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6 DISCUSSÃO

6.2 JULGAMENTO DOS ITENS DO CHECKLIST

6.2.1 Identificação do paciente

FIGURA 10 – CATEGORIA IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE DA VERSÃO FINAL DO CHECKLIST

FONTE: O autor (2015)

A identificação do paciente é um dos temas principais e nitidamente essencial para a sua segurança. Uma falha na identificação pode desencadear diferentes erros durante o cuidado, como incidentes no processo de administração de medicamentos, transfusões sanguíneas, procedimentos diagnósticos e cirúrgicos (WHO, 2007). Apesar da sua importância e de ser uma prática recomendada

mundialmente, evidencia-se pouco o seu reconhecimento na prevenção de danos, já que esses também decorrem de inadequada identificação ou sua conferência (TASE et al., 2013).

Na presente pesquisa a identificação do paciente é o primeiro item a ser verificado e destacou-se por ser o único da categoria que obteve 100% de concordância dos participantes. Apesar de alcançar o escore máximo de aceitação este item recebeu sugestões para melhorar a redação e questionamentos sobre a definição, no instrumento, de dispositivo padrão para a identificação do paciente.

Esta categoria foi a única que não gerou questionamentos sobre a importância e real necessidade, finalidade ou dupla interpretação, o que indicou a clareza sobre a identificação do paciente como processo intrínseco e essencial do cuidado. Entretanto, estudo de 2011 realizado em dois hospitais gerais do norte da Inglaterra documentou como as pulseiras de identificação eram utilizadas e evidenciou que, na prática, há falta de padronização no seu uso, o que incorre em riscos para o paciente (SMITH et al., 2011).

A inserção deste item de checagem justifica-se pelo fato de que a identificação do paciente não é rotina em todas as instituições no Brasil, e mesmo na forma de identificar os pacientes, este processo ainda é falho e acarreta danos. É preciso reconhecer o importante papel da identificação para a assistência segura (QUADRADO; TRONCHIN, 2012). Um exemplo de não adesão completa à estratégia foi apresentado em um estudo de 2012 realizado em um hospital universitário do sul do Brasil o qual mostrou que mesmo implantada na rotina, havia pacientes sem o uso da pulseira (4,2%) e inconformidade na identificação (11,9%) comprometendo a segurança (HOFFMEISTER; MOURA, 2015).

Além de identificar corretamente o paciente é necessário conferir os dados em todos os momentos do cuidado, ações muitas vezes negligenciadas. Identificar corretamente refere-se à inserção de dados que possam diferenciar tal paciente de outros e, desta forma, oferecer o atendimento ao paciente correto (BRASIL, 2013d).

Nesse sentido, recomenda-se que o paciente seja identificado logo ao chegar no serviço de saúde, por meio de uma pulseira cuja identificação esteja e mantenha-se legível até o fim do tratamento, com as informações: nome do paciente completo, nome da mãe, data de nascimento, número do prontuário ou atendimento, sendo no mínimo dois desses dados disponibilizados no dispositivo (BRASIL, 2013d).

Seguindo o raciocínio anterior, os itens 2 e 3 desta categoria referem-se, respectivamente, à legibilidade da identificação do paciente e a presença de duas ou mais informações que o distingue dos demais pacientes. Optou-se por inserir estes dois itens de checagem, pois supõe-se que nos serviços nos quais a prática da identificação não é padronizada, a legibilidade e o registro de informações que diferenciam os pacientes uns dos outros não é prioridade. Apesar disso, os itens atingiram 87% e 91,3% de concordância na primeira rodada e 100% na segunda, representando unanimidade na opinião dos especialistas sobre a importância desta checagem.

Um estudo longitudinal brasileiro, realizado em hospital de ensino com 800 leitos e que visou verificar a prática assistencial em unidade de terapia intensiva, por meio da observação das ações da enfermagem relativas à segurança do paciente, evidenciou que em 89% das pulseiras de identificação continham mais de duas informações e que a identificação dos leitos estava correta em 95% das observações (BARBOSA et al., 2014). Esse resultado reforça que, apesar de estar intrínseca ao cuidado, a identificação do paciente ainda é negligenciada por diversos fatores, fato que confirma a importância da presente pesquisa em inserir, como item de conferência, a identificação do paciente e a legibilidade do dispositivo identificador.

Outro estudo brasileiro que objetivou verificar a adesão dos profissionais à conferência da identificação do paciente na pulseira concluiu que a implementação de rotinas simples e treinamento aos profissionais reforçam a adesão e auxiliam na diminuição das chances de erros por identificação (HEMESATH et al., 2015). Da mesma forma, salienta-se a importância da adoção de medidas preventivas, como a inserção de checklists, uma vez que estes atuam como lembretes, além de direcionar o cuidado.

Com relação ao item 4 do checklist, sobre a presença do dispositivo que identifica que o paciente passou pela triagem de classificação de risco, observa-se variação entre 73,9% e 70% dos escores de concordâncias nas rodadas um e dois, respectivamente, baixos quando comparados aos dos demais itens desta categoria.

Os escores podem sinalizar que há comprometimento da compreensão do item e da viabilidade de conferência, uma vez que houve sugestões de troca de termos e de alteração da redação, além de apontamento de que o checklist determinasse uma classificação de risco a ser seguida. Não houve comentários

sobre a relevância do item e, desta forma, este se manteve no instrumento com adaptações e passou por nova avaliação dos especialistas.

Conferir a presença da pulseira de classificação de risco é uma estratégia sugerida a fim de checar que o paciente recebeu avaliação do seu estado geral e aguarda atendimento conforme o risco de vida, promovendo sua segurança. A estratégia de triar os pacientes de acordo com sua gravidade, estimando o tempo de espera para o atendimento, permite organizar o serviço e melhor identificar os pacientes (FERNANDES; LIMA; RIBEIRO, 2012).

Estudo brasileiro de 2014 que buscou avaliar a percepção de enfermeiros sobre a classificação de risco em serviços de pronto-atendimento constatou que, segundo os enfermeiros, a classificação de risco promove organização do serviço e segurança aos pacientes, uma vez que ao detectar e priorizar os atendimentos de maior risco evita piora do quadro clínico e consequências ao paciente (DURO et al,, 2014).