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BASE INDUSTRIAL DE DEFESA:

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LUIZ CARLOS DELGADO

BASE INDUSTRIAL DE DEFESA:

análise da capacidade tecnológica das empresas nacionais do

setor de defesa com vistas à demanda de sistemas navais a

serem instalados na nova classe de corvetas da Marinha do

Brasil.

Trabalho de Conclusão de Curso – Monografia apresentada ao Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia.

Orientador: CMG (RM1) Luiz Fernando Pereira da Cruz

Rio de Janeiro 2017

(2)

Este trabalho, nos termos de legislação que resguarda os direitos autorais, é considerado propriedade da ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA (ESG). É permitida a transcrição parcial de textos do trabalho, ou mencioná-los, para comentários e citações, desde que sem propósitos comerciais e que seja feita a referência bibliográfica completa.

Os conceitos expressos neste trabalho são de responsabilidade do autor e não expressam qualquer orientação institucional da ESG

_________________________________ Assinatura do Autor

Biblioteca General Cordeiro de Farias

Delgado, Luiz Carlos.

Base Industrial de Defesa: análise da capacidade tecnológica das empresas nacionais do setor de defesa com vistas à demanda de sistemas navais a serem instalados na nova classe de corvetas da Marinha do Brasil. / Contra-Almirante (EN) Luiz Carlos Delgado. - Rio de Janeiro: ESG, 2017.

49 f.

Orientador: CMG (RM1) Luiz Fernando Pereira da Cruz.

Trabalho de Conclusão de Curso – Monografia apresentada. Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE), 2017.

1. Poder Naval. 2. Base Industrial de Defesa. 3. Sistemas Navais. 4. Corveta Classe Tamandaré.

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À minha amável esposa Ione e meus adoráveis filhos Carlos Henrique, Carlos Eduardo e Kelly Priscilla, que muito me apoiaram nesta jornada na ESG.

Aos meus queridos pais, Therezinha e Luiz José (in memorian), pelo amor incondicional, dedicação e bons exemplos que forjaram meu caráter. Ao meu querido sogro José Cortes (in memorian) e minha santa sogra Maria da Conceição (in memorian). Sou eternamente grato por todo amor e carinho que me proporcionaram.

(4)

AGRADECIMENTOS

À Marinha do Brasil pela oportunidade concedida de participar deste relevante curso de altos estudos, em que tive o privilégio de conviver com pessoas de renomado saber e que transmitiram valiosos conhecimentos e experiências.

Aos meus professores do passado e do presente que me fizeram despertar o interesse pelo conhecimento.

Aos meus amigos e companheiros do CAEPE 2017, Turma Ordem e Progresso, pelo convívio fraterno, compreensão e amizade sincera e eterna.

Ao Corpo Permanente da ESG, em particular aos professores que ministraram conferências. Estendo também aos palestrantes convidados. Todos me proporcionaram um amplo aprendizado com momentos de reflexão sobre este trabalho. Muito do que aqui está sendo apresentado é fruto de excelentes conferências sobre temas correlatos, que contribuíram como ponto de partida para a fonte de consulta que possibilitou discorrer sobre o tema proposto.

Ao meu orientador, CMG (RM1) Pereira, por ter compreendido minhas limitações e me ajudado na irretocável correção deste trabalho.

E, por fim, um agradecimento especial ao Senhor Jesus, que me concedeu o dom da vida e permitiu que eu chegasse até aqui com plena saúde.

(5)

“Todo aquele que se dedica ao estudo da ciência chega a convencer-se de que nas leis do Universo se manifesta um Espírito sumamente superior ao do homem, e perante o qual nós, com os nossos poderes limitados, devemos humilhar-nos.”

(6)

RESUMO

Com a finalidade de atender a tarefa básica do Poder Naval relacionada ao controle de área marítima, a Marinha do Brasil (MB) criou o programa de construção de Corvetas da Classe Tamandaré (CCT). Esse programa visa dar prosseguimento ao projeto de construção da Corveta Classe Barroso (CCB), com a necessária atualização tecnológica.

A execução desse projeto estratégico, devido a sua complexidade tecnológica, indica a necessidade de uma análise que considere o envolvimento da Base Industrial de Defesa (BID).

O propósito desta monografia é efetuar uma análise da capacidade tecnológica das empresas nacionais do setor de defesa, com vistas à demanda de sistemas navais a serem instalados nessa nova classe de navios escoltas, por meio de um estudo que permita elaborar um diagnóstico com visão sistêmica da competitividade, da capacidade produtiva e tecnológica e de inovação das empresas da BID.

O processo de análise considera o nível de complexidade tecnológica requerido por esses sistemas navais embarcados e a moldura temporal de construção desses meios navais, a fim de identificar ações que possam facilitar a criação de um ambiente favorável à competitividade e inovação tecnológica.

Palavras chaves: Estratégia Nacional de Defesa. Poder Naval. Base Industrial de

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ABSTRACT

In order to meet the basic task of the Naval Power related to the control of the maritime area, the Brazilian Navy (MB) created the construction program to the Tamandaré Class Corvettes (CCT). This program aims to continue the construction project of the Barroso Class Corvettes (CCB), with the necessary technological update.

The implementation of this strategic project, due to its technological complexity, indicates the need for an analysis that considers the Industrial Defense Base’s (BID) involvement.

The monograph’s purpose is to carry out an analysis of the technological capacity of the national companies in the defense sector, with a view to the demand of naval systems to be installed in this new class of the escort ships, through a study that allows the elaboration a diagnosis with systemic vision of the competitiveness, productive capacity and technology and innovation of the BID companies.

The analysis process considers the level of technological complexity required by these boarded naval systems and the period by construction of these naval apparatus in order to identify actions that may facilitate to create a favorable scenario of competitiveness and technological innovation.

Keywords: National Defense Strategy. Naval Power. Industrial Defense Base.

(8)

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 8

2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 14

3 O PROJETO DAS “CCT” E SEUS SISTEMAS NAVAIS ... 19

4 O PERFIL DAS EMPRESAS QUE COMPÕEM A BID ... 22

4.1 EMPRESAS COM CAPACIDADE TECNOLÓGICA COMPROVADA ... 24

4.1.1 AEL Sistemas ... 24 4.1.2 Ares ... 27 4.1.3 Atech ... 28 4.1.4 Avibras ... 29 4.1.5 Bradar ... 32 4.1.6 DGS ... 33

4.1.7 Embraer Defesa & Segurança (EDS) ... 33

4.1.8 IACIT ... 35 4.1.9 Omnisys ... 35 4.1.10 Safran do Brasil ... 40 4.1.11 SKM ... 42 4.1.12 Triglau ... 42 5 CONCLUSÕES ... 44 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 48

(9)

1 INTRODUÇÃO

A Constituição Federal (CF) menciona que a Marinha do Brasil (MB) é uma instituição permanente com relevantes tarefas e atribuições em benefício do País. Portanto, não pode prescindir de Projetos Estratégicos que objetivam substituir ou modernizar seus meios navais, mantendo-se pronta para contribuir na garantia da soberania nacional, sempre que for necessário.

Com a finalidade de atender a uma das quatro tarefas básicas do Poder Naval relacionada ao controle de área marítima – tarefa de defesa e segurança marítima nas Águas Jurisdicionais Brasileiras – o Almirantado decidiu criar o Programa de Construção de Corvetas da Classe Tamandaré (CCT). Esse programa visa dar prosseguimento ao bem sucedido projeto de construção da Corveta Classe Barroso (CCB), buscando seu aprimoramento com a necessária atualização tecnológica. Contempla a construção, no país, inicialmente, de quatro unidades, com elevado índice de nacionalização de sistemas (acima de 70%). A nova silhueta garante melhor capacidade furtiva e seu Sistema de Armas proporciona elevado poder combatente, capaz de se contrapor a múltiplas ameaças.

Além de contribuir para a necessária renovação dos navios escoltas, o Programa tem um enorme potencial para fomentar a construção naval brasileira, por meio da recuperação da capacidade de construção de navios militares, bem como o incremento do desenvolvimento científico e tecnológico de nossa Base Industrial de Defesa (BID)1.

A construção das CCT é um dos principais Projetos Estratégicos da Marinha que visa à substituição dos atuais navios escoltas, cujos cascos possuem poucos anos de vida operativa. Esse projeto tem o potencial para criar as condições favoráveis ao fomento e incentivo à BID, cuja melhor definição para este termo encontra-se no Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN).

[...] A Base Industrial de Defesa (BID) é um conjunto de indústrias e empresas organizadas em conformidade com a legislação brasileira, que participam de uma ou mais das etapas da pesquisa, desenvolvimento, produção, distribuição e manutenção de produtos de defesa. (BRASIL, 2016, p. 212).

1

Conjunto integrado de empresas públicas e privadas, e de organizações civis e militares, que realizem ou conduzam pesquisa, projeto, desenvolvimento, industrialização, produção, reparo, conservação, revisão, conversão, modernização ou manutenção de produtos de defesa no País.

(10)

Na última versão da Política Nacional de Defesa (PND)2, datada de 29 de setembro de 2016, que está sob a apreciação do Congresso Nacional, no item 2.2.5 que trata sobre o Ambiente Nacional, ressalta-se que:

[...] A falta de regularidade nas aquisições de Produtos de Defesa (PRODE) e da alocação de recursos orçamentários tem desestimulado os investimentos por parte da Base Industrial de Defesa (BID). As demandas das Forças Armadas e a defasagem tecnológica provavelmente manterão inalterados os níveis de produção da BID dos últimos anos. O ritmo do desenvolvimento tecnológico brasileiro, considerando os atuais níveis de investimento, não permite vislumbrar a eliminação da dependência externa em áreas de fundamental importância para a indústria, nos próximos vinte anos. (BRASIL, 2016, p.6).

Essa situação desfavorável poderá impactar os Projetos Estratégicos da Marinha, notadamente as CCT, que prevê a obtenção de quatro unidades a serem construídas no Brasil, na moldura temporal 2018-2026, com elevado índice de nacionalização. Devido à elevada complexidade tecnológica dos Sistemas Navais embarcados, a construção desses navios no Brasil torna mandatório o envolvimento e a capacitação da BID, em particular das indústrias de navipeças. Tal projeto também contribuirá para o fomento da indústria nacional e sua capacitação tecnológica, com geração de empregos diretos e indiretos, e o desenvolvimento socioeconômico do país, principalmente no setor naval e de defesa.

[...] O país que detiver a capacitação tecnológica para produzir esses meios militares terá maiores condições políticas para impor, em última análise, a sua vontade aos demais países carentes de tecnologia militar. (AMARANTE, 2012, p. 38).

Todavia, o cenário aponta para incertezas decorrentes da atual crise política e econômica que vive o País – caracterizado pela baixa capacidade técnica e financeira das empresas nacionais – com agravamento da escassez de mão de obra qualificada. Sergio Vaquelli (Diretor Titular Adjunto do COMDEFESA – FIESP), em palestra proferida na Escola Superior de Guerra (ESG), dia 14/03/2017, ressaltou sua preocupação quando mencionou: “as demissões de mão de obra especializada na BID ocorrem em ritmo acelerado. Parte dos recursos humanos não conseguirá ser recuperada ao final da crise”. Entretanto, acredita que “o Brasil pode e deve assumir uma posição de relevância no cenário mundial, buscando abandonar a situação de uma nação eternamente emergente”. Pois, “a indústria de defesa pode ser importante instrumento para a recuperação da atual crise econômico-financeira,

2

Aprovada pelo Decreto 5.484, de 30 de junho de 2005. Atualizada em 2012. Última versão em 2016, sendo apreciada pelo Congresso Nacional. Disponível em: <http: //www.planalto.gov.br / ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5484.htm>. Acesso em: 23 de mai. 2017.

(11)

além de meio para atender aos interesses geopolíticos e estratégicos nacionais”. Tendo em vista que, “os investimentos na BID são importantes alternativas econômicas para o país”.

Há várias linhas de ação (LA) para mitigar eventuais dificuldades que poderão ocorrer durante a construção dessas quatro unidades de corvetas no País. Uma delas seria permitir melhores condições de cooperação e parcerias com empresas estrangeiras que possuem comprovada experiência na construção de navios escoltas. Tal LA aproveitaria o projeto original desenvolvido pelo Centro de Projetos de Navios3 (CPN). Desde que tais parcerias tenham como premissa o fortalecimento das capacidades tecnológicas das empresas nacionais que compõem a BID, bem como a exigência de que o projeto, a construção, a reparação e grande parte desse desenvolvimento tecnológico seja no País, por técnicos brasileiros.

[...] Nesse contexto, é mais importante produzir material de emprego militar (MEM) de penúltima geração, desenvolvido no país, do que dispor de outro de última geração adquirido no exterior. (AMARANTE, 2012, p. 39).

Quando se trata de Sistemas de Armas, em especial mísseis, torpedos e minas submarinas, é fundamental ressaltar que sua compra direta não confere ao país comprador nenhum ganho de capacitação tecnológica. Além disso, esse país passa a ocupar uma indesejável posição de vulnerabilidade, uma vez que – por não possuir o código fonte de programação nem os algoritmos responsáveis pelas ações de comando, automação e controle do armamento – não terá como impedir que o país vendedor, que é detentor dessas vitais informações, tenha a capacidade de alterar o desempenho ou até mesmo impedir o uso eficiente do armamento.

Nesse sentido, o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) possui capacidade tecnológica para desenvolver os principais sistemas navais a serem utilizados nas CCT, em parceria com universidades brasileiras, empresas nacionais e outros centros de pesquisas civis e militares do país. Essa capacidade é comprovada pelos mais de 30 anos que o IPqM possui realizando atividades de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico nas áreas de: Sistemas de Armas, Sistemas Digitais, Sensores, Guerra Eletrônica, Acústica Submarina, Comando, Controle e Monitoração, Tecnologia de Materiais e Navegação Inercial.

3

Organização Militar da Marinha do Brasil responsável pela gestão das atividades técnicas especializadas de projeto básico, de projeto de integração de sistemas e de análises e avaliações de engenharia, pertinentes aos processos de construção, modernização, conversão, alteração e apoio de navios de superfície e de submarinos.

(12)

[...] A busca por parcerias estratégicas com outros países deve ser uma prioridade, que demanda ação coordenada de diversos órgãos governamentais e de entes privados, com o propósito de alcançar e consolidar a capacidade de desenvolver e fabricar produtos de defesa, minimizando-se a dependência da importação de componentes críticos, de produtos e de serviços. (BRASIL, 2016, p.21).

Segundo Amarante (2012), essa capacitação tecnológica deve ser obtida por meio de “know how” e, principalmente, de “know why”.

[...] a empresa deve contar com uma equipe de técnicos com suficiente conhecimento armazenado do “saber como fazer” (know-how), bem como outra capacitada ao saber do “porquê fazer daquele modo” (know-why), pois é através da conjugação de ambos conhecimentos que se geram as capacitações executora e criadora da organização. (AMARANTE, 2012, p.33)

Entende-se que, dessa maneira o estaleiro nacional que vier a construir esses navios deverá reduzir o tempo necessário para percorrer a curva de aprendizado – por meio da absorção de tecnologias avançadas – com potencial para gerar empregos qualificados na BID e exportar PRODE com alto valor agregado, principalmente para países sul-americanos e africanos.

A LA desenvolvida nos parágrafos anteriores está em sintonia com o sétimo Objetivo Nacional de Defesa da PND, qual seja: a promoção/fomento da autonomia produtiva e tecnológica na área de defesa; pois significa:

[...] manter e estimular a pesquisa e buscar o desenvolvimento de tecnologias autóctones, sobretudo no que se refere a tecnologias críticas, bem como o intercâmbio com outras nações detentoras de conhecimentos de interesse do País. Refere-se, adicionalmente, à qualificação do capital humano, assim como ao desenvolvimento da Base Industrial de Defesa e de produtos de emprego dual (civil e militar), além da geração de empregos e renda. (BRASIL, 2016 b, p.13).

A regularidade da demanda das Forças Armadas (FFAA) para PRODE poderá proporcionar à BID – por meio do aumento de sua escala de produção – condições necessárias para melhorar sua competitividade, em especial com relação ao mercado exportador. Afirma-se isso, pois:

[...] O Estado deve utilizar seu poder de compra para garantir condições mínimas de sustentabilidade e de aprimoramento das capacitações da BID. (BRASIL, 2016, p.22).

Todavia, a regularidade da demanda interna estatal, por si só, não é suficiente para suportar os vultosos investimentos em ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, necessários para manter o estado da arte nas empresas que atuam no Setor de Defesa do País. Tanto que:

(13)

[...] O fato de empresas nacionais de defesa, tais como Embraer e Avibras, terem conquistado o mercado externo é sintomático e caracteriza uma capacitação tecnológica apurada. (AMARANTE, 2012, p.35).

[...] A busca por novos mercados é um dos maiores desafios para a Base Industrial de Defesa e fator relevante para o seu desenvolvimento e sustentação. (BRASIL, 2016, p.21).

Hodiernamente, o desenvolvimento de sistemas de armas é um privilégio das grandes potências e de algumas nações desenvolvidas, figurando as demais como meras usuárias daqueles fornecedores tradicionais (AMARANTE, 2012, p.34). Esse desenvolvimento autóctone – com aplicação exclusiva em navios de guerra – nas áreas de Guerra Eletrônica4, Sonar, Torpedos, Minas Submarinas, Mísseis e Despistadores, utiliza tecnologias sensíveis que necessitam de um prazo longo para sua maturação. Via de regra, essas tecnologias são negadas por aqueles que as possuem. Por sua vez, os Sistemas Navais previstos no projeto da CCT constituem grande desafio a ser enfrentado durante a construção em estaleiro nacional. Nesse sentido, a componente governamental representada pelo Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ) tem um papel fundamental na busca do teto tecnológico requerido no projeto dessa nova classe de corvetas.

Esses Sistemas Navais são projetados para atender requisitos específicos de navios escoltas. Na MB são chamados de Requisitos de Alto Nível dos Sistemas (RANS) e procuram atender, também, as necessidades estabelecidas nos Requisitos de Estado-Maior (REM) do Comando de Operações Navais5 (CON).

As CCT constituem um relevante Projeto Estratégico com poder de arrasto tecnológico e arranque na economia nacional, motivando empresas da cadeia produtiva associadas à indústria naval e de PRODE. Todavia, a implementação do Projeto poderá exigir da MB um enfrentamento de grandes desafios, a fim de garantir o cumprimento do cronograma previsto de construção dentro da moldura temporal estabelecida (2018-2026).

Por todo o exposto, cabe a formulação da questão principal que move esta pesquisa, a saber:

4

Conjunto de ações que utilizam a energia eletromagnética para destruir, neutralizar ou reduzir a capacidade de combate do oponente, buscando negar o uso do espectro eletromagnético ao oponente.

5

Órgão de Direção Setorial da Marinha do Brasil responsável pelo aprestamento e emprego das Forças Navais, Aeronavais e de Fuzileiros Navais.

(14)

Em que medida a nossa BID está em condições de atender ao chamamento da MB, no que concerne ao fornecimento de Sistemas Navais a serem instalados nas CCT?

Adicionalmente, cabe a formulação de outra questão igualmente relevante, qual seja: “Esse Projeto Estratégico tem potencial para gerar boa expectativa para a BID, posto ser capaz de motivar estaleiros privados nacionais e a BID para investirem em novas instalações e em recursos humanos, e estarem adequadamente preparados para participar do processo de obtenção de novos meios navais para a MB?

Além dessas, outras questões decorrentes surgem: a MB será obrigada a buscar outro modelo de aquisição? Os estaleiros privados nacionais estão prontos ou preparando-se para atender à demanda desse Projeto buscando parceiros internacionais com experiência comprovada? Como a MB poderá atuar para criar condições favoráveis nesse cenário que ora se apresenta?

Tais questões precisam ser estudadas com foco na busca de soluções para atender o objeto desta monografia, qual seja: apresentar um diagnóstico de nossa BID que permita à MB avaliar figuras de mérito e, principalmente, deficiências a serem mitigadas, de forma a colaborar no planejamento de ações necessárias para possibilitar a implementação de uma estratégia que garanta o atendimento às demandas de Sistemas Navais nacionais decorrentes do Programa de Construção das CCT.

(15)

2 REFERENCIAL TEÓRICO

A garantia da soberania e da defesa dos interesses estratégicos do Brasil depende, primordialmente, do nível de conhecimento, participação e conscientização da Nação nos assuntos que tratam sobre o tema Defesa. Nesse diapasão, a PND indica a necessidade de maior envolvimento da sociedade brasileira na ampla discussão deste relevante tema, ressaltando que:

[...] Um dos propósitos da Política Nacional de Defesa é conscientizar todos os segmentos da sociedade brasileira da importância da defesa do País e de que esta é um dever de todos os brasileiros. (BRASIL, 2016 b, p. 12). Além disso, consoante a Zanelatto:

[...] O caminho a ser trilhado para a consolidação do Brasil, como potência emergente, com sua soberania e interesses preservados, exigirá a participação de toda a sociedade, no trato e condução do assunto “defesa do Estado”. As ações a serem colocadas em prática, a partir do momento atual, criarão as bases de sustentação desta posição almejada no futuro. É vital que o Brasil possua um sistema de defesa adequado e proporcional à magnitude de sua riqueza e à proteção de seus interesses e de sua soberania. (ZANELATTO, 2010, p.14).

É, portanto, notória a necessidade de participação da sociedade brasileira nos assuntos que envolvem o tema Defesa, relembrado, também, que a END bem afirma:

[...] Nada substitui o envolvimento do povo brasileiro no debate e na construção da sua própria defesa. (BRASIL, 2013, p. 8).

Destarte, entende que o Brasil precisa agir adequadamente para ocupar um lugar de destaque no cenário internacional, onde tenha Poder Naval proporcional às dimensões territoriais e marítimas do país, sendo capaz de garantir: a soberania e os interesses nacionais; e o uso e exploração do mar, notadamente a proteção e defesa das reservas de petróleo na região do pré-sal6.

Nesse sentido, a BID de um país é um pressuposto e instrumento para seu desenvolvimento. Portanto, é relevante que todas as empresas nacionais do setor de defesa estejam conscientes de sua importância para a defesa da nação e do papel que lhes cabe no desenvolvimento científico e tecnológico.

6

Reservas de petróleo de média a alta qualidade, descobertas na zona econômica exclusiva (ZEE) do Brasil, exploradas em profundidades que variam de mil a dois mil metros de lâmina d'água e entre quatro e seis mil metros de profundidade no subsolo, chegando a até oito mil metros da superfície, incluindo uma camada que varia de duzentos a dois mil metros de sal.

(16)

Todavia, os efeitos danosos decorrentes da atual crise econômica estão refletindo em cortes orçamentários que afetam diretamente o Ministério da Defesa (MD).

Assim, este momento crítico com panorama financeiro e orçamentário bastante insatisfatório contrasta com a necessidade premente da MB em substituir seus atuais navios escoltas. Essa necessidade implicou na criação do Programa de Construção das CCT.

À luz do que estabelecem os documentos condicionantes: (PND, END, LBDN) e demais referências aderentes ao tema central desta monografia, um dos Objetivos Nacionais de Defesa (OND) é “desenvolver a indústria nacional de defesa, orientada para a obtenção da autonomia em tecnologias indispensáveis”. Para a consecução desse OND é necessário que haja um esforço conjunto dos setores governamental, industrial e acadêmico, voltado à produção científica e tecnológica, com viés de inovação; a fim de contribuir para o atendimento às necessidades de produtos de defesa com tecnologia nacional, obtidos mediante estímulo e fomento aos setores industrial e acadêmico.

A capacitação da indústria nacional de defesa, incluindo o domínio de tecnologias de uso dual, é fundamental para alcançar a qualidade adequada dos produtos de defesa.

[...] Nos dias atuais, menos de duas dezenas de nações possuem competência para projetar, construir e equipar, autonomamente, os mais modernos materiais de defesa existentes no mundo. Neste cenário, cresceu o número de forças armadas dotadas de equipamento militar importado ou mesmo fabricado localmente por empresas estrangeiras ou por firmas nacionais sob licença, caracterizando uma situação de extrema dependência de tecnologia externa. (AMARANTE, 2012, p. 38).

A END menciona que a “independência nacional será alcançada pela capacitação tecnológica autônoma, inclusive nos estratégicos setores espacial, cibernético e nuclear. Não é independente quem não tem o domínio das tecnologias sensíveis, tanto para a defesa, como para o desenvolvimento”. Nesse sentido, o fomento à inovação com desenvolvimento de tecnologias autóctones possibilita o fortalecimento de uma BID consolidada e sustentável, capaz de se manter perene mesmo nos momentos de crises e incertezas.

O segundo eixo estruturante da END refere-se à imperiosa reorganização da BID para assegurar que o atendimento às necessidades de PRODE apoie-se em tecnologias nacionais, preferencialmente de emprego dual.

(17)

Para a consecução dos objetivos desse eixo estruturante são necessárias ações que decorrem das seguintes diretrizes da END: prioridade ao desenvolvimento de capacitações tecnológicas independentes; desenvolvimento de tecnologias de defesa; e desenvolvimento de capacitações operacionais.

A obtenção da independência tecnológica depende tanto do desenvolvimento de produtos e sistemas inovadores quanto da formação de recursos humanos tecnicamente qualificados. Daí a importância de se desenvolver uma política de governo voltada para formação de cientistas e pesquisadores, proporcionando a integração entre a atividade acadêmica e a produção científico-tecnológica, na busca de soluções inovadoras para problemas de engenharia que propiciarão o desenvolvimento sustentável da BID. Todavia, a realidade atual do País dificulta a adoção de medidas que possibilitem o aumento da capacidade tecnológica de nossa BID, a fim de que seus produtos possam ter emprego dual. Portanto, é preciso enfrentar o desafio de “fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de produtos e sistemas militares e civis que compatibilizem as prioridades científico-tecnológicas com as necessidades de defesa”.

[...] O componente estatal da Base Industrial de Defesa deverá, em princípio, projetar e produzir o que o setor privado não pode fazê-lo de forma rentável no curto e no médio prazos. Dessa forma, o Estado buscará atuar no teto tecnológico, em estreito vínculo com os centros avançados de pesquisa das Forças Armadas e das instituições acadêmicas brasileiras. (BRASIL, 2016, p. 21).

O conceito da Tríplice Hélice, criado a partir dos trabalhos de Henry Etzkowitz e Loet Leydesdorff (2001), deve ser utilizado, principalmente, quando se tratar de desenvolvimento de PRODE. Conceito baseado no entendimento de que o desenvolvimento tecnológico e a inovação terão mais chances de resultados exitosos quando forem realizados, sinergeticamente, por Órgãos Governamentais, pelo Setor Produtivo e pelas Instituições Científicas e Tecnológicas, cada um buscando atender seus interesses, mas todos empenhados em alcançar o mesmo objetivo: o fortalecimento do Poder Nacional.

O melhor aproveitamento dessa sinergia coletiva pode ser obtido por meio da aglomeração dos principais atores em Arranjos Produtivos Locais (APL)7. Essa concentração geográfica, efetivamente, pode aumentar as chances de sobrevivência

7

Expressão que vem substituindo o termo em inglês “cluster”. Ambos significam uma concentração local ou regional de atividades econômicas, geralmente industriais, formando cadeias produtivas em um determinado setor.

(18)

e de crescimento, particularmente das micro e pequenas empresas, constituindo importante fonte geradora de vantagens competitivas duradouras.

O processo de aprendizagem coletiva, de cooperação e de dinâmica inovativa desses aglomerados de empresas assume importância fundamental para o enfrentamento dos novos desafios da atualidade.

Cabe ao Governo Federal, por intermédio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), apoiar esses APL por meio de políticas públicas de desenvolvimento tecnológico, e que essas regiões passem a ser vistas como eixos estruturantes para promoção econômica e social.

Os esforços governamentais precisam garantir a indução do desenvolvimento local, buscando-se, em consonância com as diretrizes estratégicas do governo, a geração de emprego e de renda e o estímulo às exportações.

A opção estratégica pela atuação em APL decorre, fundamentalmente, do reconhecimento de que políticas governamentais de fomento a pequenas e médias empresas são mais efetivas quando direcionadas a grupos de empresas e não a empresas individualizadas. Nesse caso, o tamanho da empresa passa a ser irrelevante, pois o potencial competitivo dessas empresas advém não de ganhos de escala individuais, mas de bons resultados decorrentes de uma maior cooperação entre elas, que são alcançados devido à sinergia decorrente das diferentes formas de integração entre todos os atores envolvidos no processo. Por outro lado, na visão de Figueiredo e Di Serio (2007), os “clusters” se diferenciam dos APL pela maior intensidade de vínculos entre as empresas e pela maior participação de empresas privadas que estão aglomeradas para o desenvolvimento do agrupamento, com menor envolvimento do governo.

O fenômeno de aglomeração de empresas de um mesmo setor produtivo não é recente. O termo “cluster”, ou em português APL, foi utilizado pela primeira vez por Michael Porter em seu livro intitulado: “The Competitive Advantage of Nations” (1990), popularizando-se até os dias atuais.

O desenvolvimento tecnológico autóctone e a aquisição de PRODE desenvolvidos e fabricados no País são fundamentais para tornar a BID o eixo estruturante da área de ciência, tecnologia e inovação. Portanto, o governo deve criar condições favoráveis ao desenvolvimento da capacidade tecnológica e de gestão da BID, de modo atender as demandas dos Projetos Estratégicos das FFAA, o mercado interno e as oportunidades de exportação.

(19)

O Novo Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação é o início de uma nova fase para a pesquisa e inovação tecnológica no Brasil, pois garante prioridade ao desenvolvimento e aquisição de PRODE nacional, permitindo a exequibilidade dos programas de longo prazo. Além disso, a eliminação de assimetrias tributárias em relação aos concorrentes estrangeiros e os mecanismos de incentivo às exportações de PRODE podem contribuir para o fomento da BID.

Dessa maneira, é possível desenvolver e fabricar PRODE nacionais com alto valor agregado que atendam às demandas internas e que contribuam para a diminuição da dependência externa de produtos de alta complexidade tecnológica necessários à defesa nacional e com potencial de gerar divisas com exportações.

O esforço de desenvolvimento não pode se restringir a estímulos ao setor privado sem comprometê-lo com resultados satisfatórios. Cabe aos Órgãos Governamentais a criação de condições que favoreçam o surgimento de inovações tecnológicas duais, mas relevantes ao Setor de Defesa. Deve-se considerar, ainda, a necessidade de investimentos públicos e privados, valendo-se, inclusive, de recursos oriundos do MCTI/FINEP8 e BNDES, em ações que resultem na eliminação de gargalos tecnológicos9, incentivos fiscais para fomentar a inovação e priorização das micro e pequenas empresas na cadeia produtiva de navipeças.

Nesse sentido, Amarante enfatiza que,

[...] para que a BID seja capaz de prover de forma eficaz soluções tecnológicas duais, o governo deve criar condições favoráveis a esse objetivo, notadamente assegurando aquisições de longo prazo que justifiquem os investimentos da indústria em pesquisas com perspectivas promissoras de aplicação simultânea para as áreas civil e militar. (AMARANTE, 2012, p.32)

De fato, em realidade, o elevado nível tecnológico dos Sistemas Navais previstos no projeto da nova CCT recomenda uma análise pormenorizada do atual estágio em que se encontra nossa BID, num cenário político-econômico desfavorável. A antecipação de ações que mitiguem óbices identificados contribuirá para evitar que, na prática, esses Sistemas e seus equipamentos (principais e periféricos) sejam fornecidos por empresas estrangeiras. Assim, busca-se evitar a perda de oportunidade de fomentar a P&D de produtos de defesa autóctones.

8

Financiadora de Estudos e Projetos, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Instituição Federal criada para promover e financiar P,D&I. Faz parte do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

9

(20)

3 O PROJETO DAS “CCT” E SEUS SISTEMAS NAVAIS

O desempenho obtido pela Corveta Classe Barroso (CCB) durante a avaliação operacional do navio no mar, motivou a MB a dar início, em 2012, ao projeto de atualização dessa classe. Esse novo projeto foi desenvolvido pelo Centro de Projetos de Navios (CPN), sob o conceito de um navio com “design” mais moderno e furtivo.

As modificações implementadas no projeto da CCB apresentaram resultados satisfatórios, sobretudo no comportamento marinheiro do navio (navio mais estável), capacidade de operações aéreas, controle e monitoração das máquinas e geração de energia. O projeto da CCB atendeu aos requisitos estabelecidos e ainda permitiu evoluções, por meio de reestruturação e redistribuição interna de equipamentos e compartimentos.

As seguintes mudanças foram significativas e necessárias ao novo projeto das CCT:

 Melhoria das geometrias da superestrutura e do mastro – tem por

objetivo a redução da seção reta radar por meio da mudança da silhueta do navio, aumentando sua furtividade10;

 Inclusão de um convés na proa por meio do prolongamento do convés 01 - novo convés introduzido para eliminar a indesejável inclinação da proa e que proporciona também um aumento de volume útil para a instalação de lançadores verticais de mísseis na proa. Foram criados novos espaços internos com melhoria do arranjo geral;

 Inclusão de borda falsa na proa – tem por fim proteger o pessoal e o

material que estiverem no convés, evitando que caiam ao mar. Possui saídas de água retangulares, cujas portinholas se abrem somente de dentro para fora, a fim de permitir a saída das grandes massas de água que podem cair no convés. Objetiva aumentar a segurança da tripulação durante as fainas marinheiras na proa e reduzir a seção reta radar por meio de inclinação adequada;

 Eliminação do tosamento11

dos conveses na proa – Permitiu uma uniformização do pé direito e um melhor aproveitamento dos volumes e

10

(21)

áreas na proa. Conveses sem curvaturas propiciam mais segurança para a tripulação durante atividades externas em mau tempo. Além disso, simplificam o processo construtivo em estaleiro;

 Aumento do convoo até a extremidade de ré – permitiu que a

superestrutura de ré, contendo o hangar, pudesse ser deslocada nesta direção, mantendo-se a área necessária para a operação segura de aeronaves de médio porte, resultando no aumento da área útil de pouso;

 Modificações no arranjo geral – visa à melhoria das áreas internas destinadas às acomodações, segregação de áreas e circulação de pessoal. A otimização dos corredores internos visa á melhor circulação de pessoal a bordo. Possibilitou a criação de espaços necessários à acomodação e facilidades para o apoio à aeronave embarcada;

 Inclusão de duas embarcações rápidas de casco rígido, fabricadas no Brasil pela empresa DGS, em polímero de alta densidade – essas embarcações permitem uma maior flexibilidade operacional; e

 Substituição das bombas portáteis de combate a incêndio americanas (P-100) pelas nacionais (MB-100), fabricadas pela empresa “TRIGLAU” e homologadas pela Diretoria de Engenharia Naval (DEN) – as bombas P-100 estão com elevado grau de obsolescência e dificuldade de obtenção de itens importados.

Quanto ao Sistema de Armas, as novas CCT serão dotadas com canhões de médio e grosso calibre e sistema de controle tático. Além disso, terão um convoo com hangar para operar um helicóptero de médio porte. O sistema de propulsão será do tipo CODAD (Combined Diesel and Diesel), com 4 motores diesel de alta rotação e baixa razão peso/potencia (bastante compacto).

O Sistema de Armas prevê a instalação de mísseis antiaéreos para defesa de ponto, do tipo MBDA Sea Ceptor, com capacidade de engajar alvos aéreos de alta-performance como mísseis e outros tipos de munições inteligentes, ou aeronaves de ataque.

O pesado canhão de 4,5 polegadas será substituído por um leve e compacto canhão italiano OTO-Melara de 76 mm. Essa economia de peso e volume permitiu 11

É a curvatura que apresenta o convés de um navio, quando projetada sobre um plano vertical (longitudinal ou transversal).

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aos projetistas navais instalarem dois conjuntos de quatro células de lançamento vertical de mísseis MBDA CAMM-M SeaSceptor, de projeto britânico, com 25 quilômetros de alcance, superior ao sistema ASPIDE usado nas Fragatas da Classe Niterói (FCN). O Sistema de Armas ainda prevê um canhão sueco de 40 mm (BAE-Bofors Trinity), duas metralhadoras belgas 0.50 polegadas, dois lançadores triplos de torpedos antissubmarinos Mk46 e quatro mísseis superfície-superfície (MSS) do tipo MAN-SUP, de fabricação nacional.

O Sistema de Detecção prevê um radar cujas principais características são: alcance eficaz acima de 200 km, capacidade de acompanhar mais de 800 alvos por vez, capacidade de detecção de alvos pequenos do tamanho de uma andorinha com velocidade superior a Mach 3, capacidade de detecção de baixa emissão eletromagnética e proteção eletrônica contra sistemas com interferência eletrônica. A Figura 1 mostra a localização desses sistemas e sensores.

Figura 1 – Localização dos Sistemas Navais e Sensores das CCT.

Fonte: http://naargrosbar.blogspot.com.br/2015/04/emgepron-apresenta-arte-da futura.html.

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4 O PERFIL DAS EMPRESAS QUE COMPÕEM A BID

Este capítulo contém a análise dos dados obtidos no levantamento de informações disponíveis na ABIMDE, a fim de caracterizar o perfil das empresas brasileiras que fornecem produtos de defesa para as três Forças Armadas, em especial para a MB, e que possuem capacidade técnica para desenvolver sistemas navais para a Corveta Classe Tamandaré.

A análise restringe-se as 195 empresas associadas à ABIMDE com potencial para fornecer componentes que poderão compor a cadeia produtiva para o fornecimento de itens, equipamentos e sistemas navais, bem como as possíveis interações entre essas empresas e a BID. O foco principal será a capacidade técnica das empresas analisadas com base nos recursos disponíveis, que envolvam a qualificação de pessoal técnico, as ferramentas computacionais adequadas e a adequação de suas instalações (máquinas e equipamentos).

Segundo Amarante (2012), existem três critérios fundamentais para a avaliação das condições de desempenho de uma indústria de defesa atuante no desenvolvimento de sistemas de armas: competência técnica, competência industrial e competência estrutural administrativa. Nesse sentido,

[...] Numa analogia com uma rede de processamento de dados, pode-se visualizar a competência técnica como o software e a competência industrial como o hardware de um sistema de desenvolvimento de sistemas de armas. Assim, embora as máquinas e demais recursos componentes do acervo empresarial nos deem uma indicação do seu potencial de realização, não é apenas esse indicador que nos permite avaliar a capacitação industrial de uma firma para operar no segmento de defesa. A tradição industrial, a experiência de participação no mercado externo, a aptidão para geração de tecnologia, a polarização do florescimento industrial e a administração da produção são outros parâmetros de avaliação igualmente relevantes para suas perspectivas de desempenho. (AMARANTE, 2012, p.33)

A competência estrutural administrativa da empresa deve ser analisada com base na capacidade técnica de seus recursos humanos e seu parque industrial, por meio de dois parâmetros básicos de avaliação: a estrutura organizacional e a administração da produção. Estes parâmetros permitem verificar a efetiva capacidade da organização em conjugar recursos humanos e físicos de forma eficiente não apenas do ponto de vista econômico mas, também, em termos de desenvolvimento tecnológico. (AMARANTE, 2012, p. 34).

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Dentre as Expressões do Poder Nacional (EPN), quando o foco é o desenvolvimento sustentável da BID, podemos destacar a Militar, Econômica e a de Ciência, Tecnologia e Inovação como as EPN mais relevantes. Existe uma grande interdependência entre essas três EPN, tornando-as inseparáveis.

A BID de um país se constitui, junto com suas três Forças Armadas, nos pilares para garantir a soberania de uma nação livre. Portanto, cabe ao Estado manter as condições favoráveis para o desenvolvimento dessa BID, e o reaparelhamento de suas Forças Armadas.

Existe uma tênue diferença entre as empresas que desenvolvem PRODE e aquelas voltadas para atividades exclusivas do mercado civil. Apesar dos PRODE serem de uso finalístico das Forças Armadas, e muitas vezes de uso exclusivo militar, a capacitação tecnológica necessária para desenvolver esses produtos, via de regra, possui emprego dual, podendo ser compartilhada para uso civil no futuro. Esse conceito é considerado, por Amarante, como uma “aplicação dual da tecnologia”.

[...] fator importante a ser considerado é a aplicação dual da tecnologia: descobertas inicialmente destinadas a aplicações na área militar podem ter, no futuro, as suas tecnologias de base aproveitadas para utilizações na área civil (spin off), e vice-versa (spin in). (AMARANTE, 2012, p.32).

Todavia, o objeto principal da BID é fornecer produtos de utilização finalística – praticamente exclusiva – das Forças Armadas. Podemos citar dois exemplos recentes de “spin off”: o Sistema de Posicionamento Global (GPS) e o Sistema de Internet.

Inicialmente o GPS era de uso exclusivamente militar. Atualmente está disponível para uso civil e gratuito. No entanto, não existem garantias para que em tempo de guerra o uso civil seja mantido, o que resultaria num sério risco para a navegação.

[...] o domínio da tecnologia do GPS assegura a seu detentor a capacidade de localizar, geograficamente, qualquer objeto – e até mesmo pessoas – com precisão métrica. A posse dessa informação empresta a quem a detém um incomparável poder, inclusive o de negar a sua divulgação a potenciais rivais. (AMARANTE, 2012, p. 39).

O segundo exemplo, que se refere à rede mundial de computadores, mostrou-se esmostrou-sencial para o domínio global da informação, notadamente aquisição, difusão e interação entre participantes em tempo real. De fato, a internet surgiu como uma rede específica para pesquisas militares no auge da Guerra Fria, na década de 1960, quando dois blocos ideológicos e politicamente antagônicos exerciam controle

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e influência no mundo. Qualquer inovação poderia contribuir para essa disputa, pois temia-se um ataque dos mísseis instalados em Cuba às bases militares norte-americanas e que poderia trazer a público informações sigilosas. Então, foi idealizado um modelo de troca e compartilhamento de informações que permitisse a descentralização das mesmas. Assim, se o Pentágono fosse atingido as informações armazenadas nessa nova rede não estariam perdidas.

No Brasil, o segmento de empresas que desenvolve produtos finalísticos de defesa está amparado por políticas dispersas que envolvem vários ministérios (MDIC – Ministério do Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior, MCTI – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e MD - Ministério da Defesa) e, dentro do MD, as três Forças Armadas, que são as maiores interessadas e principais clientes. Além disso, a falta de regularidade nas encomendas militares impede o equilíbrio financeiro dessas empresas, refletindo em constantes prejuízos que, muitas vezes, não conseguem ser absorvidos no longo prazo e estão relacionados com a falta de escala de produção e a ociosidade da mão de obra e do maquinário nas linhas de fabricação.

Nesse contexto, Amarante afirma que:

[...] o mercado de materiais de defesa funciona de forma completamente distinta dos demais setores econômicos. Em especial, esse mercado é sujeito a fortes restrições políticas, tanto para comercialização como para operação de seus produtos; além disso, os períodos de negociação são geralmente longos, tornando os custos de comercialização significativamente mais elevados que em outros mercados. (AMARANTE, 2012, p.32).

Essa especificidade do mercado mundial de PRODE o torna mais competitivo do que outros mercados. Daí a necessidade das empresas investirem no desenvolvimento de produtos inovadores.

4.1 EMPRESAS COM CAPACIDADE TECNOLÓGICA COMPROVADA

4.1.1 AEL Sistemas

Situada em Porto Alegre há 35 anos, dedica-se ao projeto, desenvolvimento, fabricação, manutenção e suporte logístico de sistemas eletrônicos militares e espaciais, para aplicações em plataformas aéreas, marítimas e terrestres. Suas atividades estão voltadas para o fornecimento, projeto e desenvolvimento de aviônicos, sistemas terrestres e sistemas para segurança pública.

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Desde 2001, a AEL SISTEMAS S.A. passou a fazer parte do grupo Elbit Systems. Atua em projetos estratégicos das Forças Armadas como Gripen NG, KC-390, Guarani e Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON). Por meio de tecnologias e conhecimentos avançados, infraestrutura moderna e treinamento sistemático, a AEL produz soluções inovadoras.

Possui um centro tecnológico de sistemas de defesa com capacidade de desenvolver seus próprios produtos. Historicamente tem investido em tecnologia e capacitação de pessoal técnico com o compromisso de desenvolver a indústria espacial e de defesa do País. A busca pelo domínio das tecnologias de ponta e a experiência acumulada têm capacitado a empresa na integração de diferentes tipos de sistemas em variadas plataformas.

A AEL Sistemas é referência em projeto e desenvolvimento de aviônicos e teve sua atuação consolidada ao se tornar o principal provedor da suíte aviônica dos aviões A-29 Super Tucano, F-5M, A-1M e C/P-95M Bandeirante para a FAB e do AF-1 para a MB. Com participação nos principais projetos estratégicos da indústria aeronáutica brasileira, fornece diversos equipamentos eletrônicos para o avião de treinamento T-27 Tucano e o caça subsônico AMX da Força Aérea Brasileira (FAB). Atualmente a empresa desenvolve sistemas eletrônicos para o programa KC-390 e Gripen NG.

A empresa ainda participa do programa de modernização da aeronave AF-1 Skyhawk da MB, conduzido pela Embraer. Esse programa prevê a substituição de todo o painel analógico por um “glass cockpit”, com sistemas aviônicos de última geração produzidos pela própria empresa.

A empresa desenvolveu o primeiro sistema brasileiro de navegação inercial para aeronaves, o que representou um salto tecnológico que permite a independência brasileira em sistemas de navegação inercial. Tal sistema permite a obtenção de um plano de referência estabilizado a partir de giroscópios e acelerômetros, podendo determinar o movimento nos 3 eixos principais de plataformas aéreas, terrestres e marítimas.

Outro produto da AEL é o “Avionics Software House” (ASH), um projeto que capacitou técnicos brasileiros a integrar e desenvolver softwares para sistemas aviônicos destinados às aeronaves civis e militares, de asa fixa e rotativa. Atualmente, este projeto conta com a participação de cerca de 30 profissionais em um processo contínuo de absorção e transferência de conhecimento que possibilitou

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o desenvolvimento autóctone de nova tecnologia, em combinação com os engenheiros da AEL que estão trabalhando em Israel. Os projetos de hardware, software e mecânico desenvolvidos por engenheiros brasileiros possibilitou o aumento da capacidade de concepção mecânica e de produção de placas de circuito impresso.

A AEL possui diversas opções de rádios HF, VHF e UHF de aplicação tática e veicular ou enlace de dados para plataformas aéreas. São Rádios Definidos por Software (RDS) com maior flexibilidade e segurança para as comunicações militares. Além disso, atua com sistemas tecnológicos na área de Comando, Controle, Comunicações, Computação e Inteligência (C4I) para as FFAA que podem ser utilizados por combatente individual ou em sensores e sistemas de armas.

Tem experiência em projeto, desenvolvimento e fabricação de centrais de comando e controle, proteção de fronteiras e vigilância por meio de veículos aéreos não tripulados (VANT) que são integrados a diversos sensores eletro-ópticos.

Desenvolve projetos que visam aumentar a permanência em voo por meio da maior capacidade de autonomia da aeronave, possibilidade de revezamento da tripulação em solo e monitoramento de área. Além disso, a tripulação não fica exposta a riscos de ser abatida e tem acesso à informação mais atualizada que permite maior precisão e agilidade nas tomadas de decisão. Seus VANTs já foram aplicados com êxito em situações reais como: operações durante a Copa do Mundo de 2014, visita do Papa Francisco ao Brasil, Olimpíadas 2016 e as operações Ágata na fronteira.

Criou uma linha de sistemas eletro-ópticos (SEO) para missões em ambientes variados e com diferentes condições climáticas para inteligência, vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos. Em 2017, a empresa fez as primeiras entregas de SEO para o projeto SISFRON.

A área de simuladores contempla opções de treinamento para segmentos terrestre, aéreo, naval e segurança pública, com foco no preparo tático e técnico de equipes.

Em 2017, disponibilizou para o mercado de defesa o Simulador Tático Naval (STN), que permite o treinamento de equipes em vários tipos de missões como anti-surface warfare (ASuW), anti-submarine warfare (ASW), anti–air warfare (AAW), asymmetric warfare (AW), littoral warfare (LW) e electronic warfare (EW). Fornece

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um ambiente operacional realístico com o objetivo de melhorar as habilidades táticas e avaliar novas doutrinas.

Outro produto relevante é o simulador de embarcações, composto de um sistema de projeção de alta resolução, simulação dos sensores da embarcação, bem como uma representação fiel das condições climáticas. É uma boa solução para o treinamento de tripulações e permite a simulação de vários tipos de embarcações em ambientes operacionais condizentes com a realidade da força naval.

Com experiência no desenvolvimento de sistemas de tiro, aquisição e rastreamento automático de alvos em plataformas giro-estabilizadas, a empresa fornece a eletrônica das torretas não tripuladas para o blindado Guarani do Exército Brasileiro (EB).

4.1.2 Ares

Empresa brasileira com mais de 45 anos de atuação no país, que fornece soluções tecnológicas em equipamentos e sistemas customizados.

Atua desde o desenvolvimento, projeto e fabricação do produto até o suporte logístico. Desenvolve novas tecnologias e soluções para atender à demanda da FFAA em parcerias com centros de pesquisa e universidades.

Atualmente, a empresa concentra suas atividades no planejamento, projeto, desenvolvimento, fabricação, integração, manutenção e comercialização de PRODE em três principais linhas de negócios: Sistemas de Armas, Sistemas Navais e Sistemas Ópticos e Eletro-Ópticos.

Desde 2010, a empresa passou a fazer parte do grupo Elbit Systems - uma das líderes mundiais no fornecimento de Sistemas de Defesa – com aumento da oferta de novas tecnologias para uso militar.

Seu Sistema de Alça Óptica é um equipamento desenvolvido para fornecer informações de linha de visada estabilizada para aquisição de alvos e controlar um canhão em modo de emergência.

Desenvolveu um sistema de vigilância noturna e diurna, que inclui uma câmera termal, câmera diurna, telêmetro laser para a visão e capacidade de rastreamento automático. É um sistema modular que pode ser configurado de acordo com a necessidade do cliente e tem completa independência dos sensores do navio.

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Desenvolveu uma estação giro estabilizada para metralhadora, montada externamente ao convés do navio, que permite a operação remota da metralhadora em um pedestal com movimentos de conteira e elevação, realizando remotamente a pontaria e o disparo do armamento a partir de um console. O sistema pode ser empregado em missões de patrulha, reconhecimento e engajamento de alvos de superfície ou alvos aéreos de baixa altitude.

Desenvolveu o Indicador Visual Estabilizado de Rampa de Aproximação, capaz de fornecer aos pilotos de helicóptero, especialmente na fase final de pouso em navios, indicação visual estabilizada de rampa de aproximação, de modo a tornar possível pousos diurnos e noturnos, sob baixa condição de luminosidade. Esta indicação visual é feita por meio de um dispositivo óptico de alta precisão que projeta no espaço um cone luminoso dividido em três feixes coloridos: vermelho, verde e âmbar.

O eixo do cone projetado corresponde ao eixo da rampa de aproximação ideal para o pouso. A variação da altitude da aeronave em relação ao seu eixo é indicada visualmente dentro dos limites de uma das três cores: vermelho, abaixo da rampa ideal de aproximação, âmbar, acima, e verde na rampa correta de aproximação para pouso.

Desenvolveu um Sistema Lançador de Torpedos com o propósito de efetuar o lançamento dos torpedos MK 46 Mod. 5, a partir de um lançador triplo instalado no convés principal dos navios da MB.

4.1.3 Atech

Empresa do Grupo Embraer especializada no desenvolvimento de sistemas aeronáuticos e tecnologias para apoio à tomada de decisão, com foco em prover soluções inovadoras, conjugando o conhecimento do problema que é apresentado pelos clientes com a competência acumulada em anos de experiência. Possui expertise em engenharia de sistemas e tecnologias de consciência situacional e apoio à tomada de decisão, desenvolvendo soluções inovadoras com aplicações nas áreas de tráfego aéreo, sistemas de comando e controle, segurança cibernética, sistemas de instrumentação e controle, sistemas embarcados, simuladores, sistemas logísticos, gestão de ativos, conexões inteligentes e treinamento. Reconhecida como Empresa Estratégica de Defesa (EED) pelo MD.

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Possui experiência no desenvolvimento de consoles de Combate Multifuncional dos helicópteros de combate da MB.

Participa do projeto Labgene - parte integrante do Programa Nuclear da Marinha do Brasil - para construir e testar o Sistema de Proteção e Controle de Reatores Nucleares.

Prove soluções em logística, gestão de ativos, segurança cibernética, conexões inteligentes e serviços digitais para empresas de diferentes portes e segmentos, com foco na eficiência e segurança das tomadas de decisão.

Desenvolveu e modernizou o sistema de gerenciamento do espaço aéreo brasileiro.

Também é responsável pelo desenvolvimento e implementação do Sistema Brasileiro de Defesa Aérea, sistemas de C3I (Vigilância Terrestre e Aérea), Sistemas de Missão e Combate da aeronave P3-AM, sistemas de planejamento e “debriefing” de missões da FAB e por outros projetos nas áreas de processamento de sinais acústicos.

Por meio de investimentos em inovação, construiu uma plataforma tecnológica que suporta diferentes sistemas. Essa estratégia está apoiada no conceito de blocos construtivos (building blocks) que permeiam as diferentes camadas do produto. A vantagem, a partir desses blocos construtivos, está centrada no aumento da eficiência operacional de desenvolvimento e qualidade do produto, elevando os níveis de produtividade, bem como os níveis de confiabilidade dos sistemas e subsistemas do produto final em desenvolvimento.

4.1.4 Avibras

Empresa brasileira de engenharia com mais de 50 anos de atuação na área de defesa, desenvolvendo novas tecnologias com soluções inovadoras.

Possui centros de desenvolvimento, de capacitação industrial e de recursos humanos para atuar em diversos campos tecnológicos: Aeronáutica, Espaço, Eletrônica, Veicular e Defesa.

Faz parte da história do setor aeroespacial brasileiro, como uma das primeiras empresas no Brasil na construção de aeronaves, desenvolvimento e fabricação de veículos para fins civis e militares, sendo pioneira no desenvolvimento e na produção de mísseis brasileiros. Possui capacidade para projetar, desenvolver e produzir foguetes e mísseis para aplicações militares.

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Sua sede está estrategicamente fixada em São José dos Campos, coração do principal parque tecnológico e aeronáutico do Brasil. Possui também instalações industriais no Vale do Paraíba (Jacareí e Lorena). Destaca-se pelo desenvolvimento e produção do Sistema ASTROS 2020 (nova geração do Sistema ASTROS II – seu produto de maior sucesso), capaz de lançar mísseis de cruzeiro e foguetes guiados com alcance eficaz de até 300 km.

A empresa pretende desenvolver foguetes guiados para o Sistema ASTROS 2020. Isto é uma tendência do mercado mundial que está buscando foguetes guiados para abater alvos específicos, objetivando: evitar o dano colateral indesejável, reduzir peso e volume da munição, otimizar a logística e ampliar o emprego para plataformas marítimas.

A empresa também está presente no mercado exportador (encomendas recentes foram feitas pelo Qatar). Também se destaca no desenvolvimento e na industrialização de diferentes motores para foguetes (MB e FAB); Sistemas de Comando, Controle, Comunicação, Computação, Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvo e Reconhecimento e VANT.

Com tecnologia nacional para aplicações civis e militares, seu VANT é destinado a missões de reconhecimento, aquisição de alvos, apoio à direção de tiro, avaliação de danos e de vigilância terrestre e marítima.

Sua fábrica de blindados pode ser considerada uma das mais modernas unidades de blindados sobre rodas do Brasil. Seu parque industrial possibilita o desenvolvimento de novos produtos, favorecendo a geração de empregos, o investimento em novas tecnologias e o aumento da gama de PRODE para os mercados nacional e internacional.

Possui uma linha de produtos e serviços bem diversificada que também atende o mercado civil, utilizando sua própria tecnologia (spin-off) por meio das áreas de química, de transporte, de eletrônica, de pintura eletroforética12 e de garantia da qualidade. Possui também um sistema de tratamento superficial de peças metálicas, aplicável em aço, aço galvanizado e alumínio, atendendo principalmente a indústria automobilística.

Desenvolveu, na década de 80, uma unidade de controle de tiro para defesa antiaérea de baixa altitude. Essa unidade é composta de radares, sensores e

12 Processo de revestimento de superfícies metálicas que tem como objetivo principal a proteção contra corrosão.

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computadores para cálculo de tiro, podendo controlar canhões de 35 mm e 40 mm e mísseis superfície-ar para defesa de ponto contra alvos aéreos múltiplos.

Até 2020, pretende concluir o desenvolvimento, em parceria com empresas estrangeiras, de um sistema integrado para defesa antiaérea de média altura, com uso de mísseis e radares de última geração para proteção de infraestruturas críticas e defesa de ponto no teatro de operações terrestre e marítimas.

Até 2021, pretende concluir o desenvolvimento e a certificação da nova versão do Míssil Tático de Cruzeiro com alcance eficaz de até 300 km e propulsão a turbina.

A empresa possui uma divisão de materiais especiais que produz perclorato de amônio de alta qualidade, além de propelentes sólidos de “composite” de alta energia para aplicação em foguetes, mísseis e veículos lançadores de nanosatélites.

A empresa já demonstrou seu potencial tecnológico e de produção da sua família de propelentes sólidos compostos de alta energia.

Desenvolve, integra e mantém hardware e software para sistemas com arquitetura para área de Defesa, com soluções que integram os sistemas embarcados em tempo real, sistemas de combate para missões aéreas e marítimas, sensores meteorológicos, radares, navegadores inerciais, sistemas de GPS e DGPS, assim como rádios militares para comunicação e controle, além de sistemas de informações geográficas que apoiam a navegação e o monitoramento da execução da missão em campo.

Possui laboratórios de integração de sistemas e eletrônica com capacidade de desenvolver simuladores, protocolos de comunicação para diversas plataformas, além de elaborar interfaces amigáveis de operação do sistema.

Na área de eletrônica, a empresa dispõe de equipes especializadas, laboratórios instrumentados, ferramentas para projeto, desenvolvimento de hardware e firmware de equipamentos eletrônicos embarcados e de suporte logístico integrado, bem como a capacidade de integração e teste de equipamentos de outros fabricantes.

A empresa tem capacidade de oferecer soluções nos campos da automação e da logística industrial, automação portuária, carregamento e manuseio de contêineres, sistemas de transporte rodoferroviários e integração de sistemas multimodais.

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Um de seus destaques é o programa integrado de logística (Integrated Logistic Support – ILS) que contempla treinamento, documentação técnica, suporte técnico ao cliente, fornecimento de simuladores, equipamentos, peças de reposição e ferramentas especiais.

Recentemente, recebeu a certificação do MD como EED.

4.1.5 Bradar

Empresa pertencente ao grupo Embraer Defesa e Segurança, foi criada no início de 2011 para atuar no processo de fortalecimento da BID, beneficiando-se da experiência acumulada pela Embraer S/A ao longo dos seus 42 anos de existência. O grupo Embraer Defesa e Segurança detém grande capacitação em gestão de integração de tecnologia e sistemas, estando credenciado a diversificar e investir em outras áreas no setor de defesa.

Empresa brasileira de base tecnológica especializada em sensoriamento remoto e radares de vigilância aérea, terrestre e marítima. Tem adotado uma estratégia de parceiras com outras empresas em áreas críticas de conhecimento, tais como comando e controle, radares e VANT.

Em 2011, assinou um contrato de compra de 65% e, posteriormente, 90% do capital social da divisão de radares da OrbiSat da Amazônia S/A, implicando na cisão da OrbiSat em duas empresas: a Bradar Indústria S/A, com foco em radares de defesa e sensoriamento remoto; e a outra atuando no segmento de equipamentos eletrônicos, com sede em Manaus/AM.

Desenvolve tecnologia de radares para sensoriamento remoto para cartografia e monitoramento, busca e vigilância terrestre e aérea de baixa altura (SABER-M60), radares tridimensionais para vigilância aérea e marítima, mapeamento sísmico e radares nas bandas X e P para o levantamento em áreas cobertas ou não por nuvens ou chuva.

O aumento da demanda de equipamentos para atuarem no combate ao terrorismo e a crescente necessidade de controle e vigilância territorial para a segurança pública levaram a empresa a desenvolver novos radares com soluções tecnológicas em radiofrequência.

Desenvolve projetos para defesa e segurança pública, monitoramento do meio-ambiente e crescimento sustentável, tais como: Mapeamento da Floresta

Referências

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