CAPÍTULO III – SISTEMA DE NORMALIZAÇÃO CONTABILÍSTICA
3.1. NCRF 7 - Ativos fixos tangíveis
3.1.7. Imparidade
O § 64 da NCRF 7 remete para a aplicação da NCRF 12 - Imparidade de Activos, permitindo deste modo determinar se um ativo fixo tangível está ou não com imparidade. Rafael (2012,p.8) define que a “imparidade traduz uma perda de valor sofrida pelo ativo devido a fatores externos ou internos à entidade em consequência da sua menor capacidade para gerar benefícios económicos”.
De acordo com o § 1 da NCRF 12 o objetivo desta norma é “o de prescrever os procedimentos que uma entidade deve aplicar para assegurar que os seus activos sejam escriturados por não mais do que a sua quantia recuperável”.
As entidades deverão aplicar os procedimentos estabelecidos na presente norma de modo a garantir que os seus ativos não estejam escriturados por valor superior à quantia recuperável, bem como situações em que deverá reverter uma perda de imparidade (§ 1).
Existe uma perda por imparidade quando a quantia escriturada do ativo52 é superior à
quantia recuperável, sendo que este último corresponde ao maior dos seguintes valores (§ 2 da NCRF 12):
Justo valor menos custos de vender53 : corresponde ao valor de venda obtido numa
transação entre partes conhecedoras e dispostas a isso, menos os custos com a alienação (§ 4);
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Ou valor contabilístico.
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Valor de uso: é o valor presente dos fluxos de caixa futuros estimados que se espera
que surjam do uso continuado de um ativo e da sua alienação no final da sua vida útil (§ 4).
Em cada data de relato a entidade deve avaliar se um ativo possa estar com imparidade. Se existir qualquer indicação54 de imparidade a entidade deve estimar a quantia recuperável (§ 4 da NCRF 12). Faustino (2010, p. 55) afirma que, “as entidades devem em cada período de relato, de acordo com a NCRF 12- Imparidade de Activos, verificar a existência de algum indicador que indicie a possibilidade de algum dos seus activos fixos se encontrar sobrevalorizado, devendo em caso afirmativo estimar a perda potencial e proceder ao seu registo”. Por sua vez, estão obrigatoriamente sujeitos aos testes anuais de imparidade os ativos intangíveis com vida útil indefinida ou ainda não disponíveis para uso, bem como, o
goodwill adquirido numa concentração de atividades empresariais55 (§ 6).
3.1.7.1. Reconhecimento e mensuração de uma perda por imparidade
No que concerne ao reconhecimento e mensuração de uma perda por imparidade a norma estabelece que quando a quantia escriturada exceder a quantia recuperável de um ativo é reconhecida uma perda por imparidade, diminuindo o valor da quantia escriturada do ativo para a sua quantia recuperável (§ 28).
A perda por imparidade de um ativo deve ser reconhecida pela sua totalidade como um gasto do período através da conta 655 – Perdas por Imparidade – Em Ativos Fixos Tangíveis, exceto se anteriormente tenha sido reconhecida uma revalorização do ativo. Na possibilidade dessa ocorrência, a perda por imparidade é registada no Capital Próprio, através da conta 58 Excedentes de Revalorização de Ativos Fixos Tangíveis e Intangíveis, até ao valor do excedente de revalorização e o valor remanescente deverá ser relevado em resultados (§ 29). Quando a perda por imparidade for superior ao valor da quantia escriturada, deve-se reconhecer uma provisão, somente se, tal for exigido por outro normativo (§ 30).
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Segundo o § 7 da NCRF 12 para a apreciação de indicadores que indicie que um ativo está em imparidade, será necessário ter em consideração fontes externas e fontes internas de informação. São consideradas fontes externas de informação a diminuição significativa do valor de mercado de um ativo; a ocorrência durante o período ou num futuro próximo, de alterações significativas com um efeito adverso na entidade relativas ao ambiente tecnológico, de mercado, económico ou legal, em que a entidade opera ou mercado que o ativo está dedicado; quando há aumento significativo nas taxas de juro de mercado ou outras taxas de mercado de retorno de investimentos (o que se refletirá na taxa de desconto usada no cálculo do valor de uso de um ativo). São fontes internas de informação quando existe evidência de obsolescência ou dano físico de um ativo; quando ocorrem alterações significativas (durante o período ou num futuro próximo) no uso de um ativo; e por ultimo, quando existe evidência nos relatórios internos da entidade que indique que o desempenho económico de um ativo é (ou será), pior do que o esperado.
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58 Após o reconhecimento de uma perda por imparidade dever-se-á proceder ao ajustamento do valor das depreciações do ativo a efetuar durante a vida útil remanescente, de modo a refletir a nova quantia escriturada deduzida do valor residual atribuído ao ativo (§ 31).
Seguido o reconhecimento de uma perda por imparidade, a diferença existente entre a nova quantia escriturada do ativo e sua base fiscal originará o reconhecimento de impostos diferidos nos termos da NCRF 25 – Impostos sobre o Rendimento.
3.1.7.2. Reversão de uma perda por imparidade
Um ativo está sujeito a reversão de perda por imparidade quando o valor contabilístico é inferior à quantia recuperável. Rafael (2012, p. 22) afirma que “a reversão da perda por imparidade traduz-se no aumento da quantia escriturada do ativo para a sua quantia recuperável. Contudo, há um limite de valor para a reversão de uma perda por imparidade. A nova quantia escriturada, decorrente do reconhecimento da reversão, não pode exceder a quantia escriturada, líquida de depreciações, que se apuraria caso não tivesse sido reconhecida qualquer perda por imparidade.”
De modo a compensar as perdas por imparidade anteriormente reconhecidas em resultados, a reversão de uma perda por imparidade deve ser refletida nos resultados, na conta 7625 – Reversões - De Perdas por Imparidade - Em Ativos Fixos Tangíveis.
Quando se trata da reversão de uma perda por imparidade de um ativo que na data do reconhecimento da perda por imparidade anteriormente registada estava associado um excedente de revalorização, a reversão da imparidade é reconhecida em resultados, tendo como limite o valor das perdas por imparidade; seguidamente nos capitais próprios, na conta 58 - Excedentes de Revalorização de Ativos Fixos Tangíveis e Intangíveis, pelo valor remanescente da reversão, repondo a reserva anteriormente existente até à sua concorrência.
Após o reconhecimento da reversão de uma perda por imparidade, o valor das depreciações do ativo deve ser ajustado nos períodos futuros de modo a refletir a quantia escriturada revista do ativo, deduzida do valor residual, durante a sua vida útil remanescente (§ 61).
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