1.6.1 ESTA TESE FOI ESTRUTURADA EM CINCO CAPÍTULOS.
2.1 HISTÓRICO DOS SISTEMAS COMPUTACIONAIS E PROCESSO DE PROJETO
Nos últimos anos, o universo da arquitetura tem experimentado o impacto da informática nos seus métodos e procedimentos de projeto. CROSS (1994) considera que a origem dos novos métodos de projetação surgidos nos anos 50 e 60 se deve à aplicação de métodos científicos para a solução de problemas surgidos principalmente com a 2a Guerra Mundial, decorrentes do desenvolvimento de técnicas mais criativas na
década de 50. Pode-se também atribuir o desenvolvimento da projetação ao incremento e à complexidade dos produtos e dos processos de manufatura e de construção. O próprio
CROSS (1984) acrescenta: “Deve-se fazer distinção crítica: método pode ser vital para ciência (onde ele valida os resultados), mas não no projeto (onde resultados não têm que ser repetidos)” (CROSS, 1984, apud OLIVEIRA, 2001, p.31-39). CROSS considera como importantes constituintes da ciência projetual: conhecimento aplicado das ciências naturais e humanas; teoria dos sistemas técnicos; teoria dos processos de projetação e metodologias de projetação (CROSS, 1984, apud OLIVEIRA, 2001, p.31- 39).
SIMON (1996) ainda registra a existência de um número de componentes de uma Teoria da Projetação e um corpo substancial de conhecimento teórico e empírico, que possibilitaria colocá-la ao lado das ciências naturais nos currículos dos cursos de Engenharia. O problema para os arquitetos é conceber e planejar o que não existe; como escreveu Simon: “a atividade de projeto está interessada em como as coisas poderiam ser”, ao passo que as ciências naturais estão preocupadas em investigar como as coisas são.
Pesquisando a classe de tarefas de resolução de problemas mal estruturados, como os de processo de projeto de arquitetura. Todo o esforço de resolução de problemas deve começar com a criação de uma representação para o problema de um espaço do problema em que a busca para a solução pode ter lugar. Claro que, para a maioria dos problemas que encontramos na nossa vida pessoal diária ou profissional, tentamos recuperar, a partir da memória, uma representação que nós já temos armazenada e tenha sido utilizada em ocasiões anteriores, mesmo que se tenha que adaptar a representação para a nova situação, o que é geralmente uma questão simples. Um “software” de detecção precoce de soluções ou “padrões”, desenvolvido em 1963, realizou a série de tarefas para uma sequência "ABMCDMEFM," devendo ser capaz de responder qual o grupo de letras deveria vir a seguir. A resposta correta é "GHMIJM", pois o padrão identificado significa que toda terceira letra é M. A primeira letra de cada tríade é a próxima no alfabeto para a segunda letra na tríade anterior, e a
segunda letra na tríade é a próxima no alfabeto para a primeira. A resposta é uma extrapolação do padrão identificado. A ideia central de se utilizar um gerador de hipótese para procurar padrões em dados e sua utilização em indicadores de padrão, como exemplificado, para orientar a busca de forma heurística (SIMON, 1996, p.108 e 109).
O processo de concepção de projeto compreende atividades de análise, síntese, previsão, avaliação e decisão. O projeto arquitetônico faz parte da família de processos de decisão. O processo de decisão em projeto pode utilizar a descrição verbal, gráfica ou simbólica (isto é, vários mecanismos de informação) para antecipar analiticamente um modelo e seu comportamento (ROSSO, 1980 apud KOWALTOWSKI, D. C. C. K. et al. 2006, p.8).
Podem-se ainda considerar as principais fases do modelo geral da tomada de decisão de LANG (2006), que, traduzidas pela prática profissional dos projetistas, dividem-se em programa, projeto, avaliação e decisão, construção e avaliação pós- ocupação. Em cada fase, pode ser realizada uma série de atividades, conforme
afirma LANG (Figura 3):
1- IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA - Identificação do programa de
necessidades;
2- IDEIAS PRELIMINARES - Após a natureza do problema ter sido identificada,
a fase seguinte é a geração do maior número possível de ideias, por exemplo através de sessões “brainstorming”;
3- REFINAMENTO DO PROCESSO - Algumas boas ideias são refinadas,
utilizando desenhos em escala para determinar méritos, em termos de requisitos espaciais, medidas críticas, dimensões, etc. Uma especificação pormenorizada do produto a ser concebido. Inclui características físicas, funcionais, custos, qualidade e desempenho;
4- PROCESSO DE ANÁLISE - Avaliação dos melhores projetos, segundo os
pontos de vista dos critérios, tais como custos e requisitos funcionais;
5- PROCESSO DE DECISÃO - Escolha do projeto que possui todas as
características desejáveis (Figura 3 – Processo de Concepção de Projeto);
6- PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO - Consiste essencialmente na fase de
desenvolvimento detalhado de projeto. As especificações detalhadas de materiais, dimensões, tolerâncias e características da superfície devem ser fornecidas. A ideia é efetuar os desenhos a serem utilizados no desenvolvimento dos planos de processo, para que o produto possa ser fabricado. O uso do computador na projetação modificou a prática de arquitetos e engenheiros (LANG apud KOWALTOWSKI, 2006, p. 8).
Figura 3- Processo de Concepção de Projeto. Fonte: (adaptado de LANG, 1974).
O uso do computador no processo de projeto foi gradualmente sendo adotado juntamente com a evolução tecnológica dos “softwares” e “hardwares”. Inicialmente os computadores serviram para auxiliar e automatizar a representação gráfica e mais adiante contribuíram no próprio processo de projeto, por meio de ambientes virtuais de simulação e de análise de dados espaciais e contextuais, em relação ao entorno imediato.
O conceito de CAD nasce na década de 50: o Exército norte americano desenvolve os primeiros “Plotters”, capazes de representar desenhos por intermédio de computador (ALMEIDA, G; 2012, p. 3).
O primeiro sistema de computação gráfica, denominado “Sketchpad”, foi criado por IVAN SUTHERLAND, em 1963, no “Massachusets Institute of Technology”. SUTHERLAND (2003), elaborou um “Sketchpad” computadorizado em sua tese de doutorado, no MIT. Ele criou um sistema CAD bidimensional com o intuito de substituir o desenho manual em prancheta. (SUTHERLAND, 2003, p.17-18).