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IMPOSTO INCIDENTE SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR

No documento DIREITO TRIBUTÁRIO EDITAL: (páginas 33-62)

A CF/88 dispõe que o imposto sobre propriedade territorial rural (ITR) será obrigatoriamente progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas (art. 153, 4 , inc. I).

Imunidade: Não deve incidir sobre pequenas glebas rurais, mesmo que o proprietário tenha empregados trabalhando na gleba rural, não perderá imunidade tributária citada no art. 153, 4 , inc. II, da CF/88.

O que é pequena gleba rural?

De acordo com a lei 9.393/96, pequenas glebas rurais são os imóveis com área igual ou inferior a :

- 100 ha, se localizado em município compreendido na Amazônia Ocidental ou no Pantanal mato- grossense e sul-mato-grossense;

- 50 ha, se localizado em município compreendido no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental;

- 30 ha, se localizado em qualquer outro município. Aspecto temporal: 1 de janeiro de cada exercício.

Repartição de Receitas do ITR:

A CF tem uma outra regra do ITR relativa à repartição de receitas.

A União deve entregar 50% do ITR ao município que está situada a propriedade rural.

Os municípios PODE optar pela fiscalização e arrecadação do tributo, caso celebrem um convênio com a SRF, ocasião em que fazem jus a 100% do ITR arrecadado.

Para a doutrina, temos uma delegação da chamada capacidade ativa tributária.

A doutrina entende que se o município fizer a opção, ele que vai fiscalizar, lançar, inscrever em divida ativa e ajuizar a Execução Fiscal.

No entanto, considerando a natureza híbrida do ITR, o Município fiscaliza, mas o contribuinte se remete à União para resolver eventuais relações jurídico- tributárias.

A Secretaria da Receita Federal também poderá celebrar convênio com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, com a finalidade de delegar as atividades de fiscalização das informações sobre os imóveis rurais, contidas no Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR (DIAC) e no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) (art. 16, da Lei 9.393/1996).

ITR x IPTU :

ITR incide sobre propriedade territorial rural ao passo que o IPTU incide sobre a propriedade territorial urbana.

O valor da terra nua é o valor da propriedade sem considerar as construções – BC do ITR. No IPTU a BC é o valor da propriedade territorial rural, tudo que for agregado será considerado para fins de IPTU.

De acordo com o art. 32, 1º cabe ao Municipio definir qual a sua área urbana e qual a sua área rural. Na zona urbana incide IPTU, na rural ITR.

De acordo com o entendimento do STJ, continua em vigor um decreto lei que dizia que um imóvel, mesmo que situado na zona urbana, se for destinado à uma atividade econômica rural, deve ser considerado imóvel rural para fins de incidência de ITR.

Para o STJ, isso não afasta a previsão existente em legislação especifica que diz que se um imóvel, ainda que na zona urbana, se for destinado a uma atividade agropecuária ou outra atividade rural deve ser considerado um imóvel rural para fins de incidência de ITR.

Critério Quantitativo: Alíquota:

- Progressividade: As alíquotas devem ser fixadas de forma progressiva, devendo desestimular as propriedades improdutivas.

Quanto maior o imóvel, alíquotas mais elevadas, quanto menor o imóvel, alíquotas menos elevadas até chegar ao patamar previsto na legislação.

Base de Cálculo:

A base do cálculo do ITR, é o valor fundiário (art. 30, do CTN).

O valor fundiário significa o valor da terra nua (VTN). Terra nua é o valor da propriedade sem considerar acréscimos e produções feitas pelo ser humano, ou seja, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: (a) construções, instalações e benfeitorias; (b) culturas permanentes e temporárias; (c) pastagens cultivadas e melhoradas; (d) florestas plantadas.

Ainda assim, toda a “terra nua” deve ser levada em conta para fins de incidência do ITR?

NÃO! É caso de isenção. Não se leva em conta para cálculo do tributo as áreas:

a) de preservação permanente e de reserva legal;

b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior;

c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual;

e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;

f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público.

A ISENÇÃO DE IMPOSTO TERRITORIAL RURAL (ITR)

PREVISTA NO ART. 10, 1º, II, A, DA LEI N. 9.393/1996,

RELATIVA A ÁREA DE RESERVA LEGAL,

DEPENDE DE

PRÉVIA AVERBAÇÃO DESTA NO REGISTRO DO IMÓVEL.

STJ. 1ª TURMA. AGRG NO RESP 1.243.685-PR, REL.

MIN. BENEDITO GONÇALVES, JULGADO EM 5/12/2013.

Fato Gerador:

O fato gerador do ITR é a PROPRIEDADE, o DOMÍNIO ÚTIL ou a POSSE de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município (art. 29).

ATENÇÃO!!!! Esaf!

O ITR NÃO INCIDE sobre a operação de transferência do imóvel desapropriado para fins de reforma agrária e também não incide no caso de imissão prévia da posse para fins reforma agrária, pois existe imunidade tributária estabelecida no 5 , do art. 184, da CF/88.

Contudo, incide sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária*, ENQUANTO NÃO TRANSFERIDA a propriedade, EXCETO se houver imissão prévia na posse

(art. 1 , 1 , da Lei .393/1996).

A imissão prévia ou provisória da posse para fins reforma agrária existe antes do procedimento de transferência do imóvel, mediante alegação de urgência e de depósito prévio de um valor ofertado pelo desapropriante (ente federativo ou autarquia competente) em juízo (ação judicial).

Por sua vez, para os efeitos de incidência do ITR, considera-se imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município (art. 1 , 2 , da Lei 9.393/1996).

Na hipótese do imóvel pertencer a mais de um município deverá ser enquadrado no município onde fique a sede do imóvel e, se esta não existir, será enquadrado no município onde se localize a maior parte do imóvel (art. 1 , 3 , da Lei 9.393/1996).

Vai de regra, o parâmetro para definir se o imóvel é rural ou não é a sua localização e não a sua utilização.

A definição da localização é por exclusão, uma vez o CTN dispõe que é rural quando localizado fora da zona urbana do Município.

Assim, o CTN entende como zona urbana a definida em lei municipal, que deve observar o requisito

mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo menos 2 (duas) das características seguintes, construídas ou mantidas pelo Poder Público: (a) meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; (b) abastecimento de água; (c) sistema de esgotos sanitários; (d) rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; (e) escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado (art. 32, CTN).

A lei municipal pode considerar urbanas as áreas urbanizáveis, ou de expansão urbana, constantes de loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à indústria ou ao comércio, mesmo que localizados fora das zonas definidas nos termos do parágrafo anterior (art. 32, 2 , do CTN).

Critério Pessoal:

Sujeito Ativo: União.

Sujeito Passivo: Proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título (art. 31, do CTN).

O domicílio tributário do contribuinte do ITR é o município de localização do imóvel, vedada a eleição de qualquer outro (art. 4 , parágrafo único, da Lei 9.393/1996).

Lançamento:

O lançamento do tributo se dá por homologação.

Nos demais tributos incidentes sob a propriedade o lançamento se dá de oficio, mas no caso do ITR cabe ao contribuinte apresentar uma declaração à SRF, sendo que uma dessas declarações é uma declaração anual que o contribuinte faz para declarar a área tributável, o valor da terra nua, calcula o tributo devido e paga o ITR.

(ESAF/AFRF/2002-) Relativamente ao Imposto Territorial Rural (ITR), avalie o acerto das afirmações adiante e marque com V as verdadeiras e com F as falsas; em seguida, marque a opção correta.

( )Como regra, o ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária.

( )Segundo a interpretação legal, imóvel rural de área inferior a 30 hectares, independentemente do local onde se encontre, é considerada pequena propriedade, imune ao imposto.

( )O "posseiro" do imóvel é estranho à relação jurídica relativa ao ITR, pois o contribuinte do imposto é o titular do domínio útil ou o proprietário. a) V, V, V.

b) V, V, F. c) V, F, F. d) F, F, F. e) F, V, F.

Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.”

Imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR)

Fato Gerador:

A aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: a) de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; b) de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos como renda (art. 43, do CTN).

Deste modo, o fato gerador do IR é a aquisição de renda ou proventos, que se caracterizem como riqueza nova (acréscimo patrimonial), podendo o contribuinte dispor livremente dessa renda ou provento.

O conceito de "renda" deve ser extraído da CF/88, principalmente das normas jurídicas dispostas no art. 145, 1 , c/c art.153, inciso III, e o seu 2 , inciso I.

Para a definição de renda e proventos de qualquer natureza devem:

- ser excluídos os fatos geradores dos demais impostos dispostos na CF/88, tais como propriedade territorial rural (ITR), produto industrializado (IPI), propriedade territorial urbana (IPTU), propriedade de veículo automotor (IPVA) etc.

- Considerar os proventos de qualquer natureza como espécie de renda.

- Relacionar a renda a ideia de acréscimo patrimonial, que deve ser entendido como disponibilidade de riqueza nova adquirida em certo intervalo de tempo ou até mesmo de forma isolada

(ex.: contribuinte que ganha na megassena).

Para o STF: "Quaisquer que sejam as nuanças

doutrinárias sobre o conceito de renda, parece-me acima de toda dúvida razoável que, legalmente, a renda pressupõe ganho, lucro, receita, crédito, acréscimo patrimonial, ou, como diz o processo transcrito, aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. Concordo em que a lei pode, casuisticamente, dizer o que é ou o que não é renda tributável. Mas não deve ir além dos limites semânticos, que são intransponíveis. Entendo, por isso, que ela não pode considerar renda, para efeito de taxação, o que é, de maneira incontestável, ônus, dispêndio, encargo ou diminuição patrimonial, resultante do pagamento de um débito". RE 89.791 RJ – 1º TURMA.

Desta forma, o que é renda?

É o acréscimo patrimonial, riqueza nova, a disponibilidade de renda ou provento.

O fato gerador do IR ocorre de 1 de janeiro até 31 de dezembro do mesmo ano.

Em razão disso que o IR não precisam aguardar os 90 dias, mas respeita somente o exercício financeiro, sendo cobrados no próximo exercício.

Súmula 584 do STF: "Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração".

Como o fato gerador do IR ocorre de 1 de janeiro até 31 de dezembro do mesmo ano, a doutrina classifica referido FG como:

- Complexo: parte da doutrina ainda o denomina de fato gerador periódico. Significa que compreende um conjunto de fatos considerados como um todo, e não um fato isolado.

- Pendente (art. 105 do CTN): é aquele que já iniciou a sua formação, mas ainda não completou o seu círculo de formação ou não atingiu a sua perfeição, diferente do FG futuro, que é aquele que ainda irá acontecer.

Parcelas indenizatórias que não podem ser consideradas para fins de incidência do IR.

De acordo com o STJ, não constituem acréscimo patrimonial, não sofrendo a incidência do IR:

a) Férias não gozadas por tempo de serviço (súmula 125, STJ)

b) Licença prêmio não gozada por tempo de serviço (súmula 136, STJ)

c) Indenização recebida por adesão ao programa de incentivo à demissão voluntária (súmula 215)

d) Súmula 386: São isentas de imposto de renda as indenizações de férias proporcionais e o respectivo adicional (pois não tem origem em capital ou trabalho, mas sim têm caráter de indenização)

Não incide imposto de renda sobre o valor da indenização paga ao empregado demitido sem justa causa no período de estabilidade provisória. STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 1.215.211-RJ, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 6/8/2013.

“A verba paga ao empregado demitido sem justa causa no período de estabilidade provisória é isenta da incidência do Imposto de Renda.” (REsp. 1.335.511/PB, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 10.10.2012).

IMPORTANTE!

- Incide IR sobre horas extras trabalhadas, até mesmo quando esse direito decorre de acordo coletivo, uma vez que a hipótese possui caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial.

- Incide IR sobre a parcela que o administrador de uma empresa recebe a título de participação nos resultados do empreendimento, uma vez que a isenção prevista no artigo 10 da Lei 9.249/95 aplica- se apenas à participação nos lucros ou dividendos.

O que importa é que a incidência do IR independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica, ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção (art. 43, 1 , do CTN e art. 3 , 4 , da Lei 7.713/88).

Incide imposto de renda da pessoa física (IRPF) sobre os juros moratórios relativos a quantias pagas em decorrência de decisão judicial que condene a União a ressarcir servidores públicos por promoções que, de forma ilegal, não tenham sido efetivadas no momento oportuno. Segunda Turma. AgRg no AREsp 248.264-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27/11/2012.

Incide sobre rendimentos derivados do exterior?

No caso de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do IR (art. 43, 2 , do CTN).

Na hipótese de rendimentos adquiridos no Brasil, mesmo que sejam percebidos por residentes e domiciliados no exterior, também deverão ser aqui tributados.

Obs. De acordo com o art. 103 do RIR, o imposto pago no exterior pode ser deduzido! “Art. 103. As pessoas

físicas que declararem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir, do imposto apurado na forma do art. 86, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que (Lei nº 4.862, de 1965, art. 5º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 98):

I - em conformidade com o previsto em acordo ou convenção internacional firmado com o país de origem dos rendimentos, quando não houver sido restituído ou compensado naquele país; ou

II - haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil.

1º A dedução não poderá exceder a diferença entre o

No documento DIREITO TRIBUTÁRIO EDITAL: (páginas 33-62)

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