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PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS PARA ANÁLISE DA PRODUÇÃO DE NOVIDADES DE PROL DA SUSTENTABILIDADE DE AGROECOSSISTEMAS

E. Coli Presença Ausência

4.6.3.11 Indicador de Sustentabilidade Composto Qualidade de Vida – ISCQ

Para garantir a sustentabilidade dos agroecossistemas, é primordial que se assegure o bom andamento dos aspectos sociais, tais como a saúde, educação, boas condições de moradia, entre outros. Isso possibilita às famílias agricultoras qualidade de vida, proporcionando as condições necessárias para que essas desempenhem suas atividades de forma prazerosa, reduzindo os danos a eles e ao ambiente.

De acordo com Caporal e Costabeber (2002, p.77), a dimensão social, juntamente com a ambiental, representa um dos pilares da sustentabilidade, visto que a preservação dos recursos naturais só terá significado quando o que for produzido nos agroecossistemas possa ser “equitativamente apropriado e usufruído pelos diversos segmentos da sociedade”. Assim, a dimensão social inclui também a procura constante por melhores níveis de qualidade de vida frente à produção e consumo de alimentos mais limpos.

Contudo, Azevedo (2002) afirma que a dimensão social corresponde à capacidade do agroecossistema de suportar a sociedade, tendo como principais aspectos considerados a redução da pobreza, a segurança alimentar, condições de moradia, acesso a terra, participação social e a conservação dos meios de produção próprios de cada grupo social. Além disso, o autor menciona a relevância da coesão das comunidades, a diversidade social e a identidade cultural como primordiais para a transição para sistemas de produção mais sustentáveis.

Considerando as ponderações citadas, criou-se o Indicador de Sustentabilidade Composto Qualidade de Vida – ISCQV, o qual tem como objetivo analisar alguns aspectos de ordem social elencados pelas famílias agricultoras como primordiais. Para abranger um número maior de informações esse indicador foi construído agregando vários indicadores, ou seja, foi elaborado um Indicador de Sustentabilidade Composto, conforme mencionado anteriormente.

Para isso, no primeiro momento após a identificação dos indicadores secundários, foi atribuído significado aos valores utilizados, expressos na Tabela 02, a seguir:

Tabela 02 - Valores atribuídos ao ISCQV

Indicador 1,00 2,00 3,00 4,00

Energia Elétrica Não possui acesso Tem disponibilidade, mas frequentemente o acesso é interrompido pela queda de energia Tem disponibilidade, raramente o acesso é interrompido pela queda de energia Tem disponibilidade e não possui problemas com a qualidade do serviço

Educação Insuficiente Suficiente Boa Excelente

Saúde Apresentam doença crônica

Ficam doentes com frequência

Raramente adoecem, mas um membro da família

tem uma doença crônica Raramente adoecem Acesso ao agroecossistema Péssimas condições

Condições razoáveis Condições Satisfatórias

Excelentes condições Elaboração: da autora, 2018.

Após a elaboração da tabela com a atribuição de valores e significados aos indicadores, os mesmos foram utilizados para avaliar cada agroecossistema em estudo, conforme evidenciado no Gráfico 12, baixo:

Gráfico 12 - Indicador de Sustentabilidade Composto Qualidade de Vida

Fonte: dados da pesquisa, 2018.

Ao analisar o indicador Energia Elétrica, verifica-se que todos os agroecossistemas têm acesso ao serviço. O agroecossistema B foi o único a não apresentar qualquer tipo de

problemas quanto à qualidade dos serviços prestados pela companhia elétrica. Já no agroecossistema A, são frequentes as quedas de energia e, em alguns casos, demorando até três dias para voltar à normalidade dos serviços. Isso se torna um grande entreve à família agricultora, visto que sem energia elétrica não conseguem organizar seus produtos para a comercialização na feira e ficam sem água encanada na casa, pois a bomba que conduz a mesma para a residência depende de energia elétrica para funcionar.

Nos agroecossistemas C, D, E, F, G e H raramente os serviços de prestação de energia são interrompidos, porém, quando isso acontece os prejuízos são grandes. Assim como ocorre com o agroecossistema A, esses dependem da energia para realizar grande parte das atividades produtivas e pessoais. O agroecossistema D é um dos que mais sofre com a queda de energia, pois como a atividade principal é o leite, os tanques que depositam o alimento até a chegada do caminhão param de funcionar, estragando todo o produto ali depositado.

Ressalta-se que em todos os agroecossistemas em estudo as famílias agricultoras mencionaram o valor das contas de energia, que estão a cada dia mais elevadas. Esse fator, aliado a dependência da energia para não perder sua produção, nos remete a importância do desenvolvimento de tecnologias e fonte de energia alternativas que facilitem a vida não só daqueles que residem em áreas rurais, mas de toda a sociedade, que padece com o uso desenfreado de recursos naturais para a produção de energia, com custos cada vez mais elevados.

De acordo com Walter (2003), o meio rural e as áreas isoladas são propícias para a utilização de fontes de energia renováveis, pois os custos de extensão até esses pontos costumam ser elevados. Uma alternativa seria a associação do processo de eletrificação com o beneficiamento do produto, o que possibilitaria a agregação de valor e o aumento de renda. Tal procedimento poderia ser organizado pela comunidade rural, para baixar os custos de implantação.

No que diz respeito às condições de saúde dos agricultores, foi o indicador que apresentou os melhores índices dentro do ISCQV. Em todos os agroecossistemas os agricultores raramente adoecem, exceto no B, onde a esposa possui problemas na coluna e toma medicamentos contínuos. Os bons resultados no quesito saúde podem estar relacionados ao modo de vida dessas pessoas, que se alimentam de produtos com qualidade elevada, sem agrotóxicos.

Segundo Navolar, Rigon e Philippi (2010, p. 70), um dos pilares da promoção à saúde é a alimentação saudável, perpassando pelos os fatores ambientais, de produção e culturais, “que vão além do caráter estritamente biológico da alimentação e da nutrição humana”. Por

isso, discutir sobre o meio ambiente é também refletir sobre saúde, visto que vários problemas ambientais constatados, como as contaminações por substâncias químicas tóxicas, por exemplo, leva ao desequilíbrio ecológico e deixam suscetíveis a doenças aqueles que entram em contato.

Quanto ao indicador Educação, verifica-se que os agroecossistemas D, F, G e H apresentaram os melhores resultados, obtendo nota 3,00, o que significa que o acesso e a qualidade a educação foi considerada pelos agricultores como boa. Já os agroecossistemas C e E receberam as notas mais baixas, 1,00, visto que essa é insuficiente. Foram atribuídas nota 2,00 aos agroecossistemas A e B, pois esse é suficiente.

Foram identificadas diferentes situações no quesito educação. O grau de instrução dos agricultores varia de Ensino Fundamental – anos iniciais incompleto até terceiro grau completo, o que pode influenciar diretamente na administração dos agroecossistemas. Aqueles com menor nível de estudo, a exemplo os residentes no agroecossistema E, apresentam menor proatividade em relação aos demais quando se trata de buscar alternativas para melhorar suas condições sociais, econômicas e ambientais.

Outro fator que merece destaque é o acesso à educação, que por lei é direito de todos, mas muitas vezes é dificultado por conta de estradas mal administradas, professores carentes de formação adequada, mal remunerados e escolas que não atendam a realidade de seus alunos. Durante a pesquisa, foi identificado que no agroecossistema E reside um cadeirante, filho do casal, o qual frequenta a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE do município. Mesmo estando disposto a frequentar as aulas e participar das atividades, esse por muitas vezes é privado de seu direito, visto que o ônibus que realiza o transporte escolar não consegue chegar até a sua casa, pois a estrada secundária está sem condições de acesso, o único meio de transporte que ainda circula por lá é a carroça. Como o casal de agricultores já apresentam certa idade é difícil realizar o transporte até o ônibus, fazendo com que na maioria dos dias o aluno falte à escola.

Situação semelhante foi identificada no agroecossistema A, onde os filhos do casal precisam ser levados à escola na sede do município de carro, pois não há transporte escolar que assegure o acesso a ela. Além disso, mencionam a necessidade de um ambiente escolar que atenda a necessidade dos alunos, que não os eduque apenas para viver na cidade.

As diretrizes curriculares da educação do campo (SEED – PR, 2006), apontam que dentro da perspectiva da educação, um dos procedimentos essenciais é a escuta. Escuta a sabedoria dos povos, escuta aos alunos e suas observações acerca da escola e entorno, e escuta aos professores que atuam nessas escolas e toda a comunidade envolvida no processo

educativo. Somente através desse processo de escuta e diálogo é que será possível a elaboração de uma proposta política e pedagógica capaz de suprir as demandas da população. Assim, necessário se faz ouvir essas famílias para que seus direitos sejam garantidos, com uma educação de qualidade e adequada às suas necessidades.

Quanto ao indicador de acesso ao agroecossistema, verifica-se que esse apresentou os níveis mais baixos de sustentabilidade. Os agroecossistemas B e F foram os únicos a receber nota 4,00, apresentando excelentes condições, visto que ambos estão às margens de rodovias, o que facilita o acesso. O agroecossistema E recebeu a nota mais baixa, 1,00, pelos motivos mencionados anteriormente. Já os agroecossistemas A, D, G e H, receberam nota 2,00, ou seja, as condições estão razoáveis, o acesso é dificultado em períodos chuvosos. E por fim o agroecossistema C recebeu nota 3,00, visto que as condições são consideradas satisfatórias pela família.

Após a avaliação de cada indicador, foi atribuída a nota final do ISCQV, na qual realizou-se a média das notas de cada indicador que a compõe. Essa está evidenciada no Gráfico 13, abaixo:

Gráfico 13 - Índice Geral do ISCQV

Fonte: dados da pesquisa, 2018.

Através das informações expressas no gráfico 13, constatou-se que os agroecossistemas que obtiveram maiores notas no ISCQV foram o B (3,3), F (3,5), G (3,00) e H (3,00). O agroecossistema que apresentou o menor índice foi o E, com média final de 1,8. As notas atribuídas à qualidade de vida apontam para uma problemática que muitas vezes passa despercebida ao se tratar do meio rural, que é a forma como vivem as famílias agricultoras.

Neste sentido, Asmus (2004) afirma que poucos trabalhos se debruçam para analisar a qualidade de vida no meio rural, sendo que a maioria das pesquisas é destinada a avaliar o meio urbano. Assim, atualmente os estudos preocupam-se em verificar “a qualidade de vida de fora para dentro, ou seja, de forma objetiva e etnocêntrica, pouco se importando com o que pensam os indivíduos culturalmente enraizados e localmente envolvidos pelas ações das políticas públicas, principalmente no meio rural” (SALGADO; MINÁ DIAS, 2013).

Como nenhum dos agroecossistemas recebeu nota máxima nesse quesito, importante se faz a análise de meios para melhorar esses níveis, garantindo qualidade de vida a todas as famílias.