PROCESSO DE ADOÇÃO E DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Ítalo Guedes de Melo Romão 1
2. CONCEITOS E PRINCIPIOS NORTEADORES DO ECA
2.3 IMPORTÂNCIA DA GUARDA COMPARTILHADA LEI Nº 11.698/2008
A partir da vigência da nova legislação, as partes podem requerer a guarda compartilhada anteriormente já era possível, mas, somente, em casos de separação consensual, bem como o juiz poderá decretá-la em atenção às necessidades especificas do filho, ou em razão da distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe, como preceitua a redação do artigo 1584, inciso I e II, inserido pela Lei 11.698 /08.
Até a entrada em vigor da Lei nº. 11.698 /08, no Brasil, a regra era a atribuição da guarda exclusiva a um dos genitores, que pelo art. 1584 vigentes do Código Civil deve ser aquele que estiver em melhores condições de exercê-la, e ao outro cônjuge, atribui-se o direito de visita, podendo, no entanto, ser acordado entre as partes o modelo de guarda desejado. A guarda é o direito de vigiar, orientar, proteger e dar segurança aos menores. Quanto sua definição jurídica, Waldir Grisard Filho (2003, p. 49) ensina:
Locução indicativa, seja do direito ou do dever, que compete aos pais ou a um dos cônjuges, de ter em sua companhia os filhos ou de protegê-los, nas diversas circunstâncias indicadas na lei civil. E guarda, neste sentido, tanto significa custódia como a proteção que é devida aos filhos pelos pais. Waldir Grisard Filho (2003, p. 49) Muitas modalidades de guardas são citadas no meio jurídico, no entanto, cediço que a guarda no direito brasileiro se divide em duas modalidades, quais sejam, guarda unilateral ou exclusiva e guarda compartilhada. No entanto, muita confusão é gerada no que tange a guarda compartilhada, pois muitas pessoas e inclusive operadores do direito, confundem esta modalidade com a guarda alternada, aquela em que o menor permanece um período com o genitor e outro com a genitora. Em razão disso, no ponto guarda compartilhada, será abordada a sua diferenciação da guarda alternada.
Agora, com a alteração legislativa, a regra passa a ser a guarda compartilhada, devendo os magistrados informar aos pais o seu significado, a sua importância, a similitude de deveres e direitos atribuídos a cada um e as sanções
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decorrentes da não observância. A Declaração Universal de Direitos da Criança, Tratado Internacional do qual o Brasil é signatário afirma o Direito de Convivência entre pais e filhos separados e a igualdade nas responsabilidades de criação dos filhos pelos pais.
A guarda unilateral, de acordo com o art. 1.583, § 1º, de nossa codificação civil, é atribuída a um só dos genitores ou a alguém que o substitua, possuindo o guardião não apenas a custódia física do filho, mas também o poder exclusivo de decisão quanto às questões da vida da prole. (Madaleno 2015, p. 55).
Ademais, é claro que o pouco convívio com o genitor não guardião é medida não recomendável para o desenvolvimento da personalidade dos menores, sendo imperiosa uma maior participação do genitor na educação e formação dos filhos.
Como a convivência com os filhos não é a mesma, pois a visitação exercida pelo genitor não guardião, geralmente, se dá de 15 em 15 dias ou uma vez por semana, as questões relacionadas á convivência com os filhos são mais complexas e dolorosas, e segundo Diniz (2014, p. 109), pois ao perderem, mesmo temporariamente, o contato e a possibilidade de serem assistidos por ambos os pais, outras perdas advêm, engendrando sequelas.
A alteração trazida pela Lei nº. 11.698 /08 veio apenas regularizar um direito já existente de forma implícita em nosso país. O interesse do menor é determinante para a atribuição da guarda, cabe salientar que a separação e o divórcio ou o fim da união estável devem acontecer somente entre o casal, nunca entre os genitores e seus filhos. Com advento da Lei nº. 11.698 /08 fez prevalecer á justiça, garantindo ao menor o seu bem estar, fundamentado nos princípios constitucionais que garante a vida, a liberdade e igualdade para todos. Podendo sim o casal se separa desde que seja acordada á guarda compartilhada da criança.
Com relação aos filhos, podemos elencar suas vantagens na diminuição da angústia produzida pelo sentimento de perda do genitor que não detém a guarda tal como ocorre com frequência na guarda única. Ajuda a diminuir os sentimentos de rejeição e proporciona a convivência com os papéis masculino e feminino, paterno e materno, livre de conflitos, facilitando o processo de socialização e identificação.
Ademais, a guarda dever ser exercida na cidade base de moradia dos filhos ou naquele que, melhor atenda aos interesses da criança. Destarte, havendo
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impedimento temporário ao convívio, devido à distância, os meios de comunicação ajudam a manter a aproximação.
2.4 . MEDIDAS PERTINENTES AOS PAIS OU RESPONSÁVEIS
As medidas pertinentes aos pais ou responsáveis são intervenções realizadas pelas autoridades quando aqueles oferecem risco ou violarem direitos de crianças e adolescentes. No artigo 129 do ECA temos a numeração das espécies tais como;
encaminhamento a cursos ou programas de orientação, obrigação de matricular a criança e o adolescente sob sua responsabilidade em escola, obrigação de encaminhar para tratamento especializados tanto a criança quanto o adolescente, advertência, destituição da tutela, suspensão ou destituição do poder familiar perda da guarda.
Art. 129. São medidas aplicáveis aos pais ou responsável:
I - encaminhamento a serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção da família; (Redação dada dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
II - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos;
III - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico;
IV - encaminhamento a cursos ou programas de orientação;
V - obrigação de matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua freqüência e aproveitamento escolar;
VI - obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado;
VII - advertência;
VIII - perda da guarda;
IX - destituição da tutela;
X - suspensão ou destituição do pátrio poder poder familiar.
(Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009)
O juiz da infância e juventude tem competência exclusiva para determinar a perda da guarda, suspensão do poder familiar, destituição da tutela, ou seja, para as medidas que acarretem o afastamento da criança e do adolescente do convívio familiar
. Destaca-se a previsão no artigo 130 do ECA, a respeito da possibilidade de afastamento por medida cautelar com fixação provisória de alimentos na hipótese de maus tratos, opressão de abusos sexual impostos pelos pais ou responsável.
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Cabendo ao conselho tutelar aplicar todas as demais medidas pertinentes aos pais e responsáveis, atuando na rede de atendimento, juntamente com o Ministério Publico e com o sistema de justiça, Juiz da infância e juventude, salvo nas hipóteses de perda da guarda, destituição da tutela e suspensão ou destituição do pátrio poder, cuja competência é do Juiz.
Essas medidas serão aplicadas sempre que os direitos da criança ou adolescente forem ameaçados ou violados em razão da ação ou omissão da sociedade ou Estado, ou por omissão ou abuso dos pais ou responsável, em razão da conduta do menor.
Art. 130. Verificada a hipótese de maus-tratos, opressão ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsável, a autoridade judiciária poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum.
No Caso das medidas protetivas elas podem ser cumuladas umas com as outras, bem como podem ser cumuladas entre si as medidas sócio educativas, o ECA não prevê a possibilidade de cumulação de uma medida protetiva com uma medida socioeducativa.
A perda da guarda poderia ser decretada pelo juiz, sendo, porém, imprescindível á instauração de um processo específico para tal, ou nos mesmo autos do procedimento da guarda, observando-se o devido processo legal.