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IMPESSOALIDADE

No documento Página1 DIREITO ADMINISTRATIVO (páginas 30-33)

O princípio constitucional da impessoalidade visa eliminar favoritismos e restrições indevidas, exigindo tratamento equânime e marcado pela neutralidade.

Quando realiza a função administrativa, o gestor não age nem deve agir em nome próprio, mas em nome do Poder Público.

Como aponta a doutrina, especialmente a obra de Lucas Rocha Furtado, existem aspectos diferentes e complementares para o princípio ora estudado:

Dever de isonomia. A Administração Pública deve prestar tratamento impessoal e isonômico aos particulares, com o objetivo de atender a finalidade pública, sendo vedada a discriminação odiosa ou desproporcional. Assim, a atividade administrativa deve se dar segundo critérios de bom andamento do serviço público, afastando-se favoritismos ou perseguições.

COMO O ASSUNTO JÁ FOI COBRADO EM CONCURSOS?

Na prova FAFIPA - Procurador do Município de Foz do Iguaçu/2019, foi considerado errado:

O princípio da impessoalidade limita-se ao dever de isonomia da Administração Pública.

Comentário: além do dever de isonomia, o princípio da impessoalidade também trata da conformidade ao interesse público e da imputação dos atos dos atos praticados pelo agente público diretamente ao órgão ao qual está vinculado.

Conformidade ao interesse público. A impessoalidade veda que o agente público utilize seu cargo para a satisfação de interesses pessoais.

Assim, não pode o agente público utilizar seu cargo para se promover

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pessoalmente, para beneficiar pessoa querida ou prejudicar um desafeto, por conta de interesses pessoais.

COMO O ASSUNTO JÁ FOI COBRADO EM CONCURSOS?

Na prova FCC - Defensor Público do Estado do Paraná/2017, foi considerado errado:

O princípio da impessoalidade destina-se a proteger simultaneamente o interesse público e o interesse privado, pautando se pela igualdade de tratamento a todos administrados, independentemente de quaisquer preferências pessoais.

Comentário: embora, de fato, paute-se pela igualdade de tratamento a todos administrados, independentemente de quaisquer preferências pessoais, o princípio da impessoalidade visa resguardar o interesse público, não o privado.

Como materialização desta face do princípio temos o precedente do STF, segundo o qual, é compatível com o princípio da impessoalidade, dispositivo de Constituição Estadual que vede ao Estado e aos Municípios atribuir nome de pessoa viva a avenida, praça, rua, logradouro, ponte, reservatório de água, viaduto, praça de esporte, biblioteca, hospital, maternidade, edifício público, auditórios, cidades e salas de aula. (STF. ADI 307/CE, relator Ministro Eros Grau, 13.2.2008)

O STF também já julgou que está em desconformidade com a Constituição Federal a previsão contida na Lei Orgânica do Distrito Federal que autoriza que cada Poder defina, por norma interna, as hipóteses pelas quais a divulgação de ato, programa, obra ou serviço públicos não constituirá promoção pessoal. Essa delegação conferida viola o § 1º do art. 37 da CF/88, que não admite flexibilização por norma infraconstitucional ou regulamentar (STF. Plenário. ADI 6522/DF, Rel. Min.

Cármen Lúcia, julgado em 14/5/2021).

Ou seja, é proibido que lei local cria hipóteses flexibilizando a vedação à promoção pessoal de agentes públicos.

Imputação dos atos dos atos praticados pelo agente público diretamente ao órgão ao qual está vinculado. A impessoalidade deve ter repercussão na relação jurídica do ato administrativo praticado.

Quando realiza a atividade administrativa, o agente público age em nome do Poder público, de forma que os atos e provimentos

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administrativos não são imputáveis ao funcionário que os pratica, mas ao órgão ou entidade da Administração Pública.

Como será visto no capítulo pertinente à responsabilidade civil do Estado, a materialização desse aspecto da impessoalidade ocorre com a vedação à imputação direta de responsabilidade civil ao agente público.

Embora tal agente possa ser responsabilizado pela prática de ato de improbidade (quando cabível), sofrer ação regressiva por parte da Administração ou mesmo sanção administrativa, ele deve estar protegido da responsabilização civil direta.

Caso contrário, restaria aberto um caminho para permitir a restrição às atividades administrativas que afetem fortes grupos de interesse, já que os agentes públicos poderiam ter receio ao desempenhar suas tarefas temendo a responsabilização judicial promovida por aqueles que tivessem suas pretensões contrariadas.

Nas palavras do STF, a determinação constitucional da responsabilidade objetiva do Estado consagra uma dupla garantia: uma, em favor do particular, possibilitando-lhe ação indenizatória contra a pessoa jurídica de direito público, ou de direito privado que preste serviço público, dado que bem maior, praticamente certa, a possibilidade de pagamento do dano objetivamente sofrido. Outra garantia, no entanto, em prol do servidor estatal, que somente responde administrativa e civilmente perante a pessoa jurídica a cujo quadro funcional se vincular. (STF. RE nº 327.904/SP, Primeira Turma, Relator o Ministro Carlos Britto, DJ de 8/9/06)

Seguindo os ensinamentos de Cyonil Borges e Adriel Sá, vejamos algumas interessantes aplicações práticas do princípio da impessoalidade:

§ 1º do art. 37 da CF/1988: “§ 1.º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.”

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Art. 18 da Lei 9.784/99: regras de impedimento e suspeição em procedimentos administrativos. Isso porque, para evitar a parcialidade no julgamento, é conveniente que o agente público se reconheça impossibilitado de julgar (em suspeição ou impedimento, conforme o caso), evitando-se, inclusive, eventual responsabilização administrativa.

Atos praticados por agente de fato: é o caso do particular que ingressou na Administração Pública de forma irregular (agente putativo). De acordo com a teoria da aparência, seus atos praticados serão considerados válidos perante terceiros de boa-fé.

Art. 1° da Lei 6.454/77: dispositivo proíbe que a União atribua a bem público, de qualquer natureza, o nome de pessoa viva ou que tenha se notabilizado pela defesa ou exploração de mão de obra escrava. Sobre o tema, o CNJ revogou a Resolução 52/2008, a qual abria exceção para as pessoas vivas aposentadas, afinal, o poder normativo do CNJ não pode ampliar o previsto em lei.

Art. 100 da CF/88: a sistemática de pagamentos por precatórios é uma clara aplicação do princípio da impessoalidade, especialmente no aspecto da isonomia. Isso porque, com o pagamento por precatórios, todos os particulares entram em uma fila para recebimento de seus créditos, sendo vedada e designação de pessoas ou casos especiais.

Ressalve-se que o estabelecimento de critérios de preferência para créditos alimentares não afeta o caráter isonômico do instituto.

O ASSUNTO JÁ FOI COBRADO EM CONCURSOS?

Na prova FAURGS - Juiz Estadual (TJ RS)/2022 foi considerado errado:

A publicidade pode ser empregada como instrumento de propaganda pessoal dos agentes públicos.

Comentário: como vimos, em nenhuma hipótese a publicidade estatal pode ser usada como propaganda pessoal dos agentes públicos. Até mesmos símbolos e “mensagens subliminares” que identifiquem a pessoa do gestor são vedadas.

No documento Página1 DIREITO ADMINISTRATIVO (páginas 30-33)

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