3.2 ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
3.2.4 Indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão
De acordo com a Lei nº 11.892, de , os Institutos Federais devem articular o ensino, a pesquisa aplicada e a extensão, vinculando-os aos problemas concretos da comunidade em que estão inseridos, buscando soluções técnicas e tecnológicas para suas demandas numa relação transformadora com a sociedade.
A indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão é um elemento estruturante deste Plano de Desenvolvimento Institucional do IFTM, como princípio epistemológico que remete à concepção e à identidade da instituição. Trata-se de um processo de produção do conhecimento por meio da ação investigativa favorável à intervenção na realidade na qual a instituição está inserida.
Enquanto instituição socialmente referenciada, o IFTM busca responder organicamente às demandas sociais, articulando o desenvolvimento científico com as transformações decorrentes da tecnologia e os rumos da sociedade contemporânea. O contexto de sua criação revela-se como um fator estratégico capaz de intervir decisivamente no desenvolvimento da identidade cultural, científica e tecnológica, local, regional e nacional.
Nesse sentido, o papel do IFTM transcende as atividades de ensino na perspectiva da aprendizagem de uma profissão e da formação da cidadania ao contribuir decisivamente para o desenvolvimento socioeconômico, por meio da difusão dos conhecimentos científicos e tecnológicos, com ênfase na integração entre seus câmpus e suas comunidades locais.
Por meio da indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão, há o retorno do saber à sociedade em um fluxo dinâmico de conhecimento entre instituição – professor – aluno e sociedade, em uma transformação mútua, traduzindo a relação entre aprendizagem, produção e socialização do conhecimento.
O ensino não se resume em compartilhar saberes já produzidos. Considerando as possibilidades de cada momento do percurso formativo, o espaço acadêmico é também um espaço para produção de novos saberes. “Sala de aula” passa a ser entendida como espaços, dentro e fora da instituição de ensino, nos quais se apreende e se (re)constrói o processo histórico-social em suas múltiplas determinações e facetas.
As relações que se estabelecem na instituição são marcadas pela ação crítica e criadora e não restritas à sala de aula, onde o exercício da investigação e da pesquisa será incorporado como prática, seja no processo pedagógico, seja nos processos de realimentação do trabalho docente, no sentido de dar maior consistência às relações que se estabelecem entre instituição e demandas sociais.
O ensino é entendido “como instrumento de transformação e de enriquecimento do conhecimento, capaz de modificar a vida social e atribuir maior sentido e alcance ao conjunto da experiência humana” (SILVA, 2009, p.10 – 11). Tal princípio coloca o estudante como protagonista de sua formação técnica e cidadã, dando lugar a um novo conceito de “sala de aula”, que não mais se limita ao espaço físico tradicional de ensino-aprendizagem.
Por essa razão, deve ser pensado em sintonia com a realidade do mundo atual, permitindo a formação continuada do trabalhador ao longo de sua vida, sem desconsiderar as
competências e habilidades desenvolvidas na sua vivência diária. Na relação ensino, pesquisa e extensão, amplia-se o conceito de aula para além do tempo formal na instituição.
O lugar da pesquisa ultrapassa o caráter acadêmico atrelado à pós-graduação. A pesquisa é um princípio educativo em cursos de todos os níveis e modalidades de ensino e deve se constituir em um trabalho específico e sistemático em resposta às necessidades que emergem na articulação entre o currículo e os anseios da comunidade.
Por sua vez, a extensão representará o canal oficial entre o IFTM e a sociedade, potencializando uma das importantes fontes geradoras de temas para a pesquisa. O princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão reafirma a extensão como um processo acadêmico. Dessa forma, as ações por ela desencadeadas adquirem maior efetividade ao estarem vinculadas ao processo de formação de pessoas (ensino) e de geração de conhecimento (pesquisa).
Nessa premissa, a educação profissional acontecerá no âmbito da ciência e da tecnologia por meio da articulação indispensável entre a prática e a teoria. A pesquisa terá como foco o desenvolvimento de soluções técnicas e tecnológicas estendendo seus benefícios à comunidade.
A extensão por sua vez ampliará o acesso à educação, à ciência e à tecnologia, aos atores sociais, de acordo com os “princípios e finalidades da educação profissional e tecnológica, em articulação com o mundo do trabalho e os segmentos sociais, e com ênfase na produção, desenvolvimento e difusão de conhecimentos científicos e tecnológicos” (BRASIL, 2008, art. 7º, inciso IV).
Numa visão global e indissociável, as atividades de pesquisa contribuirão para o aprimoramento e produção de novos conhecimentos que serão difundidos pelo ensino e pela extensão, dependendo destes para difundir e aplicar sua produção e assim indicar novos rumos a serem seguidos.
Por outro lado, o ensino necessitará da extensão para levar seus conhecimentos à comunidade e para complementar e aperfeiçoar esses conhecimentos por meio de aplicações práticas. A extensão necessitará da pesquisa para ajudar a diagnosticar e oferecer soluções a problemas diversos com os quais deparar-se-á e para manter-se constantemente atualizada.
Assim, prima-se por romper com o modelo em que pesquisa, extensão e ensino estão separados, com a construção de conhecimentos fragmentada. Ademais, as atividades de extensão constituirão um importante meio para diagnosticar linhas de pesquisa estreitamente relacionadas com as demandas socioeconômicas locais e o mundo do trabalho. De forma prospectiva, as atividades de ensino, pesquisa e extensão são interdependentes e indissociáveis e igualmente valorizadas no IFTM.
As ações de pesquisa terão como principal ponto de partida as atividades de extensão, com os grupos de extensão constituindo-se nos principais diagnosticadores das demandas (problemas) da sociedade. Assim, a pesquisa aplicada e as linhas de pesquisas serão prioritariamente consequência das atividades de extensão, representando a solução para os problemas da sociedade ou do setor produtivo, que serão identificados por meio das atividades de extensão com sua clara possibilidade de aplicação prática.
Os grupos de pesquisa buscarão incrementar o padrão de interação com o setor produtivo tendo em vista a sua natureza mais aplicada e a articulação com o mundo do trabalho, resultando em atividades de extensão e de geração de inovação tecnológica. Segundo Silva (2009), a pesquisa deve ter suas raízes em problemas concretos da comunidade, buscando soluções técnicas e tecnológicas com a gênese de seus projetos a partir das atividades de extensão, possibilitando uma maior aproximação com a sociedade. Entendidas dessa forma, as principais demandas para pesquisas nascerão da sociedade.
No âmbito do IFTM, as atividades de pesquisa serão descentralizadas por meio de seus câmpus coadunados às realidades locais. Terão como prioridade a inovação e projetos voltados à aplicação local de seus resultados e benefícios, induzindo, assim, a pesquisa focada nas realidades locais. Ainda segundo Silva (2009, p. 10),
os conhecimentos produzidos pelas pesquisas devem estar colocados a favor dos processos locais. É nessa via que a extensão pode possibilitar a segmentos e setores – que tradicionalmente estão excluídos das atividades desenvolvidas nessas instituições – o acesso ao conhecimento científico e tecnológico a fim de criar condições favoráveis à inserção e permanência no trabalho, de geração de trabalho e renda e exercício da cidadania, ao mesmo tempo em que aprende o conhecimento construído pela sociedade enriquecendo os currículos de ensino e áreas de pesquisa.
As atividades de extensão são essenciais para o diálogo mais efetivo do IFTM com a sociedade, bem como para definição de objetos de pesquisa sintonizados com as demandas sociais e econômicas locais. Além disso, contribuem para a seleção de conteúdos curriculares favoráveis a um ensino mais contextualizado, fundamentais à aplicação prática e ao aprimoramento dos conhecimentos ministrados.
Com foco particular na inovação tecnológica, os projetos de extensão terão como ênfase os anseios e as demandas da sociedade, os quais, alinhados ao setor produtivo, buscarão assegurar o aumento de produtividade, compreendendo-se, assim, uma das principais formas de alavancar as economias regionais.
O eixo pedagógico clássico estudante-professor é substituído pela tríade estudante- professor-comunidade. O estudante, assim como a comunidade com ou na qual se desenvolve a ação de extensão, deixa de ser receptáculo de um conhecimento validado pelo professor para se tornar participante do processo. Em consequência, o alinhamento com o setor produtivo possibilitará parcerias ao ampliar os financiamentos e investimentos já disponibilizados pela própria instituição e promoverá maior articulação do IFTM junto às agências de fomento, essenciais à implementação das atividades de pesquisa e extensão e ao cumprimento da missão, dos objetivos e finalidades institucionais.
Nos projetos de extensão, serão consideradas a qualidade dos mecanismos de avaliação, de sistematização e a publicação das ações desenvolvidas, bem como a existência de integração entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Serão priorizados projetos de extensão que venham a gerar questões para as linhas de pesquisa, assim como projetos de pesquisa que venham a gerar resultados para os projetos de extensão.
É por meio da extensão que os alunos entram em contato direto com a sociedade, aplicando as habilidades adquiridas no curso e identificando obstáculos ao desenvolvimento
socioeconômico local. Tais obstáculos, por sua vez, demandam pesquisas para sua solução, sendo que os novos conhecimentos daí advindos são difundidos aos discentes por meio do ensino e retornam à sociedade pela extensão. De acordo com Silva (2009, p. 40),
As ações de extensão surgem como o laço entre as demandas sociais, o ensino e a pesquisa, devendo impactar na contínua revisão e harmonização do ensino e da pesquisa com as necessidades socioeconômicas e culturais no diálogo permanente com os conhecimentos produzidos pela sociedade.
Nesse contexto, os estudantes são estimulados a participar de atividades de ensino, de pesquisa e inovação e de extensão, incluindo a disponibilidade e o incremento de apoio financeiro a estudantes e professores. Ao se integrar à pesquisa visando à produção de conhecimentos, a extensão se sustenta principalmente em metodologias participativas, no formato investigação-ação, ou pesquisa-ação, que priorizam os métodos de análise inovadores, a participação dos atores sociais e o diálogo. Ações extensionistas com esse formato permitem aos envolvidos a apreensão de saberes e práticas ainda não sistematizadas e a aproximação a valores e princípios que orientam a sociedade.
Alinhando sua política de ensino, pesquisa e extensão às políticas e diretrizes nacionais, o Instituto buscará fortalecer sua integração com o setor produtivo e com o desenvolvimento regional, considerando que a pesquisa e a extensão desempenham papel fundamental na orientação do desenvolvimento tecnológico diretamente relacionadas à expansão econômica e social do país.
No âmbito do IFTM, a indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão remete-se às questões da inovação e transferência tecnológica sem deixar de lado a dimensão cultural e a busca do equilíbrio entre desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental, compreendidos num projeto de formação emancipatória do estudante.
Para contribuir com a transformação social em direção à justiça, à solidariedade e à democracia, é preciso ter clareza dos problemas sociais sobre os quais pretendem atuar, do sentido e dos fins da atuação, do „arsenal‟ analítico, teórico e conceitual a ser utilizado, das atividades a serem desenvolvidas e, por fim, da metodologia de avaliação dos resultados (ou produtos) da ação e, sempre que possível, de seus impactos sociais.
A extensão pode ser incorporada aos programas de especialização, mestrado ou doutorado. Além disso, pode-se valorizar a produção acadêmica a partir das atividades de extensão, seja no formato de teses, dissertações, livros ou capítulos de livros, artigos em periódicos e cartilhas, seja no formato de apresentações em eventos, filmes ou outros produtos artísticos e culturais.
Para tal, ressalta-se ainda o estímulo ao empreendedorismo e ao cooperativismo enquanto estratégia do Instituto, com o empreender entendido enquanto dimensão criativa e comportamento pró-ativo na busca de alternativas viáveis para a solução de problemas coletivos. Dessa forma, o efetivo exercício da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, remete ao compromisso social da instituição.Visando à promoção de maior integração em prol desta indissociabilidade, o IFTM buscará contemplar:
A priorização de pesquisas aplicadas às demandas socioeconômicas locais e regionais, com os projetos explicitando os produtos e benefícios a serem gerados para a sociedade;
O estabelecimento de critérios de pontuação nos editais de seleção de projetos ou a geração de linhas específicas que privilegiem ações de pesquisa e extensão que estejam integradas;
A organização de temas e problemas que possam vir a se tornar linhas de pesquisas, como produto final dos projetos de extensão;
A coleta e sistematização de dados para instituição de indicadores relacionados ao grau de participação de professores e alunos em projetos de pesquisa e extensão;
O fomento ao estabelecimento de parcerias entre os câmpus e os arranjos produtivos de sua área de influência e/ou o setor público local, bem como a instituição de indicadores relacionados ao grau de interação dos câmpus com o setor produtivo e ao alcance geográfico de suas ações.
A partir dessas ações espera-se, por um lado, maior conexão entre as atividades de pesquisa, ensino e extensão e, por outro, melhor diagnóstico das necessidades socioeconômicas locais e regionais e da sistematização dessas demandas para geração de linhas de pesquisas mais alinhadas à missão do Instituto. Destaca-se que uma maior eficácia dessas medidas passa, necessariamente, pela suficiente disponibilidade de tempo e apoio institucional aos docentes interessados em realizar essas atividades.