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HIGH TECH HIGH /CALIFORNIA/EUA CHULA VISTA/ CALIFORNIA/EUA

Em outubro de 2014, no curso desta pesquisa, a direção da escola em que trabalho lançou uma proposta de visitarmos juntos escolas que tivessem propostas diferenciadas, e, como tínhamos boas indicações de programações para visitação nas escolas da Califórnia, tomamos esse rumo. Com apoio institucional, formamos uma equipe de dez pessoas, entre coordenadores, orientadores, professores e especialistas em tecnologia e voamos juntos à Califórnia.29 De tantas

possibilidades de atenção e reflexão que esse grupo heterogêneo viveu, foram os corredores significativamente ocupados por trabalhos dos alunos que impactaram mais fortemente os sentidos e nos levaram, pelos olhos, a conhecer, em breve espaço de tempo, o que se intitulava inovador na proposta curricular.

A aprendizagem baseada em projetos (Project Based Learning), movimentando os princípios do deep learning; um intenso processo de autorregulação; e a disponibilidade do aluno para a aprendizagem são, nessas escolas, condições fundamentais para a construção do sentido de pertencimento a uma comunidade de aprendizagem. É exatamente por isso que foram os alunos e também o professor de Arte de uma delas que nos apresentaram suas escolas, nos levando às salas de aula, chamando nossa atenção para as produções escolares em exposição nos corredores, foram nos dando, por meio delas, claras informações sobre o currículo de outras séries, que não as suas. Nesse caminho conduzido por crianças e adolescentes foram se tornando explícitos, visíveis não apenas seus conhecimentos sobre o repertório curricular que mobiliza a instituição, mas, especialmente, o valor de pertencimento que os alunos atribuem a ele. O mesmo princípio ético e

29 Na Califórnia, visitamos a High Tech High. Trata-se de um grupo de escolas independentes – porém afinadas na proposta metodológica e filosófica – que atendem

alunos de 5 a 18 anos. São denominadas escolas charter, preservando uma relação de parceria entre o sistema público e privado no setor educacional, que, somando as verbas e os investimentos, oferecem e garantem todas as vagas por sorteio na comunidade.

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estético foi trazido pelo professor de Arte, que, a exemplo dos atelieristas das escolas de Reggio Emilia30, torna-se ali

também uma das pessoas fundamentais para a realização do projeto da escola. Esse professor enfatizou, em seu discurso, como a curadoria de toda a produção escolar é, em si, uma forma de arte.

Na volta à nossa escola, era recorrente, em toda a equipe, a exibição das imagens fotográficas dos corredores, acompanhadas pela emoção dos relatos dos viajantes. Essas impressões fortaleceram no grupo os sentidos de uma proposta efetiva de ocupação do espaço com a produção escolar, revelando também, pela percepção de cada um, o sentido da potência estética na produção de conhecimento. Fizemos uma série de encontros para compartilhar nossa experiência com os professores da escola, cada qual trazendo um aspecto para ser apresentado e discutido. Preparei uma comunicação sobre os corredores e suas cenografias para a formação de professores, porém não somente apresentando as fotografias dos corredores das escolas visitadas na Califórnia, mas agregando, principalmente, uma extensa sequência de imagens dos nossos próprios corredores, que exibiam o trabalho dos alunos. Dessa forma, pude compartilhar e refletir com o corpo docente as intervenções que vinham acontecendo na escola já desde o início do trabalho como parte da metodologia desta tese.

No ano seguinte à nossa visita à Califórnia, a diretora da escola, acompanhada pelo coordenador do Ensino Médio, voltaram aos Estados Unidos, em Nova York, para uma nova visita às suas escolas, desta vez com orientação ainda mais explícita para a interface entre arte e educação. Em uma das suas visitas às escolas ditas inovadoras, em Bank Street School for children, New York City, o material de apoio apresentou claramente questões para observação dos corredores, material que trago, juntamente com fotografias, como referências ao nosso trabalho.

30 Segundo Vechi (1999), o atelier é um “veículo cultural para o desenvolvimento de professores” e “tem efeito provocador e perturbador sobre ideias didáticas

ultrapassadas”. Ajuda-os especialmente a compreenderem a como as crianças inventam veículos autônomos de liberdade expressiva, de liberdade cognitiva, de liberdade simbólica e vias de comunicação.

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A seguir, apresento algumas imagens fotográficas das escolas que visitei na Califórnia. São trabalhos de alunos expostos nos corredores. Registro-os como referências expográficas em meu processo metodológico de investigação. Analisar a potência estética de um corredor ocupado pelos trabalhos, à espera da visitação de alunos, da comunidade, bem como de educadores vindos de outros cantos do mundo, foi uma oportunidade significativa para uma observação pautada em alguns critérios que têm em vista a dimensão da recepção, ou seja, o ambiente criado para a apreciação dos trabalhos, para as acomodações nos corredores; as escolhas dos suportes, dos espaços expositivos, das cores utilizadas, das informações e legendas sobre o exposto; a seleção dos conteúdos. Para além de uma avaliação pedagógica dos conteúdos ou da qualidade estética dos trabalhos propriamente ditos, a apreciação de uma cultura exposta oferecendo ao público imagens de si, dos projetos da escola, das sínteses estéticas de alunos e professores, ampliaram meu repertório de análise e iluminaram as viabilidades da construção poética do espaço escolar.

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