processo, podendo igualmente, em casos menos graves, ocasionar a prolação de despacho pré-saneador destinado a formular convite para suprimento das irregularidades ou imprecisões na exposição da matéria de facto alegada (Artigo 590.º, n.º2, alínea b) e n.º4, e 591.º n.º1, alínea c) CPC). No limite, a manifesta insuficiência dos factos alegados pelo autor como fundamento do direito que invoca poderá determinar a absolvição da instância ou do pedido.
c. Despacho de identificação do objeto do litígio: ao despacho saneador que não ponha termo ao processo deve seguir-se a prolação de um despacho em que o juiz identifica o objeto do litígio e enuncia os temas da prova (artigo 596.º, n.º1 CPC). Este despacho cumpre uma função de condensação, pelo que o juiz deve descrever, isto é, formular genericamente a questão controvertida (o thema
decidendum). Para esta descrição, constituem quadros de referência as questões
fundamentais controvertidas reportadas à causa de pedir e às exceções: a identificação do objeto do litígio consiste assim na enunciação dos pedidos deduzidos sobre os quais haja controvérsia. A causa de pedir são as afirmações sobre os factos jurídicos que servem de fundamento à pretensão. A causa de pedir exerce a função individualizadora do pedido para efeito da conformação do processo, por isso o autor na petição inicial deve indicar os factos constitutivos da situação jurídica que pretende fazer valer ou negar. O despacho do artigo 596.º CPC supõe que o tribunal identifique as questões controvertidas tendo em conta também as impugnações do réu e as exceções que este deduziu, mas não deve integrar uma seleção de factos, pelo contrário. A identificação do objeto de litígio representa a descrição da situação controvertida que deve ser objeto da atividade do juiz que tem por fim a justa composição do litígio de acordo com o Direito. A identificação do objeto do litígio é o resultado da atividade que antes se designava por condensação e, juntamente com a enunciação dos temas de prova que deve constar do mesmo despacho referido no artigo 596.º CPC, é importante para a delimitação da atividade de instrução e dos poderes de cognição do juiz.
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§3.º - Fases do processo comum
9: os atos da sequência processual ordenam-se emfases sucessivas, findas as quais pode precludir a possibilidade de praticar atos que, nelas se integrando, não hajam sido praticados. São as seguintes as fases do processo comum na ação declarativa em primeira instância e os atos que as integram:
Fase dos articulados: ao longo da qual as partes alegam a matéria de facto e de direito relevante para a decisão e requerem os meios de prova (artigo 147.º, n.º1 CPC): petição inicial (artigo 552.º CPC), distribuição (artigos 203.º e 204.º CPC), citação do réu (artigos 219.º, n.º1 e 225.º CPC), contestação (artigos 569.º, n.º1 e 571.º e 572.º CPC) e a sua notificação ao autor (artigo 220.º, n.º2 CPC); eventualmente, a seguir, réplica (Artigo 584.º CPC); excecionalmente, despacho judicial liminar após a apresentação da petição inicial, precedendo a citação (artigos 226.º, n.º1 e 590.º, n.º1 CPC).
Fase da condensação: visando verificar e garantir a regularidade do processo, identificar as questões de facto e de direito relevantes (com a possibilidade de serem suprimidas as insuficiências e imprecisões na alegação da matéria de facto), decidir o que possa já ser decidido, enunciar os temas da prova a efetuar subsequentemente e preparar as diligências probatórias: despacho pré-saneador (artigo 590.º, n.º2 a 6 CPC), notificação das partes para a audiência prévia (artigo 220.º, n.º1 CPC) e audiência prévia (Artigo 591.º CPC); não havendo lugar a esta, despacho saneador autónomo (artigo 595.º CPC), despacho de identificação do objeto do litígio e enumeração dos temas da prova (artigo 596.º, n.º1 CPC), despacho a marcar a data da audiência final (artigo 593.º, n.º2, alínea d) CPC), notificação desses despachos às partes (Artigo 593.º, n.º3 CPC), eventuais reclamações e alterações dos requerimentos de prova (artigos 593.º, n.º3, 596.º, n.º2 e 598.º, n.º1 CPC), notificação das partes, havendo reclamação, para audiência prévia (artigo 593.º, n.º3 CPC) e realização desta (artigo 593.º, n.º3 CPC). Fase da instrução: repartida por atos de produção de cada meio de prova, tendencialmente concentrados na audiência final (artigos 604.º, n.º3, alíneas a) a d) e 607.º, n.º1 CPC), mas tendo lugar antes dela quando a natureza do meio de prova, como é o caso da perícia, ou outras circunstâncias (a urgência, a impossibilidade da comparência da testemunha ou da parte no tribunal, a qualidade de testemunha, a conveniência em realizar a inspeção antes da audiência: artigos 419.º, 456.º, 457.º, 490.º, 491.º e 503.º a 506.º CPC, conforme o imponham ou aconselhem).
Fase da discussão e julgamento: em que as partes expressam os seus pontos de vista sobre as decisões, de facto e de direito, a proferir e o tribunal decide: alegações (sucessivas) do autor e do réu, com possibilidade de réplica (artigo 604.º, n.º3, alínea e) CPC), sentença (artigo 607.º CPC), notificação desta às partes (artigo 220.º, n.º1 CPC), eventuais reclamações das partes, quando não seja
9 Freitas, José Lebre de; A Ação Declarativa Comum, à luz do Código de Processo Civil de 2013; 3.ª
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admissível recurso (artigo 615.º, n.º4 e 616.º, n.º3 CPC), e sua decisão (artigo 613.º,n.º2 CPC), seguidamente notificada (artigo 220.º, n.º1 CPC).
Assim terminado o processo em 1.ª instância, pode abrir-se, no prazo do artigo 638.º CPC instância de recurso ordinário dirigido à Relação. O processo seguirá então novas fases, mediante o encadeamento de atos processuais igualmente tipificados na lei de processo.
§4.º - Articulados:
Conteúdo: a fase dos articulados recebe o nome das «peças em que as partes expõem
os fundamentos da ação e da defesa e formulam os pedidos correspondentes» (artigo
147.º, n.º1 CPC). Através dos articulados, autor e réu (representados ou não por advogado, cuja constituição a lei impõe nas ações com valor superior à alçada do tribunal de comarca: artigo 40.º, n.º1, alínea a) CPC) introduzem no processo os factos principais da causa. Havendo mandatário constituído, sela ele advogado ou solicitador (artigo 42.º CPC), é feita dos factos uma narração seca e concisa, subordinada, tal como os textos legais, a artigos, cada um dos quais deve conter um facto (artigo 147.º, n.º2 CPC). Além destes fundamentos de facto, devem as partes, já sem obrigatoriamente o deverem fazer por artigos (embora, na prática forense, usem fazê-lo), invocar as razões que, no entender de cada uma delas, deverão constituir fundamento de direito da decisão, por aplicação das normas jurídicas aos factos por elas alegados. Destes fundamentos (de facto e de direito) extraem, deduzindo pedidos (sempre, o autor contra o réu; eventualmente, o réu contra o autor), dizendo da improcedência dos pedidos contra sido deduzidos ou entendendo não ser possível, por se verificar uma exceção dilatória, o conhecimento de mérito.
Espécies: constituem articulados normais do processo ordinário a petição inicial, em que
o autor deduz o pedido, e a contestação, com que o réu dele se defende. Constitui articulado eventual a réplica com que o autor responde à reconvenção, quando haja, ou à contestação da ação de simples apreciação negativa. Constituem articulados supervenientes; também eles de caráter eventual, aqueles em que qualquer das partes alega factos supervenientes, os que, a convite do juiz, completam os articulados deficientes e os de resposta às exceções deduzidas no último articulado apresentado.