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A INTERNET E OS MAPAS

No documento ANDRÉ LUIZ ALENCAR DE MENDONÇA (páginas 40-44)

3. CONCEITOS E TECNOLOGIAS EM MAPAS PARA WEB

3.1 A INTERNET E OS MAPAS

A internet é uma importante ferramenta de disseminação de informação espacial e o uso deste tipo de informação cresce a um ritmo maior do que cresce a própria internet (PETERSON, 2007b). Harrower (2004) considera que a internet revolucionou a cartografia devido a 4 fatores básicos:

Facilidade de distribuição de produtos cartográficos;

Acesso universal a mapas até então indisponíveis a estes usuários;

Maior demanda por serviços de mapeamento em geral e;

Surgimento de ferramentas que permitem ao cartógrafo o desenvolvimento de

aplicações sob-demanda de forma mais eficiente e mais rapidamente atualizável. As tecnologias digitais baseadas na internet trouxeram como benefício a distribuição e o acesso à informação de forma mais fácil, flexível e eficiente, bem como o compartilhamento e a integração da informação. Além disso, serviços de ferramentas de visualização e análise de dados geográficos - componentes em SIG e ferramentas de mapeamento - podem ser construídos de acordo com o propósito da aplicação.

Com a utilização da internet para a distribuição de produtos cartográficos consegue-se eliminar a maior parte dos problemas dos SIG tradicionais, aproveitando-se do caráter amigável das páginas da world wide web (ou

simplesmente web) para facilitar o acesso a dados espaciais, até então disponíveis

apenas para profissionais da área. Apesar das aplicações para web estarem voltadas para a visualização do produto final, ou seja o mapa, e ainda pouco desenvolvidas no que diz respeito a funções de análise tipicamente de SIG´s (KRAAK, 2004), a web já influencia diretamente no papel que os mapas

desempenham e na sua forma de produção. Aplicativos como o Google Earth (http://earth.google.com.br) e Google maps (http://maps.google.com.br) exemplificam a popularização de serviços de mapeamento junto aos usuários da rede mundial de computadores.

Um dos primeiros sítios de mapeamento via web foi o Xerox PARC Map Viewer (FIGURA 4) que se utilizava de um módulo CGI13 escrito em linguagem PERL, gerando imagens no formato GIF a partir de uma base de dados (MITCHELL, 2005).

FIGURA 04 - XEROX PARC MAP VIEWER FONTE: PUTZ (1994)

Os predecessores dos mapas atualmente disponibilizados na internet foram

os chamados hypermapas (LAURINI; MILLERT-RAFFORT, 199014, apud

13Common Gateway Interface

14 LAURINI, R.;M ILLERT-RAFFORT, F. Principles of geomatic hypermaps, Proceedings 4th

CARTWRIGHT, 2003), descritos como produtos multimídia, digitalizados e com interatividade limitada à ampliação de escala. A preocupação em relação ao projeto destes mapas dizia respeito à incorporação de links eficientes que permitissem ao usuário alcançar opções de ramificação onde podiam mover-se entre níveis hierárquicos de informação (CARTWRIGHT, 2003). Produtos deste tipo tornaram-se populares, sendo comercializados por meio de CD-ROMS em livrarias, bancas de jornal e lojas de departamento, normalmente associados a um outro produto – como um livro ou uma revista.

Junto com a popularização dos mapas na internet vieram também problemas relativos à ausência de um projeto cartográfico básico, adequado ao novo tipo de mídia interativa; a despeito da questão envolvendo aspectos profissionais relativos à regulamentação e competência dos usuários destes sistemas interativos - que de simples usuários passam a “cartógrafos” em poucos cliques do mouse – ainda a pesquisa na eficiência e padronização de leiautes de elementos gráficos para aplicações cartográficas específicas da web é necessária para tornar estas aplicações verdadeiramente efetivas e usáveis (PETERSON, 2008).

Além disso, a própria questão computacional, no que diz respeito à arquitetura de softwares ainda é elemento a ser evoluído, pois com a gradual migração de sistemas de informações geográficas para a internet o processamento computacional tende a exigir cada vez mais eficiência dos programas envolvidos. Apesar das ferramentas disponíveis incorporarem cada vez mais funções, baseadas principalmente em sistemas de informação geográfica locais (para PC), a publicação, manutenção e análise de dados geográficos pela internet ainda é, para a cartografia, um campo de pesquisa recente e com várias questões em aberto (KOUA; KRAAK, 2004; PETERSON, 2008).

Assim, com a redescoberta da importância de ferramentas que manipulem dados geográficos, usuários da internet passaram a incorporar aos poucos este tipo de informação em suas vidas: guias turísticos; mapas de rotas urbanas e estradas; jogos e afins. Procurar um endereço nas grandes cidades brasileiras via internet é prática cada vez mais comum, o que nos leva a uma definição para este tipo de aplicação, o mapeamento via web ou, em inglês, webmapping. Kolodziej (2003) define o mapeamento via web como um conjunto de produtos, padrões e tecnologias

que possibilitam acesso à informação geográfica através da internet.

Algumas novas funções para os mapas, com o surgimento e disseminação destes produtos na web são (adaptado de KRAAK, 2004) (FIGURA 05):

a) Índice para outras informações, geográficas ou não-geográficas;

b) Visualização e pré-visualização de dados: quando o interesse é armazená-los localmente;

c) Ferramenta de busca em uma infraestrutura de dados geográficos específica (local).

FIGURA 05 – FUNÇÕES DE MAPAS NA WEB FONTE: Traduzido de KRAAK (2004)

As aplicações em mapas para web podem gerar produtos cartográficos de acordo com a seguinte classificação: aplicações estáticas e aplicações interativas. No primeiro caso, existem servidores que geram mapas em formato imagem, normalmente a partir de bases em estrutura matricial ou mesmo vetorial, de forma que possa ser mostrada em tela por meio da linguagem do navegador gráfico (html15) exibida em uma página. O conceito de interatividade resume-se à entrega de

15Hypertext Markup Language, mostra como cada elemento em um texto deve ser mostrado pelo

uma imagem atualizada – pré-preparada – em resposta ao pedido do usuário.

No caso das aplicações interativas, tem-se uma relação aonde o usuário pode manipular uma base de dados através de ferramentas visuais e analíticas em vetores, imagens em formato matricial, banco de dados e metadados, de forma a gerar mapas que atendam necessidades específicas. Este processo é a interação de comandos com um ou mais servidores, que retornam dados repetidamente atualizados. Estas aplicações podem requerer habilidades de programação específicas para o gerenciamento e publicação, bem como na manutenção e atualização de servidores, o que talvez explique o fato de ainda serem poucos na web, e que, em sua maioria, possuam funções limitadas.

No documento ANDRÉ LUIZ ALENCAR DE MENDONÇA (páginas 40-44)