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2.6 SISTEMAS BIM NO SETOR PÚBLICO BRASILEIRO

Marcos Otávio Bezerra Prates, diretor do Departamento das Indústrias Intensivas em Mão de Obra e Recursos Naturais, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), ao analisar o mercado interno brasileiro pondera:

“O Brasil é um país que tem importantes lacunas de competitividade, cuja superação demanda a sistematização de esforços tanto do setor público como do setor privado. Tratando-se de um fator econômico básico, a sua insuficiência em termos quantitativos e qualitativos representa impacto negativo de competitividade para a economia brasileira, pois eleva os custos de forma difusa para todo o sistema produtivo e para a sociedade. Porém, a área habitacional não está acompanhando essa evolução, devido à falta de interoperabilidade técnica dos componentes e elementos da construção habitacional, fundamental para permitir que o processo de construção do edifício seja, tanto quanto possível, um sistema de montagem. Desta forma, se conseguiria reduzir o ciclo de produção do edifício, com redução de prazos, custos, desperdícios e aumento da produtividade”.

NASCIMENTO e SANTOS (2003) e BAZJANAC (2004) afirmam que alguns fatores vêm dificultando a implantação efetiva da tecnologia BIM nos escritórios. Citam investimento alto em novos equipamentos, arquivos extras e necessidade de treinamentos dos profissionais, suporte técnico, falta de tempo, resistência à mudança, longo processo de aprendizagem, deficiência dos softwares e indisponibilidade de uma versão de software gratuita para teste. (NASCIMENTO e SANTOS, 2003 e BAZJANAC, 2004, apud MENEZES et al, 2011, p. 4). FARIA (2007) diz que, apesar das vantagens advindas do uso, os sistemas BIM entraram com força no mercado brasileiro apenas no segmento de projetos de arquitetura, na etapa inicial da modelagem da edificação (FARIA, 2007, apud MENEZES et al, 2011, p.4). Ressalta-se que o método bidimensional continua em voga em grande parte dos projetos nacionais, como por exemplo, o Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, DF, foi inteiramente elaborado por meio de sistemas CAD bidimensionais e desenhos impressos em papel. O processo de implantação dos sistemas BIM abrange, de um lado, questões tecnológicas e interesses comerciais e de outro, a criação de bibliotecas de componentes. Essas bibliotecas são essenciais porque são específicas do sistema de aeroportos brasileiros. Deve ser considerada também a necessidade de qualificação de profissionais para o uso adequado da ferramenta. Além disso, é necessário avançar no tocante a resolução de aspectos de interoperabilidade entre os diversos “softwares” utilizados no processo de projeto, como, Revit® Architecure, ArchiCAD®, ou Bentley®

para arquitetura, Revit® Structure, AutoCAD® Civil 3D e/ ou Ecotect®, de análises de

desempenho energético e ambiental, etc. O grupo interinstitucional sobre BIM, liderado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon- SP), com a participação da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece), da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA) e da Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais (Abrasip), propõe a criação de protocolo de comunicação comum compatível para os mais variados “softwares” de projeto e construção. A necessidade de adoção do “IFC” não é porém consenso. A implantação dos sistemas BIM, no entanto, não depende de resposta concreta para o desafio da interoperabilidade. Os sistemas BIM vêm sendo usados em processos de projetos aeroportuários, como alguns listados abaixo (Figuras 12 e 13):

2.6.1- REINO UNIDO: AEROPORTOS DE GATWICK.

Figura 12- Detalhe do Aeroporto de GATWICK nos sistemas BIM. Fonte: (RICHARDSON, S et al

2015).

O Aeroporto de GATWICK (em detalhe na Figura 12) é o segundo maior aeroporto do Reino Unido e apresenta o maior movimento em uma única pista de pousos e decolagens no mundo. O aeroporto conecta cerca de 200 destinos em 90 países, apresentando movimento anual de cerca de 34 milhões de passageiros. O aeroporto pertence a um grupo de fundos de investimento internacional, dos quais a “GLOBAL INFRASTRUCTURE PARTNERS” (GIP) é o maior acionista. O aeroporto de GATWICK está passando pela maior transformação de sua história, com novos edifícios e outras instalações sendo projetadas em espaço muito curto de tempo. O Governo do Reino Unido exige processo colaborativo por meio dos sistemas BIM no mínimo até 2016, o que ocasiona redução de custos de 20% (RICHARDSON, S et al 2015).

2.6.2- ESTADOS UNIDOS: DENVER.

Figura 13- Expansão do Aeroporto de Denver. Fonte: DIA & GENSLER apud BALL, M.

O projeto do aeroporto utilizou sistemas CAD, BIM e GIS em uma base regular no processo de projeto (Figura 13). O SIG foi utilizado para integrar informações de projeto com o contexto real do sitio existente. Os sistemas BIM foram a plataforma utilizada para integrar todas as informações de infraestrutura. Para manter a sincronização destes sistemas, atualizações bidirecionais foram realizadas de forma regular e programada. O BIM teve a vantagem de que os projetos foram criados pelos autores de cada especialidade, sendo que a informação do modelo corresponde à localização exata em uma base de dados no SIG. Os modelos foram detalhados com atributos e especificações que puderam ser compartilhados tanto nos sistemas BIM como SIG (BALL, M. – AutoDesk, 2010).

Nas empresas de administração de aeroportos brasileiras, a disponibilização de componentes paramétricos aeroportuários pode representar benefícios consideráveis para a utilização dos sistemas BIM. Por meio da análise de sua elaboração foram examinados os fatores endógenos (entraves e impactos como a criação de novos parâmetros e ainda a representação semântica dos mesmos no contexto do projeto), como por exemplo por meio da inserção dos novos componentes no terminal regional da INFRAERO, sendo possível observar seu relacionamento com a escala da edificação, tanto quanto os exógenos (pouco ou nenhum desenvolvimento nacional de metodologias BIM para o projeto de aeroportos) envolvidos no processo. Uma vez estabelecido o caminho a ser percorrido pela informação, torna-se imprescindível o domínio não só das ferramentas empregadas, mas da interface existente entre elas. As antigas práticas envolvidas no processo de projeto em vigor nas empresas brasileiras, como a INFRAERO representam não apenas atraso tecnológico, mas envolvem ainda outros aspectos como hierarquia e estrutura organizacional tradicional, acarretando dificuldade na gestão de práticas e processos na empresa.