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4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

4.2 Desenvolvimento da Liderança

4.2.3 Hard Skill

Enquanto as habilidades soft skills são aquelas que estão relacionadas a comportamentos e características que os indivíduos demonstram inconscientemente e rotineiramente no trabalho as habilidades hard skills são aquelas relacionadas a academia, educação, a experiência e o nível de conhecimento geralmente descritos em um currículo e indicam o conhecimento de conceitos, princípios, métodos, procedimentos e técnicas necessárias para a execução de tarefas (Wats & Wats, 2009). Essas competências estão associadas a habilidades técnicas específicas ou a um conhecimento efetivo para realizar um

trabalho, como linguagens de programação, habilidades do sistema operacional, redes e comunicações, habilidades em línguas estrangeiras, entre outras (Babić & Slavković, 2011).

As entrevistadas também entendem que faz parte do capital acumulado todo o investimento com educação e desenvolvimento na carreira. Para algumas delas esse investimento foi iniciado na própria adolescência ou muito jovem, quando o interesse por algumas áreas específicas podem surgir, como relatam as entrevistadas abaixo:

“...eu tive algumas oportunidades, mesmo esse estudo na fundação de um banco, que era a melhor escola, que eu te falei, da América Latina, mas assim, era pago, né, era pago. Era pra filhos de funcionários, só que meu pai não era funcionário, então eles deixavam um número, sei lá uns 10 por cento, de vagas para toda população carente se inscrever e tentar passar. Eu consegui passar, então consegui estudar lá. Então, ou seja, isso me abriu oportunidades...” E2

“...no último ano do colégio, tinha um banco que precisava de mão de obra para começar a trabalhar no CPD deles. Então, tinham 2 turmas de desse colégio, era processamento de dados o nome do curso, e eles foram lá e aplicaram um teste para todos os alunos e aí a gente foi selecionado para trabalhar e eu comecei a trabalhar com 17 anos, eu fiz o último ano do ensino médio trabalhando já no centro de informação desse banco e eu peguei gosto...” E6

“...Então nessa época eu já estava trabalhando com a área de tecnologia, fiz vários cursos. Tive a minha primeira certificação, eu acho que eu tinha 20 anos, ou 21, não sei. E na época a empresa ainda era pequena, tinha umas 50 pessoas - a que foi comprada pela grande, americana - e eu lembro que só eu tinha inglês e só eu tinha certificação...” E17

Para Fitzsimmons, Callan e Paulsen (2014) as forças de gênero combinadas com o contexto do ciclo de vida pode criar limitações substanciais e cumulativas sobre a capacidade das mulheres de acessar e acumular o capital necessário para progredir em funções executivas nas empresas. Assim, para algumas entrevistadas, toda experiência adquirida ao longo da vida profissional faz parte do capital acumulado e permitiu seu crescimento.

“...Acho que isso está bem dentro dessa parte técnica de estudo, de você precisar se preparar, de você precisar errar, voltar, consertar, para mim isso é bem essa coisa de preparo e desenvolvimento tem muito disso, é igual criança que está aprendendo andar, dar aquela... cai, levanta, cai, até o dia que entende que vai. Então, com certeza, muito estudo...” E7

À medida que elas foram adquirindo novas posições outros conhecimentos foram necessários, para muitas delas, ter uma segunda língua, era indispensável como qualquer outro conhecimento. A habilidade em línguas estrangeiras passou a ser um diferencial para

àquelas que almejavam posições mais altas. Algumas das entrevistadas relataram a importância desta habilidade:

“...Tive um presidente, numa das empresas que trabalhei, que resolveu apostar em mim e que me escolheu porque eu falava inglês fluentemente, então inglês foi uma grande alavanca da minha carreira...” E13.

“...Eu tive uma exposição internacional muito forte. Então, por exemplo, a minha habilidade com o inglês ela teve que ser excelente, relacionamento a distância,

conference call, assim, todo dia e fazer a parte de gestão de projetos muito bem...”

E15

“...Ele sabia as habilidades que ele estava esperando, comunicação era uma delas, um cara que sabe se comunicar muito bem, gerenciar expectativas dos stakeholders e tudo mais, então ele precisava de alguém que fosse bastante articulado, que falasse um bom inglês, que soubesse navegar na organização, porque isso ia fazer toda diferença, entendeu?...” E16

“...Aí vieram algumas pessoas trabalhar da CISCO aqui: dois russos, um chinês. E aí eu falei: bom, enfim. Só falavam comigo, porque era o inglês. O inglês fez toda a diferença na minha carreira. Toda. Então, desde o comecinho. Tudo o que eu estudava, tudo o que eu acessava. [...] Eu sei que muita gente estuda inglês e tal, mas hoje eu tenho uma oportunidade, por exemplo, na minha área, eu não consigo contratar porque não tem inglês...” E17.

Três das vinte entrevistadas moram nos USA e todas elas reportaram a necessidade de saber mais uma língua, além do inglês e português. Elas perceberam que fazia sentido saber o espanhol, principalmente porque as oportunidades disponíveis para elas envolviam a América Latina.

“...Eu falo português que é a minha língua nativa, eu falo inglês que é a minha língua profissional, é a língua de trabalho, é…eu também tenho uma boa compreensão de espanhol, mas, ainda, ainda tenho... sou tímida para falar espanhol é questão de realmente abraçar a língua e começar a usar. Mas fluente é inglês e o português que é nativa...” E4

“...Eu falo português e espanhol e esse era um dos pré-requisitos. Se eu tivesse naquele momento me candidatado a uma vaga para “Corp”, por exemplo, eu não teria conseguido. Sem dúvida ter ingressado em uma empresa por meio da região da América Latina que é de onde eu venho, onde a minha experiência profissional é mais concentrada foi um facilitador...” E18

“...Eu comecei em 2015, entrei na época assumindo uma parte de Caribe que eram alguns países menores e foi aí que precisei aprender o Espanhol. Logo que entrei comecei a estudar o Espanhol, eu já tinha começado a estudar no passado, mas sem me aprofundar muito. Foi ali que tive a oportunidade de aprender mais o Espanhol e depois ao longo da minha carreira nesta empresa tive que trabalhar com

Argentina, América Central, outros países em que usei o Espanhol e isso foi muito legal...” E20