• Nenhum resultado encontrado

Capítulo 6. Análise por entrevista

6.7. Importância de as rotas virem a ser certificadas

As entidades gestoras das rotas por vezes emitem “Selos de Qualidade”, casos de Rcp e Rvm,

de modo a valorizarem a qualificação do património.

A associação Rgm não considera importante a certificação das rotas sob a perspetiva da

captação de turistas, mas sim como garantia da qualidade para o turista (caso de Espanha, onde

há certificação, por exemplo das rotas de vinhos). A Rgm tem normas e critérios que os

associados têm de respeitar. Faria falta um “Selo de Qualidade” concedido ao nível estatal.

Para a Ecp, a certificação é muito importante e é um esteio, tal como a avaliação, pois permite

premiar quem está envolvido neste tipo de projetos e que se compromete, por exemplo, a fazer

alterações no seu estabelecimento de modo a poder beneficiar do reconhecimento conferido

pela entidade certificadora. A carta de aderente corresponde a uma certa certificação, pois é

uma forma de comprometer individualmente, a diferentes níveis, o agente com o projeto de

acordo com as regras que tem de cumprir. As certificações baseiem-se numa lógica reativa e

devem corresponder a um envolvimento e participação no projeto.

A Ecp valoriza, todavia, a acreditação, reconhecimento que decorre do cumprimento de um

conjunto de regras que são definidas pelos próprios associados, preferencialmente à

certificação.

Para a Eat, a certificação é da máxima relevância. Tem defendido junto da APCT - Associação

Portuguesa da Empresas de Animação Turística, que integra, a certificação de produtos

turísticos culturais com base regional e que seria uma forma de obrigar a cultura e o turismo e

os agentes públicos e privados a trabalharem conjuntamente à escala regional. A certificação

seria, igualmente, valorizada pelos visitantes.

137

6.8. Resumo

Segue-se um resumo dos principais resultados obtidos com as entrevistas.

Modo de constituição das rotas turísticas

A constituição de uma rota turística começa pelo levantamento pela futura entidade

gestora/promotora dos recursos existentes no território afeto. Segue-se a definição do tema e do

tipo de fruição (livre ou organizada em grupo). Caso a entidade gestora/promotora não seja a

entidade gestora do território (por exemplo, a câmara municipal) a primeira entidade procura o

apoio da segunda para a criação e desenvolvimento da rota. São, depois, procurados apoios

financeiros (por exemplo, fundos europeus) de modo a que a rota tenha suporte financeiro.

Há casos em que é criada uma associação gestora de rotas, com incremento na organização e

capacidade operacional. Da associação podem fazer parte, e é desejável que tal aconteça, não

apenas entidades públicas, mas também empresas privadas operando no território e que possam

beneficiar com a existência da rota.

No caso das rotas criadas por empresas privadas, estas promovem-nas (muitas vezes sem apoios

oficiais) e determinam o seu modo de funcionamento, não só em termos operacionais como

também fazem a gestão dos recursos humanos e a promoção dos recursos patrimoniais

envolvidos.

Há casos de entidades gestoras de rotas que têm também responsabilidade pela conservação e

preservação dos recursos patrimoniais existentes no território.

Uma das formas de promoção das rotas é a criação de atividades relacionadas com o tema das

mesmas de modo a dar-lhes mais visibilidade.

Modo de gestão/governança das rotas turísticas

A gestão das rotas turísticas, quando esta é da competência de câmaras municipais, é, muitas

vezes, prosseguida com a criação de associações (formais ou informais), particularmente

quando o território das as rotas atravessa mais de um concelho. Esta forma de gestão, depois de

consolidada, evolui para uma associação formal, com a participação de entidades públicas

(câmaras municipais, entidades regionais de turismo, etc.) e de entidades privadas (restaurantes,

unidades de alojamento, lojas de artesanato, no caso das rotas dos vinhos, unidades de

enoturismo, adegas, etc), com os respetivos estatutos, órgãos de direção e/ou de gestão.

138

Razões de financiamento da União Europeia e sua aplicação

As razões apontadas foram as operações sobre infraestruturas (obras de conservação, restauro

e salvaguarda do património), sinalização da rota, e operações imateriais (investigação, edição

de folhetos, comunicação, promoção e criação de sítio na Internet).

Os fundos comunitários são decisivos para os projetos dados os investimentos avultados que

são necessários, podendo ter outras aplicações consoante a fase de execução do projeto.

Todavia, na exploração, as receitas devem cobrir as despesas. As receitas podem advir da

quotização dos associados, de merchandising, por exemplo com a venda de produtos locais, da

emissão de selos de qualidade, etc.

Importância da sinalização das rotas para os turistas

A sinalização das rotas foi considerada como estruturante por permitir a fruição dos turistas,

particularmente no touring cultural.

A sinalização rodoviária é importante para dar a conhecer a existência da rota, mesmo para

quem passe pelo seu território sem dela fruir. Esta sinalização deve ser mantida em bom estado

de conservação.

A sinalização da rota através de aplicações informáticas não substitui a sinalização física, apesar

de ser hoje em dia um importante auxílio a quem pretende fruir uma rota, particularmente se de

forma livre.

Perceção do impacto da rota no território

Foi referido que as rotas são importantes para o aumento da notoriedade dos territórios

envolvidos, havendo casos em que o número de visitantes cresce todos os anos.

Esta perceção é obtida pelas associações, em particular nas visitas às suas sedes ou centros de

interpretação.

Objetivo da avaliação periódica do número de visitantes

A avaliação das rotas permite conhecer a satisfação e perfil dos turistas, permitindo identificar

novos segmentos de mercado, apoiando o planeamento e a definição de estratégias de

promoção, bem como o seu tratamento estatístico que, no caso das associações, são colocados

à disposição dos associados.

139

A avaliação das rotas em vez de periódica deveria ser sistemática reforçando, pois, a

importância de as rotas terem incorporados técnicos com capacidade para a sua realização.

Adicionalmente, devem existir avaliações externas periódicas, mais distanciadas da realidade

do dia a dia, para avaliação da evolução da rota.

A avaliação deveria ser uma peça fundamental dos projetos, até por razões de transparência. As

avaliações deveriam ser feitas por entidades independentes credíveis. Os vetores de uma

avaliação são: a dimensão interna (performance do projeto, ações de promoção, contatos

comerciais efetuados, relações com operadores): resultados (variação do número de visitantes,

evolução das receitas); efeitos induzidos (efeitos na economia da região por via da operação da

rota).

Importância de as rotas virem a ser certificadas

A certificação foi considerada, tal como a avaliação, muito importante para uma rota. Esta

relevância respeita tanto os operadores como os visitantes.

140