3. CONCEITOS E TECNOLOGIAS EM MAPAS PARA WEB
3.4 IMPLEMENTAÇÃO DE FERRAMENTAS DE ANÁLISE ESPACIAL EM INTERFACES
Os processos de Análises Espaciais são características que diferenciam um Sistema de Informações Geográficas de outros sistemas que trabalham com dados geográficos. O paradigma básico deste tipo de processo está associado aos relacionamentos existentes entre entes espaciais. Sommer e Wade (2006) definem a análise espacial como o processo de examinar localizações, atributos e relacionamentos entre feições espaciais através de técnicas analíticas, de forma a abordar uma determinada questão ou adquirir conhecimento sobre os dados. A análise espacial pode extrair ou criar nova informação de dados espaciais.
Aronoff (1989) propõe uma classificação para as funcionalidades de um SIG, no que diz respeito às tarefas que ele deve tornar possível a execução, dentro do processo de análise espacial (FIGURA 09). Com o desenvolvimento computacional
e a evolução das tecnologias de mapeamento para a web, já existem produtos que procuram “emular” as ferramentas de análise espacial em SIG.
Embora existam na literatura outras abordagens para a classificação e
descrição de ferramentas e processos de análises espaciais24 e que a distinção entre
categorias e abordagens neste contexto seja tênue, optou-se por assumir a classificação de Aronoff (1989) como base para a implementação das ferramentas de análise espacial neste trabalho, uma vez que a discussão acerca da classificação destas ferramentas não faz parte do escopo deste texto.
Somente com o advento da chamada web 2.0, denominação dada ao conjunto de novas tecnologias e padrões que tornam a internet um repositório de serviços colaborativos, integrados e interativos (CARTWRIGHT, 2008), é que tornou-se possível a incorporação de determinadas ferramentas detornou-senvolvidas para SIG's “online”. A comunidade código-aberto teve papel preponderante no desenvolvimento de ferramentas que executam requisições sob-demanda na própria interface-cliente (ou na base de dados): Cecconi e Gallanda (2002); Ramos et al. (2007); Chang et al. (2004) utilizam dados nativamente vetoriais por meio de SVG, por exemplo.
24 MAGUIRE et al. GIS Spatial Analysis and Modeling. Nova Iorque. ESRI Press, 2005.;
MITCHELL, A. The ESRI Guide to GIS Analysis. Vol.1 e Vol.2. Nova Iorque. ESRI Press, 1999.; UNWIN, D.J. Introductory Spatial Analysis. Routledge Kegan & Paul. 1982.; Troubador
Publishing Ltd; 2 edition.; de SMITH, M.J. et alGeospatial analysis: a comprehensive guide to principles, techniques and software tools. Matador. Leicester, 2007
FIGURA 09 - CLASSIFICAÇÃO DAS FUNÇÕES DE ANÁLISE ESPACIAL EM SIG FONTE: ARONOFF (1989)
Determinadas funções de interatividade já são consideradas ferramentas básicas nos mapas digitais. Exemplos são as funções para a navegação em mapas como zoom e panning, essenciais para o processo interativo neste tipo de ambiente. Antes da revolução do ajax nas páginas da web, definir ferramentas de navegação para mapas na web era tarefa impossível devido ao alto grau de complexidade das requisições em hypermapas e da quantidade de banda necessária para realizar cada tarefa. You et al. (2007) apontam que não existe padronização na implementação destas ferramentas em mapas na internet, embora Sistemas de Informação Geográfica já possuam algumas recomendações. Em 1998, o projeto BEST-GIS (1998) foi responsável pela elaboração de várias diretrizes para a construção de interfaces em Sistemas de Informação Geográfica. Apesar da validação científica destas diretrizes ainda não ter sido realizada, considera-se a adaptação de certos aspectos no design de interfaces em webmapas.
Harrower & Sheesley (2005) afirmam que enquanto milhões de usuários usam as ferramentas de ampliação, redução e deslocamento em softwares gráficos em geral, poucos são os estudos que buscaram o melhor projeto para estas ferramentas, de modo a melhorar sua funcionalidade e efetividade no uso de mapas na web. A seguir descreve-se as especificações válidas para interfaces em Sistemas de Informações Geográficas, para funções de navegação básicas e de análise espacial, segundo BEST-GIS (1998):
• A ferramenta Zoom é definida como "o processo de ampliação ou redução da
escala de um mapa ou imagem exibida no monitor"; a ferramenta panning (deslocamento) é definida como "o processo de mudança da posição em que o mapa é exibido, sem alterar a escala". Consideram-se diferentes modos de zoom: (a) original center: a atualização da escala é centrada no mesmo ponto que a anterior, (b) re-centers: a nova renderização é centrada sobre um ponto definido pelo usuário; (c) by marquee ou box: o usuário pode ampliar uma sub-região, selecionando os cantos opostos do retângulo que engloba a área de interesse, e (d) por seleção numérica: o usuário atribui a exata dimensão à escala, por meio da digitação do denominador.
• Para a ferramenta panning são considerados os seguintes modos: (a) por
fixos (b) através de barras de rolagem, e (c) arrastando o cursor.
• Quanto às ferramentas para análise espacial como a sobreposição de feições
(Map Overlay) e a seleção e busca (query database), BEST-GIS (1998) define que: sobreposição de mapas é o processo de sobreposição entre duas feições de modo que as feições resultantes contenham as informações espaciais e atributos de ambas as feições de entrada. Destina-se a detectar e realçar o ordenamento das relações entre dois ou mais fenômenos ou processos. Em estruturas matriciais este tipo de operação deve seguir princípios de álgebra booleana, aplicada aos valores de cada célula.
• Realizam-se operações de seleção e busca em uma base de dados quando o
objetivo do usuário é recuperar as informações tabulares acerca da feição espacial correspondente. Usualmente este tipo de função é criada com base em consultas SQL, através de operadores lógicos ou opções similares de seleção. Operações lógicas lidam diretamente com o banco de dados (dados alfanuméricos) e permitem que o usuário identifique e selecione funções por um conjunto de critérios específicos. Em geral, as características são identificadas e selecionadas de acordo com uma combinação de várias condições. A seleção gráfica, usando o mouse para definir uma área de interesse, linha ou ponto de busca também pode fazer parte do critério de seleção e busca.
Estas ferramentas devem considerar a funcionalidade desejada ao produto e, principalmente, as questões relativas à interface como um todo e à sua construção, com base nos usuários e no conjunto de questões relativas à sua percepção e cognição, de forma a validar a aceitabilidade geral do sistema, esta que é a temática do próximo capítulo desta pesquisa.