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6.  PROBLEMAS CORRENTES NO PARQUE HABITACIONAL EDIFICADO 73 

6.3  H UMIDADES 75 

A maioria das anomalias que se detectam nos edifícios tem origem directa ou indirecta na presença da água e no consequente humedecimento dos materiais, acompanhado pela modificação indesejável das suas propriedades físicas.

Tais anomalias afectam as condições de habitabilidade e de durabilidade dos edifícios, provocando alterações prejudiciais do aspecto e, num número limitado de casos, degradações irreversíveis que podem inviabilizar a recuperação e a reutilização dos materiais atingidos, tornando inevitável a sua substituição.

A utilização dos espaços interiores das habitações, associada à fraca ventilação, a um insuficiente isolamento térmico da envolvente do edifício e o ineficiente aquecimento nos períodos frios, pode provocar o aumento de humidade ambiente e a proliferação de bolores e outros fungos.

Constituindo a humidade a principal causa, directa ou indirecta, de anomalias construtivas nos edifícios habitacionais. Importa, portanto, identificar as suas várias formas de manifestação, que são seis:

 Humidade de construção;  Humidade do terreno;  Humidade de precipitação;  Humidade de condensação;

 Humidade devida à higroscopicidade dos materiais;  Humidade devida a causas fortuitas.

HUMIDADE DE CONSTRUÇÃO

A humidade de construção deve-se, principalmente, à necessidade de água para aplicação da maior parte dos materiais, utilizados na construção de edifícios ou em acções de reparação, e à acção directa da chuva sobre o edifício em construção. A humidade de construção pode dar origem à ocorrência de anomalias devido à evaporação de água existente ou devido ao simples facto de os materiais conterem água no seu interior, provocando expansões, destaques de alguns materiais, manchas de humidade ou condensações [77].

HUMIDADE DO TERRENO

A humidade do terreno deve-se à absorção e ascensão capilar, através de fundações e paredes, da água existente no solo, proveniente de águas superficiais ou freáticas. Este tipo de problemas acontece devido à existência de materiais com elevada capilaridade e devido à inexistência, ou deficiente posicionamento, de barreiras estanques nas paredes. Reunidas as condições referidas podem surgir manchas de humidade, eflorescências, criptoflorescências, bolores ou vegetação parasitária (principalmente em locais com ventilação deficiente), deterioração dos materiais de construção e descolamentos de revestimentos [77].

HUMIDADE DE PRECIPITAÇÃO

A humidade de precipitação é o tipo de anomalia que mais se observa em edifícios de habitação. Este tipo de humidade é originado por infiltrações de água (chuva ou neve

associada à acção do vento) através dos elementos da envolvente. As anomalias visíveis associadas à humidade de precipitação são geralmente as manchas de humidade, de dimensões variáveis, nos paramentos interiores de elementos da envolvente (em correspondência com a ocorrência de chuvas), os bolores, as eflorescências e as criptoflorescências. Estas infiltrações da água da chuva resultam, principalmente, de um mau projecto (arquitectura e especialidades) ou de uma má execução de trabalhos de construção civil [77].

A humidade de precipitação pode acontecer em zona corrente devido a uma má escolha do material de revestimento das fachadas (material poroso) em conjunto com o seu suporte, mas acontece sobretudo em zonas mais vulneráveis, como por exemplo [61]:

 Zonas de ligação entre materiais distintos (como alvenaria e estrutura de betão) que se encontram fendilhadas (fendas causadas por variações dimensionais diferentes devido à temperatura);

 Zonas com materiais degradados;  Fissuras ou fendas nas paredes;

 Pendentes de cobertura incorrectas e fraca estanquidade dos revestimentos;

 Zonas de remate de revestimentos (incluindo impermeabilizações), em coberturas, mal executadas;

 Caixas-de-ar de paredes duplas obstruídas com argamassa ou outros materiais estranhos, ou sem drenagem eficiente;

 Peitoris e cornijas fendilhadas ou sem pendente adequada;

 Platibandas desprovidas de revestimentos de tardoz e de capeamento estanque;  Sistemas de drenagem de águas pluviais mal dimensionados.

A acção da chuva e do vento não são a causa das anomalias, mas sim os erros de projecto e execução. Se uma parede dupla for bem executada a água não atinge os paramentos interiores, nem o isolamento térmico. Se a fachada que irá sofrer maior incidência da chuva for projectada e executada com maior cuidado a probabilidade de ocorrência de anomalias diminui.

HUMIDADE DE CONDENSAÇÃO

A humidade de condensação é proveniente do vapor de água que se condensa nos paramentos expostos (condensações superficiais) ou no interior (condensações internas) dos elementos de construção. Esta é também uma das causas mais correntes da existência de anomalias em edifícios, sobretudo nos de habitação. Das diferentes manifestações patológicas associadas a este tipo de humidade destacam-se, no caso das condensações superficiais, o desenvolvimento de bolores e fenómenos de termoforese e, no caso das condensações internas, a redução das características de isolamento térmico de coberturas e paredes [61].

Estes fenómenos são causados, principalmente, pela insuficiente ventilação dos espaços interiores e pela falta de isolamento térmico ou pouca espessura do mesmo.

As condensações superficiais no interior das habitações são bastante vulgares, principalmente em habitações já existentes. Antes da implementação do novo RCCTE, aprovado pelo Decreto-lei nº. 80/2006, não existia qualquer obrigatoriedade em relação ao coeficiente de transmissão térmica (U) das pontes térmicas, apesar de existirem valores máximos de U nas zonas correntes, daí a frequência deste tipo de anomalia.

A fraca exigência legal em termos de comportamento térmico de edifícios é a principal causa para o surgimento das humidades de condensação, pelo isolamento térmico inadequado e também pela falta de ventilação natural e mecânica eficaz.

No entanto, neste caso, os hábitos dos utilizadores podem ser o factor potenciador destas anomalias. A falta de ventilação provocada pelos usuários durante as épocas mais frias do ano, não abrindo as janelas, e a falta de aquecimento ambiente pode agravar as manifestações patológicas.

HUMIDADE DEVIDA À HIGROSCOPICIDADE DOS MATERIAIS

A humidade devida a fenómenos de higroscopicidade deve-se à existência de materiais de construção que apresentam na sua constituição sais solúveis em água, com propriedades higroscópicas. Os sais solúveis higroscópicos têm a capacidade de absorver a humidade do ar, dissolvendo-se, quando esta se encontra acima dos 65% - 70% de humidade relativa, podendo voltar a cristalizar quando esta baixa. As principais anomalias associadas a este fenómeno são caracterizadas pelo aparecimento de manchas de humidade em zonas de grandes

concentrações de sais e eventual degradação dos revestimentos superficiais, devido às destrutivas sequências de dissolução-cristalização [77].

HUMIDADE DEVIDA A CAUSAS FORTUITAS

Nesta designação pertencem todos os fenómenos de ocorrência acidental de humidades em edifícios com origem diversa das referidas anteriormente.

As situações mais frequentes de humidade devido a acidentes são:

 Roturas ou perda de estanquidade de instalações de distribuição e drenagem de águas;

 Inundações acidentais.

 Infiltrações de água devido a entupimentos de caleiras, algerozes ou tubos de queda, e outras deficiências causadas por falta de manutenção ou erros de execução.

Em edifícios antigos, as roturas de instalações de distribuição e de drenagem de água constituem uma das principais fontes de humedecimento, sobretudo quando se tratam de instalações executadas posteriormente à construção do edifício (Figura 6.1). Este tipo de problemas advêm sobretudo da falta de manutenção, mas por vezes são originadas por erros de execução [61].

Figura 6.1 – Tardoz de edifício com canalizações de drenagem de águas residuais domésticas e pluviais, pelo exterior, degradadas [61]

Como síntese apresenta-se seguidamente o Quadro 6.1 onde constam alguns dos principais factores que motivam a existência de humidades em edifícios.

Quadro 6.1 – Factores que motivam a existência de humidades nos edifícios [61] Coberturas em

telhado

Aumento da porosidade das telhas velhas, deficiências em caleiras e/ou entupimentos por acumulação de detritos em tubos de queda;

Quebras e desprendimentos de telhas;

Infiltrações pelos beirados, causada pela presença de vegetação ou devida a soluções incorrectas de transição dos beirados;

Infiltrações causadas pela degradação das junções dos telhados com elementos salientes (como chaminés, entre outros).

Coberturas em terraço

Deficiências causadas por:  Má execução;

 Ausência de camada impermeabilizante na constituição dos revestimentos da cobertura;

 Degradação dos elementos construtivos;  Ausência de pendente mínima;

 Deficiente regularidade da cobertura.

Paredes Exteriores

Fendilhação nos revestimentos exteriores (sobretudo em rebocos, embora se manifestem também em revestimentos de pedra e cerâmicos) ou nos

próprios panos da parede;

Fendilhação resultante do assentamento de fundações, de movimentos sísmicos ou da simples degradação dos materiais;

Insuficiente isolamento térmico (agravado pela fraca ventilação).

Portas e Janelas

Infiltrações devido a erros de concepção e pormenorização, ou degradação dos materiais;

Infiltrações devidas aos descuidos dos moradores, tais como entupimentos dos dispositivos de drenagem.