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Implementação do projecto e resultados obtidos 47

No documento Imobilidade - Enf (páginas 48-68)

A avaliação do projecto pretende a eficácia e das actividades desenvolvidas, analisar e discutir os resultados obtidos, os obstáculos e justificativas das actividades realizadas e não realizadas, e apurar se o objectivo delineado foi atingido. Esta é realizada ao longo de todo o projecto com reformulação de estratégias se assim for necessário.

Tendo em conta o objectivo principal delineado para o desenvolvimento deste projecto: Aprofundar competências teóricas e teórica-práticas sobre a promoção da mobilidade na pessoa idosa implementei actividades junto da pessoa idosa com duas vertentes de acordo com o nível de dependência das mesmas, e tendo como finalidade intervir na mobilidade da pessoa idosa aos três níveis de prevenção.

Assim desenvolvi entre 25 de Fevereiro e 14 de Março de 2008, no Ensino Clínico III – Enfermagem de Reabilitação Opcional, nos cuidados primários, prestei cuidados de enfermagem de reabilitação na área de promoção da mobilidade a cinco pessoas idosas no domicílio e simultaneamente implementei um programa de actividade física para seis pessoas idosas do Lar ―Jardim do Sol‖, na freguesia do Caniço. No portfólio apresento fotografias que documentam as diferentes actividades do projecto.

Relativamente à intervenção junto das pessoas idosas no domicílio, actuei junto de pessoas idosas no sentido de melhorar a sua qualidade de vida e através da melhoria da sua capacidade funcional. No que concerne à avaliação esta constou da avaliação da função motora, da capacidade funcional para o desempenho das actividades de vida diária e actividades instrumentais da vida diária. Realizei também avaliação do risco de quedas através da escala de equilíbrio funcional de Berg, onde pude detectar os factores de risco para quedas da pessoa a ser avaliada e a avaliação do risco de úlcera de pressão através da escala de Braden.

A avaliação da função motora foi feita tendo em conta os componentes de força, amplitudes articulares e tonús muscular. Cujos dados encontram-se na folha de avaliação de reabilitação, foram também avaliados outros parâmetros tais como os sinais vitais, a sensibilidade e a marcha de modo a conseguir uma avaliação mais completa e uma intervenção mais eficaz.

Para avaliação da capacidade funcional da pessoa idosa no domicílio foi utilizada a MIF – Medida de Independência Funcional, foi também utilizada a escala de Lawton para avaliação da capacidade de desempenho das actividades instrumentais, pelas razões já documentadas no subcapítulo 1.4.5.1.

Da aplicação da escala de Berg e da minha observação pessoal resultou que as pessoas idosas no domicílio têm na sua maioria o equilíbrio comprometido e portanto alto risco de cair.

Da aplicação das escalas de capacidade funcional advém que a autonomia da pessoa idosa está muito limitada senão inexistente e a capacidade de desempenho das actividades de vida diária é fraco, ou seja, estas pessoas tinham um nível de dependência moderada. Outro dos problemas que detectei é que a pessoa idosa frequentemente passa o dia sozinha embora tenha companhia durante a noite. Este facto influencia não só a ajuda que estas pessoas necessitam mas também a educação e treino que poderíamos investir no cuidador assegurando assim uma melhor continuidade de cuidados.

As condições do domicílio mais frequentemente os acessos externos dificultam na maioria dos casos a promoção da mobilidade. Outros factores que acontecem frequentemente são a motivação diminuída para a prática da mobilidade, bem como sintomas como a dor e a dispneia que dificultam também a participação da pessoa idosa nas actividades propostas.

Perante os problemas detectados e os diagnósticos de enfermagem de reabilitação formulados foram implementadas intervenções tais como:

Ensino sobre a importância da mobilidade da pessoa idosa;

Instrução e treino de exercícios isotónicos a todos os segmentos articulares dos membros superiores e inferiores personalizados;

Ensino sobre medidas de protecção de queda relativamente ao ambiente, vestuário, realização de actividades de mobilidade, medicação e realização de auto- cuidados;

Massagem para diminuição de contracturas e edema dos membros inferiores; Instrução e treino de marcha com e sem auxiliares;

Instrução e treino de exercícios de equilíbrio estático e dinâmico de pé; Instrução e treino do auto-cuidado erguer-se;

Ensino da importância de participação em tarefas domésticas leves tais como: dobrar roupa, descascar verdura, fazer a cama, etc.

Considero que foi de extrema importância a intervenção no domicílio pela necessidade que tive de me documentar e adaptar às situações em que tive de intervir fomentando assim a qualidade da minha aprendizagem.

No que se refere à implementação do programa de actividade física a seis idosos do Lar ―Jardim do Sol‖, as actividades desenvolvidas foram para mim inovadoras e gratificantes já que apliquei conhecimentos teóricos pela primeira vez aprendendo muito com as diferentes fases do programa.

Deste programa, (para Caspersen et al, 1985 citado por Benedetti,1999, programa de exercícios físicos é toda a actividade física planeada estruturada e repetitiva que tem por objectivo a melhoria e a manutenção de um ou mais componentes da aptidão física), constou uma entrevista individual inicial a cada participante para apresentação do mesmo e para adquirir dados sobre os antecedentes clínicos e antecedentes de prática de exercício, bem como para abordar a desejo ou não da participação na actividade física. Foi ainda aplicado o easycare de modo a constatar a opinião da pessoa idosa relativamente ao seu bem- estar de saúde e qualidade de vida. Escolhi este formulário pelas razões já enunciadas no subcapítulo 1.4.5.1. O easycare e a entrevista, fizeram parte do instrumento de colheita de dados que criei e que se encontra em anexo.

Criei também uma ficha da pessoa idosa praticante de actividade física para aplicação pela enfermeira especialista em reabilitação, onde se encontra resumidos os dados recolhidos sobre: a identificação; os antecedentes de saúde e os resultados da avaliação cardiorespiratória; da avaliação do equilíbrio; da avaliação da aptidão física; da avaliação da composição corporal e ainda onde se destacam os problemas detectados na avaliação do bem-estar e qualidade de vida e por fim os diagnósticos de enfermagem de reabilitação formulados.

A avaliação cardiorespiratória foi feita através de parâmetros como a F.C.de repouso, treino e máxima a T.A. (no intuito de detectar alterações significativas e impeditivas da realização da actividade física); o VO2 máximo e a % de VO2 ; a resistência cardiovascular, não se observando alterações significativas entre a avaliação inicial e a reavaliação no final do programa de actividade física.

Da aplicação do easycare e das questões abertas do instrumento de colheita de dados, saliento a vontade que todos participantes demonstram para a realização de actividade física e o medo de ficar dependente e sem autonomia para decidir a sua vida, referido directa ou indirectamente pela maior dos intervenientes.

Saliento também capacidade cognitiva e a qualidade de vida como principais itens afectados, daqueles de entre os que constam o easycare.

As pessoas incluídas no projecto possuem idades compreendidas entre os 59 e os 92 anos de idade. Possuem um grau de instrução baixo, o que também afecta a elaboração e assimilação dos exercícios propostos.

Da avaliação inicial é também detectável que as pessoas idosas possuem diferentes patologias: 1 oligofrénico; com problemas de mobilidade cervical e lombar devido a acidentes; problemas visuais e auditivos também estavam presentes entre outros.

Os diagnósticos mais encontrados tal como nos idosos do domicílio foram o equilíbrio estático e dinâmico de pé. Assim como o risco de cair, o conhecimento diminuído sobre a importância da mobilidade e dos exercícios a realizar nesse sentido, bem como o risco de complicações do desuso.

As seis pessoas idosas participantes no referido programa (2 masculino; 4 feminino), possuem um nível de dependência ligeira ou são independentes.

A segunda fase do programa constou da avaliação da aptidão física, através da bateria de testes desenvolvida no âmbito do LifeSpan Project – a Phyfical Assessment Study Benefiting Older Adults Fullerton Funcional Fitness Test concebida por

Rikli, E. E. Jones, C (1999), adaptada e validada para a população Portuguesa por Sardinha, L. (1999).

Esta bateria é composta por seis testes e um sétimo alternativo, que estão relacionados com os componentes de aptidão física.

De seguida descrevo, citando Ilano et al, os testes que constam da bateria utilizada, pela ordem que deverão ser executados.

Levantar e sentar na cadeira

Objectivo: Avaliar a força e resistência dos membros inferiores.

Material: Cronómetro; Cadeira com encosto e sem braços, com altura do assento de aproximadamente 43cm.

Desenvolvimento: O teste inicia-se com a pessoa sentada no meio da cadeira, com as costas direitas e os pés afastados à largura dos ombros e totalmente apoiados no solo. Um dos pés deve estar ligeiramente avançado em relação ao outro para ajudar a manter o equilíbrio.

Os braços estão cruzados ao nível dos pulsos e contra o peito. Ao sinal de ―partida‖ a pessoa idosa eleva-se até à extensão máxima (posição vertical) e regressa à posição inicial sentado. O participante é encorajado a completar o máximo de repetições num intervalo de tempo de trinta segundos.

A pessoa idosa deve sentar-se completamente entre cada elevação. Enquanto controla o desempenho da pessoa idosa para assegurar o maior rigor, o avaliador conta as avaliações correctas. Chamadas de atenção verbais (ou gestuais) podem ser realizadas para corrigir um desempenho deficiente.

Fonte: Pfizer e Faculdade de motricidade humana. (2005). Projecto idade maior. Lisboa: Pfizer

Flexão do antebraço

Objectivo: Avaliar a força e resistência dos membros superiores.

Material: Cronómetro; cadeira com encosto e sem braços; halteres de mão (2,27kg para as mulheres e 3,63kg para os homens).

Desenvolvimento: A pessoa idosa está sentada numa cadeira, com as costas direitas, com os pés totalmente assentes no solo e com o tronco alinhado. O haltere deverá estar seguro na mão dominante.

O teste começa com o antebraço em posição inferior, ao lado da cadeira, perpendicular ao solo. Ao sinal de ―iniciar‖ o participante roda gradualmente a palma da mão para cima, enquanto a flexão do antebraço no sentido completo do movimento; depois regressa à posição inicial de extensão do antebraço. Especial atenção deverá ser dada ao controle da fase final da extensão do antebraço.

O avaliador (enfermeiro especialista de reabilitação) ajoelha-se (ou senta-se na cadeira) junto da pessoa idosa no lado do braço dominante, colocando os seus dedos no bicípite do executante, de modo a estabilizar a parte superior do braço, e assegurar que seja realizada uma flexão completa (o antebraço da pessoa idosa deve apertar os dedos do avaliador). É importante que a parte superior do braço permaneça estática durante o teste. O avaliador pode precisar de colocar a sua outra mão atrás do cotovelo de maneira a que o executante saiba quando atingiu a extensão total, evitando movimentos de balanço do antebraço.

O participante é encorajado a realizar um maior número possível de flexões no tempo limite de 30 segundos. Cada flexão correcta é contabilizada com chamadas de atenção verbais sempre que se verifica um desempenho incorrecto.

Fonte: Pfizer e Faculdade de motricidade humana. (2005). Projecto idade maior. Lisboa: Pfizer

Estatura e Peso

Objectivo: Avaliar o índice de massa corporal (Kg/m2). Material: Balança; Medidor de estatura;

Desenvolvimento: Para medir a estatura, solicita-se à pessoa idosa que se coloque no medidor de estatura, de pé com as costas, os calcâneos encostados à parede olhando para a frente e com correcto alinhamento corporal. A pessoa idosa deverá participar no teste descalça ou então deverá retirar-se de 1,3 a 2,5 cm do total da estatura usando o critério mais rigoroso possível.

Para avaliação do peso a pessoa deverá despir todas as peças do vestuário pesado, tais como casacos, etc. O peso é medido e registado com aproximação às 100g e ajustamentos relativo ao peso do calçado. Em geral deve ser subtraído 450g para as mulheres e 910g para os homens.

Fonte: Pfizer e Faculdade de motricidade humana. (2005). Projecto idade maior. Lisboa: Pfizer

Sentado e Alcançar

Objectivo: Avaliar a flexibilidade dos membros inferiores

Material: Cadeira com encosto e altura do assento aproximadamente de 43cm; Régua de 45cm.

Desenvolvimento: Começando numa posição de sentada a pessoa idosa avança o seu corpo para a frente se encontrar sentado na extremidade do assento da cadeira. A sobra entre o topo da perna e as nádegas deve estar ao nível da extremidade do assento. Com uma perna flectida e o pé totalmente assente no solo, a outra perna (a perna de preferência) estendida na direcção da coxa, com o calcanhar no chão e o pé flectido (aproximadamente 90º). A pessoa idosa deve ser encorajada expirar à medida que flecte para a frente, evitando movimentos bruscos e rápidos e nunca atingindo o limite da dor.

Com a perna estendida (mas não em hiper-extensão), a pessoa idosa flecte lentamente para a frente ate à articulação com coxo-femural (a coluna deve manter- se o mais direita possível), deslizando as mãos (uma sobre a outra, com a ponta dos dedos sobrepostas) ao longo da perna estendida, tentando tocar os dedos dos pés. Deve tocar nos dedos dos pés durante alguns segundos. Se o joelho da perna estendida começar a flectir, solicitar à pessoa idosa que se sente lentamente até que o joelho fique em extensão antes de iniciar a medição.

Fonte: Pfizer e Faculdade de motricidade humana. (2005). Projecto idade maior. Lisboa: Pfizer

Sentado, caminhar 2,44m e voltar a sentar

Objectivo: Avaliar a velocidade, agilidade e equilíbrio.

Material: Cronómetro; Fita métrica; Cone (ou outro marcador); Cadeira de encosto com aproximadamente com 43cm de altura.

Desenvolvimento: O teste é iniciado com a pessoa idosa totalmente sentada na cadeira (postura erecta), mãos nas coxas e pés totalmente assentes no solo (um pé ligeiramente avançado em relação ao outro). Ao sinal de ―partida‖ a pessoa idosa eleva-se da cadeira (pode empurrar as coxas ou a cadeira), caminha o mais rápido possível dando a volta ao cone (por qualquer um dos lados) e regressa a cadeira.

A pessoa idosa deve ser informada de que se trata de um teste cronometrado, sendo o objectivo caminhar o mais rápido possível (sem correr). O avaliador deve funcionar como assistente, mantendo-se a meia distância entre a cadeira e o cone, de maneira a poder dar assistência em caso de desequilíbrio. O avaliador deve iniciar o cronómetro ao sinal de ―partida‖ quer a pessoa tenha ou não iniciado o movimento, e Pará-lo no momento exacto em que a pessoa se senta.

Fonte: Pfizer e Faculdade de motricidade humana. (2005). Projecto idade maior. Lisboa: Pfizer

Dois minutos de step no próprio lugar

Objectivo: Avaliar a resistência aeróbia (teste alternativo ao de andar 6 min). Material: Cronómetro; Fita métrica (com pelo menos 75cm); Memómetro (se possível) para assegurar a contagem exacta do número de steps.

Desenvolvimento: Ao sinal de ―partida‖ o participante inicia o step no mesmo lugar, realizando o maior número possível de steps no período de tempo estipulado (2 minutos) no próprio local. O avaliador conta o número de steps efectuados servindo-se de apoio em caso de desequilíbrio da corda da fita métrica com 75cm de modo a assegurar que o participante mantenha a altura adequada. Logo que altura adequada do joelho não possa ser mantida, o participante é informado para parar ou apenas descansar até recuperar. O teste poderá ser efectuado com uma mão do participante sobre a mesa ou na parede para ajudar a manter o equilíbrio. Este teste de avaliação de cardio-respiratória deverá efectuar-se fora da sequência dos anteriores.

Fonte: Pfizer e Faculdade de motricidade humana. (2005). Projecto idade maior. Lisboa: Pfizer

Andar seis minutos (este teste não foi incluído no projecto, tendo-

se optado pelo step de dois minutos).

Objectivo: Avaliar a resistência aeróbia. Distância percorrida durante 6 minutos. Material: Cronómetro; Fita métrica; Cones; Paus; Giz; Marcadores; Cadeiras (por razões de segurança devem ser colocadas ao longo do percurso na parte de fora do circuito).

Desenvolvimento: Para facilitar o processo de contagem das voltas do percurso, pode ser dado à pessoa idosa um pau ou objecto similar no final de cada volta, ou então um colega pode marcar numa ficha de registo sempre que uma volta é terminada. Dois ou mais idosos devem ser avaliados em simultâneo, com tempos de partida diferentes, dez segundos de diferença, de maneira a que os idosos não andem em grupos. Quando avaliadas várias pessoas ao mesmo tempo os participantes devem ter números segundo a ordem de partida e paragem. Ao sinal de ―partida‖ os idosos são instruídos para caminharem o mais rápido possível (sem correr) na distância marcada à volta dos cones. Se necessário os participantes podem parar ou descansar, sentando-se em cadeiras ao dispor, e retomando depois o percurso.

O avaliador deve colocar-se dentro da área marcada, após todos os idosos terem iniciado o teste. No sentido de uma assistência periódica os tempos intermédios devem ser anunciados a meio do percurso quando faltarem dois minutos e quando faltar um minuto. No final dos seis minutos, os participantes (em cada dez segundos) são instruídos para pararem (quando o avaliador olhar para eles e disser ―parar‖), deslocando-se para a direita, onde um assistente registará a distância percorrida.

Fonte: Pfizer e Faculdade de motricidade humana. (2005). Projecto idade maior. Lisboa: Pfizer

Estes testes foram seleccionados para fazer parte desta bateria porque referem os atributos fisiológicos importantes para a consecução de tarefas domésticas, cuidados de higiene, transporte de compras e outras actividades. Outros aspectos foram também considerados como critérios de escolha dos mesmos nomeadamente a facilidade de execução, a aceitabilidade social, a segurança de execução e a sensibilidade para detectar alterações induzidas pelo exercício ou declínio funcional associado ao envelhecimento.

Abaixo apresento um quadro com as médias dos diferentes testes segundo o nível de actividade física, proposto pelos investigadores independentes Miotto, Chodzko-Zajko, Reich & Supler (1999), citado por Sardinha e Martins (2006):

TESTES Activos (média) Sedentários (média) NÍVEL DE ACTIVIDADE

Levantar e sentar – nº execuções 17,07 13,35

Flexão do antebraço – nº flexões 22,95 19,22

Sentado e alcançar - cm 16,60 15,31

Sentado, caminhar, 2,44m e voltar a sentar - seg. 4,96 5,71

Alcançar atrás das costas - cm -2,04 -2,77

Andar 6 min – m 1030,6 931,05

2 min de step no próprio lugar – nº de steps 121,38 98,46

A composição corporal foi outro dos componentes avaliado antes da execução da actividade física. Com a medição do peso e da estatura é calculado o índice de massa corporal, cuja interpretação deve efectuar-se, como nos alerta Sardinha e Martins (2006), de uma forma conservadora, já que se constitui na pessoa idosa, como um indicador impreciso do contributo relativo da massa gorda e da massa magra na composição corporal. Sabendo isto optei também por avaliar a massa gorda e os perímetros pélvico, do quadrícipede e braquial.

A massa gorda, ou seja, o excesso de gordura e o excesso de peso são conceitos diferentes daí a importância da análise da composição corporal efectuada neste projecto. A massa gorda segundo Horta (1997) aumenta com a idade. No sexo feminino torna-se maior após a puberdade. Existem várias tabelas de valores de massa gorda considerados como máximos aceitáveis ara os vários grupos etários de cada sexo. O mesmo autor apresenta no livro Actividade física e medicina moderna o quadro de valores de massa gorda de acordo com a idade que apresento de seguida:

Idade Homens

Mínimo Médio Máximo

Mulheres

Mínimo Médio Máximo

<21 9% 13% 17% 16% 20% 24% 21-30 10% 14% 18% 18% 22% 26% 31-40 11% 15% 19% 19% 23% 27% 41-50 12% 16% 20% 20% 24% 28% 51-60 14% 17% 20% 21% 25% 30% >60 16% 19% 21% 22% 26% 31%

Com o envelhecimento homens e mulheres tendem a perder massa muscular magra o que leva ao aumento percentual da massa gorda. Este aumento ainda se torna mais marcado se a ingestão calórica não for adaptada à actividade física, o que infelizmente constitui uma regra. Também se acredita que com a idade há uma progressiva dificuldade de mobilizar a gordura de reserva. Relacionando a perda da massa magra com a diminuição da absorção de oxigénio pelos músculos, e que a perda de massa magra está provavelmente mais relacionada com a diminuição dos actos físicos facilmente se depreende da importância da prática regular de exercício ao longo dos anos e da importância da avaliação da massa gorda.

De seguida apresento os resultados do índice de massa corporal e de percentagem de massa gorda onde se pode observar um aumento significativo relativamente aos valores apresentados na bibliografia.

Índice de massa corporal

Sexo 1ª Avaliação 2ª Avaliação

Fem. 28,2 28,2 Fem. 21 21 Masc. 25,8 25,8 Masc. 20 20 Fem. 28,5 28,5 Fem. 29,9 29,9 % Massa gorda

Sexo 1ª Avaliação 2ª Avaliação

Fem. 37,1 37,1 Fem. 30 30 Masc. 32,5 32,5 Masc. 37,4 37,4 Fem. 31 31 Fem. 41,4 41,4

Outra das componentes avaliadas foi o equilíbrio, através da escala de equilíbrio funcional de Berg, ao mesmo tempo que avaliávamos os factores de risco para as quedas na pessoa idosa.

O objectivo de avaliar o equilíbrio é também posteriormente realizar exercícios que ajudem a prevenir as quedas na população idosa, é interessante disponibilizar exercícios que contribuam para tal de maneira prática, e de fácil entendimento de

todos. Foi também, meu objectivo educar o grupo de pessoas idosas para a as medidas de protecção contra as quedas, realizando para tal uma sessão de

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