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5. ANÁLISE DE DADOS E RESULTADOS

5.4. Implicações Administrativas na Formação do Valor Unitário

Segundo Marqui et al. (2002) e ESAF (2011), maiores quantidades licitadas têm a tendência de obtenção de menores valores unitários em função da economia de escala. Isto foi

comprovado pela regressão, já que a quantidade licitada apresenta um coeficiente negativo na formação do valor unitário do item.

Para se ajustar a redução de custos baseada na economia de escala, o governo federal implantou em 20 de agosto de 2008 no ComprasNET a funcionalidade da intenção do registro de preços com amparo legal do decreto no 3.931 de 2001. Essa funcionalidade está voltada não somente à economia gerada por compras maiores, mas também à redução do custo administrativo da realização de certames licitatórios iguais para diferentes órgãos da administração.

Quando um órgão da administração decide realizar um pregão, ele deve primeiramente verificar a existência da intenção de realizar uma aquisição igual por parte de outros órgãos. Caso exista, o órgão deverá agregar a este certame suas necessidades, aumentando com isto a quantidade licitada. Caso contrário, sua intenção de realizar a licitação deverá ser registrada no sistema ficando durante cinco dias disponível para a adesão de novos órgãos ao seu certame licitatório, antes da realização da licitação (TCU, 2012a).

Essa prática, por ser opcional, é pouco utilizada pelos órgãos da administração pública. Um dos problemas para utilização da mesma é a dificuldade de classificação do material segundo os códigos de material existentes no CATMAT5. Como exemplo, sob o titulo de “microcomputadores” existem no CATMAT 1.127 itens distintos, com diferenças em suas descrições. Sob o título “papel A4 gramatura 75”, que foi o foco desta pesquisa, existem 57 itens distintos com pequenas diferenças em suas descrições, mas que representam o mesmo item (COMPRASNET, 2012c). Essa grande variedade de itens idênticos com códigos de material distintos no CATMAT dificulta não somente a pesquisa de preços, como também o registro da intenção de realizar licitação.

O TCU, por meio dos itens 149 e 150 do acordão 1.793 de 2011, recomenda que a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação torne obrigatório o uso da sistemática de intenção de registro de preços, a fim de potencializar uma maior economia face ao aumento da quantidade a ser licitada (TCU, 2012b).

Segundo o TCU (2006), os valores estimados devem refletir os valores de mercado para os itens, levando em consideração as condições de fornecimento, tais como quantidade e local de entrega. Como regra geral, valores unitários vencedores de licitações que divirjam em

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mais de 10%, tanto a maior quanto a menor dos valores estimados, devem ser objeto de parecer para justificar a aceitação do valor unitário, tendo em vista que essa divergência denota falha da administração pública na determinação dos valores estimados (AGU, 2012).

Valores estimados acima dos valores praticados pelo mercado tendem a gerar maiores valores unitários para o item licitado, conforme demonstrado na análise estatística. Além disso, o valor estimado total de um certame licitatório é utilizado para definição da modalidade por meio da qual a licitação será realizada.

As exigências e garantias apresentadas pelos licitantes são também baseadas no valor estimado. É facultado à administração pública exigir que os licitantes tenham capital social/patrimônio líquido de até 10% do somatório dos valores estimados dos itens para os quais a empresa foi vencedora no certame licitatório. A garantia de proposta está limitada a 1% do valor estimado, assim como a multa pelo não cumprimento das exigências do edital (TCU, 2006).

Com o advento da Internet tornou-se fácil obter valores estimados próximos da realidade. A administração pública pode consultar websites que informam os valores de venda dos itens com frete (KALUNGA, 2012). Para esses valores devem ser aplicados fatores de correção, tendo em vista que estes valores preveem pagamento antecipado e a administração pública paga por meio de empenho, em data posterior à entrega do item. Valores estimados também podem ser obtidos via resultado de licitações similares, levando em consideração as características do item, a quantidade desejada e o local de entrega no ComprasNET ou em portais similares de estados e municípios.

A quantidade de itens constantes de um certame licitatório influi na composição do valor unitário, conforme constatado pela regressão, com uma tendência de obtenção de um maior valor unitário nas licitações com grande quantidade de itens. Esse fato pode ser explicado pela dificuldade do licitante lidar com um grande número de itens abertos para lance em um dado instante.

O sistema ComprasNET permite que o pregoeiro abra a fase de lances para até 100 itens distintos de um mesmo certame licitatório simultaneamente. Imediatamente após a abertura, o pregoeiro pode mandar encerrar a fase de lances para todos os itens abertos, o sistema encerrará efetivamente a fase de lances para cada item em um tempo aleatório que pode variar de 1 a 30 minutos. Tendo em vista essa característica, caso o pregoeiro proceda a

abertura e o imediato fechamento para lance de todos os itens do certame, os licitantes terão no máximo 30 minutos para participar da fase de lances dos itens de seu interesse. Essa participação demanda atenção constante para cada uma das telas que representa os itens abertos para lances, podendo tornar inviável a participação de um mesmo licitante nesta fase para muitos itens distintos. (COMPRASNET 2006 e 2012d).

Os problemas ocasionados pela grande quantidade de itens em um certame licitatório podem ser evitados se pregoeiro der tempo suficiente para que os licitantes cadastrem suas propostas iniciais, e quando da abertura dos itens para lances, evitar abrir e encerrar essa fase simultaneamente para muitos itens principalmente, se esses forem similares e tenham como fornecedores as mesmas empresas.

A apuração do vencedor de licitação por lote ou preço global é vedada pela legislação em vigor e sua prática tem sido alvo de inúmeros acórdãos do TCU, podendo ser utilizada somente quando o mesmo é um requisito técnico obrigatório devido às características dos itens licitados. Dentre os critérios técnicos que justificam a apuração de vencedor por lote ou preço global, pode-se citar como exemplo, a aquisição de itens diversos compondo um sistema de videoconferência. Apesar da possibilidade da licitação ser realizada por item, a característica técnica de serem itens com tecnologia proprietária impõem que sejam de um mesmo fabricante.

Nenhum dos casos analisados atende a critérios técnicos que forcem a utilização de lote para apuração do vencedor. A única justificativa para utilização da apuração por lote é a redução do trabalho administrativo fruto da redução do número de empresas licitantes declaradas vencedoras.

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