6 DISCUSSÃO
6.2 JULGAMENTO DOS ITENS DO CHECKLIST
6.2.6 Risco cirúrgico
FIGURA 15 – CATEGORIA RISCO CIRÚRGICO DA VERSÃO FINAL DO CHECKLIST
FONTE: O autor (2015)
Nesta categoria buscou-se a inserção de itens verificáveis para aqueles pacientes que após avaliação de emergência necessitam como conduta terapêutica o procedimento cirúrgico. Enquanto aguardam o preparo da equipe cirúrgica, os pacientes permanecem assistidos no setor de emergência, e como estarão em pré-operatório, o instrumento permite a checagem de ações para antecipação a possíveis riscos cirúrgicos e a organização do procedimento.
O primeiro item da categoria estabeleceu o registro do paciente em pré-operatório e recebeu 78,3% de concordância na primeira rodada. Como sugestões obteve a adequação da pergunta com inserção do sujeito „paciente‟ na frase; houve questionamentos discorrendo sobre a necessidade da adição da opção de resposta
„não se aplica‟ para os casos em que os pacientes não estejam em pré-operatório e/ou do serviço não disponibilizar o atendimento cirúrgico. Em vista das sugestões, a questão foi modificada para „paciente em pré-operatório‟ e obteve consenso de 100% em sua reavaliação. Como resposta ao último questionamento salientou-se que o checklist deve ser adaptado conforme a realidade de cada instituição e desta forma há itens que podem ser omitidos ou readequados no caso de não corresponder ao tipo de serviço. Na segunda rodada o item 15 alcançou o escore máximo de concordância e não obteve sugestões, mantendo-se sem modificação após a segunda versão do instrumento.
Os três últimos itens do julgamento do checklist, „paciente em jejum‟, „sítio cirúrgico demarcado‟ e „tipagem sanguínea realizada‟, itens 16, 17 e 18, respectivamente, obtiveram aumento do percentual na segunda rodada de validação, apesar de já apresentarem escores elevados (91,3% e 95,7%) na primeira. Isso permite inferir que os itens já estavam bastante adequados na rodada um e suas principais sugestões referiram-se às opções de intervenção apresentadas na primeira rodada: item 16 não possuía registro de intervenção, mas sim um campo de registro de horário do início do jejum do paciente; item 17 não apresentava intervenção alguma e após considerações foi adicionada a intervenção relativa à demarcação do sítio cirúrgico; já o item 18 continha um campo para registro de observações, sendo modificado pela inclusão do registro da coleta de amostra para identificação da tipagem sanguínea do paciente após sugestões da segunda rodada de validação.
No contexto de identificação de riscos no pré-operatório mediato e imediato, sejam de cirurgias eletivas ou de emergência, a enfermagem tem grande parcela de atuação, pois é a equipe responsável pelo preparo dos pacientes cirúrgicos com os cuidados de verificação dos sinais vitais, de retirada de adornos e próteses, esvaziamento vesical, jejum pré-operatório, entre outros (CHRISTÓFORO;
CARVALHO, 2009).
Mediante os cuidados de enfermagem, destaca-se nesta pesquisa a inserção da verificação do jejum como item do checklist devido ao risco de broncoaspiração de conteúdo gástrico (CHRISTÓFORO; CARVALHO, 2009; OMS, 2009; CARVALHO et al., 2010; AMERICAN SOCIETY OF ANESTESIOLOGISTS;
2011), uma vez que pacientes que necessitam da realização de cirurgias de emergência podem não estar em jejum quando adentram ao serviço hospitalar (OMS, 2009), o que enfatiza a necessidade do conhecimento pela equipe. No caso de possibilidade de aspiração por resíduo gástrico é possível diminuir os riscos por meio do planejamento pela equipe anestésica (GRIGOLETO; GIMENES; AVELAR, 2011).
Ao abordar o tema risco cirúrgico atrelado à segurança do paciente é notória a ligação com o Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas de 2008, criado pela OMS, cujo objetivo é estabelecer parâmetros para uma assistência cirúrgica segura, após dados alarmantes despertarem para a problemática das complicações pós-operatórias como fatores de morbimortalidade mundial com causas evitáveis em
muitos casos. Mediante a necessidade de melhoria na qualidade da assistência e segurança do paciente, o programa da OMS criou um manual denominado Manual Cirurgias Seguras Salvam Vidas que discorre sobre o uso de listas de verificação para o alcance de dez objetivos essenciais, sendo o primeiro deles com vistas à segurança da realização cirúrgica no paciente e sítio operatório corretos (OMS, 2009).
Nos EUA, estima-se que um em cada 50.000-100.000 procedimentos cirúrgicos ocorre em local e em paciente errados (KAAWAN et al., 2006) e, ao analisar 126 casos de cirurgias em sítio cirúrgico ou paciente errado, observou-se que 76% dos casos caracterizavam local errado da cirurgia, 13% em paciente errado e 11% o procedimento a ser realizado foi errado. Cirurgias em sítios equivocados tendem a acontecer em procedimentos que envolvem bilateralidade ou duplos órgãos como as da especialidade Ortopedia (OMS, 2009); e nesse sentido, orienta-se à realização da demarcação do local a orienta-ser operado. Nesta pesquisa essa ação de verificação foi inserida no preparo pela equipe de enfermagem, em que esta confirma se o local foi demarcado.
A prática de confirmar o paciente, local e procedimento corretos deve ser realizada desde o momento da decisão de operar até o momento em que o paciente é submetido à cirurgia seguida pela demarcação do sítio operatório (OMS, 2009) e deve ter destaque uma vez que serviços de emergência hospitalar como prontos-socorros de alta complexidade recebem grande contingente de cirurgias não eletivas, atendimentos a traumas e muitos de natureza ortopédica.
Por fim, o checklist contemplou item relativo à verificação da tipagem sanguínea a fim de confirmar que o mesmo foi realizado pela equipe assim que o paciente recebeu os primeiros atendimentos, e assim promover o planejamento para possível risco de perda sanguínea durante o procedimento cirúrgico.
A perda sanguínea é um fator influente na hipovolemia, que se não controlada e revertida leva ao choque e ao óbito (OMS, 2009). No momento de checagem da ação, em que o paciente encontra-se em pré-operatório, pretende-se que o enfermeiro providencie a coleta de amostra sanguínea caso haja a evidência de que não foi realizada até o momento. Nesse sentido, a equipe cirúrgica possuirá informações para o planejamento de hemocomponentes adequados, visto que se prioriza conhecer a compatibilidade do sistema ABO para as transfusões (HEMORIO, 2015).
6.3 JULGAMENTO DOS ATRIBUTOS DO CHECKLIST E AVALIAÇÃO GERAL