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Elaborado por:
Enf.
raCelina Dias
Funchal
2007-2008
REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
REPÚBLICA PORTUGUESA UNIÃO EUROPEIA FSE REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
- 1 -
2º CURSO DE PÓS-LICENCIATURA DE ESPECIALIZAÇÃO
EM ENFERMAGEM DE REABILITAÇÃO
PROJECTO:
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Elaborado por: Enf.
raCelina Dias
Elaborado no âmbito do Ensino Clínico III – Enfermagem de Reabilitação Opcional
Orientado por: Enf.
raMireya Fernandes e Enf.
raElisabete Reynolds
Coordenado por: Prof.
raOtília Freitas
Funchal
2007-2008
“ Há uma idade na vida em que os
anos passam demasiado depressa
e os dias são uma eternidade”
SUMÁRIO
0.INTRODUÇÃO... 4
1.PROJECTO DE AUTOFORMAÇÃO... 5
1.1 Contextualização ... 5 1.2 Objectivos ... 8 1.3 Revisão de literatura ... 8 1.4 Quadro conceptual ... 11 1.4.1 O processo de envelhecimento ... 11 1.4.1.1 Teorias do envelhecimento ... 121.4.1.2 Envelhecimento físico, sócioafectivo e psicológico ... 13
1.4.1.3 Mobilidade na pessoa idosa ... 17
1.4.3 Actividade física na pessoa idosa... 23
1.4.3.1 Benefícios da Actividade física na pessoa idosa ... 24
1.4.3.2 Programação da actividade física para a pessoa idosa ... 25
1.4.3.2.1 Prescrição de actividade física ... 26
- Parte principal... - 27 -
1.4.3.2.2 Avaliação para a actividade física ... 30
1.4.4 Papel da Enfermeira Especialista de Reabilitação e a Recuperação da ... 31
pessoa idosa ... 31
-1.4.4.1 Fases da Reabilitação Geriátrica e a actuação da Enfermeira Especialista de Reabilitação ... 32
-1.4.4.2 Problemas frequentes na Reabilitação da pessoa idosa e a actuação da Enfermeira Especialista de Reabilitação ... 33
-1.4.5 Papel da Enfermeira Especialista de Reabilitação e a promoção da mobilidade da pessoa idosa ... 34
-1.4.5.1 Avaliação de Enfermagem de Reabilitação da mobilidade da pessoa idosa ... 35
-1.4.5.2 Formulação de diagnósticos de Enfermagem de Reabilitação relativamente à mobilidade da pessoa idosa ... 37
-1.4.5.3 Planeamento de cuidados de Enfermagem de Reabilitação relativamente à mobilidade da pessoa idosa ... 38
-1.4.5.4 Avaliação de cuidados de Enfermagem de Reabilitação relativamente à mobilidade da pessoa idosa ... 43
1.5 Selecção e organização de meios e estratégias ... 44
1.6 Descrição da execução das actividades ... 46
-1.7. Cronograma e programa de actividade física ……….-47-
1.8 Implementação do projecto e resultados obtidos ... 47
-2. CONCLUSÃO ...
67-INTRODUÇÃO
Integrado no 2º curso de pós-licenciatura de especialização em enfermagem de reabilitação, o projecto que apresento inscreve-se no âmbito da disciplina de Orientação e Desenvolvimento de projecto I e tem como objectivo a aquisição de competências teórico-práticas numa área de intervenção da enfermagem de reabilitação.
O actual projecto tem como tema “O papel do Enfermeiro Especialista de
Reabilitação na promoção da mobilidade da pessoa idosa” e a sua execução
ocorrerá durante o ensino clínico III, (Enfermagem de Reabilitação opcional), do curso supracitado, o qual acontecerá entre 25 Fevereiro e 14 Março de 2008, no Centro de saúde do Caniço, concelho de Santa Cruz. A preparação das actividades integradas no projecto decorre desde Maio de 2007, como se constata no cronograma exposto adiante.
De seguida apresento, no capítulo projecto de auto-formação o trabalho de projecto. Na contextualização, justifico a opção do tema do projecto face ao meu percurso profissional, pertinência mediante a sociedade vigente a caracterização da população idosa do Caniço e ainda a importância para a enfermagem de reabilitação do projecto. Exponho também no referido capítulo os objectivos pretendo atingir. No quadro conceptual, faço uma abordagem dos conceitos que são relevantes para compreender o âmbito do projecto nomeadamente o processo de envelhecimento, a mobilidade/actividade física no idoso e o papel do enfermeiro de reabilitação na promoção da mobilidade do idoso. No capítulo, selecção e organização de meios e estratégias exponho as actividades e intervenções que levarei a cabo para executar o projecto, bem como os objectivos específicos de cada uma delas, estando no cronograma patente o tempo em que as mesmas acontecerão. Na descrição da implementação das actividades relatarei a concretização das intervenções planeadas. O desenvolvimento ou implementação do projecto será apresentado através da metodologia de portfolio, ao longo do qual farei através de uma reflexão crítica, uma avaliação de como decorreu o projecto implementado, quais os resultados, os benefícios e os obstáculos encontrados.
1.PROJECTO DE AUTO-FORMAÇÃO
Falar de projecto tornou-se hoje um discurso privilegiado em vários domínios. Fernandes (1998), defende que vivemos numa civilização de projectos. No intuito de inovar e de fazer frente às exigências futuras, o campo profissional e as organizações são locais de emergência para a realização de projectos. A enfermagem não é excepção e por isso tanto a nível organizacional, como a nível da avaliação de desempenho e da formação é solicitada a elaboração de projectos como metodologia de crescimento profissional, e de aprendizagem. Um projecto como nos diz Lhotellier (1986) é uma intenção desencadeada por uma motivação, de realizar uma obra, um trabalho, uma acção, animada por uma implicação contínua, afirmada por uma orientação de valor.
Do projecto fazem parte etapas metodológicas, que são de acordo com Fernandes (1998), o diagnóstico da situação, a determinação de prioridades, a definição de objectivos, a selecção e organização de meios e estratégias, a execução e a avaliação, as quais encontram-se descritas no presente documento.
1.1 Contextualização
Nos últimos séculos tem-se assistido a mudanças demográficas e sociais em todo o mundo, que determinaram uma sociedade maioritariamente envelhecida, inactiva e dependente. Actualmente, uma em cada dez pessoas está com idade superior a 60 anos e estima-se que em 2050 essa relação seja de uma para cada cinco pessoas, sendo as mulheres em maior número. Mundialmente, no final do século XX, houve um aumento da esperança de vida em vinte anos com uma média de vida de 66 anos, referem Rebelatto e Moretti (2004), para tal contribuíram factores como um maior acesso aos sistemas de saúde, os avanços científicos que proporcionaram diagnósticos e tratamentos cada vez mais precoces, a prevenção mais efectiva das incapacidades e o desenvolvimento da indústria farmacêutica. Como consequência do aumento da população idosa, Carvalho (2005) reitera, que as doenças crónicas e incapacidades também aumentaram, 88% dos indivíduos com mais de 65 anos apresenta pelo menos uma patologia crónica e 21% possui incapacidades crónicas. As mulheres são certamente as mais atingidas sendo que 35% a 50% entre os 70-80 anos apresenta dificuldade de locomoção e na realização de tarefas diárias.
Não escapando à tendência mundial, Portugal duplicou o número de idosos nos últimos quarenta anos e desde 1999 que o número de idosos ultrapassou o número de jovens, o que levou á criação do Programa Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas 2004-2010, integrado no Plano Nacional de Saúde (2004-2010), pela Direcção Geral de Saúde. Este programa foi concebido em concordância com as recomendações da política para a população idosa, das organizações internacionais, designadamente das metas para a saúde do projecto ―Saúde 21‖ da Organização Mundial de saúde. Mais concretamente da META 5 _ Envelhecer Saudavelmente e mais tarde do Plano de Acção Internacional para o Envelhecimento 2002.
Citando a Direcção Geral de Saúde e o referenciado Programa Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas 2004-2010, o nosso país possui uma alta esperança de vida, 80.3 anos para as mulheres e 73.5 anos para os homens. Conforme dados da divisão de estatística da entidade supracitada, para uma população residente de 10529.3 o índice de envelhecimento era em 2004, de 108.7% enquanto o maior índice de dependência pertencia igualmente ao grupo dos idosos que possuía 25.2% de dependência, num total de 48.5% de dependência na população residente.
Por sua vez a Madeira apresentava em 1999, citando dados apresentados no Plano Regional de Saúde de 2004 da Secretaria Regional de Saúde, uma esperança de vida de 73.3 anos, sendo que a população idosa aumentou 15% entre 1991 e 2001. O índice de envelhecimento em 2001 era de 71.6% contra 47.4% de 1991 e o índice de dependência da população idosa aumentou de 17.8%, em 1991 para 20.1% em 2001. A nível dos concelhos, o Norte da ilha apresenta maior grau de dependência e o concelho de Santa Cruz, no qual desenvolverei o meu projecto tinha um índice de dependência na pessoa idosa de 16.6%.
É Interessante verificar que o Instituto Nacional de Estatística na sua publicação ―Atlas das cidades de Portugal‖ editado em 2004, elaborado a partir de dados dos censos de 2001 e de outros inquéritos, realizados por esta entidade, narra que, no concelho de Santa Cruz, para uma população de 5673, o nível de dependência total é de 47.8% e o índice de dependência nos idosos é de 25.6%.
Do relatório de actividades de 2006 dos Centros de Saúde do concelho de Santa Cruz, constatamos que o Caniço tem 1315 idosos inscritos no Centro de Saúde, sendo a taxa de frequência às consultas de 83.8%. Da aplicação da escala de avaliação funcional de Barthel a 74 idosos concluiu-se que 28 apresentavam dependência ligeira, 30 dependência moderada, 10 dependência severa e 5 dependência muito severa.
Os factos que acabei de enunciar confirmam a percepção empírica, proveniente da minha experiência pessoal e profissional de que os idosos são cada vez em maior número, possuem cada vez mais incapacidades, e consequentemente maior grau dependência, quer seja nos serviços de internamento quer seja nos domicílios.
A Direcção Geral de Saúde, no Programa Nacional de Saúde para as pessoas idosas de 2004-2010, reitera que, perante evidências como o reconhecido envelhecimento demográfico, a reestruturação das famílias (famílias de idosos unipessoais) e os actuais comportamentos sociais e familiares, enormes desafios se advinham a curto e médio prazo aos sistemas de saúde, de forma a garantir a eficácia na acessibilidade e qualidade dos cuidados, para que ao aumento de vida corresponda a um aumento da saúde e bem-estar.
É de vital importância que as pessoas idosas tenham saúde se a consideramos, conforme a Organização Mundial de saúde, citada pela direcção geral da saúde, no Programa Nacional de Saúde para as pessoas idosas, (2004-2010),
Como um recurso da vida quotidiana e não apenas um objectivo a atingir, um conceito positivo que valoriza os recursos sociais e individuais, assim como as capacidades físicas, pois só assim os mais velhos terão qualidade de vida. (p.6) Esta saúde passa portanto por um envelhecimento activo, definido como um processo de optimização das oportunidades para a saúde, participação e segurança, para melhorar a qualidade de vida das pessoas que envelhecem, por Who (2002), citado no Programa Nacional para as pessoas idosas 2004-2010.
A qualidade de vida, nas pessoas idosas é largamente influenciada pela capacidade em manter a autonomia (capacidade percebida para controlar, lidar com as situações e tomar decisões sobre a vida do dia-a-dia, de acordo com as próprias regras e preferências) e a independência, (capacidade para realizar funções relacionadas com a vida diária, sem ajuda ou com pequena ajuda de alguém) como nos explica Who (2002).
A promoção da saúde, processo pelo qual proporciona-se ao individuo ter um maior controlo sobre a sua própria saúde e que compreende não só acções que visam reforçar as aptidões e capacidades dos indivíduos, mas também as medidas que visam alterar a situação social, ambiental e económica, de modo a reduzir os seus efeitos negativos sobre a saúde pública, e sobre a saúde das pessoas, (p. 7) preconizada pela Carta de Otawa para a promoção da saúde de Genéve de 1986, e os cuidados de prevenção dirigidas às pessoas idosas, melhoram a saúde e a qualidade de vida e ajudam a racionalizar os recursos da sociedade.
Sabendo que a evolução prolongada das doenças crónicas e as doenças não transmissíveis, por serem insidiosas, incapacitantes, são sem dúvida as principais causas da morbilidade e da morbilidade nos idosos, com custos elevados para as famílias e sociedade e que a maioria das complicações destas patologias pode ser retardada e até evitada, facilmente se compreende o papel do enfermeiro de reabilitação na promoção da saúde, prevenção primária, secundária e terciária da deficiência, incapacidade, desvantagem e dependência na população idosa, que aliais é segundo a direcção geral da saúde e o programa nacional de saúde para as pessoas idosas,
“…uma abordagem prioritária e indispensável do sector da saúde no quadro
da manutenção, o mais tempo possível, da máxima autonomia e independência daquelas pessoas, obrigando, concomitantemente a uma
mudança de mentalidades e de atitudes da população face ao envelhecimento…” (p.8)
No mesmo programa estão delineadas três grandes estratégias de intervenção respectivamente, nas áreas do envelhecimento activo, da organização e prestação de cuidados de saúde e de promoção de ambientes facilitadores da autonomia e independência. São propostas recomendações para a acção junto das famílias e pessoas idosas tais como:
Abordar as situações mais frequentes de dependência, nomeadamente por deficits motores, sensoriais, cognitivos, ambientais e sócio-familiares;
Informar e formar sobre a actividade física moderada e regula e as melhores formas de a praticar;
Informar e formar sobre a detecção e eliminação de barreiras arquitectónicas inibidoras da independência
Prestação de cuidados domiciliários a pessoas idosas doentes ou com dependência
O mesmo programa será depois avaliado através de indicadores de resultados como a dependência nos auto-cuidados
A secretaria regional de saúde da Madeira no seu plano regional de saúde 2004-2010, também reconhece que a diminuição de funções na população idosa é evitável e traça como meta para o ano de 2010, o aumento para 20%, dos idosos com 75 anos ou mais com capacidade para ser autónomos, nas actividades domésticas e actividades de vida diária e para tal propõem-se desenvolver diferentes intervenções, entre elas, a promoção e protecção da saúde dos idosos
As pessoas com maior risco e numa fase transitória ou já instalada dependência assumem segundo o programa acima indicado uma intervenção imediata por parte dos serviços e profissionais de saúde, campo no qual irei incidir o meu projecto.
Por sua vez o projecto de intervenção em cuidados de enfermagem de reabilitação nos cuidados de saúde primários da Madeira elaborado pelos enfermeiros especialistas em reabilitação a exercer funções nos cuidados primários, que data de 2005, reitera
a actuação do Enfermeiro de reabilitação aos três níveis de prevenção, mencionando a circular de 5/90 de 21 de Fevereiro onde está explícito que o Enfermeiro de reabilitação deverá actuar precocemente, através de técnicas específicas a fim de evitar complicações ou sequelas, aproveitando a capacidade funcional do indivíduo, diminuindo a incapacidade e, contribuindo para a total reintegração familiar e social da pessoa. (p.7)
Na entrevista individual que realizei com a Enfermeira Mireya Fernandes (enfermeira especialista em reabilitação a exercer funções no Centro de Saúde do Caniço), esta confirmou a existência de idosos com diferentes níveis de dependência em que intervém promovendo a sua mobilidade, com o fim de conseguir o máximo de autonomia e independência possível dos mesmos.
A minha prática profissional também me incentiva a realizar este projecto já que é frequente cuidar de idosos cada vez mais dependentes e para os quais ainda não se consegue dar a resposta atempada e eficaz para impedir as complicações da imobilidade e aumentar a qualidade de vida do idoso através de um envelhecimento activo.
Face às evidências populacionais mundiais e particularmente da Madeira, e de acordo com a minha prática profissional e com as metas de saúde delineadas pela Organização Mundial de Saúde e da Direcção Geral da saúde Portuguesa, bem como do Serviço Regional de Saúde entendo ser relevante e importante desenvolver este projecto, para compreender e aprofundar conhecimentos, pois serei como enfermeira de reabilitação, uma das intervenientes activas e com papel fundamental na promoção da mobilidade das pessoas idosas.
1.2 Objectivos
Ao desenvolver este projecto, tendo como população alvo as pessoas idosas inscritas no Centro de Saúde do Caniço e suas famílias, tenho como objectivo geral: Aprofundar as minhas competências teóricas e teórico-práticas sobre promoção da mobilidade na pessoa idosa
Aspiro, portanto, compreender o papel do enfermeiro de reabilitação na
promoção da mobilidade da pessoa idosa, aprender a identificar as alterações na mobilidade da pessoa idosa, as evidências que demonstram os problemas e os factores que influenciam a mesma. Ambiciono melhorar a minha actuação em conformidade com o conteúdo funcional do enfermeiro de reabilitação. Pretendo também conhecer e praticar a elaboração de sessões de educação para a saúde, técnicas, actividades, intervenções de comunicação e relacionais de forma a promover a qualidade de vida da pessoa idosa e dos seus cuidadores. Terei então como finalidades:
Educar a pessoa idosa/cuidador sobre a importância da mobilidade, treinando
técnicas e estratégias durante as actividades de vida diária e/ou outras actividades que promovam a mobilidade na pessoa idosa.
Promover junto dos colegas enfermeiros e outros profissionais de mim dependentes a importância e as estratégias e actividades a desenvolver para promover na mobilidade na pessoa idosa.
Para tal encetarei diferentes actividades e pesquisa teórica as quais abordarei nos subcapítulos seguintes.
1.3 Revisão de literatura
Após a uma pesquisa exaustiva verifiquei existem estudos sobre a mobilidade da pessoa idosa e sobre a actividade física no idoso, encontrando-se alguns artigos em suporte digital, sendo mais abundantes a nível internacional do que em Portugal. No entanto é de realçar, que encontrei poucos projectos ou programas de longa duração sobre a mobilidade no idoso. O que poderá indicar, que, de acordo com os estudos que encontrados, estão documentados as vantagens dos exercícios de mobilização da pessoa idosa, mas ainda é diminuta a prática regular de exercício físico na pessoa idosa. Importa também salientar o facto de não ter encontrado trabalhos ou projectos desenvolvidos por enfermeiros de reabilitação. No entanto e como veremos adiante, existem artigos descritivos sobre a mobilidade da pessoa idosa.
De seguida exponho os projectos e estudos que seleccionei daqueles que encontrei na pesquisa bibliográfica, já que melhor se enquadram na temática que estou a desenvolver.
O Projecto Idade Maior surgiu em 2005 no seguimento de um alerta da Organização Mundial de Saúde em que afirmou que os centros de saúde são um factor crítico na manutenção do estado de saúde e da qualidade de vida da população mais idosa e que o exercício físico, mesmo quando iniciado em idades mais avançadas, é um forte factor promotor de ganhos em saúde.
O projecto ―idade maior‖, é desenvolvido numa parceria entre a Direcção Geral de Saúde a faculdade de motricidade humana, da Universidade Técnica de Lisboa (FMH-UTL) e os laboratórios Pfizer e é um dos galardoados na categoria da ―Educação‖ da terceira edição dos Prémios Hospital do Futuro. A terceira edição dos Prémios Hospital do Futuro de 2007 recebeu 155 candidaturas de mais de 70 organizações e profissionais de saúde. A iniciativa conta com 15 categorias. O ''Hospital do Futuro'' é um Fórum independente, organizado pela groupVision Saúde, que visa encorajar e dar suporte à geração de conhecimento, num sector de actividade que intersecta a política, a tecnologia e a inovação.
O projecto promove o envelhecimento activo e mais saudável nos idosos e tem como objectivo promover comportamentos saudáveis que visem a melhoria da qualidade de vida dos adultos de maior idade (50 ou mais anos), pretende melhorar os conhecimentos dos adultos de idade maior sobre as vantagens da prática regular de exercício físico. Os criadores do projecto, propuseram-se formar profissionais de saúde dos cuidados primários para que assumam o papel de agentes de promoção de saúde e implementem actividades deste género, incluindo exercício físico ajustado à idade e patologia, para adultos de idade maior.
Em Outubro de 2005 aconteceu a primeira formação nacional em Exercício e Saúde inserida no Projecto Idade Maior. A partir desta proporcionaram-se sessões semanais de Exercício Físico, orientadas por especialistas em Exercício e Saúde, em dois Centros de Saúde do país: Centro de Saúde dos Olivais (Lisboa) e Centro de Saúde de Águas Santas (Porto). Em Maio de 2006, realizou-se a primeira ―Feira do Movimento‖ do Projecto Idade Maior para comunicar com a comunidade idosa e informar sobre o impacto positivo do exercício físico na condição física e na qualidade de vida. O evento aconteceu nos Jardins de Belém com a participação de cerca de 500 adultos de idade maior e 50 monitores da Faculdade de Motricidade Humana.
Em Junho de 2007 foi aberto ao público um circuito de promoção do exercício físico no Jardim da Estrela em Lisboa. Quem tiver mais de 50 anos pode treinar gratuitamente nos 16 equipamentos disponíveis no circuito, que foi desenhado de forma a permitir o acesso a pessoas portadoras de deficiências motoras. Os aparelhos foram criados especificamente para cada grupo muscular, com vários graus de dificuldade, de forma a adequar-se às exigências de cada sénior. Em todos os pontos de paragem está disponível informação de leitura fácil sobre o modo mais adequado de praticar cada exercício e o potencial impacto dessa prática no seu estado de saúde.
A socialização e a redução dos níveis de sedentarismo são outras das finalidades do circuito, como referiu o director médico do laboratório Pfizer, Aleixo Dias, um dos promotores da iniciativa. "A morte para a vida começa muito cedo e é preciso criar estímulos para os mais velhos praticarem alguma actividade física orientada por profissionais de saúde e desporto", acrescentou Aleixo Dias.
Para a professora Helena Santa Clara, da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, com exercício os praticantes estarão "mais aptos para o desempenho das tarefas quotidianas com autonomia, melhorando a sua qualidade de vida". "A maioria dos adultos de idade avançada têm como grande meta manter a sua autonomia e funcionalidade até o mais tarde possível no decurso das suas vidas" e isso pode ser conseguido através do desporto, sustentou.
Segundo Helena Santa Clara, os equipamentos inseridos no circuito vão proporcionar exercícios de força muscular, de flexibilidade, de coordenação, de equilíbrio e postura.
Este projecto foi divulgado na Madeira, através dos delegados de informação médica dos laboratórios da Pfizer, tendo sido iniciado um projecto-piloto no concelho de Machico, estando neste momento suspenso.
Na minha opinião este é um projecto inovador no cuidado dos idosos, em todos os aspectos do cuidar da pessoa idosa, compreende a problemática da pessoa idosa e actua de modo a promover um envelhecimento activo, procurando envolver a pessoa idosa os técnicos de saúde e os cuidadores.
O Enfermeiro especialista em reabilitação é um dos técnicos por excelência para trabalhar num projecto como este, já que ele impulsiona a mobilidade no idoso, como um dos principais componentes para um envelhecimento saudável. A prevenção e o ensino á pessoa idoso e seus cuidadores são inerentes ao papel do enfermeiro de reabilitação.
Kuhnen et al desenvolveram, um estudo, integrado no Curso de Licenciatura em Educação Física da UFSC, Brasil, sobre a influência do exercício físico na força de membros das pessoas idosas. Trata-se de um estudo descritivo e transversal que envolveu 200 idosas. Foram utilizados os testes de rosca directa para membro superior e o teste de levantar e sentar na cadeira em 30 segundos para membros inferiores. Os resultados apontam uma melhora no nível de força dos membros inferiores e superiores, portanto um planeamento adequado de exercícios físicos contribuirá significativamente em ganhos de força muscular. Concluiu-se que os ganhos
conseguidos a nível de foça muscular poderão interferir no desempenho das actividades diárias relacionadas com essa qualidade física, como agachar e levantar, subir e descer escadas, vestir-se, carregar peso, entre outros. Portanto, possibilitando a conquista de mais autonomia para a realização das actividades da vida diária da pessoa idosa, o que possivelmente interferirá directamente na qualidade de vida da mesma.
Kuwano, V. & Silveira, A. M., professores de educação física, por seu lado estudaram em 2002, ―A influência da actividade física sistematizada na auto percepção do idoso em relação às actividades da vida diária‖. Os autores constituíram uma amostra de 40 indivíduos do sexo feminino, com idade acima de 50 anos. Destes, 20 idosos frequentaram as aulas de hidroginástica duas vezes por semana, e 20 indivíduos não praticavam actividade física, ou seja, eram sedentários. A pesquisa caracterizou-se como descritiva, e como instrumento de medida utilizou-se um questionário com 40 perguntas, proposto por Andreotti e Okuma (apud MATSUDO, 2000), o qual se refere às várias actividades realizadas durante a rotina diária do idoso. Para tratamento dos dados, foi utilizada a escala proposta por Andreotti e Okuma (apud MATSUDO, 2000), a estatística descritiva e o teste ―t‖ de Student.
Foram comparados os dados de indivíduos que praticavam hidroginástica durante um ano ou mais e os dados de indivíduos sedentários. Os resultados apontaram que os indivíduos praticantes de actividade física melhoraram em relação aos aspectos físico, psíquico e social e receberam um conceito de ―muito bom‖, pontuação máxima na escala proposta pelo estudo, enquanto os indivíduos sedentários receberam o conceito de ―bom‖. Houve diferença estatisticamente significativa p <0,05, entre o grupo de idosos activos e o de inactivos. Concluiu-se que o programa actividades físicas sistematizadas - hidroginástica -auxilia na manutenção da autonomia do idoso em relação às actividades da vida diária, e que os idosos percebem os benefícios proporcionados pela actividade física.
Com base na bateria de testes de avaliação, Fullerton Functional Fitness test, (validada por Miotto, Chodzko-Zajko, Reich & Supler), está a decorrer um projecto internacional de comparação da aptidão física funcional de homens e mulheres com mais de 60 anos de idade, em que parte da participação Portuguesa decorre no âmbito do Programa de Actividade Física para as pessoas idosas do concelho de Oeiras, sob a coordenação científico-pedagógica do Núcleo de Exercício e Saúde da Faculdade de Motricidade Humana. Com o intuito da utilização da bateria de avaliação acima descrita, em Portugal, foi publicada uma versão portuguesa adaptada por Sardinha em 1999. É esta bateria de testes que eu também utilizarei no meu projecto. É também com base nesta bateria de testes, que o projecto ―Idade Maior‖, (antes referenciado antes neste subcapítulo), baseia a sua avaliação da aptidão física.
Tais resultados interferem, de maneira positiva, na qualidade de vida dos idosos. Da revisão de literatura que apresentei depreende-se que todos os estudos sugerem aspectos benéficos da prática de actividade física Na pessoa idosa.
Concluindo-se que a mobilidade controlada e assistida por profissionais credenciados para o efeito, é importante e é o caminho a seguir.
Assim se demonstra a importância do projecto que pretendo implementar, promovendo a mobilidade do idoso, seja qual for o nível de dependência que este apresente.
Note-se que, surpreendentemente, não encontrei estudos ou projectos sobre a mobilidade da pessoa idosa, totalmente dependente, (embora tenha encontrado documentos descritivos sobre o assunto), o que não deixa de ser preocupante, já que essa o papel do enfermeiro de reabilitação é de extrema importância na mobilização da pessoa idosa dependente, de modo a não agravar e/ou evitar situações patológicas e de promover a qualidade de vida das mesmas.
1.4 Quadro conceptual
Segundo FORTIN e COTÊ (1999, p.93), o quadro de referências é uma generalização abstracta que situa o estudo num determinado contexto e que lhe dá um significado particular, isto é uma forma de entender o fenómeno a desenvolver ou estudar. Constitui assim uma base para a compreensão e interpretação dos diferentes conceitos e da sua ligação á problemática que pretendemos aprofundar. Ainda sobre, o quadro de referências, os mesmos autores, refere que este pode ser teórico ou conceptual, sendo que enquanto o primeiro é a explicação de uma teoria, o conceptual é um processo interactivo sobre conceitos e a relação entre os mesmos.
Assim optei por apresentar um quadro conceptual, o qual me permitirá elaborar uma exposição clara e sucinta dos diferentes aspectos da mobilidade na pessoa idosa, relacionando-os entre si.
Farei uma abordagem teórica do processo de envelhecimento e as principais teorias que o explicam; a mobilidade no idoso, (que condicionantes interferem na mesma e que consequências podem acontecer se prevalecer o desuso). Abordarei também a actividade física na pessoa idosa, já que uma das vertentes no meu projecto é a de promoção da saúde através da actividade física na pessoa idosa. Finalmente descreverei a importância e a intervenção do enfermeiro na mobilidade da pessoa idosa.
1.4.1 O processo de envelhecimento
O envelhecimento tem um grande impacto na vida das pessoas, não só pela interferência nas suas actividades diárias, mas também pelos inconvenientes sociais e psicológicos que as limitações que lhe são próprias lhe impõem, perturbando o seu bem-estar e a sua qualidade de vida.
O envelhecimento é um processo degenerativo que compreende alterações alterações fisiológicas, alterações psicológicas e alterações sociais.
Segundo Spirduso (1996), citado por Ilano et al (2004) o envelhecimento é um processo ou grupo de processos, que ocorrem nos organismos vivos e que com a passagem do tempo levam a uma perda de adaptabilidade, danos funcionais e eventualmente à morte, sendo uma extensão lógica dos processos fisiológicos de crescimento e desenvolvimento. O envelhecimento constitui um processo inexorável e transversal a todos os indivíduos, com reflexos variáveis na vertente fisiológica, psicológica e social. A par da história genética, a subjectividade das vivências, o ambiente ecológico, social e cultural onde o indivíduo se desenvolve, são condicionantes do envelhecimento. ―Cada pessoa é única e envelhece em função do que viveu.‖, refere Jacques(2004), citado por Loureiro e tal (2007).
Segundo Carvalho (2005) os principais factores desencadeantes do envelhecimento são a alimentação e a inactividade física, logo se fizermos uma alimentação saudável e praticarmos alguma actividade física teremos uma melhor qualidade de vida porque permaneceremos sem as complicações do desuso.
Outros factores como o tempo, a hereditariedade, o meio ambiente e o estilo de vida, parecem também ter influência no envelhecimento das pessoas.
De acordo Spirduso (1996), citado por Ilano et al (2004), existem dois tipos de envelhecimento: o primário que representa as mudanças provocadas pela idade, independentemente das doenças ou influências ambientais; e o secundário que se refere à rápida evolução deste processo, devido á influência da doença e dos factores ambientais.
Delimitar a faixa etária da chamada terceira idade, também é uma tarefa difícil, dado que diversos autores definem cronologicamente este período de vida de forma diferente. Muitos autores consideram ainda categorias dentro deste período, Rappoport (1978), citado por Ilano e tal (2004), define três subdivisões na terceira idade: período de maturidade (dos 50 aos 60 anos), período de velhice (dos 65 aos 80 anos) e período de longevidade (a partir dos 80 anos).
Por uma questão estrutural, funcional e regulamentar, tem sido considerada a proposta da Organização Mundial de Saúde (OMS) que conceptualiza o idoso pela idade e grau de desenvolvimento do seu país, propondo para os países desenvolvidos um limite de 65 anos e para os países em desenvolvimento, 60 anos.
Para a elaboração deste projecto, defini cronologicamente a terceira idade, como aliais a maioria dos investigadores, a partir dos 60 anos.
1.4.1.1 Teorias do envelhecimento
Embora cada vez mais se procure investigar como e porquê se envelhece, ainda não está exactamente claro como o nosso corpo, perde funcionalidade. Sabe-se porém, que o processo de envelhecimento difere de pessoa para pessoa, assim como de um aparelho ou sistema (cardíaco, respiratório, muscular, etc...) para outro. Tal como sucede com a idade cronológica não existe consenso sobre as causas exactas que desencadeiam o envelhecimento. São inúmeras as teorias geradas pelos grandes avanços científicos e tecnológicos, que tentam explicar este fenómeno. Spirduso (1996), citado por Ilano et al (2004) resume as tendências mais significativas classificando-as como Teorias Genéticas, Teorias de Agressão e Teorias do
Desequilíbrio gradual TEORIAS GENÉTICAS
As teorias genéticas alegam que o processo de envelhecimento, está programado pelos nossos genes desde o nascimento até a morte. Sugerem também que existem genes específicos que controlam a longevidade embora não identificados até agora. Estes genes ditam a idade celular dentro do núcleo celular, ou que determinados genes são desenvolvidos ou reprimidos durante o desenvolvimento normal da vida. Uma das teorias mais actuais dentro deste género é a das mutações do ADN na mitocôndria celular, segundo a qual estas mutações aumentam durante a vida causando o envelhecimento do mesmo.
TEORIAS DA AGRESSÃO
Estas teorias baseiam-se no conceito de que as reacções químicas que acontecem de forma natural no corpo começam a produzir uma quantidade irreversível de danos nas moléculas. Por outro lado introduzimos quantidades de substâncias químicas no nosso organismo através de diversas fontes como: o ar que respiramos, o tabaco, os alimentos, incluindo os próprios processos metabólicos do corpo que deterioram as nossas células. De acordo com os defensores destas teorias, poderíamos retardar o envelhecimento se controlássemos se minimizássemos a exposição a estas substâncias químicas.
Uma destas teorias, é a defendida por Johnson (1985), este sustenta que desde que nascemos estamos sujeitos a micro agressões inevitáveis das quais o corpo se defende de forma natural. Quando o sistema de defesa deixa de ser efectivo acontece o envelhecimento, levando a perda de funcionalidade dos órgãos afectados e, por fim, uma falha no sistema. O referido autor argumenta que as patologias são o resultado da acumulação gradual de danos não completamente reparados provocadas às inúmeras micro-agressões. Neste grupo, cabe também a Teoria dos radicais livres, defendida desde 1954 por o Dr. Denham Harmon. Esta teoria assenta no seguinte: nos temos no nosso corpo moléculas que são constituídos por átomos que por sua vez são unidos por ligações químicas. Cada ligação consiste num par de electrões. Quando esta ligação se desfaz durante as reacções químicas de defesa do nosso organismo, restam dois electrões agora desemparelhados e instáveis. Estes fragmentos celulares são altamente reactivos, são os conhecidos radicais livres. Rapidamente os radicais livres procuram ligar-se por serem muito instáveis e reactivos, aí acontece o que os cientes chamam de oxidação, o que pode acontecer em qualquer parte do organismo, perfurando membranas celulares, destruindo enzimas fundamentais e fragmentando o ADN. Além disso, os radicais livres são notavelmente reproduzíveis, devido à sua grande energia, um radical livre movimenta-se rapidamente até bater numa molécula próxima com uma ligação estável. Esta por sua vez quebra originando dois radicais livres. O radical livre que provocou a colisão une-se a um dos segmentos então formados. Embora este fique estável, pelo choque libertam-se mais dois radicais livres. Tudo isto acontece em nanossegundos. Assim
recomeça uma nova reacção em cadeia que produz milhares de fragmentos á deriva, procurando destabilizar outras células.
Deste modo os radicais livres ao oxidar atacam outros componentes celulares causando alterações e disfunções que se acumulam ao longo da nossa vida. Muitas agressões celulares acabam por matar as células, facto frequente à medida que a idade avança.
Alguns cientistas alegam que o consumo de vitamina A e E reduzem a quantidade de radicais livres no organismo, pela sua acção antioxidante.
Ao falarmos nas vantagens do exercício físico veremos como este pode ajudar o organismo a defender-se dos radicais livres.
TEORIAS DO DESIQUILÍBRIO GRADUAL
De acordos com estas teorias o cérebro, as glândulas endócrinas ou o sistema imunológico começam a falhar progressivamente as suas funções à medida que o tempo passa, provocando um desequilíbrio orgânico. O sistema nervoso central e o sistema endócrino são os reguladores e integradores das funções celulares e dos sistemas orgânicos. As falhas no sistema imunológico desafiam estes mecanismos de controlo, o que conduz a um alto risco de desenvolvimento patológico.
Embora todas estas teorias sejam investigadas e discutidas separadamente, existem aspectos comuns que se relacionam e/ou complementam. O envelhecimento ocorre, devido a uma interacção de causas genéticas, agressões e desequilíbrio progressivo.
1.4.1.2 Envelhecimento físico, sócio-afectivo e psicológico
Neste subcapítulo descreverei os efeitos deste processo involutivo nas três dimensões básicas de cada indivíduo, físico, sócio-afectivo e psicológico
ENVELHECIMENTO FÍSICO
O processo natural do envelhecimento produz efeitos ao nível fisiológico dos sistemas básicos que compõem o nosso organismo. No entanto durante muito tempo, o conhecimento das alterações fisiológicas da pessoa idosa, não evolui, devido, entre os outros factores, ao facto dos idosos serem pouco activos e logo economicamente pouco rentáveis. Mas, o aumento das pessoas idosas a nível mundial á escala mundial, tornou-se urgente conhecer mais sobre a biologia do processo de envelhecimento. Outro aspecto que merece ser destacado, é o facto de os idosos serem vistos como o estereótipo de um doente. Ainda hoje é possível encontrar caracterizações de alterações advindas do processo de envelhecimento normal como sendo um estado patológico, sendo a pessoa idosa sendo tratada como alguém doente.
Torna-se assim fundamental esclarecer quais as alterações que decorrem do envelhecimento normal (senescência) e as alterações consideradas patológicas (senilidade).
De seguida exporei as principais alterações que se observam a nível dos diferentes sistemas durante o envelhecimento natural ou senescência. Na minha exposição darei ênfase aos aspectos que maior influencia têm sobre a mobilidade no idoso, visto este ser o tema do presente projecto.
Alterações da composição e forma corporal:
Á medidas que envelhecemos acontecem uma diminuição do peso e da estatura. Essa perda é da ordem de 1 cm por década aproximadamente e começa a acontecer por volta dos 40 anos de idade. Essa diminuição deve-se, principalmente à diminuição dos arcos dos pés e ao aumento das curvaturas da coluna vertebral, bem como à diminuição do tamanho desta, como consequência da perda água dos discos intervertebrais decorrentes dos esforços de compressão a que são submetidos.
Acontece também o achatamento dos discos vertebrais, o que provoca a diminuição da altura e alterações posturais.
Fig. 1 - Alterações posturais do idoso devido aos efeitos do envelhecimento a nível da coluna vertebral
Fonte: Imagens do Google, pesquisa coluna vertebral
Fig. 2 – Diferença de estatura entre o adulto e a pessoa idosa
Fonte: Lustri, W. R. & Morelli, J.G.S. (2004). Aspectos biológicos do envelhecimento. In Fisioterapia Geriátrica. A prática da assistência ao idoso (p.60)
A pessoa idosa também poderá apresentar alterações características que podem dar ideia da sua conformação típica, tais como o aumento dos diâmetros da caixa torácica e do crânio, o crescimento contínuo do nariz e do pavilhão auricular.
Acontece também um aumento do tecido adiposo, mais acentuados na região abdominal.
A quantidade de água corporal também diminui devido á perda intracelular, bem como devido á perda de potássio, principalmente pela diminuição do número de células nos órgãos.
Alterações do sistema locomotor:
A nível do sistema locomotor surgem alterações ósseas, pela diminuição progressiva da densidade óssea o enfraquece os ossos, fazendo com que uma grande percentagem de idosos sofra de osteoporose. De acordo com alguns autores, a perda da densidade óssea no homem é de cerca de 0.35 no homem por ano, enquanto na mulher é de cerca de 1% ao ano, acentuando-se no período pós-menopausa.
Esta perda óssea caracteriza-se pelo desequilíbrio no processo de modelagem e remodelagem consequente do envelhecimento, e pode ocorrer por aumento da actividade dos osteoclastos, por diminuição da actividade dos osteoplastos ou até mesmo pela combinação de ambos. Esta perda, á medida que a idade avança é contínua levando á osteoporose. Segundo Lustri & Morelli, (2004), os estudos apontam para o facto de que as pessoas portadoras de osteoporose apenas procurarem acompanhamento clínico após o aparecimento de intercorrências, nomeadamente as fracturas.
Da minha experiência, no nosso meio já muitas pessoas (frequentemente as mulheres) fazem medicação precocemente, alertadas pelos médicos da sua importância para minimizar as consequências da perda óssea, no entanto ainda estão muito de longe de terem uma mentalidade positiva, no sentido de tomar atitudes protetoras das consequências da perda óssea e da osteoporose, como as quedas e muitas vezes com repercussões importantes como as fracturas. Simples atitudes de reformulação da configuração do mobiliário, tapetes e iluminação, são muitas vezes difíceis de incutir na pessoa idosa.
A perda de óssea também depende da raça, ocupação, dos hábitos alimentares, da condição económica, entre outros factores. É por isso importante da contínua remodelagem do osso a qual pode ser realizada por meio da submissão desses ossos a carga. A actuação das cargas sobre o osso faz com que haja maior deposição de tecido ósseo. Um exemplo disso é a comparação entre as pernas de alguém que caminha e alguém paraplégico ou que esteve com um gesso durante um período de tempo considerável.
A pessoa idosa sofre também alterações das fibras musculares: as fibras de contracção rápida ou de tipo II diminuem em número e em volume e as fibras de contracção lenta ou de tipo I, também diminuem em quantidade embora em proporção menor comparando com as referidas anteriormente. Pensa-se que este facto pode estar relacionado com o facto de os idosos apresentarem lentidão de movimentos.
A massa muscular diminui, verificando-se por isso, diminuição do peso muscular e da área transversal. Também se deve à perda de unidades motoras e ao facto de nas placas motoras das pessoas idosas as pregas serem mais numerosas e as fendas sinápticas tornarem mais amplas, reduzindo a superfície de contacto entre o axónio e a membrana plasmática. Por tudo isto a pessoa idosa apresenta menor força, menor coordenação dos movimentos e por isso fica também mais susceptível a acidentes, nomeadamente quedas. As alterações sensoriais e motoras decorrentes do envelhecimento, especialmente quando associadas ao sedentarismo, podem explicar as dificuldades na realização de actividades motoras. Sabe-se, por exemplo, que a força física diminui cerca de 5% a 10% por década entre os adultos que não exercitam seus músculos. Isso ocorre devido à perda gradual de tecido muscular que acompanha o processo de envelhecimento.
O trabalho de alongamento e flexibilidade com peso na terceira idade, permite melhorar a independência da pessoa idosa para realizar as actividades da vida diária, tais como cozinhar, limpar a casa, fazer compras, sair de casa. Estas últimas requerem força muscular e flexibilidade para melhorar o padrão da marcha, estabilizar ombros e melhorar a postura, que influenciarão no equilíbrio.
As articulações existem no sentido de permitir a mobilização e sustentação mecânica. Com o avanço da idade, no entanto acontece a degeneração da cápsula articular. À medida que a pessoa envelhece as articulações fibrosas tornam-se calcificadas ou são recobertas por matriz óstornam-sea. Por sua vez a rigidez dos ligamentos limita a amplitude e a velocidade de movimento dessas articulações. A articulação da anca juntamente com a do joelho, merecem atenção especial durante o
programa de actividade física, pois são as mais solicitadas nas actividades da vida diária.
Alterações do sistema cardiovascular:
Acontece o endurecimento de artérias e das válvulas o que dificultam a circulação sanguínea, levando a um aumento da tensão arterial e logo aumenta o risco de complicações cardíacas. Dá-se também o aumento de alterações no trajecto das artérias. A aorta para compensar o endurecimento arterial apresenta o diâmetro interno aumentado, de forma a reduzir os efeitos hemodiâmicos da modificação da textura da sua parede.
A nível do coração acumula-se mais gordura, podendo acontece calcificação das artérias e do ventrículo esquerdo. Os processos arterioscleróticos também atingem as artérias e arteríolas de menor calibre. Tudo isto provoca alterações no bombeamento do sangue para todo o corpo.
Alterações do sistema respiratório:
As alterações no sistema respiratório compreendem as mudanças das narinas, (crescimento de 0.5cm em comprimento e largura), cartilagens costais da traqueia e dos brônquios com calcificações, rigidez das articulações costoesternais, chegando a se fundir e formar um único osso. Estas mudanças, levam a que a caixa torácica tenha menor mobilidade e consequentemente, diminuição da complacência.
A perda de elasticidade pulmonar e a diminuição da superfície alveolar, leva a um decréscimo do nível de consumo máximo de oxigénio e da capacidade vital. Esta involução provoca aumento da do risco de infecções e patologias respiratórias.
A diminuição da capacidade de realizar esforço físico, que acompanha o envelhecimento deve-se em grande parte ao declínio gradual da potência aeróbica ou do consumo máximo de oxigénio (VO2 máximo). As causas deste decréscimo da capacidade funcional são as alterações fisiológicas que afectam os múltiplos sistemas orgânicos e originam, em casos de alteração estrutural e funcional grave, a perda da capacidade funcional e logo a autonomia da pessoa.
O VO2 máximo é um parâmetro fisiológico mensurável que define uma capacidade individual e determinante da actividade física, este espelha a capacidade funcional e a reserva física e adaptativa dos vários sistemas orgânicos, cada um com a sua taxa de declínio ao longo da vida. O decréscimo do VO2 máximo também pode ser fruto de patologias, factores sociais e hábitos de vida. Aspectos como a força muscular, peso corporal e capacidade aeróbica estão associados à incidência de doença e de incapacidade física, o que vêm confirmar a importância de medidas de intervenção que contrariem a diminuição da aptidão física. Estudos revelam, segundo Silva (2006), que entre os 20 e os 90 anos o declínio do VO2 máximo diminui cerca de 1 % ao ano, em ambos os sexos. No entanto, os estudos dizem também que até aos 50 anos se as pessoas se mantiverem activas fisicamente esse decréscimo é pouco significativo. A redução do VO2 máximo, parece estar relacionado com as alterações cardiovasculares, em particular pela diminuição da frequência cardíaca, (FC máxima) e do declínio do débito cardíaco. As alterações da regulação do fluxo sanguíneo regional com a idade podem também explicar parte da diminuição da capacidade aeróbica, bem como a perda de massa muscular e a diminuição da capacidade oxidativa do músculo-esquelético.
A capacidade adaptativa do organismo humano ao exercício parece também sofrer uma forte diminuição a partir dos 80 anos. No entanto em idades avançadas a actividade física melhora a capacidade de consumo de oxigénio e melhora as respostas orgânicas em esforços sub-máximos. Estes efeitos do exercício são fundamentais na promoção da saúde e na prevenção secundária em casos em que já existe doenças, incrementando a capacidade para realizar as actividades de vida diária e também a autonomia da pessoa idosa para orientar a sua vida.
Alterações do sistema nervoso:
Neste sistema produz-se um abrandamento no tempo de reacção e no processamento de informação, resultado da redução de neurónios e à deterioração dos arcos reflexos, que só se activam com estímulos cada vez mais intensos. A transmissão de impulsos nervosos é consequentemente cada vez mais lenta, afectando a capacidade de reacção e coordenação. A concentração e atenção decrescem, assim como a memória a curto prazo.
Alterações do sistema sensorial:
A informação do exterior chega lentamente á pessoa idosa e por vezes chega deturpada, isto devido á perda de eficiência dos órgãos sensoriais e da diminuição dos limiares para a sua estimulação. Este facto por si só altera não só a realização das actividades de vida diária e das actividades instrumentais da vida diária, mas também a segurança e estabilidade na deambulação, o paladar, o olfacto e logo afecta as reacções face ao perigo.
Alterações de outros sistemas:
A longevidade provoca também alterações a nível de outras funções fisiológicas tais como alterações hormonais, que diminuem a secreção e síntese de substâncias como a insulina, provocando descompensações metabólicas importantes. Dá-se nas reservas energéticas e o abrandamento das reacções metabólicas.
DIMENSÃO PSICO-AFECTIVA E O ENVELHECIMENTO
A perda de capacidades sentida pela pessoa ao longo da vida leva muitas vezes á perda de confiança em si. Existe frequentemente uma diferença entre aquilo que acreditam poder fazer e aquilo que na realidade conseguem fazer, o que afecta a sua auto-estima. A esta situação está muitas vezes associado o acontecimento de mudanças stressantes na vida como a reforma, a perda de amigos e entes queridos, etc, o que faz com que as pessoas idosas sejam um grupo vulnerável a depressões frequentes.
DIMENSÃO SOCIAL E O ENVELHECIMENTO
O isolamento, a inactividade e a atitude de afastamento da sociedade é uma
característica da terceira idade. A sociedade, por seu lado centrada nas pessoas produtivas, não valoriza a pessoa idosa, ninguém prepara a pessoa para quando a fase produtiva termina e a pessoa tem de se adaptar a uma nova situação social que deveria ser de descanso das etapas anteriores.
Por tudo isto as actividades, que permitem á pessoa idosa sair do isolamento e interagir com outras pessoas, promove não só o bem físico mas também a auto-estima, o convívio, o sentir útil e capaz, prevenindo os estados depressivos e a morbilidade daí decorrente. Os programas de actividade física são uma boa alternativa, já que oferecem, não só a ocupação regular do tempo mas também a promoção da condição física e de saúde, num ambiente lúdico e descontraído onde interagem com outras pessoas.
1.4.1.3 Mobilidade na pessoa idosa
Quando não há a promoção da mobilidade na pessoa idosa, acontecem vários efeitos adversos, que se tornaram melhor conhecidos nos últimos cinquenta anos, embora muitos dos mecanismos fisiopatológicos não estejam totalmente esclarecidos ou permaneçam alvo de alguma controvérsia.
O reconhecimento das consequências da inactividade no organismo só foi admitido em termos de estratégia de saúde a partir dos meados do século XX. Hoje em dia só em situações de grande instabilidade e muito pontuais é que se preconiza o
repouso como coadjuvante nos processos terapêuticos. O levante precoce, após uma situação de doença, é hoje reconhecido como essencial, para minimizar as complicações da imobilidade.
O descongestionamento, (o conjunto de alterações fisiológicas induzidas por vários sistemas orgânicos pela inactividade física) são reversíveis com o restabelecimento da actividade. A imobilidade não se associa apenas ao repouso prolongado, os estilos de vida sedentários também condicionam os efeitos nefastos no organismo. A inactividade resultante da inactividade crónica (sedentarismo) ou motivada por uma intercorrência que obrigue ao repouso vai condicionar uma inevitável redução da actividade muscular que, por sua vez, leva a alterações de funcionamento de todos órgãos do corpo.
Os indivíduos mais susceptíveis de desenvolver os efeitos adversos da imobilidade são aqueles que apresentam doenças crónicas, portadores de algum tipo de deficiência e os idosos.
Para além das alterações próprias do envelhecimento, há dois factores que contribuem de forma significativa para essa maior susceptibilidade: as múltiplas patologias frequentemente encontradas nesta faixa etária (osteoporose, doença cardíaca, etc.) e a falta de apoio social e familiar, que contribui para um isolamento e inactividade progressivos. Assim paralelamente às alterações normativas do envelhecimento, estudos epidemiológicos descrevem uma maior morbilidade e mortalidade associados a esta faixa etária. Sanchez (2000), citado por Loureiro et al (2006) refere que as transformações físicas e a fragilidade das condições de saúde nas pessoas idosas podem comprometer a sua capacidade funcional, originando com frequência dependência e a perda de autonomia
.
Na maioria dos países industrializados, a actual taxa de dependência é cerca de dois adultos independentes, para cada pessoa dependente, [Berger, (2003), citado por Loureiro et al (2006)]. A idade não é um prognóstico exacto de dependência das pessoas, no entanto dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), revelam que entre a população com dependência, o índice de envelhecimento é de cerca 5,5 vezes superior ao da população total. O inquérito nacional de saúde de 1998/1999, por sua vez, refere que a hipertensão arterial é uma das doenças crónicas mais frequentes entre idosos, com reflexos directos na ocorrência de patologias cardiovasculares e situações de dependência. As doenças do aparelho circulatório são também apontadas pelo INE como sendo a principal causa de mortalidade nesta classe etária. Outro factor de risco importante para a ocorrência destas doenças é o sedentarismo. Dados da Direcção Geral da Saúde (DGS), referem que Portugal é o país da União Europeia com os mais elevados níveis de sedentarismo e que a inactividade física contribui com 3,3% para o peso da doença.
Entre as pessoas idosas, a prática de exercício físico também não é uma constante. Segundo o Inquérito Nacional de Saúde 1998/1999 a maioria das pessoas idosas não efectuou qualquer tipo de exercício físico nos meses anteriores ao inquérito, preferindo actividades mais sedentárias como ler e escrever. O declínio dos níveis da actividade física habitual da pessoa idosa acentua a redução da aptidão funcional própria do processo de envelhecimento. Simultaneamente, a pouca tolerância ao esforço, faz com que um grande número de pessoas na terceira idade viva abaixo do seu limiar de capacidade física, constituindo uma pequena interferência na saúde, o motivo para se tornarem totalmente dependentes. A prática regular de exercícios tem sido enfatizada como estratégia para um envelhecimento sadio. Os efeitos da imobilidade são progressivos e devastadores podendo reflectir-se ao nível funcional, psicológico e social. As pessoas idosas constituem um dos grupos mais vulneráveis às suas complicações. A inactividade torna patológico o processo de envelhecer.
Efeitos da imobilidade no sistema músculo-esquelético
A imobilidade induz a alterações importantes a nível do ósseo, cartilagíneo, muscular e outros tecidos moles. Os principais problemas a nível músculo-esquelético são atrofia, fraqueza muscular, contracturas e a osteoporose.
Com a imobilização ocorre 1 a 2% perda da força muscular por dia, podendo atingir 40% nos longos períodos. As fibras I e II sofrem atrofia ocorrendo diminuição do seu comprimento e diâmetro, perdendo-se também em número de microfibras. Como
resultado destas alterações dá-se o decréscimo da contracção máxima e da resistência muscular.
Os grupos musculares que se atrofiam mais rapidamente são: os quadríceps, os flexores plantares e extensores da coluna. Observam-se também alterações bioquímicas, ocasionando o aumento de ácido láctico nos músculos.
As contracturas por sua vez acontecem como resultado do desequilíbrio de factores que normalmente ocorrem harmoniosamente. A falta de estiramento muscular provocada pela inactividade, vai alterar a homeostasia entre a formação e reparação do colagénio, que é o principal elemento constituinte do tecido conjuntivo, do osso, cartilagem e tecidos moles. O colagénio é importante para a realização das acções mecânicas. Logo se elementos como o colagénio não se encontram em qualidade e em quantidade necessária, acontecem as contracturas.
A imobilidade contribui também para uma menor extensibilidade dos tecidos conjuntivos peri-articulares, sendo a cápsula articular particularmente susceptível aos efeitos adversos da inactividade e desuso, já que a sua nutrição é feita durante o movimento articular e compressão. Os músculos mais afectados são os isquiotibiais e os músculos rotadores internos do ombro. A imobilidade contribui para importantes modificações na remodelação óssea, com um acréscimo da perda da massa óssea. A osteopénia devida á imobilidade caracteriza-se por uma perda de cálcio e hidroxiprolina no tecido ósseo, sendo o aumento da reabsorção o responsável primário pela osteoporose da imobilidade, embora a explicação deste acontecimento permaneça pouco esclarecida.
Efeitos da imobilidade no sistema cardiovascular
As alterações principais ocorridas na sequência da imobilidade no sistema cardio-vascular são conhecidas como ―síndroma de adaptação cardiocardio-vascular‖.
A frequência cardíaca em repouso aumenta cerca de um batimento por minuto por cada dois dias de inactividade, conduzindo á chamada taquicardia de imobilidade. Em resposta ao exercício sub-máximo acontece um aumento da frequência cardíaca.
Uma pessoa saudável ao alterar a sua posição de decúbito para a posição ortostática a sua frequência cardíaca aumenta cerca de 13%. Após 3 dias, 1 semana e 3 semanas de repouso esse aumento é de cerca de 32%, 62% e 85% respectivamente.
A nível do volume da ejecção sistólica também acorre, com a inactividade, uma diminuição, que pode atingir os 15% após duas semanas de inactividade. Esta alteração parece estar relacionada com a diminuição do volume de sangue circulante e da pressão de enchimento cardíaco.
A diminuição do volume sistólico acompanha-se de um rápido declínio do débito cardíaco em resposta ao exercício sub-máximo, já que o mesmo não é compensado pelo aumento da frequência cardíaca.
Dá-se também uma diminuição do consumo máximo de O2, isto devido às alterações a nível do débito cardíaco e da utilização deficiente do O2 periférico.
Após aproximadamente 20 dias de inactividade, o VO2 máximo pode diminuir 27%, facto que assume primordial importância no caso das pessoas com patologia cardíaca, cuja isquémia do miocárdio pode agravar-se.
O VO2 máximo é de capital é de capital importância na prescrição da actividade física na pessoa idosa, bem como na capacidade funcional deste grupo etário envolvendo diferentes sistemas fisiológicos, pelo que abordaremos o mesmo num subcapítulo adiante.
A restrição da actividade física também provoca um declínio gradual da capacidade cardiovascular máxima, visto que a eficácia da resposta cardiovascular ao músculo depende da frequência com que a capacidade muscular é solicitada.
Os fenómenos tromboembólicos, como a trombose venosa profunda também estão directamente relacionados com a imobilidade, já que resultam da hiperviscosidade, associada á estase sanguínea condicionada pela lentificação da circulação dos membros inferiores. A viscosidade acontece porque há diminuição progressiva do volume de sangue circulante relacionada com a diminuição da pressão ortostática e da secreção de hormona anti-diurética (ADH). Assim o volume