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2.1 ESCOLAS SUSTENTÁVEIS NO MUNDO

2.1.5 Programa Eco Escolas (Eco School Program)

2.1.5.2 Temas fundamentais nas escolas sustentáveis

Todas as etapas de implantação das eco escolas são sincronizadas e direcionadas para quatro entre 9 temas propostos (Figura 5), sendo que 3 são fundamentais: água, energia e resíduos/ reciclagem, ou seja, obrigatoriamente estes três e acrescidos de mais um de escolha livre devem ser trabalhados em todas as escolas (GREEN KEY ABAE, 2018).

Figura 5 - Temas propostos para Eco Escolas

Fonte: Elaboração própria a partir de dados da Eco Schools (2018).

A escolha dos temas resíduos, água e energia como fundamentais são estratégicos, pois trata-se de áreas que exigem cuidados quase que semelhantes em todo o planeta, ou seja, qualquer escola e em qualquer lugar podem usar estes temas dentro de seus programas. Para as escolas situadas em países que não existe um operador nacional basta buscar orientação junto a outro próximo que tenha o programa Eco- Schools International (MOORE et al., 2015).

Sobre estes temas, o Brasil não foge à regra, uma vez que pelo tamanho do seu território, pela desigualdade social, pelo alto valor pago pela energia elétrica, a dificuldade de gerir os lixos gerados pelas cidades e pela escassez de água em grande parte de cidades do interior, suas escolas se tornam férteis quando se direcionam ações para qualquer dos os três temas fundamentais.

Segundo Veriato e outros (2015), de toda a água existente na Terra somente 0,3% é potável e provenientes de rios e lagos e, agravado pelo mau uso na maioria dos países, o planeta vive um período convencionalmente chamado de crise hídrica. A ONU e outras organizações mundiais buscam alertar de várias maneiras a sociedade mundial sobre o uso regular e inteligente da água a fim de garantir a sua segurança junto as nações. Insistem e orientam quanto a necessidade de mudança no perfil de consumo, caso contrário, já em 2050 este consumo atingirá patamares insustentáveis para sobrevivência humana.

No mesmo patamar tem-se a preocupação mundial quanto ao consumo exacerbado de energia uma vez que a maioria dos países tem em suas matrizes energéticas geração proveniente de processos não renováveis ou denominados “sujos”. Tal fato levou o conselho europeu a aprovar um acréscimo na exigência de energia renováveis na matriz energética entre seus membros. Antes buscava se um percentual de 20% de energia limpa até 2020, mas este valor subiu para uma nova meta de 27% a ser alcançado até 2030 (STRACHAN et al., 2015).

Sobre o terceiro tema fundamental, resíduos sólidos, permeiam enorme preocupação, não por acaso, haja visto que seu descarte contribui para a elevada agressão na camada de ozônio e, consequentemente, sérios problemas ocasionados pelas mudanças climáticas descontroladas. Tal fato ocorre pela deposição de gerar gases de efeito estufa. Por outro lado, são inúmeras as possibilidades de conscientização através de ações tanto de baixa complexidade, como por exemplo, a implantação de coleta seletiva para resíduos recicláveis, como de alta dificuldade que é caso de implantação de um tratamento adequado de lixo de toda uma cidade em aterros (TAVARES; FREIRE, 2003).

Para a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) resíduos sólidos é todo material que seja

resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível (ABNT, p. 1, 2004).

Quando ocorre a disposição inadequada destes resíduos tem-se um agravante maior quanto a sobrevivência humana, pois não somente agride a camada de ozônio, como cria-se um problema de saúde pública e de desequilíbrio econômico junto aos municípios devido a formação de grandes lixões e que contribuem para proliferação de doenças.

A preocupação com as mudanças climáticas em função do descarte dos resíduos sólidos tornou-se quase uma unanimidade entre os participantes de fóruns mundiais sobre sustentabilidade. Como exemplo, cita-se o relatório de avaliação do 3º Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, (IPCC) ocorrido em 2001 que

considerou a taxa de crescimento do aquecimento global nos últimos 50 anos como consequência da adição de dióxido de carbono (CO2), de gás metano (CH4), óxido nitroso (N2O) entre outros altamente agressores da camada de ozônio gerados, quase na sua totalidade, por atividades antrópicas, ou seja, pela ação humana proveniente da geração de resíduos (ESPARTA, MOREIRA, 2002).

Em 2007 o mesmo relatório apresentou que a geração de resíduos sólidos urbanos (municipal solid waste) continuava carente de uma atenção especial junto aos demais agressores da camada de ozônio. Tamanha era a preocupação a ponto de ser estudada como uma categoria separada das emissões de gases com efeito de estufa (BLANK, 2015).

A China é apresentada como um bom exemplo de compromisso em redução. Desde os anos 80, tinha uma elevação na sua taxa média de geração de lixo em 5,4% a cada ano e sua composição se dava pelos três principais métodos de tratamento do lixo doméstico: aterros sanitários, compostagem e queima, onde todos são geradores de gases dióxido de carbono, metano, óxido nitroso entre outros contribuintes para o efeito estufa no planeta. Com ações tomadas pelo governo, a partir de 2012, percebeu-se o início de melhoras significativas em seus controles, como por exemplo, a diminuição nas taxas de descarte de aterros simples e aumento na taxa de aterros sanitários (WANG, GENG, 2015).

No Brasil, a Lei Federal 12.305/2010 sobre Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) regulamentou uma gestão integrada para estes materiais trazendo papéis e responsabilidades de todos os envolvidos e impôs metas para implantação de coleta seletiva em todos os municípios brasileiros. No seu artigo 3º, inciso XI prevê que o gerenciamento de resíduos sólidos

é o conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para os resíduos sólidos, de forma a considerar as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do desenvolvimento sustentável (BRASIL, 2017, p.10).