1 INTRODUÇÃO, FUNDAMENTOS E DEFINIÇÕES

1.3 Impactos dos eventos extremos (Passado, Presente e Projeções)

1.3.1 Passado

Nos últimos anos os impactos desses eventos extremos foram fortes na Amazônia ocidental, principalmente para o sul e se estenderam em várias esferas da vida e subsistência humana, afetando inclusive os serviços essenciais como, Agricultura, transporte, energia hídrica e saúde pública foram alguns dos setores afetados, com consequências significativas para a economia. Se o risco de eventos climáticos extremos aumentarem com o aquecimento global, deverão ser adotadas medidas para mitigar seus impactos principalmente no meio hídrico.

Neste contexto, podemos citar dois eventos extremos ocorrido nos últimos anos na bacia amazônica que afetou tanto o sudoeste como o sul da bacia. A seca de 2005 foi estudada a partir de perspectivas meteorológicas, ecológicas, hidrológicas e humanas. Foi provocada pelas temperaturas elevadas no Atlântico Norte tropical, o que efetivamente desloca os ventos alísios e toda a umidade que carregam para o norte, distante da Amazônia. A enchente de 2009 ocorreu devido ao aumento da precipitação sobre a Amazônia Central e Ocidental (Figura 2), que foi quase 100% acima do normal durante o verão e parte do outono austral de 2009, o que elevou extraordinariamente o nível dos rios durante o outono e o inverno (Marengo et al. 2008b).

Figura 2. Anomalia de precipitação mensal (em mm/mês, diferença a partir da média de 1961-2009) durante as enchentes de novembro de 2008 a outubro de 2009. As cores vermelhas indicam condições mais secas que o normal; as azuis indicam condições mais úmidas. Fonte:

The Global Precipitation Climatology Centre (GPCC).

Enchente de 2009Seca de 2005

Fonte: Dados da pesquisa.

1.3.2 Presente

Segundo a (CPRM, Bol. 02 – 16/01/2015) a Bacia Rio Purus está em período de enchente, principalmente na estação de Boca do Acre – AM,onde podemos observar nesta estaçãono Rio Purus está 1,34 m abaixo do registrada na mesma data em 2014 (Figura 3).

Figura 3. Cotagrama Rio Purus na estação de Boca do Acre – AM, cota em 15/01/2015: 15,00 m.

(linha azul 2015, linha lilás maior cheia 1997 e linha marrom 2014) Fonte: CPRM, Bol. 02 – 16/01/2015.

Fonte: Dados da pesquisa.

Conforme o Boletim número 3 da CPRM emitido no dia 23 de janeiro de 2015, o Rio Purus no posto de Boca do Acre apresentava cota de 17.80cm, onde em 9 dia o rio Purus subiu 2.80m em referencia ao boletim número, com aproximadamente 0.31cm de subida do nível do rio por dia (Figura 4).

Figura 4. Cotagrama Rio Purus na estação de Boca do Acre – AM, cota em 22/01/2015: 17,80 m.

(linha azul 2015, linha lilás maior cheia 1997 e linha marrom 2014) Fonte: CPRM, Bol. 03 – 23/01/2015.

Fonte: Dados da pesquisa.

A figura 5, mostra uma previsão de precipitação de aproximadamente 374mm para o mês de março, assim corroborando com o aumento da cota do rio no Município. Ademais, a figura

em miniatura é a climatologia para o mês de fevereiro 1961-1990, e corrobora dentro do intervalo de 300-340, para o mês de fev.15 que foi de 317mm.

Figura 5. Precipitação mensal simulada (RegCM4) no posto de Boca do Acre para o ano de 2015. Figura em miniatura é a climatologia para o mês de fevereiro 1961-1990 (Fonte:

www.inmet.gov.br).

Fonte: Dados da pesquisa.

Coletiva de imprensa para divulgação de dados apurados pela CPRM Cheia no Acre – Coletiva de Imprensa, Jornal Local.

Foto 1- Coletiva de imprensa jornal local.

Fonte: CPRM, 2015.

A situação do rio Acre, no entanto, é a mais grave. Nesta semana o município de Assis Brasil foi inundado e os municípios de Brasiléia, Xapuri e Rio Branco, também ficaram seriamente comprometidos com as chuvas. Já o rio Branco está aproximadamente 2 metros acima da cota de inundação e os níveis continuam a subir. Chuvas intensas tem atingido a bacia hidrográfica do rio Acre desde semana passada e a previsão é de que permaneçam intensas por mais alguns dias. Uma equipe da CPRM encontra-se em Brasiléia para registrar as áreas alagadas dos municípios que foram atingidos. Atualmente a CPRM mantém 74 estações de monitoramento, que utilizam equipamentos de ponta para medir o nível dos rios em Rondônia e no Acre. Além disso, de acordo com a CPRM, no Acre as chuvas que caem no Brasil afetam diretamente as águas do rio. "O rio

223.7

jan feb mar apr may jun jul aug sep oct nov dec

Precipitação Acumulada Mensal (mm)

Meses Boca do Acre PRP-RegCM4

Normal Climatológica Fev. (61/90) aprox. 300-340mm

Acre tem a nascente em parte do Peru, mas o que está influenciando hoje são os rios que ficam dentro do Brasil, que são o Xapuri e o Espalha", informou Francisco Reis.(CPRM, 2015).

1.3.3 Projeções

Conforme relatam diversos autores a projecão mais crítica para a região Amazônica é a possível “savanização” da floresta, um dos primeiros autores a publicar sobre este tema foi(Nobre et al., 1991) que acarretaria perdas significativas nos estoques de carbono tanto do solo como da vegetação. Os cenários previstos pelos modelos do Hadley Center (HadCM3), a região leste da Amazônia poderia ser substituída por uma vegetação tipo savana. No entanto, outros autores (Cox et al. 2000; e Betts et al. 2004, 2008), utilizando uma compilação maior de modelos climáticos globais, a perda de floresta também tem efeitos sobre o clima regional, local e em escala de bacia hidrográfica (Figura 6). No Brasil, essasmudanças causaram a mortede uma parte maior da florestae assim intensificando mais o efeito estufa no clima.

Figura 6. Mudança na cobertura florestal no fim do século XXI em comparação com as condições pré-industriais, tendo como base o modelo HadCM3LC do Centro Hadley incorporando dados de clima-carbono em cenário de emissões usuais de gases de efeito estufa.

As cores avermelhadas indicam redução na cobertura florestal. Elas demonstram o die-back (colapso) da floresta na simulação de um clima mais quente e seco no futuro. Fonte: Adaptado de Bettset al. 2004.

Fonte: Dados da pesquisa.

Em suma, as projeções para o sul da bacia Amazônica (Sub bacia do rio Purus) ainda são muitas incertas, as projeções de mudanças climáticas futuras ao longo do século XXI são coerentes com asforçantes físicas impostas nos mesmos, tais projeções constituem-se em informações valiosas tanto para finsde mitigação como planejamento de ações de adaptação e minimização de impactos e vulnerabilidadejunto ao conjunto da sociedade habitante nos

Alteração na cobertura florestal (%)

diferentes biomas brasileiros. As incertezas científicas nas projeções das mudanças do clima são inerentes ao complexo sistema climático,resultado, das interações nãolineares e complexos fenômenosnaturais, que pode ir desde escala, local até global. Dessa forma, múltiplas abordagens envolvendo modelagem e observações são necessárias paraminimizar as incertezas, e devem ser empregadas em conjunto.

No documento MUDANÇA CLIMÁTICA, CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO E GOVERNANÇA DE RISCO NA SUB-BACIA TRANSFRONTEIRIÇA DO RIO PURUS OTCA / GEF / PNUMA GEF-AMAZÔNIA (páginas 5-10)