DE TRANSPORTE DE MASSA
INDICADOR: CARACTERÍSTICAS DA EDIFICAÇÃO
Subindicador Intervalo do Subindicador Grau Peso Justificativa
Tipo Edificação
Moradia isolada V1
0,2
A proximidade das moradias e o número de pessoas que transitam nestes espaços.
Moradia conjugada V2
Edifício V3
Prédio comercial V3
Igreja / Prédios Públicos / Escolas V4
Material da parede
Concreto pré-moldado V1
0,3
Características de resistência e suporte estão associadas à vulnerabilidade.
Alvenaria V2
Taipa revestida V3
Material não durável V4
Cobertura
Laje de concreto V1
0,2
Características de resistência e suporte estão associadas à vulnerabilidade.
Telha cerâmica V2
Cimento-amianto V3
Material não durável V4
Piso
Cerâmica V1
0,1
Características de resistência e suporte estão associadas à vulnerabilidade.
Cimento V2
Taco e madeira V3
Terra batida V4
Danos Fissuras V2 0,2
A presença de danos é indicativa de aumento da vulnerabilidade da edificação.
Rachaduras V4
Fonte: Coutinho (2015).
5.3.2 - Determinação do grau de vulnerabilidade
Cada indicador é analisado a partir da identificação do grau de vulnerabilidade de cada subindicador, que será calculado pela média ponderada dos seus intervalos. Os fatores recebem notas 1 (baixo), 2 (médio), 3 (alto), 4 (muito alto) e conforme já mencionado, a cada subindicador são atribuídos pesos.
A Equação 5.1 demonstra o modelo matemático para análise do grau de vulnerabilidade de cada subindicador:
𝐺𝑉𝑆𝑢𝑏 = 𝐺𝑖𝑛𝑡𝑆𝑢𝑏 𝑥 𝑃𝑆𝑢𝑏
(Equação 5.1) 𝐺𝑉𝑆𝑢𝑏 = Grau de vulnerabilidade do subindicador;
𝐺𝑖𝑛𝑡𝑆𝑢𝑏 = Grau de vulnerabilidade referente ao intervalo do subindicador. Este valor é obtido com a
média aritmética das edificações entrevistadas em cada subsetor; 𝑃𝑆𝑢𝑏 = Peso do subindicador.
O grau de vulnerabilidade do indicador é obtido pelo somatório de cada subindicador, que foi obtido na Equação 5.1, conforme a Equação 5.2:
𝐺𝑉𝑖𝑛𝑑 = 𝛴 𝐺𝑉𝑠𝑢𝑏 (Equação 5.2)
𝐺𝑉𝑖𝑛𝑑 = Grau de vulnerabilidade do indicador; 𝐺𝑉𝑆𝑢𝑏 = Grau de vulnerabilidade do subindicador.
O grau de vulnerabilidade de cada indicador permite chegar à vulnerabilidade de cada dimensão e através destas é que se chegará ao grau de vulnerabilidade final. As dimensões foram calculadas pela soma dos indicadores multiplicados pelos seus respectivos pesos, como representado na Equação 5.3:
𝐺𝑉𝐷 = 𝛴(𝐺𝑉𝑖𝑛𝑑 ∗ 𝑃𝑖) (Equação 5.3)
𝐺𝑉𝐷 = Grau de vulnerabilidade de cada dimensão (físico-ambiental e socioeconômica e cultural); 𝐺𝑉𝑖𝑛𝑑 = Grau de vulnerabilidade do indicador;
𝑃𝑖 = Peso atribuído a cada indicador.
∗ O somatório dos pesos de todos os indicadores de cada uma das dimensões é sempre igual a 1,0.
Por fim, chega-se ao grau final de vulnerabilidade para cada subsetor. O grau final de vulnerabilidade é determinado pela média dos resultados obtidos para cada dimensão, de acordo com a Equação 5.4:
𝐺𝑉𝑓 =(𝐷1 ∗ 𝑃𝑑1) + (𝐷2 ∗ 𝑃𝑑2)
𝑃𝑑1 + 𝑃𝑑2 (Equação 5.4)
𝐺𝑉𝑓 = Grau de vulnerabilidade final;
𝐷1, 𝐷2 = Vulnerabilidade da dimensão correspondente; 𝑃𝑑1, 𝑃𝑑2= Peso atribuído a cada uma das dimensões. ∗ O somatório dos pesos das duas dimensões é igual a 1,0.
Para avaliar o grau de vulnerabilidade, classificou-se os graus de risco em quatro faixas, apresentadas na Tabela 5.2. Isso faz com que o município não apresente, obrigatoriamente, os quatro graus de risco.
Tabela 5.2 – Representação das classes para classificação do grau final de vulnerabilidade.
Grau Classe 1 (Baixo) ≤ 1,75 2 (Médio) > 1,75 a ≤ 2,5 3 (Alto) > 2,5 a ≤ 3,25 4 (Muito Alto) > 3,25 a ≤ 4,0 Fonte: Coutinho (2015).
O questionário institucional realizado com as secretarias municipais, não entrou no cálculo do grau de vulnerabilidade, e sim como avaliador do potencial de preparação e resposta do município em casos de acidentes em encostas ou inundações. O formulário de resiliência também não foi incorporado ao cálculo da vulnerabilidade, mas se trata de parâmetro importante avaliado e que faz parte de futuros trabalhos da equipe GEGEP/UFPE.
5.3.3 - Metodologia para a análise da suscetibilidade em áreas de movimento de massa
Para a análise de suscetibilidade a movimento de massa foi aplicada a metodologia do GEGEP/UFPE, que vem sendo desenvolvida a partir de experiências anteriores da UFPE. Além da metodologia apresentada nesta seção, o grupo GEGEP/UFPE através de um Termo de Cooperação com o Ministério das Cidades que resultou no projeto “Elaboração de Cartas Geotécnicas de Aptidão à Urbanização frente aos Desastres Naturais”, desenvolve carta de suscetibilidade utilizando a sobreposição de informações ligadas ao tema (COUTINHO, 2014). Para a metodologia foram elaboradas fichas de campo que permitiram uniformizar os dados a serem coletados, levando em conta os principais grupos de atributos que afetam a estabilidade das encostas e os processos erosivos. Determinaram-se indicadores que geraram subindicadores associados às características de suscetibilidade para movimentos de massa, conforme apresentados no Quadro 5.2.
Fonte: Coutinho (2015).
Figura 5.10 - Instrumento de coleta e registro: Formulário de suscetibilidade para processo de movimento de massa, pág. 1.
Quadro 5.2 – Indicadores e subindicadores de suscetibilidade a movimento de massa. INDICADOR SUBINDICADOR Geológico - Geotécnico - Formação geológica; - Feições estruturais;
- Perfil geotécnico (estrutura, litologia e textura); - Características pedológicas;
- Evidências de movimento.
Geomorfológica
- Tipo de relevo;
- Visão geral da encosta do subsetor: altura (m), extensão (m) e inclinação (°); - Classe de curvatura da encosta: vertical e horizontal;
-Visão geral do talude de corte/aterro da encosta: altura (m), extensão (m), largura (m) e inclinação (°).
Uso e ocupação do solo
- Categoria de ocupação: estágio de ocupação, modo de ocupação, predominância das edificações, padrão das edificações;
- Cobertura superficial: tipo de cobertura superficial, percentual de desmatamento; - Condição de tratamento: condição do revestimento da encosta, percentual da encosta que apresenta revestimento, condição da estrutura de contenção e percentual, condição do sistema de drenagem e percentual;
- Fatores antrópicos: sistema de drenagem superficial, direcionamento do sistema de coleta de água de chuva dos telhados, destino do esgoto, abastecimento de água e fatores agravantes.
Fonte: Coutinho (2015).
Cada subindicador de suscetibilidade possui intervalos associados a uma escala de quatro termos: 1 (Baixo), 2 (Médio), 3 (Alto) e 4 (Muito Alto). Cada indicador recebeu um peso em função da sua importância, com escala relacionada à probabilidade de acontecer um processo. O grau 1 (Baixo) refere-se a baixa potencialidade para o desenvolvimento dos processos e no grau 2 (Médio), os condicionantes de suscetibilidade no subsetor são classificados de média potencialidade para o desenvolvimento dos processos. Nesta classe pode-se observar a presença de alguma(s) evidência(s) de instabilidade, porém incipiente(s). No grau 3 (Alto), os condicionantes de suscetibilidade no subsetor são de alta potencialidade para o desenvolvimento dos processos, observando-se a presença de significativa(s) evidência(s) de instabilidade. Por fim, no grau 4 (Muito Alto), os condicionantes de suscetibilidade são de muito alta potencialidade para o desenvolvimento dos processos, as evidências de instabilidade são expressivas e presentes em grande número e/ou magnitude, sendo considerada a condição mais crítica. Na sequência serão detalhados o que compõe cada indicador.
I. Indicador Geológico-Geotécnico:
O indicador foi construído a partir de associações das características geológicas, incluindo feições estruturais, geotécnicas, pedológicas e evidências de movimentações, visando a obtenção de uma caracterização detalhada para cada subsetor da área em estudo.
Foram utilizadas informações de mapas geológicos e foi realizado um levantamento em campo, com geólogos, para compor o grau de suscetibilidade de cada subsetor, observando sempre que possível os fatores agravantes do aumento da suscetibilidade, tais como: falhas, intrusões, descontinuidades, dobras, zonas de cisalhamento, entre outros.
Para a caracterização pedológica e do perfil geotécnico foram realizadas investigação de campo com especialistas na área que descreveram visualmente os perfis abertos nos subsetores, seguindo de coleta de amostra de solos caso houvesse a necessidade de análises em laboratório.
Durante a coleta de informações no campo, observaram-se evidências de processos de instabilidade na encosta, cujas informações fornecem indícios da suscetibilidade do meio, podendo indicar tipo de processo, a frequência das ocorrências e assim auxiliar a compor o grau de suscetibilidade.
II. Indicador Geomorfológico:
Neste item, foram observadas em campo, juntamente com especialistas da área, as formas de relevo e classes de curvatura da encosta com o intuito de compreender os aspectos morfológicos da topografia e da dinâmica evolutiva da paisagem, bem como as características morfométricas (altura, extensão, declividade e curvatura verticais). Esses aspectos podem influenciar nos processos gravitacionais, na migração e acúmulo hídrico através da superfície e subsuperfície da vertente. Também foram levadas em consideração as características de altura e inclinação dos taludes de cortes e aterros.
III. Uso e ocupação do solo:
O estudo do uso e ocupação é um fator muito importante para ser levado em consideração durante o mapeamento de risco. A ocupação urbana inadequada e a exploração indevida de uma região podem ocasionar sérios danos socioeconômicos ou até mesmo a perda de vidas. Neste indicador, para o processo de movimento de massa, são verificadas a categoria de ocupação, cobertura superficial, condição de tratamento e fatores antrópicos; já para o processo de inundação foram levantados os tipos e condições do acesso, sistema de drenagem da área e a concentração de água da chuva na superfície.
A categoria de ocupação é avaliada de acordo ao estágio e modo de ocupação, a predominância das edificações e seu padrão. A cobertura vegetal, quando removida, prejudica a proteção natural do talude e pode ocasionar processos de instabilidades. Além da existência de intervenções de obras de engenharia, devem-se analisar especificamente as suas condições,
a presença de drenagem e o estado de conservação. A contribuição da ação antrópica de forma desordenada e não controlada é de grande prejuízo à estabilidade de encostas, como por exemplo no caso de escavações que modificam a sua inclinação natural e influenciam diretamente na estabilidade dos taludes, agravando a instabilização. Ao ocupar as encostas o homem tem a necessidade de destinar suas águas servidas; porém como os locais irregularmente ocupados não dispõem de serviços adequados de esgotamento sanitário e drenagem, muitas das edificações passam a destinar suas águas servidas diretamente na superfície do solo, contribuindo para uma maior infiltração de água no corpo do talude e para ocorrência de processos erosivos.
Para exemplificar, na Tabela 5.3 apresentam-se dois subindicadores do indicador “Uso e ocupação do solo”, seus intervalos, graus, pesos e justificativas. Vale ressaltar que este indicador é composto por muitos outros subindicadores além destes apresentados.
Tabela 5.3 – Exemplo de indicador, seus subindicadores e respectivos graus e pesos.
Fonte: Coutinho (2015).
5.2.4 - Determinação do grau de suscetibilidade aos processos de movimento de massa
Este trabalho adotou um método índice de análise relativa, que dá resultados qualitativos aplicados a setores individualizados de encostas. O grau de suscetibilidade de cada indicador é calculado a partir da identificação do grau de suscetibilidade de cada subindicador, que é calculado pela média aritmética dos seus intervalos. Os fatores receberam notas, 1 (Baixo), 2 (Médio), 3 (Alto), 4 (Muito Alto) e a cada subindicador foram atribuídos pesos.