1.3 O TRIPÉ NAS ESCOLAS SUSTENTÁVEIS: ESPAÇO FÍSICO, CURRÍCULO
1.3.4 Importância da sustentabilidade em escolas
A preocupação ambiental ao redor do mundo tem sido tema de estudo em várias nações nas últimas quatro décadas. Mesmo em países como EUA, Nova Zelândia, Austrália e o Reino Unido, onde uma parte da população entendia haver um certo exagero com as preocupações ambientais, em nenhum momento a discussão sobre o tema foi deixada de lado ou reduzida a um grau menor de importância (LEVINE, 2002). Percebe-se também que as diversas transformações socioeconômicas, ambientais e culturais que passam no planeta e que vêm acompanhadas pelos intensos avanços tecnológicos implicam um enorme desafio de alinhar o desenvolvimento (tecnológico) com atitudes educacionais sustentáveis e necessárias à sobrevivência humana.
Sachs (2000, p.32), destaca que
ESPAÇO FÍSICO
CURRÍCULO
GESTÃO
Inclusão de: * Conhecimentos, saberes e práticas sustentáveis no Projeto Político Pedagógico da instituição; *Construção de redes de aprendizagem com interatividade escola - comunidade; * Assuntos voltados para sustentabilidade em toda matéria com aplicações práticas dentro e fora da
escola;
* Matérias de campo com foco nas acões sustentaveis da comunidade; * Envolvimento do gestor junto as decisões curriculares; * Abertura de canal de diálogo entre alunos e coordenação entre
coordenação e comunidade; * Garantir recursos finaceiro para implantação
de ações internas e externas voltadas para
sustentabilidade; * Acreditar no retorno das
ações sustentáveis e transmitir para toda instituição e comunidade. * Utilização de materiais
construtivos nativos da região sempre que possível e aplicável; * Desenho arquitetônico
ou readequação que permita a criação de edificações com maior
comodidade e melhor sensação térmica; * Captação de água de chuva e uso de energias altenativas com propósito
prático e didático; * Criação de espaços propicios de convivência
tanto alunos como comunidade; * Garantia de acessibilidade a todos;
As civilizações sempre dependeram da natureza para sua sobrevivência, e que o desenvolvimento da sociedade é possível sem que haja a destruição do ambiente natural. A ciência e tecnologia cumprem um papel importante na utilização racional dos recursos naturais.
Estas atitudes relatadas por Sachs devem fortalecer principalmente a compreensão de que os recursos naturais não são infinitos, logo não devem ser usados desordenadamente e sem a preocupação da sua oferta no futuro. Partindo deste entendimento e trazendo as definições teóricas para prática, certamente a sustentabilidade fará parte do cotidiano do ser humano. O caminho a ser trilhado rumo a sustentabilidade é extenso por isto deve ser iniciado já na formação escolar do indivíduo, ou seja, nas séries iniciais durante os ensinamentos na infância.
Ações sustentáveis devem ser vivenciadas na prática no dia a dia da vida escolar pois fazendo parte da rotina, tais processos trarão um exercício de aprendizagem na mentalidade de cada aluno, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis, conscientes e preocupados com a temática ambiental (ROOS, BECKER, 2012). Apesar de não se tratar de uma solução única e definitiva para transformação dos padrões de sustentabilidade junto à sociedade, a educação deve ser considerada em qualquer plano ou possibilidade de mudança.
Por anos a metodologia de ensino que prevalecia era a oriunda de sistemas educacionais com visões de mundo e estilos que levavam a sociedade a não se importar a viver em ambientes insalubres e insustentáveis, pois consideravam o planeta como um gerador infinito de riquezas. Todavia este fato, não deve servir de sustentação para responsabilizar nenhuma forma de ensino pelo “caos ambiental” implantado. O que deve ser feito é usar o comportamento e metodologia tradicional como pontapé inicial para entender e se buscar as soluções definitivas e muitas delas sugeridas por novos métodos de ensino (COOKE, DAVIS, 2017).
Um grande avanço é na participação de alunos em decisões sobre ações sustentáveis dentro de suas escolas. Espera-se que, desta forma, estes se sintam responsáveis pelo acompanhamento e pelos resultados alcançados e contribuindo, assim, para que desenvolvam sentimentos de responsabilidade coletiva no ambiente de ensino e extravasem por toda comunidade em geral. E com isto, que as soluções sustentáveis aplicadas dentro das instituições tomem dimensões de modo a alcançar o bairro, a cidade, o estado e assim por diante. (KATSENOUA, FLOGAITISA, LIARAKOUB, 2013).
Trabalhar os princípios de desenvolvimento sustentável dentro das práticas de gestão educacional tem sido um ótimo caminho pela busca da sustentabilidade tendo em vista a aproximação da definição outorgada pela Comissão Brundtland. O maior desafio é encontrar maneiras de sustentar a provisão de bens e serviços que a sociedade deriva de sistemas naturais de forma a satisfazer as necessidades do presente, mas sem comprometer a capacidade de gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades (BRUNDTLAND, 1987, ISMAIL, KEUMALA, DABDOOB, 2016).
Não resta dúvida quanto a importância dos diversos debates sobre a implementação da sustentabilidade nas escolas, o que faz destas instituições uma poderosa ferramenta em prol do alcance do desenvolvimento sustentável, haja visto que estes espaços podem e devem ser utilizados como área de transformação do pensamento crítico e da conscientização ambiental através da mudança de comportamento e de novas práticas de uso dos recursos naturais.
Não há outro espaço ou caminho com suficiente abrangência para se alcançar êxito na busca pelo desenvolvimento sustentável com tamanha eficácia para mudança de comportamento. Não importa os percalços, não importa o tempo que se levará e nem mesmo o grau de transformação que possa ocorrer junto as diversas definições de sustentabilidade, pois será sempre lançado na escola a exigência de ser um canal de transformação que zele pelo respeito à vida de qualquer espécie.