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CAPITULO II. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1. Indicadores de Competitividade de algodão

Para analisar a competitividade das exportações do algodão Moçambicano no período compreendido entre 2000 a 2017, foram analisados os seguintes indicadores, Indicador de vantagem comparativa Revelada (IVCR), Indicador de vantagem comparativa revelada Simétrica (IVCRS), Taxa de Cobertura (TC) e Constant Market share (CMS), utilizados em estudos realizados por: (ALBURQUEQUE et.al. 2007), (SANTOS & SOUSA, 2017) . A escolha desses indicadores deve-se ao facto de:

3.1.1. Indicador de Vantagem Comparativa Revelada (VCR)

O Índice de Vantagem Comparativa Revelada foi desenvolvido por Balassa (1965), utilizando como base a teoria de Ricardo (1817), O indicador VCR revela se para a região analisada j, as exportações de um determinado produto i têm maior peso que para a região de referência k, considerando sua participação nas exportações totais da região de referência k. É expresso da seguinte forma:

CVRij= 𝑿𝒊𝒋 𝑿𝑱 𝑿𝒊𝒌 𝑿𝒌 ⁄ (3.1) Onde:

VCRij: é a vantagem comparativa revelada do produto (i) da região ou país (j); (j): país analisado; (k): país/região de referência; (i): produto/sector de actividades; Xij: é o valor das exportações do produto (i) da região ou país (j); Xik: é o valor das exportações do produto i da região/país de referência (k); Xj: é o valor das exportações totais da região ou país (j); Xk: é o valor das exportações totais da região/país de referência (k).

O VCRij pode variar de 0 a infinito. Se VCRij> 1, significa que o produto (i) da região ( j) apresenta vantagem comparativa revelada em relação à região de referência (k), ou seja, o produto (i) é mais representativo para a região (j) do que esta para a região de referência (k).

Página | 18 Se VCRij< 1, significa que o produto (i) da região (j) apresenta desvantagem comparativa revelada em relação à região de referência (k), ou seja, o produto (i) é menos representativo para a região (j) do que esta para a região de referência (k).

3.1.2. Vantagem Comparativa Revelada Simétrica (VCRS) VCRS=𝑉𝐶𝑅𝑆−1

𝑉𝐶𝑅𝑆+1 (3.2)

O índice representa a Vantagem Comparativa Revelada Simétrica (VCRS). Assim, o valor do índice passa a variar entre -1 e 1. Se o índice se encontrar entre -1 e 0, a economia do estado não possui vantagem comparativa revelada naquele determinado produto; entre 0 e 1, a economia possui vantagem comparativa revelada e quanto mais próximo de 1, maior será a vantagem.

3.1.3. Taxa de Cobertura Sectorial (TCS)

A Taxa de Cobertura (TC) é um indicador utilizado para verificar o tipo de actuação de uma região ou país no comércio internacional de um determinado produto, ou seja, se a região ou país é comprador ou vendedor. O indicador de taxa de cobertura pode ser desagregado a nível de produto/sector, e para o caso concreto do estudo é usada para determinação da cobertura do algodão.

A taxa de cobertura é expressa pela relação entre o valor das exportações e importações de um determinado produto (i) da região ou país (j), num certo período de tempo.

TCij =𝑿𝒊

𝑴𝒊 (3.3)

Onde:

TCij: é a taxa de cobertura do produto (i) da região ou país (j); Xi: é o valor das exportações do produto i da região ou país (j); Mi : é o valor das importações do produto (i) da região ou país (j).

Se TCij> 1, as exportações ultrapassam as importações do produto (i) da região ou país (j), havendo, portanto, vantagem comparativa e uma especialização no sector. Se TCij< 1, as exportações são inferiores às importações do produto (i) da região ou país (j), havendo, nesse caso, desvantagem comparativa no comércio desse produto o que simboliza um sector deficitário (FORTE, 2011).

Página | 19 3.1.4. Modelo Constant Market Share (CMS)

(BONANNO, 2014), afirma que as versões originais do modelo foram propostas por Leamer e Stern (1970) e Rhichardson (1971), tendo se como pressuposto básico do modelo que um país ou região mantém constante sua parcela no comércio mundial e se houver variação na participação das exportações do país, ela é atribuída à competitividade, a qual é actualmente entendida como um factor mais abrangente, influenciador das oscilações das exportações.

O Modelo Constant Market Share identifica a variação das exportações como decorrente de quatro efeitos: crescimento do comércio mundial; composição da pauta; destino das exportações; e, residual ou competitividade. Como no presente estudo é analisado o desempenho de um único produto, o algodão o efeito composição da pauta é nulo e, portanto, foi desconsiderado (ALBURQUEQUE .et. al. 2007). A equação de CMS a ser utilizada é a seguinte: ∑ (𝑽𝒌 𝒊𝒌 − 𝑽𝒊𝒕) = ∑ (𝒓𝒌 𝒊 𝑽𝒊𝒌)+ ∑ (𝒓𝒌 𝒊𝒌 −𝒓𝒊)𝑽𝒊𝒌+ ∑ (𝑽𝒌 𝒊𝒌 − 𝑽𝒊𝒕 − 𝒓𝒊 𝑽𝒊𝒌) (3.4) Onde:

(𝑉𝑖𝑘 − 𝑉𝑖𝐾)é a variação efetiva total do valor das exportações do produto i da região j para o Mercado; 𝑉𝑖𝑘: é o valor das exportações do produto (i) da região (j) para o mercado (k) no período 2; 𝑉𝑖𝑘: é o valor das exportações do produto (i) da região (j) para o mercado (k) no período 1; 𝑟𝑖 : é a taxa de crescimento do valor das exportações mundiais do produto (i), do período 1 para o período 2; 𝑟𝑖𝑘: é a taxa de crescimento do valor das exportações mundiais do produto (i) para o mercado (k), do período 1 para o período 2.

3.1.4.1.Efeito crescimento do comércio mundial ∑(𝒓𝒊 𝑽𝒊𝒌)

𝒌

Corresponde ao incremento das exportações do produto i da região j devido ao aumento no comércio mundial desse mesmo produto. Representa o incremento verificado das exportações do produto (i) da região (j), caso estas tivessem crescido à mesma taxa do comércio internacional.

3.1.4.2.Efeito destino das exportações

∑(𝒓𝒊𝒌 −𝒓𝒊)

𝒌

𝑽𝒊𝒌

Representa os ganhos ou perdas nas exportações do produto e devido ao fato de a região (j) exportar para mercados que cresceram a taxas superiores ou inferiores à média observada para

Página | 20 todos os países. Através desse efeito, identifica-se o direcionamento das exportações para países mais ou menos dinâmicos.

3.1.4.3.Efeito competitividade

∑ (𝑽

𝒊𝒌− 𝑽𝒊𝒕 − 𝒓𝒊 𝑽𝒊𝒌)

𝒌

Conhecido como efeito contribuição ou efeito residual, representa os ganhos ou perdas nas exportações do produto (i) nos diferentes mercados devido aos ganhos ou perdas de competitividade, advindos seja da estrutura de preços e custos, da melhoria na qualidade do produto e/ou das condições de investimentos.

Segundo Viana et al., citado por (2006), (ALBURQUEQUE, CARVALHO, KHAN, & LIMA.P, 2007), e (SANTOS & SOUSA, 2017) a aplicação do modelo CMS requer o estabelecimento de períodos para permitir uma comparação entre pontos discretos no tempo, os quais reflictam fatos marcantes que possam influenciar as exportações de uma região ou país. Para o presente estudo foram estabelecidos os períodos abaixo apresentados que partem do ano 2003 por insuficiência de dados referentes aos anos 2000,2001 e 2002.

Período I: (2003-2006): período caracterizado pela crise do preço internacional, maior produção do algodão desde que foi declarada a independência de Moçambique e pela mudança da moeda nacional, que trouxe um grande impacto para o país

Período II: (2007-2011): este período foi marcado pela grande crise mundial e crise do petróleo que gerou aumento na procura de cereais e bio combustíveis, factor esse que levou os produtores de algodão a emigrar para outros sectores de produção, e lançamento do programa de revitalização do algodão pelo IAM.

Período III: (2012-2017): a produção do algodão atingiu o seu recorde histórico no ano 2012, o preço do algodão em 2017 subiu para mais de 20mts/kg, e crise económica ocasionada pelas dívidas públicas em Moçambique.

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