a) Área de estudo
Diferentemente de outras companhias de distribuição de gás canalizado, onde a definição da área de estudo se aplica para possíveis ampliações das suas respectivas redes de distribuição, a COMPAGÁS direcionou a sua área de estudo visando, inicialmente, a sua própria criação como empresa. Dessa forma, a partir de estudos desenvolvidos sobre o mercado potencial do Paraná, chegou-se a elaboração da matriz energética do Estado, através da qual, possibilitou-se uma definição dos chamados pólos industriais, que serviram como referência para os primeiros estudos desenvolvidos.
Com isso, chegou-se a conclusão de que Curitiba e sua Região Metropolitana, além da cidade de Ponta Grossa, apresentavam a maior concentração de indústrias do Estado, direcionando uma análise mais detalhada sobre a possibilidade do uso de gás natural em substituição aos outros energéticos então utilizados. Nessa fase, que durou cerca de dois anos, chegou-se a um levantamento completo de todas as indústrias instaladas nessas regiões seus potenciais de consumo, além da possibilidade de fiituras ampliações.
Numa segunda fáse, concluiu-se, então, que as áreas de estudo deveriam contemplar a cidade de Curitiba, a cidade de Ponta Grossa e a Região Metropolitana de Curitiba, a qual compreende os municípios de Araucária, Campo Largo, Rio Branco do Sul, Almirante Tamandaré, Colombo e São José dos Pinhais, conforme ilustra a figura 6.1.
Por outro lado, dada a particularidade da rede de distribuição operar preliminarmente com gás de refinaria, optou-se em restringir a área de estudo aos municípios de Araucária (local onde se localiza a fonte de suprimento - REPAR) e de Campo Largo (dada a concentração de indústrias cerâmicas de grande porte), além da cidade industrial de Curitiba - CIC, que se encontra nas proximidades da própria REPAR.
Assim, uma outra área de estudo a ser considerada, posteriormente, contemplará Ponta Grossa, Balsa Nova e São José dos Pinhais (esta última, dado a instalação das montadoras
FIGURA 6.1 - Curitiba e sua Região Metropolitana
b) Oferta de gás
Para a região descrita, pode-se afirmar que o volume de gás natural contratado junto à Bolívia atenderá, sem dificuldades, o mercado industrial considerado por um período de, no mínimo, dez anos. Evidentemente, existe a possibilidade de que novas indústrias de porte, até então não consideradas, ou até mesmo usinas termoelétricas à gás, venham a se instalar ao longo dessas regiões. Dessa forma, estudos visando outras alternativas de suprimento de gás estão constantemente sendo analisados e discutidos, pois, além da região preliminarmente apresentada, existe o compromisso de se abastecer outros pontos estratégicos do Estado.
Atualmente, por exemplo, analisa-se a possibilidade de se importar gás natural proveniente da Argentina, o que, com certeza, além de contemplar alguns dos pontos estratégicos do Estado, será uma alternativa favorável quanto á disponibilidade de gás para o sistema. Outra alternativa de suprimento também considerada atualmente é o gás proveniente de Pitanga (região central do Estado), onde poços de gás natural foram descobertos recentemente.
Dessa forma, pode-se afirmar que o Estado do Paraná estará bem servido de gás natural por um longo período, justificando todo o investimento, que, no momento, está sendo efetuado, a fim de proporcionar um futuro progressivo para o desenvolvimento industrial do próprio Estado.
Cap.6 - Estudo de Caso___________________________________________________________________94
c) Diretrizes gerais de fornecimento
Dadas as particularidades até então apresentadas, toma-se evidente que o mercado a ser contemplado de imediato, pela COMPAGÁS, é o industrial. Tal fato pode ser justificado dada a necessidade de se viabilizar economicamente o investimento inicial, o qual somente poderá ser conseguido com a negociação de grandes volumes de gás. Posteriormente, com a rede de distribuição já instalada, certamente atender-se-á também os mercados comercial e residencial.
Para um acompanhamento mais detalhado do setor industrial a ser considerado, a COMPAGÁS executou a implantação de um “banco de dados” visando o cadastramento de todas as indústrias localizadas ao longo da sua rede de distribuição. Tal banco, além dos dados gerais de cada indústria, permite o armazenamento de informações relativas ao energético utilizado, ao consumo atual, sua previsão de ampliação para os próximos anos, bem como a possibiUdade de futuras cogerações (geração de energia elétrica a partir de gás natural). Com isso, toma-se possível a geração de relatórios pela região de estudo, pelo tipo de empresa, pela faixa de consumo ou, até mesmo, pelo tipo de energético a ser substituído.
d) Tempo de vida previsto para a rede de distribuição
Considerando-se que um dos componentes mais criticos, em termos de vida útil, dentro da rede de distribuição canalizada de gás é a própria tubulação de aço carbono, dado o fenômeno da corrosão, efetuou-se um levantamento junto a fomecedores visando identificar o tipo e as caracteristicas dos revestimentos disponíveis no mercado. Para tal, chegou-se a duas possibilidades distintas: a utilização do revestimento em “coaltar” e a utilização do revestimento em polietileno extmdado. O primeiro destes possibilita uma vida prevista de quinze anos para a tubulações de aço carbono, contra uma vida prevista na faixa de vinte anos para o revestimento em polietileno extmdado.
Dessa forma, mesmo apresentando um custo um pouco superior ao revestimento em “coaltar”, optou-se em trabalhar com o revestimento em polietileno extmdado, devido as dificuldades em se efetuar uma possível substituição antecipada da tubulação, bem como, ao fato de se estar trabalhando dentro de um universo, também, de vinte anos em termos contratuais.
Com isso, poder-se-á considerar que todo o projeto em questão estará sendo desenvolvido visando contemplar um tempo de vida de, no mínimo, vinte anos de utilização.