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2.6 FLUXO DE CAIXA

2.6.1 Indicadores de viabilidade

Hansen; Mowen (2013, p. 700) ressaltam que para tomar uma decisão de investimento de capital “um gestor deve estimar a quantidade e o momento oportuno dos fluxos de caixa, avaliar o risco do investimento, e considerar o impacto do projeto sobre os lucros da empresa”, através de técnicas baseadas no fluxo de caixa. Para tanto, essas técnicas para decisão de investimentos partem da ideia de analisar a viabilidade econômica de um investimento, antes mesmo de sua implantação. No entanto, essas técnicas adotadas para avaliar o investimento devem ser utilizadas para a mensuração do valor desses mesmos investimentos, com o objetivo de avaliar a eficácia da empresa (PADOVEZE, 2011).

Desta maneira, existem diversas técnicas que podem ser usadas para avaliação de investimentos: a Taxa Mínima de Atratividade (TMA), Taxa Interna de Retorno (TIR), Valor Presente Líquido (VPL), Valor Futuro Líquido (VFL), Valor Uniforme Líquido (VUL), Payback Simples (PBS) e Payback Descontado (PBD). A TMA, para Souza; Clemente (2009, p. 71) é considerado “a melhor taxa, com baixo grau de risco, disponível para aplicação do

capital em análise. [...] A base para estabelecer uma estimativa da TMA é a taxa de juros praticada no mercado”.

Para Rasoto et al (2012, p. 92) “a TMA é uma taxa de juros que representa o mínimo que um investidor espera ganhar ao fazer um investimento ou o máximo que um tomador de dinheiro se dispõe a pagar quando faz um financiamento”. Para tanto, Souza; Clemente (2009, p. 71) enfatiza que a TMA é “usada na descapitalização do fluxo esperado de benefícios de um projeto de investimento”. Ela pode ser definida de acordo com as políticas da empresa, após realizar uma análise do custo de capital, retornos que os sócios esperam do investimento e o risco envolvido no projeto.

Com relação à TIR, Frezatti (2008, p. 77) diz que “corresponde à taxa de desconto que iguala o valor presente das entradas de caixa ao investimento inicial do projeto”. Esse critério de avaliação de investimento tem como regra para o projeto ser aceito se a TIR for superior ao custo de oportunidade da empresa (FREZATTI, 2008). Hansen; Mowen (2013) destacam que esse método de avaliação de capital é a técnica mais utilizada pelos gestores das empresas.

Dessa forma, a TIR pode ser usada para analisar a dimensão retorno e a dimensão risco. É interpretada na dimensão retorno como um limite superior para a rentabilidade de um projeto de investimento, enquanto que, pela dimensão risco, a informação da TIR é mais relevante, considerando que a TMA flutua conforme mudanças nas taxas de juros, tornando- se como uma variável (SOUZA; CLEMENTE, 2009).

O objetivo principal dessa técnica de avaliação de investimento é o fato de basear-se nos fluxos de caixa e de levar em conta o valor do dinheiro no tempo (SOUSA, 2007). Porém, para Frezatti (2008) existem algumas restrições relevantes encontradas nesse critério como as reaplicações dos fluxos de caixa, que podem obter a mesma taxa de TIR, ou ainda dependendo do fluxo de caixa pode existir mais de uma TIR e em caso de ordenar os projetos dos mais adequados para os menos adequados, necessita de outro critério, geralmente o VPL.

O método do VPL, de acordo com Padoveze (2011, p.108) “significa descontar o valor dos fluxos futuros, a uma determinada taxa de juros, de tal modo que esse fluxo futuro se apresente a valores de hoje, ou ao valor atual”. O projeto será aceito se o VPL for positivo, o que significa que ele está proporcionando à entidade um retorno superior ao seu custo de capital (FREZATTI, 2008).

Utiliza-se da técnica do VPL para medir a rentabilidade de um investimento. Caso seja positivo significa dizer que ele aumenta o valor da empresa como resultado de um investimento, isto é, mede o aumento em riqueza. Mas para usar esse critério deve-se definir

uma taxa mínima de retorno aceitável e que corresponda ao custo do capital, conhecida também como taxa de desconto ou taxa de atratividade (HANSEN; MOWEN, 2013).

No entanto, o VPL é a técnica de análise de investimento mais conhecida e mais empregada nas organizações, contribuindo para o embasamento da decisão final a ser tomada (SOUZA; CLEMENTE, 2009). Em razão disso, Sousa (2007, p. 66) destaca as finalidades dessa técnica como sendo: “trabalha com fluxos de caixa esperados e com o valor do dinheiro no tempo; trabalha com a Taxa de Retorno Aceitável pelo investidor; permite conhecer eventuais acréscimos ao valor do empreendimento proporcionados por investimentos individuais”.

No que diz respeito ao VFL, Atkinson et al (2011, p. 524) destaca que o VFL é a “quantia que representa um valor atual investido que aumentará em determinado números de períodos a determinada taxa periódica de retorno; o valor final de um investimento após n períodos contados a partir do momento atual, aplicada a determinada taxa”.

E para complementar, Silva (2005, p. 51) diz que o método do VFL “determina o valor no momento futuro de uma operação, considerando um fluxo de caixa composto de receitas e dispêndios, aplicando-se a taxa mínima de atratividade a cada valor do fluxo de caixa”.

Em relação ao VUL, Casarotto Filho; Kopittke (2010, p. 95) destacam que é “o método que consiste em achar a série uniforme atual (A) equivalente ao fluxo de caixa dos investimentos a taxa mínima de atratividade (TMA), ou seja, acha-se a série uniforme equivalente a todos os custos e receitas para cada projeto utilizando-se a TMA”. Numa visão mais simplificada, Silva (2005, p. 51) ressalta que o método do VUL “determina transformar uma série de valores diferentes em valores uniformes, através de uma taxa mínima de atratividade”.

E com relação à técnica do payback, ela busca identificar quantos períodos são necessários para a entidade obter retorno do investimento inicial. É uma informação adicional e importante para o processo decisório, dado que além do retorno do investimento, o tempo de recuperação também é importante (PADOVEZE, 2011). Para tanto, existem dois métodos para determinar esse tempo, que são conhecidos como payback simples e payback descontado. Payback Simples é o período de tempo necessário para que a empresa recupere o investimento inicial de um projeto, através de entradas de caixa. Quando este período for inferior ao período máximo aceitável definido pela entidade, significa que o projeto será aceito (FREZATTI, 2008).

A diferença desta técnica com relação à do payback simples é que as futuras entradas de caixas são demonstradas em valores presentes para o propósito de amortização do

investimento inicial, para isso é fundamental saber qual é a taxa mínima de retorno aceitável (TMRA) pelo investidor e efetuar o desconto das futuras entradas de caixa esperadas (SOUSA, 2007).

O período de recuperação do investimento inicial pode ser usado para escolher entre alternativas concorrentes. Diante disso, será preferido o investimento com o período de recuperação mais curto do que o de período mais longo (HANSEN; MOWEN, 2013). Desse modo, a técnica do payback tem como objetivo oferecer o tempo necessário para o retorno do valor investido, já considerando a TMRA, bem como representa um significativo indicador de risco, relativo ao fator tempo, que o investidor terá que assumir (SOUSA, 2007).

Por fim, não seria recomendado depender somente dessa técnica para a tomada de decisão de investimento de capital, em razão de que ela ignora a rentabilidade total de um projeto e o valor do dinheiro no tempo (HANSEN; MOWEN, 2013).

3 METODOLOGIA DO ESTUDO

Segundo Marconi; Lakatos (2011, p. 44), “Método é o caminho pelo qual se chega a determinado resultado”. Em virtude disso, este capítulo demonstra a classificação do ponto de vista de sua natureza, de seus objetivos, de sua forma de abrangência e seus procedimentos técnicos utilizados para análise da viabilidade econômico-financeira das atividades rurais de uma propriedade familiar, no qual permitem alcançar os objetivos propostos no primeiro capítulo do presente trabalho.

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