mais fraco, Pixote, e vai muito além do mais fraco : traga a graxa e o caixote,

mano sem money no pote não dá.

Nada não dá nada não dá não dá.

Não dá em nada.

A rua é o refúgio!

Da favela pra FEBEM

o que é que tem? (não sei se tem) se a periferia

é maioria!

O refúgio do barraco!

Laranja pé de chinelo só manja

do mercado paralelo.

A RU A RU A RU A RU A

Quem matou Pixote foi o Hector Babenco!

Quem matou Pixote foi a Marília Pêra!

Quem matou Pixote foi todo o elenco

da sociedade brasileira!

Mundo Cão beco sem saída

casa abandonada terreno baldio

depósitos de carros e corpos

Xeque-Mate O mundo é um tabuleiro

A vida é um jogo Em casa você é o Rei No trabalho Peão Na rua um Cavalo

Em casa para a mulher você é o Rei Ou um Cavalo

Para os filhos o Bispo Ou uma Torre

No trabalho para o patrão Peão

Para os subordinados você é o Rei Ou um Cavalo

Na rua é o Rei No trânsito Cavalo

Na multidão só mais um Peão Em si a Torre

Para seus familiares a Torre Às vezes é o Rei

Outras Peão Às vezes o Bispo Ou Cavalo

Para seus amigos a Torre Também é Rei

Às vezes Peão Outras o Bispo Ou Cavalo

Todo mundo quer comer a Rainha

A mulher pede o divórcio

Você é um Cavalo o Bispo a Torre Foi demitido

Você é o Bispo a Torre Vai parar no xadrez Você é a Torre

Você é ceifado pela Rainha Negra E substituído por novas peças Você é a Torre

No lar

Outro Rei outro Bispo outro Cavalo No serviço

Outro Rei outro Peão outro Cavalo Lá fora

Outro Peão outra Torre outro Cavalo Cavalo Cavalo Cavalo

Todas as peças se deslocam lentamente Mas sempre se encaixam perfeitamente

Um Sol Para Cada Montanha Eu não queria precisar

de moedas e medalhas.

Eu só queria precisar de uma vida sem migalhas.

Eu só queria precisar de uma vida

devida-

mente dividida

: uma árvore como casa (da madeira faz-se a brasa!), ossos como ferramentas, folhas e gravetos como teto,

couro de animais como vestimentas e um filho que me destinasse um neto.

Animal, mineral, vegetal nunca iam faltar.

Eu só queria um lugar!

Eu só queria precisar de mais nada.

Eu não queria precisar.

Eu só queria precisar...

Além do mundo, de uma sacada, além de tudo e mais nada.

No documento Como Escrever Versos (páginas 23-30)

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