2.2 HISTÓRICO
2.2.3 Histórico do Município de Santo Augusto
A Primeira colonização data de 1918 e se constituiu de uma área de matos da fazenda de João Batista Chagas que, inicialmente, foi mapeada pelo agrimensor Aquiles Couto, o qual objetivava fazer a colonização com os herdeiros do proprietário, mas, por razões desconhecidas, optou por vender a área já mapeada para Abel Espellet e Cailard Motta, os quais, imediatamente, demarcaram os lotes coloniais e iniciaram a venda. Em seguida Pompílio Silva passou a representá-los e continuou a venda, pelo que recebeu nove colônias como pagamento (OLIVEIRA, 2010).
O nome mais destacado como colonizador é o de Abel Espellet de Cruz Alta, porque o seu sócio não atuou pessoalmente aqui, talvez nem tenha conhecido a área, enquanto que Pompílio Silva já morava numa área do fazendeiro João Batista Chagas, por concessão deste e se tornou o primeiro líder e fundador do povoado (OLIVEIRA, 2010).
Segundo Oliveira (2010), Ildefonso Silveira Lucas, cunhado de Pompílio Silva, dono de uma pequena casa de negócios onde hoje está a antena da Rádio Querência, adquiriu uma colônia que começava no entroncamento da Avenida do Comércio com a Central, margeando a Rua Bom Fim, mudou para lá o seu comércio e Pompílio Silva instalou sua casa comercial em frente à atual praça. Definia-se assim, comercialmente, o centro do povoado, conhecido como Boca da Picada.
Esta colonização trouxe uma mudança radical no comércio e aglutinou os moradores, formando o povoado que, em 1922, por doação de terreno por Ildefonso Lucas iniciou o cemitério (OLIVEIRA, 2010).
Nesse ano de 1922, o professor Luiz Augusto de Carvalho, vulgo Luiz Totó, iniciou lecionar numa casinha próxima ao Cinema e o Posto 2002, usada como escola particular para os alunos do povoado e arredores. Já ensinavam a ler e escrever, nas casas dos moradores, os professores Benedito de Castro, Benjamin Mena Barreto (este andava a cavalo e usava urna espada) e na região dos Umbus, o professor Franco (OLIVEIRA, 2010).
Oliveira (2010), destaca que em 1925, com a doação de três lotes urbanos dentro de uma área de 3.000 m², feita por Abel Espellet, foi construída a capela, que hoje é a Matriz da Igreja Católica São João Batista, ficando o restante dos terrenos para a praça.
Esta colonização, por influência do Abel Espellet que viajava vendendo suas mercadorias aos moradores de Ijuí (Ajuricaba) e Santiago (Jaguarí), teve seu início com descendentes de italianos, alemães, poloneses e luso-brasileiros, dessas regiões (OLIVEIRA, 2010).
Os primeiros moradores do povoado, conforme citações coincidentes de várias pessoas foram: Pompílio Silva, Pedro Ribeiro de Lima, Ildefonso Lucas, Orlando de Oliveira Bueno, Benjamim Langner, Pedro Batista Prates, André Baraldi, João Gutekoski e Ireno Bueno (OLIVEIRA, 2010).
Ao sul do povoado, margeando a estrada que ligava com Ijuí, os primeiros ocupantes foram: Venerato Gonçalves de Oliveira, Francisco Torres, José Stival, José Santi (Bepe), Francisco Fucilini e outros. Para outros ocupantes e informações veja as citações no capítulo Colonização, a partir da página 130, do Livro Santo Augusto 1815/20 Até 1940 (OLIVEIRA, 2010).
Para Oliveira (2010), as consequências desta colonização foram o povoamento rápido do lugar, o surgimento do povoado que originou a Cidade, a transformação da economia destacando o surgimento de produtos agrícolas para serem comercializados, os quais até então, se limitavam à subsistência. A criação de igrejas, escolas, associações sociais e esportivas e a criação do Cemitério da Cidade, pois até este período, só havia cemitérios nos campos e ervais que estavam habitados.
O ritmo de venda e ocupação dos lotes coloniais, teve um forte impulso e velocidade até 1922. Com os movimentos da Revolução de 1923 e a passagem da Coluna Prestes em 1925, os negócios diminuíram: os colonos receavam fazer mudanças num período de revoltas (OLIVEIRA, 2010).
Passado esse tempo tudo se normalizou. Em 28/outubro/1928, por Ato Municipal do então prefeito de Palmeira das Missões Frederico Westphalen, esta localidade já com o nome de Santo Augusto passou a ser Terceiro Distrito de Palmeira das Missões, abrindo-se o caminho para que o pequeno lugarejo começasse a trilhar o progresso. Vieram instalar-se várias atividades no ramo de pequenas indústrias como engenhos de erva, serrarias, moinhos, ferrarias, etc. O primeiro subprefeito de Santo Augusto foi Pompílio Silva que, através do engenheiro ou agrimensor Guilherme Muxfeld traçou oficialmente o mapa do povoado que
Fernando H. Bertollo ([email protected]). Trabalho de Conclusão de Curso. Ijuí DCEENG/UNIJUÍ, 2017 ficou sendo a sede do distrito, hoje município. Segundo o referido agrimensor a sede da vila deveria ser projetada na localidade de São Jacob pela sua altitude e vista panorâmica que apresentava, mas Pompílio Silva foi quem decidiu ser a sede onde já havia começado o povoado: na Boca da Picada (OLIVEIRA, 2010).
Em 1934, André Baraldi inaugurou a Escola de madeira que ele construiu na Praça e se transformou no Grupo Escolar que hoje é a Escola Estadual de Ensino Fundamental Francisco Andrighetto. É curioso que, atrás da escola foi construída a primeira cadeia, feita de pau a pique e que durou até a prisão de um forasteiro que veio de Soledade e foi preso. No dia seguinte, a cadeia estava queimada e o preso sumiu (OLIVEIRA, 2010).
Em 31 de março de 1938, quando era prefeito de Palmeira das Missões o Dr. Paulo Westphalen, pelo Decreto n° 7.199 Santo Augusto foi elevado à categoria de Vila e, em 1939 foi construído o prédio da subprefeitura na esquina das ruas Rio Branco com a Júlio Pereira dos Santos, no qual em 1959 foi instalada a Prefeitura Municipal. O prédio, ainda existe (OLIVEIRA, 2010).
Em 1945, com a emancipação de Três Passos, passou a pertencer àquele Município, também como Distrito.
Os subprefeitos desde 1928 até a emancipação foram os seguintes: Pompílio Silva, Felisberto Muniz dos Reis, Leopoldo Henn, Adelarmo Oliveira Nunes, Manoel Silva, Fernando Soares da Silva, Bento Pedro Barcelos, André Baraldi, Neri dos Santos, Antonio Fiad, Anatálio Leite do Amaral, Arizoli Chaves, Nicanor Martins Prates (Nonô) , João da Cunha Lemos, um Capitão Reformado, Francisco Alves da Silva, Inácio Lütz Diniz, Danton Ferreira Martins, José Vicente Silva, Ildefonso Silveira Lucas, Amador Alves da Silva, Francisco Alves Teixeira, Augusto Noronha, Damasceno Policeno Bones, Agenor Zimermann, Carlos Sant¨Anna de Moraes (OLIVEIRA, 2010).
Das colonizações organizadas, a segunda foi no Distrito de Pedro Paiva, realizada numa pequena área de propriedade de Pedro Paiva Machado que também se estabeleceu com comércio naquele lugar. Dentre outras famílias que adquiriram lotes coloniais e se estabeleceram lá, foram: Mattioni, Speroni, Krüger, Ridner, Eichkoff, Gonçalves de Cliveira, Galert, Reinaldo Gabriel Fritz e outros (OLIVEIRA, 2010).
Como a área territorial do Município se caracterizava por posses, concessões e, agora por essas colonizações, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul passou a fazer o levantamento das terras chamadas devolutas, dividi-las em secções e estas em lotes coloniais, respeitando o direito de posse dos que moravam nas áreas, demarcando-as e documentando os posseiros e vendendo os lotes excedentes. Daí surgiu o Escritório de Terras em Santo Augusto e as secções Timbaúva, que foi demarcada e dividida por Frederico Westphalen, mais as de Pinhalzinho, Inhacorá e Bananeiras. Trabalharam nestas Secções os agrimensores: Irã Cunha, Fábio Campos, Bento Goulart Barcelos, Hilário Bertollo e outros (OLIVEIRA, 2010).
Muitos proprietários de áreas grandes passaram a demarcá-las e legalizar os excedentes por receio de que fosse feito pelo Estado, o que resultaria na perda das áreas que ocupavam e não tinham documentos.
A emancipação política se deu por diversos movimentos realizados por representantes da sociedade que juntamente com as vilas de Campo Novo e Redentora conseguiram sua emancipação em 17 de fevereiro de 1959, decretada, segundo a Lei n° 3.721 pelo então governador do estado Leonel Brizola.