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CAPÍTULO IV CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E

4.2 DESENVOLVIMENTO REGIONAL

4.2.2 Desenvolvimento Regional

4.2.2.1 Modelos e teorias de desenvolvimento regional

Diversos são os modelos e teorias de desenvolvimento regional, criados e estudados no decorrer dos últimos 70 anos. Na década de 1950, se proliferou a teoria de desenvolvimento polarizado chamada de teoria do desenvolvimento desigual.

Para Rocha (2008 p. 55), essa teoria tinha como ideia central: “que os mecanismos de acumulação de capital conduziriam a uma dinâmica de desenvolvimento desigual no território, dada a atuação desequilibrada das forças econômicas da atração e repulsão no espaço”.

Ao tratar de atração, o autor ainda esclarece que quando ocorria um acúmulo de forças que favorecia uma determinada região, em detrimento de outra, tal fato contribuía para uma concentração de produtos e bens, formando um centro. Depois disso, dava-se início a uma troca com as regiões mais preteridas, desencadeando um efeito centro-periferia.

Autores nas décadas de 1950 e 1960 passaram a tratar esse modelo de desenvolvimento como polo de crescimento. Em Lastres e Cassiolato (2003 p.21), observa-se uma definição sobre esta teoria, exposta por Perroux: “o crescimento não surge em toda a parte ao mesmo tempo, manifesta-se com intensidades variáveis em pontos ou polos de crescimento, propaga-se segundo vias diferentes e com efeitos finais variáveis no conjunto da economia”.

A respeito dessa teoria, outros autores formaram conceitos. Amaral (2009, p. 263) traz os pensamentos de Myrdal e Hirschman: o primeiro definia como “causação circular cumulativa”, isto é, diante da instabilidade do sistema econômico, o conceito expõe que, com a ocorrência de um fato negativo, a questão circular cumulativa desencadearia outros efeitos negativos. O segundo se referia a teoria como “efeitos para trás e para frente”, em que uma empresa seria uma desbravadora. Ela alavancaria outras empresas. Este seria o efeito para trás; o efeito para frente ocorria quando uma empresa estimularia o desenvolvimento de outras.

Modelos foram se formando e dando origem a outros conceitos. Um modelo bastante expressivo é o chamado de “Terceira Itália”, assim denominado por Bagnosco. Deu-se no final dos anos de 1970, quando a Itália apresentava, ao Norte, um declínio, ao Sul mantinha-

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31 se ainda pouco desenvolvida, e no Nordeste e no centro demonstrava um rápido crescimento (Cassiolato & Lastres, 1998).

Rocha (2008) destaca o que caracterizava a região da Terceira Itália era a concentração de distritos industriais, formados por pequenas e médias empresas, com estrutura familiar. Esses distritos se espalhavam pelas pequenas cidades, se especializando na produção de itens tradicionais de caráter artesanal. Pode-se citar: Sassuolo, na Emilia Romagna, especializado em cerâmica; Prato, na Toscana, especializado em têxtil; Montegranaro, na Marche, especializado em sapatos e, no Veneto, em móveis de madeira.

O êxito desses “distritos” não recaia exatamente sobre o efeito econômico, mas, sobretudo, no social e no institucional. Mantinham uma alta competitividade, no entanto, operavam com um alto grau de cooperação.

Amaral (2009) destaca como outras marcas desse sistema, a capacidade que os distritos tinham de se adaptar e de inovar, atrelada à rapidez de satisfazer as demandas, amparados na força do trabalho e em redes de produção flexíveis. Outra característica consistia na inter- relação “orgânica” entre as empresas. Isto formava uma coletividade que se apresentava quase como uma economia de escala, só permitida a grandes corporações.

Historicamente, os distritos industriais italianos beneficiam-se da sua concentração geográfica de atividades correlatas. Especializaram-se em sectores tradicionais e com alta demanda de mão de obra (alimentos, calçados, couros e têxteis), contudo, apostam cada vez mais, em setores de inovação, de alto capital e tecnologia como: metalurgia, plásticos, cerâmicas, automação, engenharia mecânica e biomedicina. Estas são características expostas por Chorincas, Marques e Ribeiro (2001) que exaltam, ainda, o papel dos Governos locais na regulação e na promoção dos principais setores industriais.

No fim da década de 1980, século XX, são muitas as transformações que atingem as empresas através de um movimento de expansão, ou seja, operam alianças e fusões, enquanto os países iniciaram uma abertura comercial, gerando um aumento do volume do capital em circulação mundo. Nas regiões do interior dos países, deu-se início ao movimento de endogeneização, o pensar regional passou a tratar as decisões relacionadas tanto ao seu destino, quanto ao uso dos recursos utilizados no processo econômico (Amaral, 2009).

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32 A figura da endogeneização trouxe certa mudança para as organizações regionais, Estados e Municípios. A passividade que ora imperava foi perdendo força e estes passaram a exercer um papel ativo diante da organização industrial.

Do ponto de vista regional, Amaral (2009, p.2) assim define desenvolvimento endógeno: “Desenvolvimento endógeno pode ser entendido como um processo de crescimento econômico que implica uma contínua ampliação da capacidade de agregação de valor sobre a produção, bem como da capacidade de absorção da região, cujo desdobramento é a retenção do excedente econômico gerado na economia local e/ou a atração de excedentes provenientes de outras regiões. Esse processo tem como resultado a ampliação do emprego, do produto e da renda do local ou da região”.

Para Ribeiro e Vareiro (2007), a política de desenvolvimento regional tradicional se utiliza de um modelo de crescimento bastante concentrado, ou seja, de “cima para baixo”, voltado para uma distribuição meramente espacial das atividades econômicas. Em sentido contrário, este modelo vem sendo progressivamente substituído por um pensamento fundado na ideia de “baixo para cima” que procura vencer os desequilíbrios regionais, através, não só de fatores externos, como também de recursos existentes nos próprios territórios.

Este modelo tem a concepção de que o desenvolvimento econômico regional, não deve se prender a polarização concentrada nas grandes cidades, devendo ser mais amplo, utilizar-se dos recursos endógenos e, também, aproveitar as potencialidades dos territórios. Os registros mostram elementos preponderantes neste modelo. Um se destaca no aspecto cumulativo e penetrante do processo; outro se destaca como fatores relativos à concentração do mercado de trabalho e à oferta de insumos especializados (Amaral, 2009).

O autor (p.266) ainda traz a discursão sobre o fenômeno do desenvolvimento regional/local endógeno, cuja literatura se depara com duas tendências: a evolucionista e a institucionalista. O debate a respeito do desenvolvimento tem-se dividido em duas correntes: uma de natureza indutiva e outra considerada dedutiva. O da primeira corrente parte de análises específicas para mostrar as particularidades das condições determinantes em cada caso de desenvolvimento local. O da segunda parte de fatos concretos mais gerais a respeito da dinâmica das organizações territoriais descentralizadas.

Faz-se interessante reconhecer a existência de certo consenso entre as duas correntes. É inevitável o reconhecimento de uma abertura de janelas de oportunidades que atingem as regiões fora dos grandes eixos, e, também, do efeito centro-periferia.

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33 O desenvolvimento endógeno é responsável por experiências exitosas de crescimento. Rocha (2008) reputa a experiência da Terceira Itália, modelo já comentado neste trabalho, uma experiência válida de promoção do desenvolvimento endógeno, que transcorreu de forma participativa e democrática, quando se trata da otimização dos micro e pequenos negócios tradicionais, construindo um ambiente favorável de crescimento da produtividade e participação empresarial. Contudo, vale frisar o caráter específico deste modelo, não devendo se tomar como referência de política de desenvolvimento de forma geral.

No Brasil, a região Centro-Oeste se utilizou dos seus recursos naturais, materializados na sua potencialidade agrícola e, mesmo não detendo base industrial relevante, se transformou numa região produtora de grandes excedentes agropecuários exportáveis. Isto lhe possibilitou um crescimento destacável que contribuiu de forma preponderante para a geração de saldos comerciais no balanço de pagamentos. Os seus números confirmam o êxito da política de desenvolvimento regional, a participação crescente da região no PIB nacional, que saiu de 4,8%, em 1985, para chegar, em 2003, aos 7,5% (IBGE). Pelo seu destaque, em comparação ao que ocorreu na Itália, a região Centro-Oeste recebe o título de “Terceiro Brasil” (Amaral, 2008).

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