4.1 EMPRESAS COM CAPACIDADE TECNOLÓGICA COMPROVADA
4.1.8 IACIT
Empresa brasileira localizada na cidade de São José dos Campos – importante centro da indústria aeroespacial – com capacitação tecnológica para o desenvolvimento de produtos e sistemas aplicados ao auxílio, controle e gerenciamento do tráfego aéreo e marítimo; meteorologia; radares; telemetria; redes integradas; comunicação; defesa e segurança pública.
Seus principais PRODE são: produção de softwares inteligentes, drivers e interfaces homem máquina, fusão e integração de dados, sistemas críticos com soluções multiplataformas, gerenciamento de projetos militares, implantação e integração de equipamentos e sistemas, projeto e implantação de redes digitais de informação e de comunicação.
4.1.9 Omnisys
Empresa brasileira sediada na cidade de São Bernardo do Campo, com capacidade de fornecer soluções de alta tecnologia, desenvolvimento, fabricação, qualificação e instalação de equipamentos para aplicações em controle de tráfego aéreo, meteorologia, telecomunicações, satélites (equipamentos on-board), radares, estações de telemetria, defesa aérea, guerra eletrônica, aviônicos e monitoramento de espectro eletromagnético.
Sua sede possui um departamento de administração, uma unidade de pesquisa e desenvolvimento, vários laboratórios com sala limpa13, um departamento de compras e logística, um departamento de controle da qualidade e uma unidade fabril. O laboratório de desenvolvimento possui diversos instrumentos de medida de precisão e acessórios para atuarem na faixa de frequência até 26 GHz, com analisadores de rede vetoriais e escalares, analisadores de espectro, geradores de frequência, osciloscópios, medidores de potência, medidores de figura de ruído, etc. A unidade fabril possui mais de 40 máquinas, destacando-se centros de usinagem,
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Ambiente controlado e utilizado para testes ou manufatura de produtos onde a contaminação por partículas presentes no ar interfere no resultado. Objetiva manter a temperatura estável, controlar o nível de umidade e garantir a qualidade do ar com filtros.
fresadoras CNC, dobradeiras, guilhotinas, prensas, máquinas de soldas especiais, cabine de pintura, serras automáticas, furadeiras automáticas, etc.
No que se refere à capacidade de fabricação, a Omnisys possui uma estrutura instalada que inclui inspeção inicial de materiais e componentes, fabricação mecânica, pintura e serigrafia, montagem de placas eletrônicas, cabeamento de equipamentos, integração de sistemas, qualificação e testes do produto final. Possui também um laboratório de metrologia fina que permite a inspeção mecânica em três dimensões das peças fabricadas, por meio de calibradores e desempenos de granito.
Possui ferramentas de hardware e software que possibilitam a realização de projetos e simulações de circuitos de micro-ondas, análises térmicas de módulos e equipamentos eletrônicos. O cálculo estrutural e as análises de choque e vibração são realizados por intermédio da modelagem por elementos finitos. A análise de confiabilidade utiliza metodologias de contagem de partes e análise de falhas.
Para a fabricação de seus equipamentos, utiliza uma estrutura industrial mecânica e eletrônica integrada, que permite um controle de qualidade dos seus processos de produção, integração e testes, em conformidade com normas militares e aeronáuticas aplicáveis.
Possui uma equipe técnica capacitada e experiente, renovada com o conhecimento de jovens engenheiros egressos de renomadas universidades do país. Essa equipe participa do projeto, desenvolvimento e fabricação de diversos equipamentos e sistemas, em variadas áreas de atuação de forma a diminuir sua dependência do mercado interno pouco atraente.
Possui capacidade de oferecer soluções para radares de controle de tráfego aéreo com elevada tecnologia e adequado parque industrial para fabricação, com domínio no projeto e fabricação de moduladores de pulso, equipamentos essenciais para a operação de radares pulsados que utilizam tecnologia de modulação baseada em válvulas de potência. Esses moduladores são desenvolvidos com tecnologia em estado sólido, utilizando dispositivos semicondutores como elementos de chaveamento de potência.
É tradicional sua parceira com o IPqM e se destaca como grande fornecedora nacional capacitada no desenvolvimento e fabricação de Sistemas de Guerra Eletrônica, na modalidade de não comunicações.
Também fornece equipamentos de Contramedidas Eletrônicas (CME)14 que operam nas Corvetas da Classe Inhaúma (CCI).
Parceira estratégica da MB na fabricação dos equipamentos de Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica (MAGE15) Defensor, no desenvolvimento de soluções com alto conteúdo tecnológico agregado, tais como: radares de defesa aérea 3D, autodiretor (Seeker Radar) do míssil superfície-superfície, modernização de equipamentos e módulos, projeto e fabricação de consoles de emprego naval, sistemas de gestão do espectro eletromagnético, equipamentos de guerra eletrônica e sistemas de controle da máquina do leme. A empresa vem consolidando sua atuação nessas áreas depois de ter sido contratada pela MB para fabricar e fornecer os equipamentos MAGE para as CCI.
A empresa tem plena capacidade de realizar a instalação, integração e testes no porto e no mar dos equipamentos por ela fabricados, assim como também é capaz de prover o treinamento de operação e manutenção das equipes técnicas da MB.
Atualmente está em busca de uma atuação extra nacional baseada numa política de investimentos, visando o crescimento e a consolidação da empresa no exterior, assim como, o estabelecimento de parcerias estratégicas com outras empresas estrangeiras interessadas nas suas áreas de negócio.
Em 2006, a empresa associou-se ao grupo francês Thales para desenvolver nova geração de radares de controle de tráfego aéreo na banda “L”, com tecnologia totalmente em estado sólido, para os mercados interno e externo. Esse desenvolvimento contou com o suporte financeiro da FINEP. Existe uma encomenda para fornecimento de 9 radares para o mercado brasileiro e 1 radar para Singapura, além de negociações para o fornecimento de 7 radares para a China. Desde então, o Grupo Thales investiu mais de 120 milhões de euros na Omnisys para torná-la um de seus centros globais de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Por ser uma empresa que oferece PRODE de alta tecnologia, a Omnisys depende diretamente desse investimento em P&D.
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Técnicas destinadas a negar ao inimigo dados específicos de aquisição de alvo, interferindo na operação de seus sensores de defesa aérea. O equipamento de CME executa funções de despistamento de radares de mísseis e de direção de tiro, pertencentes a plataformas inimigas. 15
Equipamento de detecção, identificação e classificação de sinais de radar, assim como sua localização e provável plataforma de origem.
Por conta do crescimento acelerado da demanda de conhecimentos cada vez mais especializados, a Omnisys buscou mais profissionais com experiência comprovada em P&D. Em paralelo, a empresa investiu em recursos materiais para adequação da sua capacidade de P&D (laboratórios, sala limpa, instrumentos de medida, software de simulação eletrônica, mecânica e térmica, câmera climática, padrões de aferição etc.).
Nos anos de 2016 e 2017, a Omnisys, a Unicamp e o IPT/USP assinaram convênios de cooperação cujo objetivo principal é a capacitação de engenheiros pós-graduandos em técnicas e conhecimentos em diferentes especialidades de projetos e tecnologias voltados para a área de radares. Esses convênios fazem parte do Programa de Especialização em Radares da Omnisys (PERO), criado em 2002, com o propósito de suprir necessidades de mão de obra técnica altamente qualificada em projeto e desenvolvimento de radares com elevada tecnologia de estado sólido. Esses convênios visam, também, o trabalho em parceria entre as três instituições com vistas à formação de engenheiros especializados em tecnologia de radares e a capacitação especializada de professores, bem como o desenvolvimento de programas de mestrado em temática de interesse para o PERO.
Esse programa contribui para a capacitação rápida em tecnologia de radares, requerendo dos participantes dedicação em tempo integral. As áreas-alvo para especialização são: transmissores (fontes de alimentação, válvula de RF, moduladores de pulso); receptores (eletrônica de RF, processamento de sinais); processador (eletrônica digital, técnicas de processamento de sinais); e controle (servo-mecanismo de comando de antenas e acionamento de motores).
A Tabela 1 relaciona os PRODE desenvolvidos pela Omnisys.
Tabela 1 – PRODE desenvolvidos pela Omnisys
PRODE Investimentos e Parcerias
Modulador em estado-sólido de alta tensão para pulsos de curta duração para transmissores de radar
Desenvolvido com Recursos Próprios
Modulador de pulso em estado-sólido e alimentado por fontes chaveadas para transmissor de radar
PIPE-FAPESP Parceira Unicamp
Processador de Telemetria para radares de trajetografia baseado em DSP
Desenvolvido com Recursos próprios / Parceira Unicamp
Sistemas de servomecanismo para controle de antenas de Radar e Estações de Telemedidas
Receptor para Radares e Estações de Telemedidas
PIPE-FAPESP / Parceria Unicamp Fonte chaveada para modulador de
pulso de radares
Desenvolvido com Recursos próprios / Parceria Unicamp
Transmissor em estado sólido para radar de rota de controle de tráfego aéreo em banda L
Desenvolvido com Recursos próprios /Subvenção FINEP
Sistema de Identificação Automática de Navios
Desenvolvido com Recursos próprios / Subvenção FINEP
MAGE Defensor Desenvolvido com Recursos próprios e da MB / Parceria com IPqM
A Tabela 2 relaciona os projetos em desenvolvimento pela Omnisys.
Tabela 2 – Projetos em Desenvolvimento pela Omnisys
Projeto Observações
Radar Meteorológico Doppler Banda S Desenvolvimento próprio Estação de Telemedidas banda S Desenvolvimento próprio Amplificador de Baixo Ruído Desenvolvimento próprio Processador Digital de Radar Desenvolvimento próprio Transmissor para Radares de
Trajetografia
Desenvolvimento próprio Sistema de Rastreio Óptico Desenvolvimento próprio Modulador de Pulso a Estado Sólido Desenvolvimento próprio Subsistema de Coleta de Dados para
Satélite
Desenvolvimento próprio Computador de Controle de Atitude e
Órbita
Desenvolvimento próprio Computador de Gerenciamento de
Dados para Satélite
Desenvolvimento próprio Subsistema de Transmissão de Imagens
para Satélite
Desenvolvimento próprio Sistema de Controle e Monitoração da
Máquina do Leme da Corveta Classe Barroso
Recursos próprios e MB / Parceria com IPqM
MAGE MK-III para as CCT Recursos próprios e MB / Parceria com IPqM
Além de mão de obra qualificada, a Omnisys possui laboratórios dotados com equipamentos de medição por precisão, laboratório de metrologia e sala limpa. Também é proprietária de software de simulação de circuitos, simulação mecânica e térmica e de gestão, utilizados no desenvolvimento de soluções para a MB.
4.1.10 Safran do Brasil
Criada em 1986, a Safran Electronics & Defense Brazil é uma empresa brasileira, que tem por tradição a concepção e execução de projetos inovadores em óptica e optrônica para aplicações nas indústrias de Defesa, Segurança e Aerospacial.
Integrada em 2012 à empresa Safran Electronics & Defense, a Safran Electronics & Defense Brazil passou a oferecer, no Brasil, todo o portfólio tecnológico da matriz francesa em optrônica, aviônica e eletrônica com soluções no estado-da-arte, com possibilidade de transferência de tecnologias críticas e parcerias com universidades e Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT) brasileiras.
Atualmente, a Safran Electronics & Defense Brazil integra sistemas de controle de voo para o programa EC-725 e se prepara para a nacionalização dos binóculos multifuncionais a infravermelho. A Safran Electronics & Defense Brazil possui capacidade para produzir todas as soluções de sua matriz e oferecer manutenção e suporte técnico desses produtos no Brasil.
O objetivo declarado pela empresa é implementar, com responsabilidade e eficácia, as tecnologias de optrônica, aviônica e eletrônica no Brasil para aplicações em defesa e segurança, e contribuir para a construção de uma BID autônoma, forte e sensível às mais amplas necessidades do país. Todavia, a empresa tem dificuldades em recrutar mão de obra especializada em optoeletrônica e aviônica. A alternativa adotada para mitigar essa deficiência foi a busca de engenheiros franceses para liderarem as equipes de projetos inovadores e também para serem multiplicadores do conhecimento, de modo a garantir o núcleo duro do conhecimento sensível da empresa no Brasil.
Mercados globalizados e competição intensificada fizeram com que a Propriedade Intelectual (PI) se tornasse cada vez mais importante. Daí a necessidade estratégica das empresas que compõem a BID de reforçar e manter em segurança o “núcleo duro do conhecimento sensível”. Pois, de fato, esse “núcleo duro” é o maior patrimônio das empresas que investem em tecnologia de ponta.
A Safran do Brasil adota a mesma estratégia de sua matriz francesa para melhorar a competitividade de seus produtos, que pode ser obtida, em grande parte, pela busca e integração de tecnologias inovadoras que proveem vantagens competitivas para enfrentar os desafios tecnológicos do futuro. Essa estratégia
poderia ser estendida a outras empresas da BID, a fim de contribuir para o desenvolvimento tecnológico nacional.
A empresa apresenta uma gama de sistemas optrônicos que contribuem para a eficiência operacional de navios de guerra (porta aviões/helicópteros, fragatas, corvetas e navios patrulha) com sensores de nova geração para detecção e identificação de ameaças a longas distâncias de dia ou de noite, provendo avisos de ameaça com antecedência. Esses sistemas oferecem vigilância panorâmica automática para detecção em baixa altitude.
Como fornecedora exclusiva de periscópios para a Marinha Francesa, sua matriz oferece três linhas para navegação, auto defesa, identificação, mira e inteligência. Para submarinos novos ou para modernização, fornece mastros de radar, periscópios e mastros optrônicos nas versões Mastro Optrônico de Busca e Mastro Optrônico de Ataque.
Seus sistemas são modulares e atualizáveis, podendo ser usados em gerenciamento de sistemas de armas com consoles multifunção. A matriz francesa oferece suporte para integração, transferência de tecnologia e/ou parcerias locais, manutenção preventiva/corretiva e assistência técnica no local da instalação do equipamento.
A Tabela 3 relaciona os PRODE desenvolvidos pela Safran.
Tabela 3 - PRODE desenvolvidos pela Safran.
PRODE Observações
Softwares de Aviação Civil e Militar para Helicópteros, Aviões e Mísseis
Desenvolvidos com recursos próprios Sistemas de Controle de Voo, Sistemas
de Navegação, Unidades de Controle Eletrônico, Softwares de Alta Criticidade, Optrônica Embarcada
Desenvolvidos com recursos próprios
Softwares de Defesa Terrestre para aplicação em Blindados e Mísseis
Desenvolvidos com recursos próprios Sistemas de Navegação Inercial,
Sistemas de Controle de Tiro, Optrônica Portátil, Sistemas Táticos, Sistemas de Vigilância e Detecção de Alvos Aéreos
Desenvolvidos com recursos próprios
Sistemas de Gerenciamaneto de Navios de Superfície e Submarinos
Desenvolvidos com recursos próprios Soluções para Segurança Pública para
Vigilância de Território, Optrônica Embarcada, Sistema de modernização
das Policias e Forças Especiais.
4.1.11 SKM
Empresa brasileira instalada no Rio de Janeiro, formada por profissionais de alto nível técnico e larga experiência, que teve sua origem em 1992 com a terceirização de algumas atividades da VILLARES CONTROL. Pioneira, no Brasil, no desenvolvimento de sistemas de controle e monitoração da propulsão, máquinas auxiliares e avarias para navios militares. Vem aperfeiçoando e adaptando serviços na área de Automação, Engenharia, Consultoria, Desenvolvimento de Projetos, Manutenção, Reparo, além da fabricação e montagem de componentes.
Possui uma infraestrutura adequada e mão-de-obra qualificada para atender variados seguimentos do mercado, oferecendo soluções em projeto, fabricação, serviços de comissionamento e assistência técnica, investindo em P&D, na capacitação do seu corpo técnico e na sustentabilidade do negócio.
A SKM é também responsável pela fabricação de produtos que são desenvolvidos por uma equipe própria e capaz de identificar e solucionar as necessidades específicas de cada problema de engenharia.
4.1.12 Triglau
Empresa brasileira certificada pela MB especializada no projeto, desenvolvimento e fabricação de bombas hidráulicas e outros fluidos, com tecnologia trazida da antiga Iugoslávia. Atua no Brasil, América Latina e África.
A empresa possui uma divisão militar capaz de suprir as necessidades do setor de defesa, com uma variedade de produtos militares, tais como, bombas para combate à incêndio veiculares e marítimas, estacionárias e portáteis, bombas para acionamento via tomada de força, caixas de transferência, motores elétrico e à combustão. Possui ainda uma equipe especializada no desenvolvimento de novos produtos e nacionalização de máquinas e equipamentos.
Por meio de seu pessoal técnico qualificado, a empresa vem desenvolvendo diversas aplicações para bombeamento de água e outros fluídos, seguindo as normas brasileiras (ABNT) e norte americanas.
A empresa desenvolve projetos de sistemas de bombeamento; sistemas contra incêndios; sistemas de pressurização de redes; sistemas de filtragem;
sistemas de higienização e aquecimento de água; sistemas de vedação; sistemas hidráulicos; sistemas de higienização e aquecimento de água; simulações; nacionalização de componentes; equipamentos especiais e soluções em bombeamento de produtos químicos e viscosos, com usinagem convencional e CNC.
5 CONCLUSÕES
A primeira conclusão é não podermos afirmar a existência, propriamente, de uma indústria específica para a defesa no Brasil. Das 195 empresas que compõem a base de dados da ABIMDE, apenas as 12 empresas brasileiras listadas no item 4.1 possuem capacidade tecnológica comprovada para desenvolver e fabricar, no Brasil, sistemas navais com aplicação direta nas CCT.
A maioria das empresas que compõem a BID possui capacidade industrial que pode ser usada para produzir, mas não desenvolver, PRODE. Nesse sentido, é fundamental a participação do IPqM na tarefa de liderar a pesquisa e o desenvolvimento, com tecnologia nacional, de sistemas navais para as CCT, nas seguintes áreas de concentração: Sistemas de Armas; Sistemas de Guerra Eletrônica; Sistemas Acústicos Submarinos; Sensores e Transdutores; Sistemas Digitais; Fusão e Comunicação de Dados; Sistemas de Comando, Controle, Monitoração, Comunicação e Automação; Sistemas de Simulação; Sistemas de Controle de Avarias; Sistemas de Navegação; Softwares Dedicados; e Tecnologia de Materiais Especiais.
Todavia, é preciso criar um ambiente favorável às empresas da BID, para que elas sejam induzidas a desenvolver PRODE em parceria com o IPqM e com a participação efetiva de universidades brasileiras. Além disso, é preciso inovar criando produtos de emprego dual, a fim de possibilitar um aumento de sua competitividade no mercado externo.
Entretanto, a fabricação de produtos duais não é simples, posto que existem diferenças entre os requisitos para uso civil e militar.
A qualificação técnica da mão de obra para trabalhar na área de defesa é única e precisa ser mantida em permanente atividade. Para manter a sustentabilidade dos projetos de interesse da defesa, as empresas da BID necessitam desenvolver tecnologias duais e também atuar no mercado exportador.
Nenhum país subdesenvolvido pode depender unicamente do seu mercado interno para sustentar sua BID, dada a incapacidade de se atender às exigências mínimas de escala de produção e a elevada tecnologia envolvida. A demanda interna das FFAA é incapaz de manter constante o fluxo de encomendas, que deveria suportar, pelo menos, os custos de produção durante todos os meses do
ano. Em consequência, tornam-se fundamentais a conquista e a manutenção do mercado externo por parte das empresas nacionais do setor de defesa.
Empresas como a AVIBRAS, que fornecem produtos finalísticos para área de defesa e têm as FFAA como principais clientes, possuem dificuldades em se manter no mercado. Portanto, conquistar novos mercados externos em busca de potenciais compradores e desenvolver novas tecnologias duais é uma estratégia que deve ser utilizada por essas empresas.
A falta de regularidade de encomendas estatais por parte das Forcas Singulares e Auxiliares brasileiras, além de implicar na redução de recursos financeiros para investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação de PRODE, também prejudica a competitividade desses produtos nos mercados interno e externo. Via de regra, os potenciais clientes externos procuram adquirir produtos, sistemas e equipamentos que foram ou estão sendo utilizados e exaustivamente testados nos países de origem desses fornecedores. Isso ocorre porque a compra de um protótipo não é bem aceita por eles.
No que tange à distribuição geográfica das empresas pelo território nacional, o Parque Tecnológico São José dos Campos é um exemplo de sucesso que permite criar um ambiente favorável à sinergia preconizada no argumento da tripla hélice.
Naquela cidade paulista, a convergência de interesses entre diversas empresas, microempresas, centros de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, institutos, entidades civis e universidades é obtida por meio de APL voltados para a economia de recursos, o aumento da competitividade com desenvolvimento sustentável e a capacidade de geração de emprego e renda.
A ideia do agrupamento físico de diversas empresas do mesmo setor, preconizada nos APL, permite ganhos em escala imprescindíveis à promoção da competitividade por meio de capacitações, treinamentos e apoio tecnológico às empresas desse setor. Esse agrupamento pode auferir ganhos consideráveis de eficiência que empresas dificilmente poderiam atingir isoladamente, ganhos esses que podem ser compreendidos como uma vantagem competitiva obtida pelas ações conjuntas e integradas entre os atores atuantes no mesmo setor produtivo.
Nesse contexto, torna-se relevante a compreensão do fenômeno das APL como uma estratégia empresarial. Casos de sucesso, como, por exemplo, o Vale do Silício nos EUA, demonstram vantagens competitivas desses agrupamentos em