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4 IMPUTABILIDADE, SEMI-IMPUTABILIDADE, INIMPUTABILIDADE

A imputabilidade é a capacidade do agente de ser responsabilizado pelo fato típico e ilícito que tenha cometido, é a possibilidade de atribuir-se o fato típico ao determinado agente, sendo assim Capez leciona que:

É imputável o ser que tem consciência do antijurídico, que tem plena noção de seus atos, que pode seguir de acordo com o ordenamento jurídico e não segue, que reconhece o injusto e mesmo assim quer e faz o contrário a lei ou assume o risco de fazer, com atos cientes e consequências para tais45.

Ou seja, imputável, é o indivíduo que em plena capacidade de distinguir o certo e o errado, o lícito e o ilícito, porém, não cumpre o texto legal.

O Código Penal em seu artigo 26, define a questão da inimputabilidade, ditando que considera-se inimputável o agente, que é acometido de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, que era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato, ou de determinar-se de acordo com esdeterminar-se entendimento, determinar-sendo desta forma, ideterminar-sento de pena.

Diante disso, o Ordenamento Penal define as hipóteses sobre a inimputabilidade do agente, a inimputabilidade por doença mental ou retardo mental e ainda por imaturidade natural, vejamos o artigo 26 do CP:

Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Portanto, fica claro que o Código adquiriu o critério biopsicológico para definir a imputabilidade, e sua natureza jurídica é uma das causas para definição da excludente de culpabilidade, que afasta o juízo de reprovação da conduta praticada.

45 CAPEZ, Fernando. Direito Penal – Simplificado parte especial. 16ª ed. Saraiva: São Paulo, 2012 p.126

Conquanto, esse critério reúne três requisitos: a) Causal, pois, são as causas previstas em lei, quando existe doença mental ou o desenvolvimento mental retardado ou incompleto; b) Cronológico, porque, depende da atuação do tempo a ação ou omissão delituosa; c) Consequencial, pois, se dará pela ―perda total da capacidade de entender ou da capacidade de querer.ǁ46

Capez ressalta que se não houver os três elementos da culpabilidade não haverá imputabilidade, exceto, nos casos dos menores de idade, pois estes são regidos apenas pelo sistema biológico.

Nos casos de psicopatia, se o agente é declarado inimputável, não será condenado, mas sim, absolvido47. Todavia, a psicopatia relacionada aos crimes, seguem a ótica, que de acordo com Delmanto, se classificam como criminosos fronteiriços, ou seja, indivíduos que:

Apresentam permanentes deformidades do senso ético-moral, distúrbios do afeto e da sensibilidade’, cujas alterações psíquicas os levam aos mais variados crimes, quando, porém, ―dão-se por violentos, sem sombra de dúvidas, são os que praticam os atos mais perversos e hediondos dentre todos os outrosǁ, adentrando-se, agora, ao campo patológico (ao contrário das três categorias anteriores)48.

Neste caso, tratando-se de psicopatia, a anormalidade está de um lado e a doença mental de outro, tem como definição principal a extrema frieza a falta de sensibilidade, empatia e comoção perante as vítimas.

Tratando-se da característica de autoridade, influência e manipulação, Delmanto descreve que os psicopatas com sua inteligência elevada, conseguem confundir juízes e promotores que o tomam como pessoas normais, o que não são49.

46 CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal, vl.1, (arts. 1º a 120). 15. Ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2011. P. 118

47 DELMANTO, Celso, DELMANTO, Roberto, DELMANTO, Roberto Junior, DELMANTO, Fabio M.

De Almeida. Código de Processo Penal Comentado. 8. Ed. Rev. Atual. E ampliada. São Paulo:

Editora saraiva, 2010.

48 Idem.

49 Idem.

Neste sentido, é função do perito auxiliar neste tipo de situação, afim de classificar o indivíduo que a justiça está lhe confiando, para por fim, aplicar a medida cabível e garantir a segurança da sociedade.

Sobre a semi-imputabilidade, esta é a redução da capacidade de compreensão e vontade, mas não exclui a imputabilidade. A semi-imputabilidade é bem parecida com a inimputabilidade, porém, há uma leve distinção. Os semi-imputáveis possuem um limite em seu estado mental que está em uma zona entre a doença mental e a normalidade.

Diante disso, é facultado ao juiz, poder substituir a pena que lhe seria aplicada, por uma medida de segurança em forma de internação ou tratamento ambulatorial, ou que sua pena seja reduzida de um a dois terços, devido o agente, no momento do crime, não ser totalmente capaz de entender o caráter ilícito do fato, ou seja, ele compreende parcialmente o crime que cometera.

Destarte, observamos que há uma grande dificuldade para o Direito Penal brasileiro classificar o psicopata como imputável ou semi-imputável. Fernando Capez ensina que:

A semi-imputabilidade consiste na perda parcial da capacidade do agente entender a sua conduta, devido à doença mental ou ao desenvolvimento mental retardado.50

Entende-se então que a semi-imputabilidade é alcançada a aqueles agentes que a e perturbação psicológica os tornam pouco eficazes na autodeterminação, e mais fracos em relação a resistência interior de praticar o crime, ou seja o indivíduo entende que, o que comete é errado, porém, ele não conseguem controlar suas atitudes.

A diferença de consequência da declaração de semi-imputabilidade do agente, para a inimputabilidade é que, a semi-imputabilidade não exclui a culpabilidade, apenas diminui, reduzindo-se, assim, a pena de 1/3 a 2/3, ou imposição de medida

50 CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal, vl.1, (arts. 1º a 120). 15. Ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2011 p.135

de segurança, mas a sentença continuará sendo condenatória, em conformidade com o artigo 96 do CP. Vai depender de laudo de sanidade mental do acusado, dependendo do seu grau de perturbação, o juiz deverá diminuir a pena, ao passo que, a inimputabilidade isenta o agente de pena.

Em suma, de acordo com o exposto, pode-se chegar à conclusão que o imputável é o indivíduo que apresenta completa consciência dos atos praticados , e com isso o mesmo responderá criminalmente ás penas previstas no artigo 32 do Código Penal, já o semi-imputável, é o agente que entende que sua conduta praticada, fora ilícita, mas como o mesmo apresenta perturbações nas quais podem acarretar na falta de lucidez no momento do fato, sua pena será reduzida, podendo este, vir a cumprir medida de segurança, por fim, sobre a inimputabilidade, é importante destacar que, são os indivíduos portadores de uma doença mental ou desenvolvimento mental retardado ou incompleto, com exceção dos menores de idade que apresentam imaturidade natural, estes, com exceção do último, não cumprem pena, mas sim medida de segurança, permanecem sobre tratamento psiquiátrico e passam por exames constantes, para averiguar a evolução do quadro psicológico, conforme previsão do artigo 26 do Código Penal.

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