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CAPÍTULO III OS TRIBUTOS E O SIMPLES NACIONAL

3.2. O ICMS E A TRIBUTAÇÃO DAS ME e EPP

Ao criar uma política de desoneração geral para as ME e EPP, a LC 123/2006 abarcou o maior imposto sobre consumo, como valores arrecadados, vigente no sistema tributário brasileiro, o ICMS, de competência dos Estados e do Distrito Federal.

Este imposto previsto na CF, no seu art. 155, inciso II21, se constitui a maior receita dos Estados. Mas, além deste poder financeiro de interferência que ele representa para as

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Instituto Nacional de Estatísticas de Portugal. Recuperado em 10 de outubro, 2012, de

(http://www.acde.pt/downloads/documentosonline/EmpPeqMedDims2007_2008.pdf)

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Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas – SEBRAE. Recuperado em 05 de janeiro, 2013, de http://www.agenciasebrae.com.br/noticia.kmf?canal=214&cod=10770645

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Governo do Brasil. Recuperado em 10 de setembro, 2012, de http://www.brasil.gov.br/empreendedor/empreendedorismo-hoje/o-mapa- das-micro-e-pequenas-empresas

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Idem ...,nota 17.

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Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior.

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19 empresas de um modo em geral, o ICMS se encontra presente em toda nossa cadeia produtiva, desde a agricultura, indústria e, por fim, o comércio.

Mesmo estando presente em todos os estágios da economia, o legislador, para evitar o efeito cascata, instituiu o princípio da não cumulatividade, isto é, serão compensados na operação subsequente os valores cobrados nas operações anteriores, dispositivo previsto na LC 87/199622. No entanto, ainda considerando que a norma buscou compensar os efeitos desta tributação em toda cadeia, esse modelo de tributação implica em aumento no custo dos produtos até sua venda final.

A sua expressividade se faz pelo volume de arrecadação que ele representa. Em 2011, atingiu a cifra de 302 bilhões de reais (ver Quadro 3), onde encontra-se detalhada a sua participação em cada uma das cinco regiões geopolíticas do Brasil.

A sua natureza é de caráter fiscal, ou seja, arrecadatória. Os números comprovam tal particularidade, no entanto, ele vem sendo utilizado com finalidade extrafiscal pelos Estados com o objetivo de atrair para seus territórios novos empreendimentos. Machado (2008 p. 361) condena tal prática por entender que isto o torna um imposto suscetível a fraudes, visto que, em decorrência das vantagens oferecidas às empresas, os Estados incorrem em práticas excessivas de incentivos.

Do final da década de 90 do século XX até os dias atuais, esta política de atração desencadeou uma verdadeira “guerra fiscal”, assim denominada pelos analistas tributários. Nascimento (2008 p. 678) corrobora esta ideia, e acrescenta que, em curto prazo, estes novos empreendimentos trazem empregos, aumentam o PIB dos Estados e podem até gerar uma receita tributária futura. No entanto, tal prática pode gerar o fim dos incentivos, uma migração destas empresas para outros Estados em busca de novos privilégios, acarretando um prejuízo para os cofres públicos, pois o ente tributante não obtém retorno do tributo incentivado no determinado período.

A União Europeia se utiliza do IVA – imposto de valor acrescentado, como tributação sobre o consumo de uma forma geral. Correia (2010) registra a existência de diversos tipos de IVA, cada um com suas características próprias. Todavia, o IVA da União Europeia “é um imposto

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Art. 19. O imposto é não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado.

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20 geral sobre o consumo cobrado em pagamentos fracionados ao longo do circuito comercial e produtivo pelo método indireto subtrativo” (Correia, 2010, p. 42).

3.2.2 A Tributação das ME e EPP

A tributação das microempresas e das empresas de pequeno porte sofreu uma grande mudança com a Emenda Constitucional nº 42 de 19/12/2003. A nova ordem constitucional-tributária demandou a edição de uma lei complementar que concedesse a este nicho de empresas um tratamento diferenciado.

Em atenção ao mandamento constitucional, foi editada a LC 123/200623, que trouxe no seu bojo um conjunto de tratamento diferenciado que contemplava os tributos operados por todos os entes tributantes do Brasil: a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.

A nova forma de tratamento, além da redução de carga tributária de uma forma geral, buscou conceder um maior espaço quanto ao acesso ao crédito e privilégios no tocante a compras públicas. Vê-se, no texto da LC 123/2006, nos incisos do art. 1º, o que visava o legislador:

”I - à apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação, inclusive obrigações acessórias; II - ao cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciárias, inclusive obrigações acessórias;

III - ao acesso a crédito e ao mercado, inclusive quanto à preferência nas aquisições de bens e serviços pelos Poderes Públicos, à tecnologia, ao associativismo e às regras de inclusão.”

No que se refere à redução de carga tributária (Quadro 4), os dados tratam das alíquotas de forma crescente, diretamente proporcional aos níveis de faturamento das empresas, obedecendo ao princípio da capacidade econômica do contribuinte24: quanto maior a receita bruta, maior será alíquota.

Há de se reconhecer a proposta indutora que a LC 123/2006 buscou conceder às microempresas e empresas de pequeno porte, aplicando uma redução linear nas alíquotas de todos os tributos abarcados na referida lei. No entanto, como a desoneração se deu de forma

23 Lei já definida em nota 14.

24 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: § 1º - Sempre que possível, os

impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.

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21 linear, sem que fossem observadas as questões regionais, esta política não traz às regiões de baixa renda per capita um tratamento efetivamente diferenciado.

Este tipo de política implementada em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, ocorre quando os governos centrais desprezam o mapa geográfico e não criam políticas regionais pró-ativas. Rocha e Melo (2002) chamam esta prática de “fim da geografia”. Observando esta ausência, e diante da necessidade de crescimento, os governos subnacionais, Estados e Municípios, vêm procurando suprir esta omissão com políticas de incentivos, valendo-se dos tributos de suas competências, em especial do segmento industrial.

No Estado da Paraíba, as microempresas e empresas de pequeno porte representam 75% (setenta e cinco por cento) das empresas contribuintes do ICMS, constituindo um número bastante expressivo na economia local. Dados de 2011 refletem como estão dispostas por segmento, bem como os quantitativos de todos os contribuintes do ICMS no (Quadro 5).

QUADRO 5- Quantitativo das empresas da Paraíba

SIMPLES NACIONAL Micro e Pequenas Empresas – PB

IND AGROP TRANS SERV ATAC COMÉRCIO Total Outros TOTAL

GERAL

5.224 80 432 3.393 586 33.509 43.224 13.943 57.167

12,09 0,19 1 7,85 1,36 77,52 75,61 24,39 100%

Fonte: SER – PB: elaboração do autor.

Diante da relevância quantitativa representada por este segmento, a Paraíba, em atenção à crise instalada no mundo, em 2008, e buscando manter os níveis de consumo, seguindo o posicionamento nacional quanto ao tratamento a ser implementado naquele instante econômico, editou a Lei Nº 8.814, de 09 de Junho de 200925, reduzindo as alíquotas e a base de cálculo para as empresas do Simples Nacional com receita bruta até R$ 1.200.00,00.

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Lei 8.814/2009. Art. 1º Fica reduzida, a partir de 1º de março de 2009, a base de cálculo do ICMS nas operações realizadas por microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições - Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, de modo que a carga tributária resulte nos percentuais constantes no Anexo Único desta Lei.

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QUADRO 6- Alíquotas e percentuais de redução de base de cálculo

Fonte: SER – PB: elaboração do autor.

Após a exposição sobre os tributos que integram a cesta de benefícios implementados pelo novo modelo de tributação, o capítulo seguinte irá tratar do crescimento e do desenvolvimento econômico voltado à questão regional dos seus modelos e teorias, bem como ao que tange a desoneração tributária linear e seus efeitos.

Receita Bruta em 12 meses (em R$) Alíquota Percentual de redução a ser

informado no PGDAS Até 120.000,00 0,50% 60,00% De 120.000,01 a 240.000,00 1,00% 46,24% De 240.000,01 a 360.000,00 2,00% 14,16% De 360.000,01 a 480.000,00 2,00% 21,88% De 480.000,01 a 600.000,00 2,00% 22,48% De 600.000,01 a 720.000,00 2,00% 29,08% De 720.000,01 a 840.000,00 2,00% 29,58% De 840.000,01 a 960.000,00 2,00% 30,31% De 960.000,01 a 1.080.000,00 2,00% 34,85% De 1.080.000,01 a 1.200.000,00 2,00% 35,48%

Crescimento e Desenvolvimento Econômico e Regional ___________________________________________________________________________

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