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PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS PARA ANÁLISE DA PRODUÇÃO DE NOVIDADES DE PROL DA SUSTENTABILIDADE DE AGROECOSSISTEMAS

E. Coli Presença Ausência

4.6.3.12 Indicador de Sustentabilidade Composto Qualidade do Solo – ISCQS

A preocupação com a qualidade do solo na agricultura teve início nos anos 1990, quando as inquietações acerca da sustentabilidade e do meio ambiente eram incipientes. A importante função do solo para a qualidade ambiental levou a sociedade a analisar os efeitos degradantes que vinham ocorrendo com a intensificação das práticas agrícolas, onde foram despejados milhares de agroquímicos, fazendo com que esse perdesse suas propriedades físicas e químicas, além de provocar a erosão (VEZZANI; MIELNICZUK, 2009). Desde então, é comum a identificação de estudos relacionados ao tema, visto a importância deste recurso nas atividades agropecuárias.

No processo de transição agroecológica, o solo também desempenha papel fundamental. É ele o principal responsável pela geração de vida e produção nos agroecossistemas, levando milhares de anos para a sua formação. Além disso, ao interar-se com o clima, proporciona às plantas condições propícias para sobrevivência e desenvolvimento (MANCIO, 2008).

Considerando a relevância do solo para a interação dos aspectos naturais nos agroecossistemas, avaliá-lo nos agroecossistemas em estudo se tornou fundamental para a verificação dos níveis de sustentabilidade. Assim, foi construído o Indicador de Sustentabilidade Composto Qualidade do Solo, que, como supracitado, analisou a Matéria Orgânica - MOS, pH CaCl2, Saturação por bases, Fósforo P Mg dm-3, CTC, e a percepção dos agricultores quanto à qualidade do solo.

Para cumprir com os objetivos previamente estabelecidos, esses foram quantificados utilizando os seguintes aspectos em cada indicador que compõe o ISCQS:

Tabela 03 - Valores atribuídos ao ISCQS

Indicador 1,00 2,00 3,00 4,00 Matéria Orgânica <2,5 2,6 – 3,5 3,5- 5,0 >5,0 pH CaCl2 < 4,5 ou >6,5 4,6 – 5,0 5,1- 5,5 5,6 – 6,0 Saturação por bases (V%) <45 45 – 54 55 – 65 >65 Fósforo P Mg dm-3 <6,0 ou >18,0 6,1 – 9,0 9,1 – 15,0 15,1 – 18,0 CTC (pH 7,0) < 6,0 6,1 – 10,0 10,1 - 11,0 >12,0 Percepção dos agricultores

Baixa qualidade Qualidade média Boa qualidade Alta qualidade Elaboração: da autora, 2018.

Destaca-se que para a avaliação de Matéria Orgânica, pH CaCl2, Saturação por bases, Fósforo P Mg dm-3, e CTC foram realizadas análises de solo no Laboratório de Solos da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, sendo que todas as normas técnicas para a amostragem foram seguidas. Quanto à definição dos parâmetros de avaliação, foram acatadas as indicações técnicas da Comissão de química e fertilidade do solo (ROLAS, 2004).

Após a definição dos critérios de quantificação dos indicadores, os mesmos foram utilizados para avaliar cada agroecossistema em estudo, conforme evidenciado no Gráfico 14, a seguir:

Gráfico 14 - Indicador de Sustentabilidade Composto Qualidade do Solo

Conforme evidenciado no gráfico acima, cinco agroecossistemas (A, B, C, D e E) apresentaram problemas em relação a matéria orgânica do solo, o que pode representar um problema a curto e médio prazo. A matéria orgânica é considerada um atributo – chave para a qualidade do solo, visto que essa “além de satisfazer o requisito básico de ser sensível a modificações pelo manejo do solo, é ainda fonte primária de nutrientes às plantas, influenciando a infiltração, retenção de água e susceptibilidade à erosão” (CONCEIÇÃO et al., 2005).

Quanto ao pH CaCl2, Saturação por bases e CTC (pH 7,0), verificou-se que os agroecossistemas B, D e H apresentaram os índices mais baixos, podendo comprometer a qualidade do solo. Já os agroecossistemas C, E, F, e G apresentaram os melhores resultados, sendo assim interpretados como condições adequadas.

No quesito Fósforo P Mg dm-3, os agroecossistemas D e F ofereceram os níveis mais baixos, apresentando entre <6,0 ou >18,0. O que possui os melhores níveis é o agroecossistema G. Esse macronutriente é essencial na qualidade do solo, visto que é responsável por estimular o desenvolvimento radicular, fundamental para incrementar a produção e propiciar a boa formação das plantas (NEVES et al., 2004).

Em relação à percepção dos agricultores sobre a qualidade do solo, verificou-se que eles consideram a qualidade do solo dos agroecossistemas boa ou ótima. Esses utilizam o comportamento das plantas como indicadores, sendo que dependendo o tipo de planta que surge na área representa a ausência ou excesso de nutrientes.

De acordo com Casalinho et al. (2011), os agricultores, devido a sua experiência de vida, desenvolvem ferramentas para avaliar o solo de forma integrada, pensando holisticamente sobre a sua qualidade. A análise persistente do agricultor sobre os sistemas de manejo, bem como as relações existentes entre planta – solo- água, é de extrema relevância para a sustentabilidade dos agroecossistemas. Sendo assim, a percepção dos agricultores quanto a qualidade do solo é tão importante no manejo dos agroecossistemas quanto as análises físico-químicas, pois podem indicar ações ao longo do tempo quando se trata deste recurso.

Desta forma, após a mensuração dos indicadores, foi realizada a média final do ISCQS dos agroecossistemas em estudo, as quais são evidenciadas no gráfico a seguir:

Gráfico 15 - Índice Geral do ISCQS

Fonte: dados da pesquisa, 2018.

Conforme evidenciado do gráfico 15, constata-se que a média geral do indicador foi de 2,63. Os agroecossistemas que apresentaram os melhores índices foram o C, E e G, já os mais baixos foram apresentados pelos agroecossistemas A e D. As notas atribuídas ao ISCQS indicam a necessidade de realizar melhorias no que diz respeito a qualidade do solo.

Um aspecto importante a ser evidenciado no que se refere ao indicador é a ausência de análises laboratoriais do solo. De acordo com os agricultores entrevistados, esse não têm o costume de realizar as análises, utilizam apenas os indicadores naturais para nortear a produção. Em alguns casos, pesquisadores já foram até os agroecossistemas e recolheram amostras do solo, porém, não retornaram com os resultados.

Por isso, durante o desenvolvimento do presente estudo, foi realizada uma reunião com as famílias agricultoras na UFSM com o intuito de devolver aos agricultores os resultados das análises de solo e água realizadas em seus agroecossistemas. Na oportunidade, foi explicado aos agricultores o significado de cada item que as compõe, e discutiram-se quais aspectos podem ser indicadores da deficiência ou excesso de nutrientes no solo.

O intercâmbio de saberes entre agricultores e pesquisadores é fundamental do processo de transição agroecológica, pois contribui para o fortalecimento dos agroecossistemas através do aumento dos níveis de sustentabilidade. Neste sentido, trocar informações quanto a qualidade do solo e água, possibilitou a todos os envolvidos exercer papel estratégico no processo de transição, visto que ocorreu a construção coletiva do conhecimento, o que é primordial na Agroecologia (SANTOS; CURADO, 2012).