A Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP tem uma grande importância para a cidade de Campinas e região. Fundada em 05 de outubro de 1966, a Universidade Estadual de Campinas- Unicamp, é uma autarquia, autônoma em política educacional, mas subordinada ao Governo Estadual no que se refere a subsídios para a sua operação. Além dos recursos financeiros do Estado, a Unicamp recebe subsídios de agência de fomento nacionais e internacionais. Estes recursos voltam para a sociedade com a formação de profissionais de alta qualidade e atendimento em um grande complexo de saúde com duas grandes unidades hospitalares no campus de Barão Geraldo, que atende Campinas e região. A Unicamp não fica centralizada apenas no Campus de Barão Geraldo, (Tabela 10), possui também os campi Campinas/Cotuca, Paulínia/CBQBA, Piracicaba/FOP, Limeira/Cotil, Limeira/FT e Limeira/FCA e compreende 22 unidades de ensino e pesquisa.
A Unicamp investe em pesquisa e tecnologia inovadora que atrai indústrias em suas imediações, movimentando a economia da cidade além de criar através de iniciativa de seus ex- alunos ou de seus professores suas próprias empresas a partir de nichos tecnológicos. Muitas dessas empresas, quase uma centena somente na região de Campinas. São as chamadas “filhas da Unicamp”, quase todas atuando nas áreas de tecnologia de ponta.
Além disso, a Unicamp tem se caracterizado por manter fortes ligações com a sociedade através de suas atividades de extensão e, em particular, de sua vasta área de saúde. Quatro grandes unidades hospitalares, situadas em seu campus de Campinas e fora dele, fazem da Unicamp o maior centro de atendimento médico e hospitalar do interior do Estado de São Paulo, cobrindo uma população de cinco milhões de pessoas numa região de quase uma centena de municípios. (UNICAMP, 2014)
Tabela 10. A Unicamp em números Ano 2014.
Descrição Quantidade Observação
Campi 06 Campinas - 2 Limeira - 2 Piracicaba -
1 Paulínia – 1
Recursos Humanos Docentes - 1795
Não Docentes - 8.527 Docentes Doutores: 99%
Área da Saúde Leitos: 857
Internações: 36.760
Cirurgias: 61.258 Partos: 4.807
Vagas na graduação 3.320 Inscritos: 67516 (20,3c/v)
Cursos graduação 66
Alunos matriculados graduação 18.698
Formados na graduação 2.410
Cursos de pós-graduação 153 Doutorado (D) 70 + Mestrado (M) 75
Alunos matriculados de pós- graduação 15.918 M = 5.175 D = 6.223 Especialização = 982 Especiais = 3.538 Formados na pós-graduação 2.477 M = 1.232 D = 853
Fonte: Anuário de Pesquisa da UNICAMP (2014).
5.2 Acessibilidade na Unicamp
A Unicamp para cumprir a legislação brasileira no atendimento aos alunos com deficiência, tendo em vista a inclusão social e acadêmica, em 2002, criou em parceria com o Centro de Estudos e Pesquisa em reabilitação – CEPRE uma sala de acesso à informação e um laboratório de apoio didático em um espaço da Biblioteca Central (BC) denominado Laboratório de Acessibilidade (LAB).
A criação do LAB obteve recursos do projeto de infraestrutura aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP, além de outro projeto aprovado pela Pró- Reitoria de Graduação (PRG) da Unicamp. Em 2005, oportunidade oferecida pelo Programa de Apoio à Educação Especial (PROESP/2003/CAPES) aglutinou diversas propostas e foi implantado o Programa “TODOS NÓS - Unicamp Acessível de natureza interdisciplinar”, cuja amplitude e complexidade exigem a integração de áreas de conhecimento da educação, da computação e atendimento educacional especializado, para a planificação e execução de ações inclusivas (UNICAMP, 2013).
A Unicamp com a intenção de eliminiar barreiras educacionais relacionadas à inclusão de alunos com deficiência no ensino regular, em geral concentradas no ensino básico, criou na década de 90 o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade – LEPED.
A Profa. Dr.ª Maria Teresa Eglér Mantoan, em 2003, apresentou o projeto “Acesso, Permanência e Prosseguimento da Escolaridade de Nível Superior de Pessoas com Deficiência: Ambientes Inclusivos” à Secretaria de Educação Especial - Seesp, do Ministério da Educação, que foi contemplado com financiamento do Programa de Apoio à Educação Especial - Proesp/2003, que durou de 2003 a 2008, tinha como objetivo garantir aos alunos com deficiência o direito de realizar seus estudos de nível superior em ambientes inclusivos de ensino e aprendizagem.
Em 2006 a Reitoria preocupada com a acessibilidade de funcionários e alunos criou um Grupo de Trabalho – GT, Portaria GR18/2006, designação dos membros e Resolução GR20/2006 com as seguintes atribuições:
I - atender às linhas de pesquisa definidas no planejamento estratégico da Universidade, no âmbito da inclusão de pessoas com deficiência;
II - conceber e implementar o programa;
III - elaborar relatórios periódicos de acompanhamento das ações de implementação do programa;
IV - organizar eventos relacionados com o programa;
V - manter o sistema de divulgação de informações e experiências relativas à implementação do programa;
VI - incentivar projetos de pesquisa e ensino que favoreçam o desenvolvimento de propostas para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência, a serem executados pelas unidades de ensino e pesquisa no âmbito das áreas pertinentes;
VII - cadastrar informações sobre estudos, pesquisas e projetos de trabalho voltados para pessoas com deficiências;
VIII - fomentar campanhas de esclarecimento quanto aos direitos e necessidades específicas da pessoa com deficiências, junto à população do Campus (docentes alunos e funcionários);
IX - propiciar, dentro das normas e sem ônus para a Universidade, viabilizando apoio da iniciativa privada, assistência ao funcionário, aluno ou docente com deficiência no que se refere a
equipamentos e materiais que viabilizem ou facilitem seu desempenho como estudante ou como profissional.
Os trabalhos foram desenvolvidos e aplicados, com o envolvimento do CEPRE, conforme relata a Profa Dra. Maria Elisabete Rodrigues Freire Gasparetto, no período foram realizadas oficinas de sensibilização sobre Inclusão oferecida aos servidores Assistentes Técnicos de Direção- ATDs e Assitentes Técnicos de Unidades – ATUs. Durante os trabalhos foram encontradas 81 pessoas com deficiência em diferentes unidades e diferentes tipos de deficiência, nos 03 campi visitados pelo grupo. E foi elaborada uma Política de Acessibilidade a ser implantada que compreende: inclusão da acessibilidade nos protocolos e rotinas da organização de eventos; criação de condições para aumento da oferta de curso de LIBRAS; ações planejadas de conscientização; treinamento de vigias para fiscalização do uso de vagas especiais em estacionamentos; pintura da vaga de estacionamento para pessoas com deficiência; adequação às normas da ABNT; mudança de grade coletora de lixo para calçada oposta; instalação de corrimão em alguns pontos; adequar travessia entre os prédios (rampas, piso táctil).
Na tentativa de aperfeiçoamento das condições de permanência dos alunos, a Unicamp criou em 1976 o Serviço de Apoio ao Estudante - SAE, que visa garantir ao aluno de baixa renda sua permanência na universidade por intermédio de programas assistenciais voltados aos alunos ingressantes. Sem este apoio financeiro muitos alunos não teriam como concluir seus cursoe e teriam seus sonhos de titulação na graduação interrrompido. Atualmente, o SAE está vinculado à Pró-Reitoria de Graduação (PRG), conforme a Portaria GR 198/98, de 30/07/1998. A seguir, são apresentados alguns programas do SAE.
Gerenciamento de Bolsas-Auxílio – Bolsa Auxílio-Social (antiga Bolsa Trabalho); Bolsa Alimentação;
Bolsa Transporte e Bolsa Moradia;
Orientações Educacional e Jurídica, entre outras; Assistência Social;
Apoio a Projetos Acadêmicos, Sociais e Culturais; Programas de Intercâmbio de Estudantes;
Gestão de Estágios na Universidade; - Programa Alumni, voltado para ex-alunos. Outra iniciativa de inclusão, em relação a alunos menos favorecidos, foi implantada em 2005 com o Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social – PAAIS, que visa estimular o
ingresso de estudantes da rede pública no ensino superior. É um programa diferenciado do sistema de cotas, não há reserva de vagas e a qualificação acadêmica é que determina a seleção do candidato. Aqueles que se declararem pretos, pardos ou indígenas que tenham cursado o ensino médio em escola pública recebem mais 20 pontos além dos 60 adicionais do PAAIS acrescidos à nota final (COMVEST, 2013).
É perceptivel que a UNICAMP possui projetos e programas voltados para a inclusão e procura atender a legislação. O Laboratório de Acessibilidade LAB e Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade – LEPED estão centralizados no campus de Barão Geraldo.
6 RESULTADOS
A apresentação dos resultados desta pesquisa se dá por intemédio de Tabelas e Gráficos que foram elaborados a partir de dados fornecidas pela Comissão de Vestibulares – COMVEST e Diretoria Academica – DAC.
Na Tabela 11 são apresentados os dados para cada ano no período de 2005 a 2010, representando o número de candidatos que foram aprovados na 2 fase do vestibular e que ingressaram no curso de interesse.
Tabela 11. Candidatos com deficiência que Prestaram Vestibular no período de 2005 a 2010.
Ano de avaliação Aprovados 2ª Fase Matriculados % Matrícula
2005 3 0 0 2006 29 05 17 2007 22 04 18 2008 17 02 12 2009 15 0 0 2010 15 05 33 Total 101 16 15,84 Fonte: COMVEST (2011).
Analisando a Tabela 11 percebe-se que no período de 2005 a 2010, foram aprovados na 2ª fase do vestibular, 101 alunos com algum tipo de deficiência, e destes, apenas 15,84% (16 alunos) efetivaram a matrícula no curso pretendido.
Existem diversos fatores determinantes para a efetivação de matrículas independente da condição física do candidato. Entretanto, um fator deve ser levado em consideração no momento de se analisar tais dados: “A Unicamp possui meios facilitadores e programas de acessibilidade para a permanência de pessoas com deficiência?”
Tal questionamento leva a pensar ser este um dos fatores decisivos, de alto impacto na escolha ou não pela matrícula do aluno, pois uma Universidade com um diferencial de acessibilidade arquitetônica e atitudinal pode ser determinante para efetivação da matrícula de um candidato com deficiência aprovado no vestibular.
No Anexo 1 são apresentados os dados com os números de pessoas com deficiência que