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4 A UTILIZAÇÃO DE INDICES COMO INSTRUMENTO DE ANÁLISE E TOMADA DE DECISÃO

4.1 INDICADORES: DEFINIÇÃO, FUNÇÃO E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Apesar de haver contribuições conceituais importantes para formulação de indicadores sociais desde os anos 1920 e 1930 do século XX, Figueiredo Filho et al. (2013) salientam que só a partir dos anos 1960 houve maior engajamento científico na tentativa do desenvolvimento de instrumentos capazes de acompanhar as modificações presentes na sociedade. Conforme visto no capítulo anterior, no campo dos transportes, as condições necessárias para atingir os objetivos relacionados a qualidade do serviço são abrangentes e apresentam fatores com importância relativa variável, em função das características sociais e culturais do público usuário. Dessa forma, formular e implantar

indicadores torna-se instrumento indispensável para avaliação do seu desempenho operacional.

Segundo pode ser visto nas descrições apresentadas na sequência, a capacidade de servir como instrumento de medição e avaliação de fenômenos está presente nas diferentes definições formuladas para o termo indicadores. Para Chakhtoura e Pojani (2016) indicadores podem ser definidos como uma variável representativa de um atributo operacional responsável por sua medição em direção a um objetivo. Na mesma linha de pensamento, Joumard e Gudmundsson (2010) os descrevem como a ferramenta utilizada para representar a propriedade que está sendo medida. Litman (2007) ressalta que indicadores são coisas medidas para analisar sua evolução em direção a determinadas metas e objetivos.

A interpretação do conceito está relacionada com a capacidade do indicador em representar um fenômeno de modo claro e simplificado, de tal forma que seja possível realizar o seu monitoramento. Reisi et al. (2014) complementa identificando que eles fracionam uma grandeza complexa em unidades menores de informação, tornando o seu gerenciamento e interpretação mais simples, possibilitando uma maior facilidade de comunicação entre cientistas, formuladores de políticas e público em geral.

Joumard e Gudmundsson (2010) e Reisi et al. (2014) definem como sua função principal os seguintes pontos:

- medir e avaliar a performance de um fenômeno em estudo;

- proporcionar informações aos tomadores de decisão, de tal forma que seja possível implantar ações de melhoria ou novas políticas públicas;

- estimular a comunicação e o debate sobre o efeito de planos ou programas decorrentes de atividades gerenciais.

Litman (2007) argumenta que para obter êxito, sua formulação deve contemplar as seguintes características apresentadas abaixo.

- Relevante: sua formulação é pertinente e importante para esclarecer determinado problema enfrentado pela sociedade.

- Compreensível: ser de fácil entendimento para todos os interessados no seu acompanhamento.

- Aceito: desenvolvido, aceito e utilizado por toda a comunidade interessada.

- Mensurável: sua construção é baseada em informações acessíveis, confiáveis e precisas.

- Relacionados com o tempo: permite acompanhamento sistemático e progressivo ao longo do tempo.

Quanto a sua formulação, Reisi et al. (2014) e Mameli e Marletto (2014) apresentam duas abordagens distintas apresentadas a seguir:

- A abordagem “de cima para baixo” (top-down), baseada no entendimento dos pesquisadores e especialistas do setor em estudo para escolha dos parâmetros a serem utilizados na definição do conjunto de indicadores a serem monitorados.

Através desse tratamento, parte-se da perspectiva geral de uma determinada questão para que, na sequência, seja possível o entendimento de cada assunto formador deste contexto.

- A abordagem “de baixo para cima” (bottom-up), tem como premissa a formação de um modelo participativo em que os diversos agentes interessados contribuem na identificação dos fatores constituintes dos parâmetros formulados. Apresenta como diferencial a oportunidade de envolvimento de todos interessados e uma tendência a maior aceitação pública das políticas implantadas. Como limitações, encontra-se a dificuldade na formação de um engajamento coletivo, bem como maior tempo e custo para sua construção.

Em relação à sua finalidade, Chakhtoura e Pojani (2016) classificam os indicadores em dois tipos principais: descritivos e de desempenho.

- Indicadores descritivos: sinalizam a condição atual de uma variável, ou seja, registram as características de uma realidade observada. São úteis para avaliar as condições atuais de um objeto de estudo em determinado ponto do tempo.

Como exemplo na área de transporte pode citado o número de ciclovias presentes em determinada área urbana.

- Indicadores de desempenho: são medidas de performance que permitem a comparação de indicadores descritivos ao longo do tempo, bem como do estado de um fator em relação à determinado alvo. São utilizados pelos agentes tomadores de decisão para avaliar o impacto evolutivo das ações adotadas e as eventuais intervenções para ajuste de caminho. Como exemplo na área de transporte pode ser apresentada a evolução percentual no número de ciclovias presente em determinada área urbana.

Por sua vez, em função do tipo de propriedade monitorada, os indicadores de desempenho, de acordo com Litman (2007), podem ser subdivididos nas categorias:

processo, insumos, saídas e resultados. A seguir serão exemplificadas as funções de cada um.

- Processo: são utilizados para aferir como determinadas atividades ou políticas estão sendo desenvolvidas, ou seja, são utilizados para medir dados de desempenho em determinado seguimento. Indicadores relacionados à eficácia (relação entre os resultados obtidos e os recursos empregados) e produtividade (relação entre as saídas geradas por uma atividade e os recursos empregados) são exemplos de aplicação no seguimento organizacional.

- Insumos: destinados a quantificar os recursos de capital empregados em alguma atividade específica. Como exemplo são monitorados a mão de obra utilizada em determinada atividade ou o valor investido em programa particular de financiamento.

- Saídas: quando o monitoramento e avaliação estão dirigidos ao resultado direto de algum plano de melhoria em infraestrutura ou serviços disponibilizados. São exemplos os quilômetros de calçadas ou estradas construídas ou a quantidade de viagens em transporte público oferecidas à população.

- Resultados: são indicativos de resultados finais de processos implementados. O número de quilômetros percorridos, as velocidades médias de deslocamento, o total de congestionamento de uma rodovia e a participação de um modo na matriz de transporte são amostras desta categoria.

Para Joumard e Gudmundsson (2010), não se presume que um indicador tenha a capacidade de fornecer descrição completa de um fenômeno. Dessa forma, na maioria das aplicações, nenhum indicador é utilizado de forma isolada, sendo, portanto, mais indicada a utilização de um índice (conjunto de indicadores) que represente os vários objetivos e limites presentes no campo em análise.

A seleção de um conjunto de indicadores capaz de representar um objeto a ser monitorado requer a definição de compensações. De acordo com Reisi et al. (2014), precisar um número reduzido de indicadores pode facilitar o processo de coleta e análise dos dados, mas, por outro lado, pode ser insuficiente para explicar o contexto. Por outro lado, uma seleção mais ampla pode acarretar custos elevados ou tornar uma ocorrência de difícil interpretação.

Dessa forma, a composição de indicadores individuais para formação de um único índice torna-se adequado para avaliar questões de caráter multidimensional que apresentam dificuldades de serem explicadas de forma individual. Da mesma forma, a introdução de índices compostos também permite que análises de desempenho sejam realizadas de forma mais compreensível.

Segundo explica Figueiredo Filho et al. (2013), os termos indicadores e índice são muitas vezes utilizados como sinônimos na literatura. No entanto, existem diferenças conceituais

entre os dois termos. No próximo tópico serão apresentadas essas distinções, bem como as principais características referentes a formação de um índice e sua utilidade como forma de representar um determinado objeto em exame.

4.2 UTILIZAÇÃO DE ÍNDICES COMO INSTRUMENTO DE TOMADA DE DECISÃO